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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Opinião Cinema: Cinquenta Tons de Cinza

Por Bianca Oliveira





“Eu não faço amor. Eu f*d*... e com força”  A  frase do Sr. Grey marcou a galera, despertou uma esperança e animação . Mas depois, veio a realidade. Baseado na obra da escritora inglesa E. L. James, Cinquenta Tons de Cinza se trata de uma história de amor, é só mais um romancezinho de Hollywood, tentaram esquentar mas não conseguiram, não teve jeito, ficou chato e até comum (claro que Hollywood não ia quebrar tabus). Não fiquei decepcionada, não esperava nada do filme mesmo, mas a questão é: e aqueles que gostaram do livro? Vale a pena sair de casa para ficarem constrangidos depois?

Era uma vez uma moça ingênua, bem-comportada e virgem, chamada Anastasia Steele (Dakota Johnson), que conhece Christian Grey (Jamie Dornan), um galanteador bilionário, discreto e que tem um olhar penetrante e perturbador (pelo menos deveria ter). É a partir do encontro desses dois personagens que se constrói toda uma história com situações repetitivas e conflitos fracos. Poderia ser mais um caso comum, se não fosse um peculiar gosto do Sr. Grey, ele é adepto do sexo mais “selvagem”, o BDSM (ou seja, Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo). Com direito a um “quarto da dor”, que é decorado com veludo vermelho e couro negro e tem uma cama gigante, almofadas confortáveis, chicotes, coleiras, correntes, algemas e etc. Ele exige exclusividade na relação (com contrato e tudo mais, ela nem sequer pode consumir álcool, a pedido do "dominador"), e os dois embarcam na relação sexual propriamente dita. Até que tem boas cenas, bem dirigidas, mas, ao contrário do que achavam, e do que ele deixava a entender, o sexo era politicamente correto no trato, ninguém suou, nem houve um “quê” a mais, e a câmera lenta estava lá para suavizar a chicotada. 


Faltou algo, talvez mais olhares, palavras quentes, o poder do diálogo é mais arrebatador do que aquela penetração explicita na tela. E tem o ponto de vista machista também, enquanto Anastasia aparece nua, algemada, acorrentada, o Sr. Grey fica de calça jeans, aparece quase nada dele (poxa, o tanquinho do Jamie é tentador!). O problema é que o  filme é contraditório, em uma cena o personagem diz que não gosta de romantismos, flores, só quer dominar, fazê-la subir pelas paredes, mas na cena seguinte está passeando de mãozinhas dadas, tendo “ciuminhos” e protegendo a recente ex-virgem indefesa.

O que incomoda mesmo é Jamie Dornan, ele não seduz, não passa a força que o Christian Grey deveria ter, faltou um olhar cativante, só o que ele passou foi insegurança. Faltou também equilíbrio no processo evolutivo do personagem e das situações, a história ficou na mesma, não teve arrepios e nem nada, se a missão era excitar, o máximo que conseguiu foi gerar gargalhadas com aqueles diálogos frágeis e um roteiro até “bestinha”. Como já era esperado, Cinquenta Tons de Cinza é tedioso, oportunista, mal contado e constrangedor. Ah! E se você não leu o livro, provavelmente ficará perdido em certas partes.



Oficina Belém: Teatro e Performance Negra


Oficinas Salvador: Teatro e Circo


Debate Rio de Janeiro: Diálogos ESPOCC - Brasil em Movimento


Oficina Porto Velho: Teatro


Música São Paulo: Choro na Manhã nº 100


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Palestra Belém: Enunciados de um Mundo-Imagem


Primeiro grupo de teatro inclusivo de Belém será criado em projeto gratuito de extensão

Pessoas com ou sem deficiência e com ou sem experiência cênica podem participar do empreendimento que está com inscrições abertas até o dia 4 de março 


Carlos Correia Santos
(fotos: Iara Correia Santos)



Por Parla Página
Produção de Conteúdo

Já pensou em participar, como ator, de espetáculos que trazem o público para dentro de experiências que reproduzem a condição de pessoas com deficiências? Essa oportunidade pioneira poderá ser vivida a partir de agora na capital paraense. Estão abertas as inscrições para o Cena Especial – Teatro Inclusivo, Projeto de Extensão da Fibra, dedicado à formação de atores-inclusivos e criação do primeiro grupo de teatro de Belém especializado em espetáculos cênicos inclusivos. Podem participar do projeto pessoas com ou sem deficiência e com ou sem vivências cênicas.  Criado e ministrado pelo poeta, dramaturgo e músico Carlos Correia Santos, o projeto não cobrará dos participantes pagamento de mensalidades. As inscrições também são gratuitas e podem ser feitas até o dia 04 de março, na Coordenação de Investigação Científica, Pós-Graduação e Extensão da Fibra, na Gentil Bittencourt, 1144 (Nazaré), no horário comercial.

