sexta-feira, 31 de julho de 2015

Show Salvador: Ilumiara


O grupo Ilumiara, de Belo Horizonte, se apresentou ontem no Teatro Sesc-Senac Pelourinho, dentro da série Sonora Brasil - Cantos de Trabalho, que está percorrendo a rede SESC do Brasil. 


Dos quatro grupos que a capital baiana está recebendo (iniciada na quarta, a série prossegue hoje com as Quebradeiras de Coco Babaçu, do Maranhão, e encerra no sábado com as Destaladeiras de Fumo de Arapiraca, Alagoas, sempre às 19h), Ilumiara é o único formado por músicos-pesquisadores, e não por trabalhadores ligados a uma tradição. Para os demais conjuntos, o simples ato de entoar em um palco músicas que por décadas embalaram trabalhos rurais, interpretada pelas próprias pessoas que executavam estes trabalhos, será uma novidade tanto para quem estiver assistindo quanto para quem for se apresentar,. Este não é o caso de Ilumiara, que ousa ao colocar lado a lado no palco instrumentos da tradição brasileira como a rabeca e surpresas como a marimba tocada com arco de violino (foto à esquerda) ou uma espécie de "berimbau de boca" (foto final do post). 

O fato de Ilumiara não estar atrelado a uma tradição específica gera bastante liberdade em seu repertório, que os músicos vão tecendo através de suas próprias pesquisas ou recorrendo a arquivos de pioneiros nesta área como Mário de Andrade e Ayres da Mata Machado. O resultado de todas essas misturas é uma música de ares camerísticos, cuja principal marca é a suavidade (até pela opção de ter como vocalistas duas sopranos, Letícia Bertelli e Marcela Bertelli). A exceção foi ao final, na junção de vissungos que foi entoado por todos os músicos, e que foi a parte do espetáculo com maior carga de influência africana.


  • Pra quem se interessou em conhecer mais, uma boa notícia: Ilumiara acaba de gravar um CD, do qual três faixas estão disponíveis para audição no Soundcloud do grupo




Fotos: Fabio Gomes
Veja o álbum completo no Facebook

Música São Paulo: Jaime Alem e Nair Cândia


quinta-feira, 30 de julho de 2015

Opinião Cinema: Cidades de Papel

Por Bianca Oliveira
de Macapá


Ah, a adolescência! As espinhas, todos esses hormônios, as primeiras vezes de tantas coisas, as modinhas, medos e sonhos. São dramas da fase sim, tenho certeza que você já passou por (quase) tudo isso e poucos autores souberam escrever sobre esses dilemas tão bem quanto o John Green. Confesso que não sou fã dele, não gostei de A Culpa é das Estrelas, fui com um pé atrás assistir Cidades de Papel e vejam bem, fui surpreendida, até procurei o  livro depois. Uma produção cativante de verdade.

Vamos com calma, contar um pouquinho do filme primeiro. Margo (Cara Delevingne) e Quentin (Nat Wolff) são amiguinhos de infância mas, com o tempo vão se afastando. Ela é uma jovem imprevisível, dona do seu próprio nariz e que tem muita atitude; e ele? Introvertido, tímido e estável. Os dois são bastante diferentes e mesmo assim ele é perdidamente apaixonado por ela, desde pequeno (ah, os clichês adolescentes). Numa noite para lá de anormal, ela invade o quarto do rapaz e pede sua ajuda para executar um elaborado plano de vingança, claro que ele topa e acredite em mim, eu queria uma noite daquelas. No dia seguinte, Margo simplesmente desaparece sem avisar ninguém. O apaixonado quer encontrar sua amada e com a ajuda dos amigos Ben (Austin Abrams), Radar (Justice Smith), Lacey (Halston Sage) e Angela (Jaz Sinclair), embarca em uma viagem à procura de Margo.




