Páginas

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Aluno da Escola Nanci Nina Costa, de Macapá, participa da Olimpíada de Língua Portuguesa


A Olimpíada é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e da Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Cenpec — Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, e tem como parceiros na execução das ações o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Canal Futura. Desenvolve ações de formação de professores com o objetivo de contribuir para a melhoria do ensino da leitura e escrita nas escolas públicas brasileiras. Tem caráter bienal e, em anos pares, realiza um concurso de produção de textos que premia as melhores produções de alunos de escolas públicas de todo o país. Na 3ª edição participam professores e alunos do 5º ano do Ensino Fundamental (EF) ao 3º ano do Ensino Médio (EM), nas categorias: Poema no 5º e 6º anos EF; Memórias no 7º e 8º anos EF; Crônica no 9º ano EF e 1º ano EM; Artigo de opinião no 2º e 3º anos EM. Nos anos ímpares, desenvolve ações de formação presencial e a distância, além da realização de estudos e pesquisas, elaboração e produção de recursos e materiais educativos.

Os textos dos alunos da escola do Estado do Amapá para participar da 4ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro já foram selecionados pelas Comissões Julgadoras Escolar, Municipal e Estadual do projeto.  A escola vencedora no estado na categoria crônica com o tema “Antigamente” foi a ESCOLA ESTADUAL PROFESSORA NANCI NINA COSTA, que será representada pelo aluno WINSTON KENRICK DE ALMEIDA HARRY (14 anos), sob a coordenação da professora de língua portuguesa SILVIA PATRÍCIA DE LIMA FERREIRA.

Aluno Winston Harry


A crônica foi analisada e, depois de passar por todas essas etapas, foi selecionada e está entre os 500 textos semifinalistas da Olimpíada em todo o Brasil. Concorrerá à semifinal regional com outros 125 da mesma categoria, sendo que serão classificados para a final nessa etapa 38 textos somados com as demais regiões do país, assim serão 152 textos na final.

O aluno Winston, juntamente com a professora Silvia Patrícia e os demais classificados das outras categorias, viajarão nos dias 10, 11 e 12 de novembro de 2014 para representar o Amapá na etapa regional (semifinal), em Porto Alegre, tendo a viagem e despesas de hospedagem e transporte e alimentação custeadas pela Olimpíada.

***



TÍTULO DO TEXTO: ANTIGAMENTE
CATEGORIA: CRÔNICA
ALUNO AUTOR: WINSTON KENRICK DE ALMEIDA HARRY
PROFESSORA: SILVIA PATRICIA DE LIMA FERREIRA
DIRETOR: KLEBER MARCIO MARTINS DOS SANTOS
ESCOLA: ESC EST PROF NANCI NINA COSTA
MUNICÍPIO/UF: Macapá/AP




                             Antigamente



Muitas vezes eu fico cansado de ouvir minha mãe falar coisas como: No meu tempo, antigamente, como se o meu tempo fosse o pior tempo para se viver ou para criar filhos. Às vezes ela fala tanto das brincadeiras de criança, da relação entre vizinhos, dos fins de tarde reunidos em frente de casa, das conversas animadas etc., que só falta chorar!

Ela jamais cansa de dizer que não podemos mais sentar em frente de casa, para conversarmos, nas nossas cadeiras de balanço sem sermos assaltados. Diz, também, que o “Zap zap” e o Facebook me afastam dela, me deixam apático; que o videogame me tira a oportunidade de me relacionar  e socializar com outras crianças e que isso pode até me prejudicar no futuro.

A minha mãe e eu moramos no Buritizal, ela diz que é o bairro em que viveu toda vida, bem, eu também vivo aqui e apesar de tentar muito, não consigo ver relação entre o bairro dela e o meu. É como se fossem dois mundos diferentes. Eu acho que o tempo realmente contribuiu para a mudança desse lugar.

Minha mãe não perde a oportunidade de resaltar:  No meu tempo era tudo mais fácil e melhor!

Ela conta de como ela era feliz nas brincadeiras de bandeirinha, queimada, elástico, macaca (amarelinha), cirandas, o banho no lago da Aningueira, hoje lago se transformou nas famosas ʺpassarelasʺ do Muca. Devido à grande poluição causada pelos moradores, não é mais possível tomar banho lá. O lago agora fica embaixo de palafitas e pontes, dessa forma a água ficou imprópria.

Narra o respeito que existia entre as pessoas e dos namoros inocentes (apesar das fugas dos namorados pra cima da caixa d’água do Buritizal, isso pra mim é surpreendente, no entanto, talvez isso se dava pelo fato de serem extremamente vigiados pelos velhos), depois de todo esse risco valia a pena as risadas nas rodas de amigos.

Fala que na quadra junina as pessoas faziam lindas fogueiras e passavam através dela para se tornarem respeitáveis compadres e comadres de fogueira por toda a vida, eu mesmo conheço alguns compadres de minha mãe: ʺcumpadi Melkeʺ ʺcumpadi,Ramiro”, ʺcumpadi Amâncio”; é assim que ela trata eles. Passar fogueira era dar as mãos e passar cada pessoa de um lado da fogueira e pedir para são João e são Pedro confirmar essa união e a partir daí se tornavam compadres e comadres de fogueira.