A ideia é proporcionar a formação do que chamo de atores-inclusivos. Pessoas com mais de 18 anos, portadoras ou não de deficiência, dispostas a montar espetáculos que abordem questões relacionadas à Educação Especial e a inclusão social da pessoa com deficiência”, explica Carlos Correia. 

Mas, afinal, o que seria um ator-inclusivo? O dramaturgo também detalha: “o ator-inclusivo é, primeiramente, um artista ciente de seu papel como instrumento da inclusão por meio das artes, em particular as cênicas. É um artista preparado para lidar não apenas com as situações gerais do fazer teatral, do mergulho nas exigências do palco, mas uma pessoa capacitada para se comunicar artisticamente explorando as possibilidades múltiplas dos sentidos. E da ausência destes. É um artista que precisa ser hábil a encenar montagens nas quais sejam exploradas a sua própria aptidão sensorial, as aptidões sensoriais de seus colegas de cena e as aptidões sensoriais do público na plateia. É um artista que precisa estar igualmente capacitado a lidar com as limitações físicas e cognitivas de seus coparticipes de palco e de espectadores que o estejam assistindo. O ator inclusivo é um artista instrumentalizado para dar vida a personagens que se comuniquem da forma mais ampla possível com surdos, cegos, pessoas com deficiência física, pessoas com síndrome de down, pessoas no espectro autista e mesmo pessoas com paralisia cerebral, dentre outros”.

OS RESULTADOS

O projeto terá como resultados sempre espetáculos criados para debater aspectos ligados à inclusão. Serão sempre peças em que estarão juntos, em cena, os participantes com e sem deficiência. E a plateia também será igualmente convidada a experimentar sensações variadas vividas pelas pessoas com deficiência.  Podem ser espetáculos encenados na escuridão, espetáculos encenados sem qualquer som ou fala. Espetáculos que convidem o público a sentir limitações físicas. “Vamos apostar em montagens que mostrem a necessidade que precisamos ter de sempre nos colocar no lugar do outro para, assim, entendê-lo e aceitá-lo”, define Correia. 

O projeto tem, assim, como proposta montar pequenas performances que possam ser apresentadas em escolas, espetáculos pocket para serem apresentados em salas e espaços alternativos e espetáculos formais para serem apresentados em teatros e centros culturais.

Serviço:

PROJETO CENA ESPECIAL – TEATRO INCLUSIVO.

AS INSCRIÇÕES VÃO ATÉ: dia 04 de março de 2015.

ONDE SE INSCREVER: na Coordenação de Investigação Científica, Pós-Graduação e Extensão da Fibra, na Gentil Bittencourt, 1144 (Nazaré).

DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA: RG, CPF e Carta de Apresentação (texto breve com apresentação pessoal, referência se tem ou não deficiência, justificativa do interesse no projeto, e, caso possua, informações sobre experiência com arte. NOTA: não é exigível ter experiência artística). No ato da inscrição, o candidato preencherá uma ficha com seus contatos.

NÚMERO DE VAGAS OFERTADAS: 30


Teatro Salvador: Menino Rebelde no Planeta Leiturândia

Estreia domingo, 1 de março, Menino Rebelde no Planeta Leiturândia, a mais nova produção da Avatar Cia de Teatro Infantil.

 Fotos: Isabele da Costa

No planeta Leiturândia, habitam apenas crianças que gostam de ler. Um belo dia, para surpresa de todos, aparece por lá um garotinho chamado Pedrinho Rebelde, que não quer saber de livros, Seu novo amiguinho, o Sabe Tudo, utiliza várias maneiras de atraí-lo para o mundo da leitura, representando divertidas historinhas, contadas por Vózinha Marilu, a maior contadora de histórias do planeta. Quando todos pensavam que a paz finalmente reinaria em Leiturândia, o Destrói Letras, um antigo inimigo da leitura e da alegria, resolve voltar para destruir as letrinhas dos livros das crianças, mas a turma desse divertido lugar não vai permitir que isso aconteça. 