Que romântico não é? Bingo! Essa é a grande sacada, durante o filme todo somos levados a crer que o tema central é o lance do casal, o amor e toda essa lorota que fazem os teens perderem a cabeça. Mas a amizade e a jornada de autoconhecimento durante a busca é que é o foco, o que nos faz refletir. Aliás, histórias com desfechos inusitados são a marca de Green. O filme foi livre, não seguiu à risca o livro, o final é diferente, há aqueles que vão dizer que não deveriam ter mudado, que queriam a cópia fiel mas, EU, BIANCA OLIVEIRA, amo surpresas, o que adianta ir pro cinema já sabendo o final? Falando nisso, vou contar um segredinho para vocês, Ansel Elgort aparece no filme. Sim, ele mesmo, não vou falar onde senão estraga a emoção, só vou dizer que as meninas na minha sessão gritaram igual desesperaaadas.

Os roteiristas (Scott Neustadter e Michael H. Weber) são os mesmo de A Culpa é das Estrelas; amei o roteiro leve e bonito, mesmo no começo tendo sido meio chatinho. Mas a dupla cometeu um erro: não aprofundou a busca pelas pistas, foi algo superficial e rápido. Mas os nerds vão adorar as cenas que remetem a elementos de cultura pop, de Game of Thrones a uma épica cena com Pokémon, muito lindaaa. 

Vale ressaltar o entrosamento entre o elenco, todos pareciam que eram amigos de verdade, e não atores contracenando. Uma curiosidade "daora": Nat Wolff (foto à direita) contou na coletiva de imprensa que divide o apartamento com Justice Smith e todos do elenco possuem um grupo de WhatsApp (ah, mais um clichê adolescente). 


Enfim: Cidades de Papel é um filme leve, cativante que faz você refletir e que faz com que mesmo quem não é adulto se encante, sabe aquela nostalgia gostosa de quando você estava saindo do ensino médio? Pois é..... Vale a pena assistir, garanto a vocês e, pra terminar, uma dica: não vá com expectativas, deixe Green surpreendê-lo. Ele sabe o que faz.

Música Rio de Janeiro: Ana Egito



Cantora e compositora, Ana Egito é uma das boas revelações no cenário da MPB este ano. Em seu primeiro EP, recém-lançado, intitulado Ana Egito Em Boa Companhia, destaca-se sua composição "Boa Brincadeira", que já está rodando nas rádios de todo o país. 

Seu show com o mesmo nome do EP volta a ser apresentado no final de agosto no Teatro Rival (serviço ao final do post). No espetáculo, a artista passeia por várias fases da música brasileira, entre as quais os afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes, o Clube da Esquina de Milton Nascimento, Fernando Brant, Lô Borges e Beto Guedes, além de uma mistura de ritmos que evoca o Tropicalismo. O show tem direção musical de Zé Mendes, direção artística do consagrado ator Emiliano Queiroz, produção artística de Antonio dos Santos e a produção de Bia de Sousa. Nesse dia, haverá ainda a participação especial do acordeonista e maestro Agostinho Silva. 

Serviço

Ana Egito Em Boa Companhia
Teatro Rival Petrobras
27 de agosto, quinta, 19h30
R$ 40 (meia a R$ 20)
Classificação Livre
Ingressos já estão à venda na bilheteria do teatro ou através do site Ingressos.com

