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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Música Amapá: Sonora Brasil


Maracatu Truvão completa 10 anos



Por Silvia Abreu,
de Porto Alegre

O Maracatu Truvão completará 10 anos de história em setembro de 2014. Para comemorar, o grupo porto-alegrense realizará atividades gratuitas e itinerantes, passando pelos bairros Restinga, Mário Quintana e Centro, em Porto Alegre, além de circular pelas cidades de Osório, Alvorada e São Leopoldo. O marco destas comemorações será no próximo dia 21 de setembro, domingo, às 16h, na Redenção, quando ocorrerá o Arrastão do Truvão, com concentração perto da Cancha de Bocha.

Entre as atividades estão oficinas e apresentações, que ocorrerão entre os meses de agosto e dezembro. Todas as ações têm entrada franca (confira programação em anexo). O projeto é financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura do governo do Rio Grande do Sul (FAC-RS).

Sobre o grupo

O Maracatu Truvão é formado por um grupo de pessoas unidas pela vontade de tocar e dançar o maracatu e pela admiração e respeito às culturas populares e aos seus protagonistas. Sua atividade básica é aprender essa tradição diretamente com aqueles que a mantêm, os mestres e batuqueiros das nações pernambucanas, e difundi-la por meio de apresentações regulares e de oficinas. É parte da história do grupo, além da prática da música e da dança dessa manifestação, o ensino e a promoção do diálogo cultural entre os dois Estados.

Sobre as atividades

Em Porto Alegre, as atividades ocorrerão nos bairros Restinga, Mário Quintana e Centro. Na cidade de Osório, o Truvão se unirá ao Maçambique de Osório durante a festa de Nossa Senhora do Rosário e, em São Leopoldo, realizará uma apresentação a alunos de uma escola pública.

Ainda, em Alvorada, o Truvão levará uma oficina para a ONG Nação Periférica, com a presença de mestres de Recife. Essa atividade permite a capacitação e a formação de educadores e pessoas ligadas a diferentes práticas culturais e também promove a experimentação de alunos iniciantes.

As atividades estão sendo levadas a grupos e locais com os quais o Maracatu Truvão já tem uma história prévia e/ou que desenvolvem trabalhos de pesquisa do maracatu. Deste modo, o projeto fortalece o diálogo cultural estabelecido nos 10 anos de existência do grupo, por meio da valorização dos envolvidos, mostrando posição ativa de defesa e promoção das diversas formas de nossa cultura.

O que é maracatu?

O maracatu é uma manifestação cultural que há mais de 300 anos é vista nas ruas do Recife durante o Carnaval, sendo considerada uma belíssima mistura de música, ritmo e dança. Como a maioria das manifestações populares do Brasil, se caracteriza por ser uma mistura das culturas africana, indígena e europeia. Além disso, é formado por uma orquestra de percussão – que inclui instrumentos como tarol, ganzá, agbê, gonguê e alfaias – e vem acompanhado de um cortejo real, no qual os participantes, vestindo fantasias, fazem saudações aos orixás, em meio a reis, rainhas e princesas. Por isso, pode-se dizer que o maracatu também é dança, dramatismo e religiosidade.


Opinião Cinema: Apenas uma chance


Por Calila das Mercês,
de Salvador



            Quantos “não” um artista tem que receber antes de chegar ao tão esperado reconhecimento?  E quantos artistas sonhadores ainda existem aí sem serem reconhecidos pelo seu talento nato? Estas são as principais perguntas do fabuloso Apenas uma chance, dirigido por David Frankel (o mesmo de O diabo veste Prada e Marley e eu) que conta a história do tímido cantor lírico Paul Potts (o título original do filme, One Change, faz alusão a seu primeiro disco). 

Entre bullying e perseguições na infância, dificuldades e incredibilidade do pai, auto-estima baixa e problemas de saúde, despreparos e ingenuidade, a verdade é que Paul (vivido divinamente pelo ator James Corden) foi bastante perseverante e adquiriu algumas parcerias na vida que fizeram a grande diferença.



Entre altos e baixos, pensa constantemente em abandonar a música, porém, antes disso conhece a namorada (interpretada por Alexandra Roach), de início vista apenas virtualmente. Ela o incentiva a seguir em frente e passa a ter um papel importante na vida de Paul. Apaixonado e decidido, ele participa de um concurso de músicas na cidade que vive no País de Gales e consegue completar o dinheiro que precisava para ir a Veneza realizar alguns estudos mais específicos de ópera.  

Com o sucesso e dedicação, ele e uma colega destacam-se na turma e recebem como recompensa a oportunidade de cantar para seu ídolo, Luciano Pavarotti. Nervoso, ele não consegue mostrar a vivacidade da voz e o cantor italiano o desanima ao dizer que ele “nunca iria conseguir roubar o coração das pessoas” se ele não se entregasse completamente.

Totalmente desestimulado, Paul retoma para sua cidade, onde trabalha numa pequena loja de celulares, deixa a namorada de lado e fica deprimido até que resolve voltar atrás da namorada, casam-se e aí começa uma fase com injeções de coragem e credibilidade vindos da sua parceira.

  Inspirado numa história real, o filme traz as “pedras do caminho” que qualquer artista “sem sobrenome” ou sem padrinhos pode passar. Diferente do que costumamos ver, Paul chega ao estrelato com as próprias pernas, através do show de calouros televisivo Britain’s Got Talent. O longa é muito emocionante. Diria que é um dos melhores filmes que vi este ano, tanto no quesito técnico, quanto no roteiro bastante amarrado e nem um pouco cansativo ou enfadonho. O drama mostra o exemplo da realidade de pessoas que lutam pelos seus sonhos e “apenas uma chance” é o que muitos artistas gostariam de ter e, muitas vezes, passam despercebidos pela vida e pelo olhar do público.



Literatura Rio de Janeiro: Mirada


Fotografia Belém: Patrimônio da Dor