A peça explora ludicamente o mundo da leitura, por intermédio da linguagem teatral, integrando contação de histórias – Chapeuzinho Vermelho e Sopa de Pedra, teatro de fantoches, poemas e elementos cênicos, numa aventura bastante movimentada e inesquecível. O enredo incentiva as descobertas e surpresas proporcionadas pela leitura dos livros.


Avatar Cia de Teatro Infantil - Criada em 2013, a companhia busca despertar a consciência do público infanto-juvenil de uma forma criativa e lúdica para a importância e prazer da leitura, utilizando o teatro como uma forma de expressar e complementar conteúdos interdisciplinares. A Cia. criada pelo arte-educador, ator e diretor Sérgio Mício, tem como meta trabalhar com temas que auxiliem o desenvolvimento das crianças, estimulando a participação ativa do público mirim em seus espetáculos, através de brincadeiras, músicas e coreografias. 

 SERVIÇO:

 Espetáculo: Menino Rebelde no Planeta Leiturândia

 Texto e Direção: Sérgio Mício

 Elenco: Ana Célia Borges, Cailon Constantino, Everton Wallace, Leonardo Dominguez, Letícia Sanfer, Natália Góis, Reinan Souza e Viviane Carvalho.

 Cenografia: Sérgio Mício e Heraldo Souza

 Figurino, adereços e maquiagem: Sérgio Mício

 Local: Teatro Gamboa Nova

 Endereço: Rua Gamboa de Cima, Nº 03, Aflitos

 Quando: 1, 8, 15, 22 e 29 de março (domingos) às 16h

 Quanto: R$20,00 (inteira), R$10,00 (meia)

 Classificação etária: Livre

Equipe Jornalismo Cultural: Bianca Oliveira


Desde dezembro de 2014, contamos em nosso blog com uma nova colaboradora: Bianca Oliveira, de Macapá, nossa colunista de Cinema. Eu conheci seu trabalho em vários blogs do Amapá, onde ela quase sempre escrevia sobre música, e lhe propus o desafio de escrever para cá sobre filmes, desafio que ela não hesitou em topar e do qual tem se saído muito bem - seus quatro textos publicados até hoje já foram lidos 140 vezes no total, numa média de 35 por texto, bem acima da média do blog. Gosto muito do estilo de Bianca escrever, mesclando em seu texto análises precisas (sobre roteiro, atuação, trilha sonora) e observações pessoais que poderiam parecer dispensáveis (como por exemplo o fato de ela não ter levantado em Jogos Vorazes - A Esperança (Parte 1nem para comprar pipoca, ou a forma como O Destino de Júpiter a arrasou), mas que no conjunto colaboram, sim, para transmitir com mais fidelidade sua opinião. (Fabio Gomes)

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Bianca Oliveira por Bianca Oliveira:

Bianca Oliveira, a menina sonhadora que voa alto. Apaixonada por cinema, fotografia, dança, adoro ler e sou amante da boa cultura e música. Acadêmica de Ciências Biológicas na Unifap, gosto das coisas simples que a vida tem a oferecer, busco sempre o lado bom da vida e procuro ver a leveza das coisas com humor. Procurando um ideal, vivendo o real e sonhando com o sobrenatural.

Citação favorita: “Se um homem não descobriu nada pelo qual morreria, não está pronto para viver” (Martin Luther King)



Música Fortaleza: Zeca Pagodinho


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Opinião Cinema: O Destino de Júpiter

Por Bianca Oliveira,
de Macapá


Antes de qualquer coisa, gostaria de falar que esse texto é mais pessoal do que de costume. Qual o motivo? Saí da sala arrasada, decepcionada, nunca mais volto ao cinema (tá, parei de drama). A verdade é que esperei demais de O Destino de Júpiter, desde que realizaram o primeiro Matrix (1999) que os irmãos Andy e Lana Wachowski tentam voltar a fazer um grande filme. Mas ficou claro que não foi dessa vez que eles conseguiram, só deixaram a desejar.