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Opinião: Obra e Legado


Parece que passei a existir depois do CD. Isto é maluco, você estuda e toca anos a fio, grava com muitos, vai a todos os festivais mas você só existe se tiver um disco.(Maurício Marques, violonista gaúcho, em entrevista que fiz com ele em 2005). 
Tenho pensado muito nesta frase do Maurício Marques ultimamente, mais especificamente desde que lancei os curtas-metragens da série As Tias do MarabaixoNa minha cabeça, sendo eu jornalista, editar veículos como os blogs Jornalismo Cultural Som do Norte já seria a minha 'obra', ou seja, algo que me garantisse o respeito alheio. Mas por incrível que (me) pareça, muita gente boa ainda não considera o trabalho jornalístico veiculado na internet como jornalismo, então até pouco tempo atrás ainda eram frequentes as perguntas sobre quando eu iria procurar emprego em um jornal... (risos). Então, de algum modo, é como se eu também tivesse "passado a existir" com o lançamento dos curtas (mesmo que o fenômeno citado acima ainda se repita de algum modo; o lançamento aconteceu de forma virtual, no YouTube e no blog do projeto, e cheguei a notar a decepção de algumas pessoas que imaginavam que o lançamento seria em algum cinema ou mesmo já direto em DVD - chegamos lá!). Enfim, estas obras já me propiciaram algumas alegrias, primeiro com a circulação da mostra de curtas e da exposição de fotos em Macapá, e mais recentemente com a primeira exibição fora do Amapá, na cidade de Paraíso (TO)(veja aqui)(a foto que ilustra a matéria, de autoria de Cláudio Macagi, retrata um momento deste evento). 
Mas talvez tão ou mais importante do que ter um trabalho para chamar de seu, seja o legado que você possa deixar para a sociedade a partir deste seu trabalho. Minha atenção para este item foi despertada em uma conversa que tive com o produtor cultural André Donzelli, o Porkão, em Palmas, no dia seguinte à exibição em Paraíso, quando eu já me preparava para vir para Salvador. No longo trajeto (22h de ônibus), em dado momento o pensamento voou da recordação desta conversa para a ideia de criar uma Oficina de Cinema Independente.
A ideia é dividir com os participantes a minha experiência de realizar audiovisual "na raça". Fazer cinema hoje é algo bem mais acessível do que era há até, talvez, 15 ou 20 anos atrás. Atualmente, você pode filmar com seu celular, editar em seu notebook e, tendo uma conexão com a internet, postar seu material no YouTube e nas redes sociais e mesmo se inscrever em festivais de cinema (vários aceitam o envio de um link, dispensando o envio de DVDs pelo Correio). A primeira edição da Oficina já tem data: será nos dias 13, 14 e 15 de agosto em Jequié (BA). 
* Publicado originalmente no LinkedIN

Exposição Brasília: Metáfora


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Ouça Dipatchara, novo EP da baiana Callangazoo

A banda baiana Callangazoo (ao lado, em foto de Matheus Leite) lançou, em dois dias de shows no Teatro Gamboa Nova (24 e 25 de julho), seu quarto EP, intitulado Dipatchara. 

O conjunto irreverente de cinco canções passeia pelo rock - já uma marca registrada do grupo -, ao qual se somam o folk em "Jenesequá" (single do EP, baseado na obra de Luis Fernando Verissimo) e o bolero em "Redoma".

Pra quem quiser conferir o som ao vivo, a Callangazoo volta a tocar nesta sexta (flyer abaixo).








01 - O Princípio é a Intenção (Cebola Pessoa)

02 - Dipatchara (Cebola Pessoa)

03 - Espero Ter Você Ali (Leo Abreu)

04 - Jenesequá (Cebola Pessoa)

05 - Redoma (Cebola Pessoa/Matheus Leite)

Ep no Youtube:

https://www.youtube.com/playlist?list=PLJFmxWqiHa4t37RgcWi66Z0b6vaMRggww

 Baixe o EP Dipatchara:

http://www.mediafire.com/download/379t9pijho1lkau/EP+Dipatchara+%282015%29+-+Callangazoo.rar

Ficha Técnica:

Gravado, Mixado e Masterizado por Irmão Carlos nos estúdio Caverna do Som entre abril e julho de 2015.

Assistente de Estúdio: Felipe Pinho

Produzido pela banda Callangazoo e Irmão Carlos

Capa: Marceleza de Castilho

Andel Falcão nas guitarras, Bob Nunes no baixo e coros, Leo Abreu na bateria e Cebola Pessoa nas guitarras e vocais

Participação especial de Dominique Meirelles nos vocais de apoio


Curso Porto Alegre: Intensivo de Dança Gaúcha


Música Salvador: 3ª Mostra Sonora Brasil


Música Belo Horizonte: Dois na Quinta


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Digestivo Cultural entrevista Fabio Gomes



1. Qual é a sua história com o Digestivo? (Como conheceu; há quanto tempo lê; por que acredita na iniciativa do Digestivo Blogs.)


