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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Três momentos com Ariano Suassuna



Agora à tarde, perto das 17h, os noticiários confirmaram o que já se temia desde segunda, mas no fundo esperávamos que ainda não fosse desta vez - a morte do escritor Ariano Suassuna, aos 87 anos, no Recife, cidade onde vivia desde a adolescência.

Tive a felicidade de estar próximo deste verdadeiro gênio da literatura brasileira em três ocasiões.

1 - 1996

Em março de 1996, quando ingressei no curso de Comunicação Social - Habilitação Jornalismo da UFRGS, Ariano Suassuna esteve em Porto Alegre para ministrar uma aula inaugural do semestre para todos os cursos da Universidade. Ele estava mais ou menos como nesta foto ao lado, com roupa preta e vermelha (as cores do seu clube do coração, o Sport), e com um cordão no pescoço, que volta e meia segurava e que em dado momento relacionou com um cordão citado na Carta de Pero Vaz de Caminha, usado pelos portugueses e que teria impressionado muito os índios encontrados pela frota de Pedro Álvares Cabral na Bahia. Lembro da indignação de Suassuna, nacionalista ferrenho, ao relatar que, quando passou a dar aulas na universidade de Pernambuco a princípios da década de 1970, os demais catedráticos resistiam à sua inclinação em falar de cultura brasileira: "Me disseram que existia só uma cultura, a das formas nascidas na Europa, e que não havia nada de cultural tipicamente brasileiro". A revolta levou-o a criar o Movimento Armorial. 

2 - 2007

Em fevereiro de 2007, a convite do Ministério da Cultura, estive no Recife participando da Feira da Música. No Teatro de Santa Isabel, assisti a uma aula-espetáculo de Antônio Nóbrega sobre o frevo. Em dado momento, Nóbrega destacou na platéia as presenças de Moraes Moreira e de Ariano Suassuna - este, num camarote do teatro, foi aplaudido demoradamente e merecidamente pelo teatro lotado. 

3 - 2008

A 54ª Feira do Livro de Porto Alegre teve Pernambuco como estado homenageado. Uma ampla delegação de escritores pernambucanos esteve na capital gaúcha, e naturalmente Ariano Suassuna não poderia ficar de fora da lista. Sua aula-espetáculo Nau foi a abertura festiva da Feira (como vocês vêem, os gaúchos adorávamos chamar Ariano para aberturas. Fazíamos bem). Reproduzo abaixo o boletim que elaborei para minha Agência de Notícias Brasileirinho em 3 de novembro de 2008, relatando a participação de Ariano.

*** 

NAU DE ARIANO SUASSUNA ATRACOU EM PORTO ALEGRE 
Aula-espetáculo foi abertura festiva da 54ª Feira do Livro

A aula-espetáculo Nau, de Ariano Suassuna encantou a platéia que lotou o Teatro Sancho Pança (no armazém B do Cais do Porto), na noite do sábado, 1º. Ao longo de aproximadamente duas horas, o autor de A Pedra do Reino contou histórias dele e de Simões Lopes Neto, criticou a mediocridade imposta pelos meios de comunicação e conduziu o público por um rico mergulho na cultura brasileira.




As aulas-espetáculo são um projeto antigo de Ariano, retomado no começo do ano passado quando, a convite do governador Eduardo Campos, tornou-se Secretário Especial de Cultura de Pernambuco. Através delas, busca romper o isolamento imposto às diversas manifestações artísticas ao longo do século 20, principalmente por parte de críticos e filósofos preocupados com a "pureza". O próprio Ariano, aliás, tem sido criticado por defender a pureza da cultura brasileira, o que ficou negado tanto por suas palavras quanto pela concepção da aula-espetáculo.

Em vários momentos, Ariano criticou a mania brasileira de imitar os estrangeiros, mesmo em seus aspectos mais medíocres (citou o uso indiscriminado de vocábulos estrangeiros, como quando jornais de São Paulo chamaram Nau de "aula-show"; diz Ariano que em sua terra "show é interjeição de espantar galinha"). Disse, porém, que quem, como ele, deve tanto a autores como Calderón de la Barca, Cervantes e Molière não pode, de maneira alguma, ser xenófobo. Declarou também não ter "preconceito" contra a mediocridade, e sim raiva mesmo. Em especial, rebateu uma declaração do produtor musical Carlos Eduardo Miranda, publicada na imprensa paulista: "O grupo Calypso tem a cara superbrega do povo brasileiro. Já o guitarrista Chimbinha é genial." Além de não ver o povo brasileiro como "superbrega", Ariano arrancou gargalhadas da platéia ao se dizer preocupado:

- Se eu definir Chimbinha como genial, vou ter que inventar outra palavra para classificar Beethoven!