Jupiter Jones (Mila Kunis), uma garota lindona (Não, o título do filme não se refere ao planeta. A moça tem esse nome por causa do seu pai que era apaixonado por astronomia), é a descendente de uma linhagem que a coloca como a próxima ocupante do posto de Rainha do Universo. Mas ela não sabe, então leva uma vida simples e monótona trabalhando com a mãe como diarista. Determinado dia, Júpiter decide ir vender uns óvulos para comprar um telescópio e um Playstation para o seu primo, mas é atacada pelos médicos que na verdade são criaturas “zoiudas” e feias, típicos alienígenas, e se descobre em meio a uma disputa familiar de poderosos donos de planetas. A garota é salva por Caine Wise (Channing Tatum), um ex-soldado (que tem umas botas anti-gravidade, bem maneiras, que lhe permitem patinar no ar, descer, subir e fazer o que quiser) que hoje trabalha como caçador e que recebe a missão de levá-la para seu chefe, o poderoso Balem (Eddie Redmayne). Ao chegar no destino, ela conhece os três irmãos ou “filhos de outra vida”, que querem decidir quem vai ficar com o controle da Terra, que é o planeta mais valioso de todos - traduzido: querem é matar a Júpiter.


A história até tenta se desenvolver só que deixa buracos; eles tentam vários assuntos, misturam política, genética, burocracia, religião, imortalidade, reencarnação, rejuvenescimento, imigração, venda de órgãos e por aí vai. Muitos dos diálogos mais complicam do que explicam, quer um exemplo? Em certa parte do filme, o personagem Stinger (interpretado por Sean Bean) vem para ajudar Júpiter a escapar dos que também querem a reencarnação da rainha. Bean tem uma filha fofinha, que simpatiza com Júpiter logo de cara. A garota dá uma tossida suspeita em cena, que faz o pai dela se preocupar, e você pensa que vai rolar um negócio ali, uma história, a menina tá morrendo. A verdade é que a  personagem nunca mais aparece, simplesmente esquecem dela, todo mundo tem umas tosses, né? Com ela não foi diferente. Em outro momento, quando a futura rainha se encontra com a sua filha na outra encarnação, ela faz parte dos três poderosos, que a tratam como se fosse a sua mãe. A moça toma um banho divino e volta a ser jovem, impressiona Júpiter e… simplesmente S-O-M-E para nunca mais a vermos em cena (segunda personagem feminina que não tem valor algum pra trama, o que é triste). Infelizmente algumas teclas foram massacradas demasiadamente... por que Caine precisa salvar Júpiter o tempo todo? Por que ele precisava estar em todo lugar direto? Não custava deixar ela ser um pouco feliz? Ela sabe se defender!



Tudo bem, também tenho alguns elogios. O longa acertou na beleza e estética, Júpiter estava bonita realmente, os ETs despertaram curiosidade, as cenas de lutas eram fantasticamente empolgantes, os diretores usaram e abusaram do “3D”, dos efeitos e tudo mais. Toda a estética se tornou particularmente interessante e chamou a atenção, os figurinos também, apesar de que o elenco de apoio parecia usar sobras dos figurinos dos figurantes da Capital da série Jogos Vorazes.


Minha critica é ao roteiro, as cenas foram bem produzidas sim, mas a história se tornou tediosa, confusa e repetitiva (e não me venham com essa de que é normal, é ficção cientifica e blá-blá-blá). No fim eles tentaram deixar um gostinho de quero mais, de que tem continuação. Porém, será que vai valer a pena assistir?

Exposição Macapá: Cuias - Relicários de Lembranças


Cinema Baião (PA): 2ª Mostra de Cinema Paraense



PROGRAMAÇÃO

20 de Fevereiro

1. Menino Urubu (Animação) - Direção: Fernando Alves e Roberto Ribeiro

2. Admirimiriti (Animação) - Direção: Andrei Miralha

3. Chupa-Chupa: A história que veio do Céu (Documentário) - Direção: Roger Elarrat

4. Matinta (Ficção) - Direção Fernando Segtowick

5. A Ilha (Ficção) - Direção: Mateus Moura

6. Chama Verequete  (Documentário) - Direção: Luiz Arnaldo Campos


21 de Fevereiro

1. Nossa Senhora dos Miritis (Animação) Direção: Andrei Miralha

2. Ópera Cabocla (Documentário) Direção: Adriano Barroso

3. Mulheres Choradeiras (Ficção) - Direção: Jorane Castro

4. Miguel Miguel (Ficção) - Direção: Roger Elarrat

5. Severa Romana (FicDoc) - Direção: Sue Pavão

6. Velhos Baionaras, Tesouros Vivos (Documentário) - Direção: Stéfano Paixão

Teatro Teutônia (RS): Maravilhosas e Grávidas!