Eu recebo o newsletter das Colunas do Digestivo há tanto tempo que nem lembrava quando começou. Mas quando me cadastrei pra ter o blog, veio a informação que é desde 2011. Eu acredito no Digestivo Blogs pelo caráter democrático e audacioso da iniciativa.



2. Qual é o seu "background" (sua formação)? De onde vem; o que estudou; quais trabalhos seus citaria etc.



Nasci em Porto Alegre, RS, passei a infância e a adolescência em Bento Gonçalves, cidade a 120 km da capital ― foi lá que aprendi a ler, lá que tive despertada a paixão para vários dos temas que norteiam minha vida desde sempre, em especial a cultura, mais especificamente a brasileira.


Com 22 anos, voltei a Porto Alegre, onde me formei em Comunicação Social ― Jornalismo pela UFRGS em 2001. No ano seguinte lancei o site Brasileirinho, cujos temas principais eram o samba e o choro; o site foi considerado a melhor ação gaúcha de divulgação da cultura brasileira no Prêmio Rodrigo Melo Franco (MinC) em 2004.

Nesse site, em 2006 eu passei a divulgar o Projeto Brasileirinho da profª Vânia Correia Pinto, que posteriormente recebeu o Prêmio Cultura Viva do MinC; já em 2008, publiquei a íntegra da obra em domínio público de Noel Rosa.

Em 2005, comecei a ser chamado por entidades de vários estados brasileiros, como a Fundação Getúlio Vargas e o SESC, para ministrar cursos de Jornalismo Cultural, resultando no lançamento de outro site, o Jornalismo Cultural, e em viagens com o curso.

Numa dessas viagens, fui ao Acre para cobrir o Festival Varadouro de 2008, onde tive pela primeira vez contato com bandas alternativas da região Norte, o que me animou a lançar no ano seguinte novo blog, o Som do Norte, até hoje meu principal trabalho, e que me levou a morar em Belém (2010) e posteriormente em Macapá (2014).

O contato com a cultura popular do Amapá resultou no documentário As Tias do Marabaixo, que rodei no ano passado e no qual entrevisto as principais representantes desta importante manifestação cultural amapaense; o longa está em processo de edição.

No começo deste ano, lancei, no YouTube, 5 curta-metragens, um para cada uma das entrevistadas, e agora estou circulando por alguns estados realizando mostras deste material, de forma independente.

3. Sobre quais temas vai falar/tratar no seu blog?

Vou tratar justamente da grande aventura que é realizar esta itinerância pelo Brasil de forma independente. Mesmo que eu venha inscrevendo os curtas em seleções de festivais de cinema e outros editais públicos ou privados, ficar sentado esperando pra ver se as coisas acontecem nunca foi o meu estilo.

Então estou circulando, em julho exibi os curtas no interior do Tocantins, e dali segui pra Bahia. Tenho feito bons contatos com escolas, instituições culturais, cineclubes etc. de vários estados, e pretendo também exibir em alguns dos países vizinhos (pra quem não sabe, em nove países da América do Sul os brasileiros podem ingressar sem necessidade de passaporte).

Os leitores do Digestivo poderão acompanhar esta aventura em primeira mão no blog 'As Tias do Marabaixo' na Estrada.


Na sessão dos curtas em Paraíso-TO - 22.7.15
Foto: Cláudio Macagi

4. Você já teve blog? Se sim, qual (ou quais), e com que repercussão?

Sim, muitos. O primeiro, em 2003, durou poucos dias, blogs eram então uma novidade, e eu fiz um mais pra entender como funcionava.

Só voltei ao formato em 2009, ao lançar o Som do Norte, cuja repercussão foi maior do que tudo o que eu já havia feito na vida até então, e que me tornou conhecido como jornalista cultural para um público relativamente grande (meus sites anteriores eram lidos por nichos ― o Brasileirinho por músicos, e o Jornalismo Cultural por jornalistas).

Depois criei outros blogs, os principais são: Noel Rosa Sempre, onde posto notícias sobre Noel e para onde estou transferindo a obra dele em domínio público; e As Tias do Marabaixo, onde noticio a produção do meu doc de mesmo nome.