Já na aula-espetáculo, a diversidade se fez presente em todos os momentos. Nas três primeiras músicas, "Toré" (representando o indígena), "Nau" (sobre os povos ibéricos) e "Estrela Brilhante" (um maracatu, aludindo aos negros), enquanto as músicas remetiam às etnias que formaram o povo brasileiro, as coreografias tinham muito do balé clássico. A dança foi menos estilizada nos números finais "Maxixe" (solo da bailarina Ana Paula Santana), "Dobrado" (já com elementos rítmicos e coreográficos do que viria a ser o frevo) e "Tradicional" (o frevo, num solo do bailarino Jáflis Nascimento). Entre os dois blocos, uma homenagem à Nossa Senhora, através das músicas "Excelência", com letra de uma incelência (canto entoado por rezadeiras no interior do Nordeste como rito de passagem do falecido) tradicional e música de Antônio Madureira, interpretada pela cantora Isaar França, e "RoMaria", na voz do cantor Ednaldo Cosmo de Santana.

Todas as músicas apresentadas são de autoria de Antônio Madureira, ex-integrante do Quinteto Armorial, grupo idealizado por Ariano na década de 1970. Junto a Madureira ao violão, compunham o grupo os instrumentistas Eltony Nascimento (flauta, e flautim em "Tradicional"), Sérgio Ferraz (violino), Sebastian Poch (violoncelo) e Jerimum de Olinda (percussão). Além dos bailarinos já citados, também participaram Gilson Santana (o Mestre Meia-Noite), Pedro Salustiano e Maria Paulo Costa Rêgo (coreógrafa do espetáculo). Na condução da aula-espetáculo, auxiliou Ariano o arquiteto e mestre em Literatura Brasileira Carlos Newton Júnior.

As verdades de Max Emanuell

Por Calila das Mercês
de Salvador

“Ora, Minhas Verdades? São as experiências da minha vida, que passei. Eu sempre fiz do sofrimento e da dificuldade, oportunidade...” diz o jovem cantor e compositor baiano que transita na capital paulista numa aventura que começou há quase quatro anos.

O nome dele é Max. Para ser mais precisa, Max Emanuell, um artista que traz desde criança o sonho de lidar com música e, desde os primeiros dedilhados no violão e canções compostas e cantadas em Conceição do Jacuípe (Berimbau), sua cidade natal, no interior da Bahia, tem atraído um considerável número de admiradores.

Todos os anos ele faz uma única e esperada apresentação na sua cidade natal. Emocionante, doce e surpreendente. Exatamente assim como foi comprovado no dia 28 de junho, um sábado, no show Minhas Verdades - Acústico realizado no Restaurante e Pizzaria Beckmann, um dos points da cidade em que é possível ouvir boa música dos artistas da terra com apresentações que trazem sempre voz(es) e violão(ões). E foi lá que Max dialogou com o público, junto ao também músico Vinícius Pinto (violão) e participação de Nuno Baiano, com um repertório que trouxe desde músicas autorais até canções de bandas e artistas consagrados como Roberto Carlos, Leandro e Leonardo, Djavan, Seu Jorge, Paralamas do Sucesso, Limão com Mel, entre outros.

Ele, como muitos outros, foi para as terras do sudeste “tentar a vida”, como dizem os mais velhos daqui. O que Max trouxe na bagagem para a sua cidade natal? Mais que histórias e fragmentos de experiências vividas, ele chegou com o seu primeiro EP, Minhas Verdades, fruto de um trabalho que mescla atitude e perseverança em comunhão com amor, humildade e com a substância que faz o coração dele bater mais forte: a música.

Assim como o show intimista na terra natal, o álbum que contém cinco faixas foi produzido pela One Produtora e convida o ouvinte a transitar em um estilo romântico que está impregnado na arte e na voz doce e marcante de Max Emanuell. Minhas Verdades traz canções autorais que falam de situações de envolvimento e surpresa nas relações amorosas. Para quem gosta de música romântica, sugiro que escute Max Emanuell. Acreditem, esse menino vai longe. 


terça-feira, 15 de julho de 2014

Espetáculo São Paulo: Waly Salomão - Poesia Total


O evento celebra os 70 anos do poeta baiano Waly Salomão e reúne no mesmo palco pela primeira vez depois de 40 anos sua intérprete Gal Costa e seu parceiro Jards Macalé

O cantor pernambucano Lira irá recitar poemas de Waly. 

domingo, 13 de julho de 2014

Entrevista: Cebola Pessoa (Calangazoo)

            Por Calila das Mercês,
de Salvador

Surpresa é o nome do novo EP da banda Calangazoo. As três canções mostram de cara a personalidade que estes músicos de Salvador trazem na bagagem. Bateria ousada, baixo envolvente, guitarras e vozes marcantes, além de músicas autorais pra lá de bem arranjadas. A banda é formada pelos músicos Andel Falcão (guitarras), Bob Nunes (baixo e vocal), Leo Abreu (bateria) e Cebola Pessoa (guitarras e vocal).