Ao homenagear Luiz Carlos da Vila, Viradouro inova cantando música popular na Sapucaí


Tive o privilégio de conhecer pessoalmente Luiz Carlos da Vila, e mais do que isso, dividir com ele e o antropólogo baiano Milton Moura uma mesa de debates sobre O Samba Indígena, que abriu o ciclo de debates Samba - Tradição e Modernidade, que integrou a programação do 36º Dia do Samba, em Salvador, no dia 27 de novembro de 2007. (Neste link, você pode ler artigo meu sobre a hipótese indígena da origem do samba). A simples presença do tema na programação já era uma grande honra para mim, que me tornei o principal divulgador desta hipótese após o falecimento, em 2004, do pesquisador pernambucano Bernardo Alves. Alves apontava em seu livro A Pré-História do Samba, lançado em 2002, que em algum momento da História brasileira um maior contato entre índios e negros fez com que estes conhecessem o samba, sem porém chegar a precisar quando isto teria acontecido. Relatei na minha fala em Salvador que, de acordo com os historiadores Décio Freitas, em seu livro Palmares - A Guerra dos Escravos (1973) e Clóvis Moura, em Rebeliões da Senzala (1959), esta convivência aconteceu desde os primeiros quilombos estabelecidos no Brasil, entre eles Palmares, no atual território de Alagoas (criado em 1597), Geremoabo, na Bahia (1655), e Cumbe, na Paraíba (criado em 1713 por sobreviventes da destruição de Palmares).


Milton Moura, Luiz Carlos da Vila e Fabio Gomes


Para minha surpresa e alegria, Luiz Carlos mostrou que considerava a hipótese plausível (tanto que foi por isso, revelou-me, que vestiu uma camisa do Cacique de Ramos para comparecer ao evento), e comentou que teve notícia dessa convivência quando elaborava o samba-enredo "Kizomba, Festa da Raça" (em parceria com Rodolpho e Jonas), com o qual a Vila Isabel foi campeã do Carnaval do Centenário da Abolição (1988). Informou também que, de certo modo, intuíra essa troca cultural dois anos antes ao compor o samba "Nas Veias do Brasil", gravado por Beth Carvalho: "Os negros/ Trazidos lá do além-mar/ Vieram para espalhar/ Suas coisas transcendentais/ Respeito ao céu, à terra e ao mar/ Ao índio veio juntar/ O amor à liberdade...". (A presença de Luiz Carlos no debate em Salvador foi uma de suas últimas aparições públicas - em meados do ano seguinte, seu estado de saúde se agravou, e ele faleceu, vitimado pelo câncer, em 20 de outubro de 2008, aos 59 anos). 

"Nas Veias do Brasil", como sabe quem acompanhou os desfiles do Rio deste ano, foi o escolhido pela Viradouro para ser seu enredo, numa decisão sem precedentes na História do carnaval carioca (a bem da verdade, a adaptação, assinada pelo presidente da Viradouro, Gusttavo Clarão, incluiu também uma estrofe de "Por um Dia de Graça", também de Luiz Carlos, resultando no enredo ‘Nas veias do Brasil, é a Viradouro num dia de graça'). Há muito tempo que cantores populares gravam sambas-enredo fora do período da folia (o pioneiro teria sido "Exaltação a Tiradentes", de Mano Décio da Viola e Penteado, com o qual o Império Serrano foi bicampeão em 1949, e que, reintitulado "Tiradentes" e com a inclusão de Estanislau Silva na parceria, foi gravado por Roberto Silva em 1955). Mas nunca jamais em tempo algum uma escola entrou na avenida entoando um samba composto antes da redação da sinopse - a regra é o contrário, primeiro se decide sobre o que a escola vai falar, e em cima disto é composto o samba. 