A repercussão desses blogs é bem pequena, à exceção do Som do Norte. Mas, de modo geral, creio que há uma queda no interesse do público por blogs, tenho a impressão que as pessoas estão preferindo interagir em redes sociais como o Facebook, ou trocando mensagens diretamente através de serviços como o Whatsapp.

5. Qual é sua relação com a escrita? Já escreveu em outros veículos/sites? Já publicou? Como foi a sua experiência nesse sentido (de colaborar e/ou publicar)?

Minha relação com a escrita é um dos pilares do meu ser. Minha mãe contava que mesmo antes de saber escrever eu desenhava e usava as imagens como base para contar histórias para ela e para as visitas.

Assim que me alfabetizei, comecei a fazer histórias em quadrinhos, e aos 12, contos. Publiquei o primeiro livro de contos aos 14 anos, o segundo aos 18. O terceiro aos 20, reunia roteiros do programa que eu produzia na Rádio Viva de Bento Gonçalves, A Voz dos Distritos, onde contávamos o dia a dia das comunidades do interior do município; os textos selecionados para o livro contavam a origem de cada uma dessas comunidades. Por essa época, também, participei de uma antologia poética.

Em relação a colaborações, a lista é extensa, começando pelo Laconicus, jornal de Bento Gonçalves que publicou meu primeiro conto, quando eu tinha 13 anos. Em 2009, no mesmo mês em que lancei o blog Som do Norte, fui convidado pelo site Visto Livre, do Rio de Janeiro, para escrever uma coluna semanal e produzir um programa de web rádio, com o mesmo título e também voltado para valorizar a produção musical da Amazônia; o programa teve cinco edições semanais, e a coluna durou quatro meses. Já em 2012, colaborei com o blog Roraima Rock'n'Roll, de Boa Vista, escrevendo a coluna Papo Cabeça.

6. Como é se interessar por cultura, ou ter uma atividade intelectual, ou simplesmente ler o Digestivo, num país como o Brasil, ou sendo brasileiro? É uma profissão de fé? Ou é um desafio que te motiva (no dia a dia)?

Bom, não sei exatamente o que responder aqui, já que nunca morei em outro país, e não consigo fazer nada que não tenha relação direta com cultura. Então me interessar por cultura não é uma opção, pra mim é algo tipo respirar, se eu não fizer isso não sobrevivo.

7. Você acha que, através da internet, podemos mudar esse cenário (de pouca cultura, pouco interesse pela vida intelectual, parca discussão de ideias etc.)?

A internet é um dos meios possíveis para divulgar ideias e iniciativas interessantes (claro que a avaliação do que é ou não interessante passa pelos crivos de quem posta, e mais ainda pelos de quem acessa, tais informações). Então não sei se o certo seria esperar que a partir da internet a discussão de ideias passe de parca para farta; parece-me que a possibilidade maior é pensar que a internet possa servir como um ponto de convergência, um ancoradouro talvez, para quem quer acessar e difundir conteúdos culturais que não se fazem presentes nos meios de comunicação de massa, e entre essas pessoas haverá sim quem queira debater, mas não necessariamente isso vai representar a maior parte desse público. E digo isso sem pesar algum, sem imaginar que o "certo", o "melhor" seria todo mundo debatendo. Penso que devemos nos empenhar no sentido de que existam espaços onde as pessoas possam debater, caso queiram.

8. Quais foram suas maiores influências? (Não precisa, necessariamente, ser alguém conhecido ou "famoso". Pode citar obras e/ou experiências também.) Quais "modelos" pretende seguir (ou te servem de referência)?

Bom, eu não sou muito de seguir modelos, inclusive uma vez numa aula de um de meus cursos de Jornalismo Cultural um aluno me perguntou quem era minha principal influência para eu ter me tornado um jornalista cultural e creio que ele tenha ficado muito decepcionado quando eu respondi "ninguém" (risos).