Calangazoo, no seu novo EP, mistura narrativas do cotidiano com influências do rock. Este trabalho conta com a produção de Irmão Carlos, mixagem de Eric Pimenta e a participação especial do percussionista Herverton Didoné. Os meninos têm atuado no circuito musical desde 2011 e estiveram presentes em festivais como o Rock Cordel, Grito Rock e Habemus Rock.



Quem concordar comigo e quiser conhecer um pouco mais da banda, poderá, no próximo dia 24 de julho, assistir o show Surpresa em Salvador, na Casa Preta (Bairro Dois de Julho). E em setembro Calangazoo saudará a estação das flores com a terceira edição do Primavera Rock também na capital baiana. Confira agora uma entrevista exclusiva do vocalista do Calangazoo para o Jornalismo Cultural.

Jornalismo Cultural - Como surgiu a ideia de criar o Callangazoo?

Cebola Pessoa - A banda surgiu em 2011 pela arte do encontro. Nós já atuávamos como músicos do cenário independente da cidade. Eu estava gravando duas composições em ritmo de reggae e buscava formar uma banda para tocá-las. Logo no primeiro encontro em estúdio percebemos que não soávamos reggae. Apresentei então outras músicas do baú e com elas foi que nos demos conta de que tínhamos algo ali, uma musicalidade que apontava para um rock divertido. Os primeiros ensaios aconteciam no zoológico de Salvador – próximo à residência do baixista - e o nome da banda foi inspirado no calango azul que veio nos visitar em um destes ensaios. Existe até uma fábula sobre esta aparição no encarte do nosso primeiro EP, confiram. 

Jornalismo Cultural - Quais são as principais influências do grupo?

Cebola Pessoa - Raul Seixas, Luiz Gonzaga, Baia & Rockboys, Mutantes.

Jornalismo Cultural - Vocês têm outras ocupações ou vivem somente de música?

Cebola Pessoa - Eu atuo também como jornalista; Leo Abreu, o baterista, é ator e funcionário do Banco do Brasil; Bob Nunes, baixista, é também ator e trabalha com produção de vídeo. Andel Falcão, guitarrista, vive da música, levando suas habilidades também para outros trabalhos.


Jornalismo Cultural - O que acha das políticas culturais para a área musical?

Cebola Pessoa - Penso que as políticas culturais do munícipio ainda se restringem a atuar como acessório das ações turísticas da cidade, de modo que são poucas as iniciativas que ultrapassam as barreiras do entretenimento; que trabalham para reunir o público consumidor de música independente ou para apoiar a produção de obras. Já as políticas culturais estaduais nos interessam mais porque elas chegam às bases do consumo de cultura, criam condições para que os grupos independentes possam circular e ajudam na dinamização de novos espaços culturais.

Jornalismo Cultural - Sobre o EP Surpresa o que o público pode esperar?

Cebola Pessoa - No EP Surpresa buscamos oferecer ao público um registro com canções litorâneas e contemplativas. Seguimos um caminho de construir os arranjos a partir daquilo que as letras das músicas nos sugeriam e chegamos a nos permitir um galope/ijexá em “Tereza Surpresa”. Sinto que esse trabalho que reflete essa nossa alegria de concluir uma trilogia de lançamento, de circular com o nosso show pela Bahia e outros estados e também de registrar o encontro com amigos musicais queridos como o produtor Irmão Carlos e o percussionista Heverton Didoné.

Jornalismo Cultural - Quais são as expectativas de vocês para este ano e os próximos projetos da Calangazoo?

Cebola Pessoa - Para o segundo semestre deste ano continuamos a trabalhar o show Surpresa em Salvador e também circular com ele, quem sabe até integrar a grade de programação de alguns festivais, buscando sempre novas formas de levar a nossa música ao público. O nosso próximo projeto é a gravação de um disco cheio, já começamos inclusive a trabalhar em algumas das novas composições.


terça-feira, 8 de julho de 2014

Literatura São Paulo: Coração Peludo



Plínio Camillo lança a coletânea de contos Coração Peludo (ed. Kazuá) na Casa das Rosas, no próximo dia 23. O escritor também é autor de O namorado do papai ronca. 


No prefácio da obra, o escritor e jornalista Gláuber Soares comenta:


‘Numa época em que boa parte da literatura brasileira se encontra asséptica, indevidamente pasteurizada, Plínio Camillo rasga o peito do seu personagem principal, fio condutor entre todos os contos…

Lançamento: Coração Peludo
Local: Casa das Rosas
Dia: quarta-feira, 23 de julho de 2014.
Horário: 19 às 21h30
Local: Casa das Rosas - Avenida. Paulista, 37 - Bela Vista - São Paulo
Custo: R$ 35,00 (trinta e cinco reais; no evento, pagamento somente com dinheiro ou cheque)

Música: Turnê da banda Impavid Colossus