Ela expõe ainda, que as quadrilhas eram caipiras e as moças se vestiam como verdadeiras bonecas. Na minha Macapá, ninguém sabe se é festa junina ou é carnaval de tanto brilho que tem. As quadrilhas eram originais e com roupas decentes, lindas de se ver, mas a evolução deixou quadrilhas tradicionais bastante diferentes das do tempo dela, com culturas trazidas de outros lugares que segundo ela, perderam o valor da raiz, a tradição era o que encantavam as belas quadrilhas: Coronel Virgulino, Dama de Ouro (onde minha mãe dançou na juventude), El Dourado, Matuto Espalha Brasa. Essas eram o nome de algumas das quais fizeram história na Macapá de minha mãe.

Às vezes morro de vontade de ter conhecido esses tempos só para ver a diferença e poder sentir exatamente o que ela sentiu um dia, apesar de, sem saber o porquê, eu sinto saudades, talvez pela forma como ela fala, com tanta nostalgia, um olhar doce e suspiros perdidos.  Apesar de não saber mais viver sem meu celular com câmera, entendo que talvez se ela tivesse um para registrar tudo, eu poderia fazer essa viagem no tempo com mais facilidade e saberia as informações com mais precisão e mesmo que eu abrisse mão dos recursos tecnológicos isso não seria possível (seria capaz de abrir mão deles facilmente só para viver a viagem a Macapá saudosa de minha mãe). No entanto, como é impossível esse retorno, resolvi historiar a minha primeira crônica.


Winston A. Harry



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Teatro Rio de Janeiro: Où on va, papa?



A Aliança Francesa do Rio de Janeiro realiza duas apresentações gratuitas do espetáculo “Où on va, papa?” (em português “Aonde vamos, papai?”), no dia 16, na unidade da Tijuca e 17, na unidade de Botafogo.  A peça é uma adaptação do livro autobiográfico de Jean-Louis Fournier, vencedor do prêmio literário francês Femina 2008.

Com adaptação e atuação de Xavier Carrar, direção de Layla Metssitane e direção técnica de Gilles Dieutegard, o espetáculo conta a história real da vida de Jean-Louis Fournier, pai de dois filhos deficientes físicos e mentais e oferece ao público todas as emoções da vida: a ternura, o desespero, o amor e, sobretudo, o humor, essencial na obra de Jean-Louis Fournier para abordar seu drama mais pessoal.

“A leitura do livro foi para mim uma enxurrada de emoções misturadas, estava totalmente perdido, entre risos e lágrimas, sendo tragado por essa história forte e cativante de um pai e seus dois filhos deficientes físicos e mentais, Mathieu e Thomas. Com a diretora, tivemos todo o cuidado de respeitar a escrita de Jean-Louis Fournier, sempre se equilibrando entre emoções e humor”, conta o ator Xavier Carrar, responsável pela adaptação do livro para os palcos.

Os eventos são gratuitos e abertos ao público, apresentados em francês, sem tradução.

Sobre o elenco:

Xavier Carrar – Ator, autor e diretor, formado no Théâtre National de Chaillot. Trabalhou sob a direção de Anne Delbée, Maurice Béjart, Albert-André Lheureux, Jean-Pierre Dravel e Olivier Macé… Em 2006, fundou, com Layla Metssitane, a companhia Théâtre des Hommes, e ambos vão em busca da descoberta de obras e autores contemporâneos tais como Aimé Césaire, Taslima Nasreen, Amélie Nothomb ou Jean-Louis Fournier. O seu segundo texto La Bande recebeu o prêmio do InédiThéâtre 2012 (prêmio secundarista de peças inéditas) e publicado pela editora Lansman. Também foi traduzido para o espanhol. Erreur 404, o seu terceiro texto, sairá em 2014 pela editora Lansman. 

Gilles Dieutegard – É formado em Som e Iluminação pela Escola Nacional Superior de Artes e Técnica Teatral (ENSATT), em Lyon. Sua primeira experiência profissional com Marcel Marceau, que lhe confiou as produções dos espetáculos da Escola de Mimodrame de Paris. Em seguida, trabalhou para o Teatro Antoine, o Teatro de Porte Saint Martin em Bobino e para a Disneylândia de Paris, especialmente para a turnê europeia de promoção do filme Pocahontas. Entrou para a Comédie Française e tornou-se chefe adjunto do setor Iluminação para os espetáculos de Alain Francon, Jacques Lassale, Bob Wilson, Alfredo Arias etc e trabalhou com os iluminadores Joël Hourbeigt, André Diot, Alain Poisson, Jacques Rouveyrollis, entre outros. Em 2011, no Festival de Avignon, criou a iluminação do espetáculo “Où on va, papa?”.



  
Serviço:

Teatro na Aliança Francesa: “Où on va, papa?”
Adaptação do livro de Jean-Louis Fournier

Elenco:
Ator: Xavier Carrar
Técnico Som e iluminação: Gilles Dieutegard
Diretora: Layla Metssitane
Adaptação: Xavier Carrar

Evento em francês, sem tradução

Duração: 1h20min
Entrada franca.
Classificação: 14 anos

Quinta-feira, 16 de outubro, às 19h30 – Aliança Francesa da Tijuca
Rua Andrade Neves, 315 (Estação de metrô: Uruguai)
2570-5798 / 2570-0639

Sexta-feira, 17 de outubro, às 19h30 – Aliança Francesa de Botafogo
Rua Muniz Barreto, 730
2286-4248 / 2539-4118

Teatro Belém: Aonde Vamos, Papai?


Música Recife: Forfun