Mas enfim, se é preciso apontar alguém, eu opto por Torquato Neto. Mais conhecido como poeta e letrista ― parceiro de Caetano Veloso e Gilberto Gil ―, Torquato atuou como jornalista cultural do jornal carioca Última Hora, no começo dos anos 1970, e é com certeza uma grande referência para mim.

9. Mais alguma coisa que os Leitores precisam saber de você (mais alguma coisa que você gostaria de falar e eu não te perguntei)?

Creio ter dito tudo, só queria acrescentar que defendo o acesso aos conteúdos culturais das maneiras que forem possíveis (ou mais agradáveis) para cada um. Por mais que eu goste de livros, e tenha chegado a ter uma biblioteca particular com cerca de 2 mil volumes, não imagino que alguém seja "menos leitor" por preferir e-books, ou por ler mais em sites/blogs que em papel.

A mesma coisa em relação a filmes - constato uma certa valorização pela 'experiência' de assisti-los em tela grande (inclusive há projetos itinerantes de exibição de filmes que não só levam os filmes a um público maior, mas se preocupam em montar nas cidades por onde passam verdadeiras salas de cinema, demandando uma enorme estrutura montável e desmontável que acaba por encarecer, a meu ver, os custos dos projetos), quando para projetar basta uma parede; isso sem falar na difusão de filmes via internet, que possibilita deixá-lo ao alcance do mundo, literalmente.

Enfim, não vejo como uma experiência de acesso a um bem cultural possa ser "melhor" do que outra; todas são igualmente válidas e bem-vindas.

10. Onde mais a gente pode te encontrar? (Links ou referências, na internet, que você quiser/puder passar...)

Nestes links:


Nota do Editor


Fabio Gomes compõe o grupo de blogueiros do Digestivo Cultural ;-)


Em 22/7/2015 às 12h56

segunda-feira, 20 de julho de 2015

"Jenesequá": Callangazoo canta Verissimo


Há mais de 30 anos o gaúcho Luis Fernando Verissimo se tornou um dos escritores mais lidos do Brasil - mais precisamente a partir de 1981, quando saiu o seu superhipermegassucesso O Analista de Bagé, cuja primeira edição esgotou em apenas um dia na Feira do Livro de Porto Alegre daquele ano. O personagem-título do livro circulou por algumas outras mídias, como história em quadrinhos, e teatro, antes de chegar ao disco numa composição de Kleiton & Kledir, incluída em seu LP de 1983 (composição esta que, por ter sido vetada pela Censura Federal, ficou de fora do boom de sucessos da dupla gaúcha naquele ano). 

Desde então, tenho pouca notícia de músicas inspiradas na obra de LFV. Foi portanto uma agradável surpresa receber o e-mail informando o lançamento do single "Jenesequá", baseado no conto "Jenesequá, uma parábola", de Verissimo. O single antecipa o EP Dipatchara, que a banda baiana Callangazoo (ao lado, em foto de Marcelo Leite) lança com show no Teatro Gamboa Nova, em Salvador, dias 24 e 25 de julho, sexta e sábado.



  • No ano passado, entrevistamos o vocalista da banda, Cebola Pessoa, que falou sobre o EP Surpresa, que a Callangazoo estava lançando na ocasião. Leia aqui. 





Ficha Técnica:

Composição: Cebola Pessoa

Gravada, Mixada e Masterizada por Irmão Carlos nos estúdio Caverna do Som entre abril e julho de 2015.

Produzido pela banda Callangazoo e Irmão Carlos

Capa: Marceleza de Castilho 

Callangazoo é:

Andel Falcão nas guitarras
Bob Nunes no baixo e coros
Leo Abreu na bateria 
Cebola Pessoa nas guitarras e vocais

Participação especial de Dominique Meirelles nos vocais de apoio.