É cedo para dizer se vai se criar uma nova tradição, como a inaugurada por Roberto Silva em 1955. Já são inumeráveis as regravações de samba-enredo por intérpretes populares, inclusive sem vínculos formais com escolas de samba (dois deles, Jair Rodrigues e Emílio Santiago, chegaram a dedicar discos inteiros a este repertório). Ou se estamos diante de um modismo passageiro, como a "reedição" de enredos por escolas de samba, que teve seu auge por volta de 2004 (ano em que divulguei meu "Manifesto pelo Inédito", me posicionando contra a prática) - sem assegurar resultados maiores que a empolgação das arquibancadas, o resgate de sambas-enredos antigos da própria escola ou de outras agremiações foi pouco a pouco sendo deixado de lado.

A se avaliar pelo resultado imediato, talvez as escolas ajam com cautela em relação ao aproveitamento de sambas "externos" - a Viradouro, que recém subira novamente para o Grupo Especial acabou a apuração deste carnaval em último lugar e retorna à Série A no que vem. 















Fabio Gomes

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Dança Porto Alegre: Torres-Piazzolla Entre Sueños e Realidad

 Foto Fátima Abreu


O espetáculo de dança “Torres-Piazzolla Entre Sueños e Realidad” volta a cartaz de hoje a 5 de fevereiro no Teatro SESC, sempre, às 21h, dentro da programação do Porto Verão Alegre

Dirigido por Pablo Torres, é um espetáculo de dança neoclássica que une o balé, a dança contemporânea e o tango, tendo como inspiração a música de Astor Piazzolla. Retrata a historia de seres conectados por sonhos compartilhados, em que cada personagem não sabe se é verdade o que esta acontecendo ou se está partilhando o mesmo sonho. Um sonho pleno de paixão!  

SERVIÇO:

O quê: “Torres-Piazzolla Entre Sueños e Realidad”
Quando: Dias 3, 4 e 5 de fevereiro de 2015
Onde: Teatro SESC (Avenida Alberto Bins, 665, Centro), em Porto Alegre  
Quanto: R$ 25,00 (antecipado nos pontos de venda) e R$ 30,00 (no local)
Classificação Etária: 10 anos 
Duração do espetáculo: 50 minutos   

Informações: www.portoveraoalegre.com.br  

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Festival cearense inova lançando Expresso Jazz & Blues

Uma coisa que sempre me chamou a atenção na civilização moderna é o descompasso entre a oferta de transporte público e os horários das programações noturnas festivas - falando em português claro, é muito difícil você ir e voltar da "balada" de ônibus ou metrô (onde ele existe), porque geralmente as festam iniciam perto de meia-noite, quando as linhas urbanas já estão no período do recesso diário. 

Deste modo, é digna de louvor a iniciativa do Festival Jazz & Blues de Guaramiranga. O evento acontece já há 16 anos na menor cidade do Ceará, distante 110km da capital, Fortaleza, sempre no período do Carnaval. Para que o público não dependa da incerta oferta de ônibus entre Fortaleza e Guaramiranga nesse período festivo, a organização do evento criou neste ano o Expresso Jazz & Blues. 

O ônibus com ar-condicionado sai de Fortaleza diariamente às 10h da manhã, propiciando que quem optar pelo serviço acompanhe a programação paralela do Festival ao longo do dia (Café no Tom, Ensaio Aberto e Jazz ao Pôr do Sol.) e aproveite os inúmeros restaurantes da cidade. O retorno será à 1h da manhã, após a conclusão dos shows das 21h30. Em Fortaleza, os transportes sairão do Terminal Rodoviário Engenheiro João Thomé e do Aeroporto Internacional Pinto Martins, com retorno na madrugada para os mesmos pontos. 

Para embarcar nesse Expresso, basta acessar o portal e adquirir o passaporte Jazz & Blues neste link. O passaporte custa R$ 100,00 por dia - o valor inclui um ingresso para o show das 21h30. 

  • Atrações 2015 - Neste ano, o festival acontece e Guaramiranga de 14 a 17/2, e em Fortaleza de 19 a 21/2. Entre os destaques estão: Fanta Konatê (Guiné), Willie Walker (EUA), tendo como convidado especial o organista Raphael Wressnig (Áustria); Jacinta (Portugal); Big Time Orchestra (PR); Ricardo Bacelar (CE), ex-Hanoi Hanoi; o projeto Villa-Lobos Injazz (RJ); Daniel Jobim (RJ), homenageando o avô, Tom Jobim; e o show Kind of Blue – Tributo a Miles Davis. Veja a programação completa no site do Festival.