Música São Paulo: Alessandra Leão


Oficina Salvador: Escrita Dramatúrgica


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Teatro Salvador: O Casamento do Palhaço


Opinião Cinema: Super Velozes, Mega Furiosos

Por Bianca Oliveira,
de Macapá


Não, não é Velozes & Furiosos 7, é uma paródia. Mas por que diabos eu fui gastar meu dinheirinho suado vendo paródia, sendo que até agora Apertem Os Cintos, O Piloto Sumiu!, foi a única que deu certo? Foi a curiosidade, caros leitores, a curiosidade. Nos Estados Unidos, França, Reino Unido a comédia foi lançada diretamente em DVD (o que é o melhor, pois esse tipo de produção não tem um grande valor nas telas do cinema). Maaas, por algum delírio, no Brasil, o filme foi lançado no cinema. Eu pensei: “ Pô, então pra não ser jogado diretamente pra dvd, deve ser porque o filme não é tão ruim assim”. Me dei mal.

Imagine um grande carro de corrida com estampa de arco-íris e unicórnios, um motorista não sabe dirigir, um cara que beija a namorada e lhe passa herpes, um pai que aposta seu filho - ainda no ventre da mãe! - em uma corrida de carros... E por aí vai. Velozes & Furiosos já é uma franquia um pouco “sem-noção”, com cenas inacreditáveis e tudo mais, mas sua paródia viajou ainda mais, ridicularizou os estereótipos dos personagens usando como recurso o famoso exagero.

A trama segue a mesma linha da série de ação, até os personagens tem o mesmo nome dos atores do filme original: Vin, Paul, Jordana e Michelle.  Nela, o atrapalhado policial Paul White (Alex Ashbaugh) tem como missão se infiltrar na gangue de praticantes de rachas liderada por Vin Serento (Dale Pavinski), mas acaba gostando até demais do grupo. Após matar acidentalmente um investigador, ele resolve se juntar de vez aos novos amigos e roubar a fortuna que o “perigoso” traficante Juan Carlos de la Sol (Omar Chaparro) esconde no cofre de um restaurante mexicano. Mas antes, eles precisam escapar do detetive Rock Johnson - este até que foi engraçado, passou a metade do filme aplicando óleo para bebê nos braços musculosos, simulando o efeito "suado" que persegue o ator Dwayne Johnson durante todo o filme original.

Chega até ser engraçado dizer que eles exageraram, mais foi a verdade, e muito. Quase acertam no momento em que tentam brincar com chavões como o "asiático descolado", " o rapper fazendo uma ponta " e a "modelo que virou atriz", mas a repetição constante das piadas fazecom que elas percam o apelo. Repetições em câmera lenta,  letreiros, diálogos, TUDO... chegou num nível idiota inacreditável e o pior, sem graça. Ficou evidente a absoluta falta de carisma dos atores, resultando num humor chato e ultrapassado por excelência. 


Claro que esse filme não foi feito pra ganhar o Oscar, ser o melhor do ano, ou algo assim, mas custava ser ao menos só um pouquinho divertido? Infelizmente, me iludi: o trailer estava muito bom, mil vezes melhor que o filme...

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Festa São Paulo: La Tabaquera


Teatro Porto Alegre: Pois é, Vizinha....


Opinião Cinema: Velozes e Furiosos 7

por Bianca Oliveira,
de Macapá

Todos já sabem que a franquia Velozes e Furiosos é exagerada, eles se assumem mesmo, e no Velozes e Furiosos 7 o exagerado chega em outro nível. Mas, mesmo assim, apesar de tudo, esse filme teve um toque diferente, sentimentalismo, estratégias e, claro, carros voando por todo lado, confrontos e uma enorme carga dramática, dá pra perceber que não foi um mero produto comercial, foi uma bela homenagem para Paul Walker, que sofreu um acidente fatal de carro em 30 de novembro de 2013, durante a produção deste filme. 

O mais legal foi a construção de uma cronologia. A trama começa um pouco antes do final de Velozes & Furiosos 6 (2013), avança para a trama de Velozes & Furiosos - Desafio em Tóquio (2006) e depois segue adiante. A história apresenta Deckard Shaw (Jason Statham) em busca de vingança contra aqueles que deixaram seu irmão mutilado no hospital. Depois de ferir o pobre agente Hobbs (Dwayne Johnson) e assassinar Han (Sung Kang), Shaw vai atrás de Dom (Vin Diesel) e seus amigos (ou seria melhor dizer família?). Para detê-lo, Dom e Brian (Paul Walker) se unem novamente para uma história repleta de aventuras para resgatar uma hacker (Nathalie Emmanuel linda e maravilhosa - foto abaixo), que possui um dispositivo capaz de localizar qualquer pessoa no mundo.


Carros desafiam as leis da física, gravidade e tudo mais. Eles voam, saltam de prédios, fazem de tudo e o mais incrível é que Vin Diesel e seus companheiros saem ilesos (sem nem um sanguinho no canto da boca) de provações que transformariam qualquer pessoa em uma folha amassada. A sintonia do elenco é incontestável, as cenas de brigas são animadoras como na da Michelle Rodriguez versus Ronda Rousey. Mas Jordana Brewste foi esquecida, abandonada. 




James Wan teve suas falhas como diretor, os combates apresentam cortes prejudiciais durante as cenas, mas ele ainda aproveitou o potencial da sua equipe. Ao contrário do Chris Morgan que errou feio no roteiro, frases clichês, chatas, sem noção e que cansam o espectador.

Caleb e Cody Walker (irmãos de Paul) colaboraram com as filmagens, atuando como dublês - é possível observar a jogada de câmeras para esconder o rosto. Quem é fã vai ficar emocionado (mesmo que o filme não seja lá essas coisas); o final é recheado de depoimentos e demonstrações de carinho para Paul (foto abaixo). Foi uma bela homenagem.


terça-feira, 30 de junho de 2015

Goiás: Culturas tradicionais se encontram há 15 anos na Chapada dos Veadeiros

Mastro Kalunga 
(foto: Delcio Gonçalves)


A décima quinta edição do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros já tem data marcada. As atividades começam no dia 17 de julho (sexta), na Vila de São Jorge – Alto Paraíso (GO) com a nona edição da Aldeia Multiétnica. A partir do dia 24, muitas atividades espalham-se por São Jorge, pequena vila de ex-garimpeiros, localizada na entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO). Serão shows, oficinas, Rodas de Prosa (nome dado aos debates que reúnem representantes do poder público, mestres da cultura tradicional e sociedade), intervenções artísticas, além de uma programação especial voltada ao público infantil.

O Encontro de Culturas, que recebe todos os anos milhares de pessoas na segunda quinzena de julho, há 15 anos se empenha em divulgar o tradicional e o regional de todo o Brasil e, em especial, da região da Chapada dos Veadeiros. A singularidade de cada grupo participante transforma o evento em um espaço de encontros entre os mais diferentes povos e comunidades tradicionais. Encontros musicados, dançantes. Momentos de reflexão e confraternização entre indígenas, mestres, brincantes, catireiros, violeiros, artistas populares, pesquisadores e governo. O Encontro de Culturas é hoje uma representação clara da riqueza do patrimônio cultural imaterial produzido nos recônditos do país. A expectativa da produção do evento é receber cerca de 30 mil turistas este ano.

Reconhecido nacionalmente, o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros terá como temática central em 2015 a "Sociobiodiversidade", tema fundamental para a manutenção de culturas tradicionais que dependem da cultura do manejo, da agricultura familiar e da inclusão produtiva para subsistência.

Durante toda sua história, o Encontro de Culturas se esmera em reforçar que a cultura tradicional excede conceitos. Este ano, em tempo de fazer uma profunda análise nos caminhos da legislatura nacional, é observada a falta de investimento e proteção às culturas que, por lei, deveriam ser resguardadas no Brasil. Assim sendo, garantir formas de organização, priorizando os direitos dos povos e comunidades tradicionais é, mais do que nunca, um dos grandes objetivos do evento. Dessa forma, o 15º Encontro de Culturas será dividido em 5 subtemas, sempre relacionados à cultura: Cultura e Pensamento, Cultura e Infância, Cultura e Alimentação, Cultura e Diversidade, e Cultura e Saúde.

O Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros é sobretudo um espaço para se pensar e se debater políticas públicas para povos e comunidades tradicionais. Com isso espera-se alavancar a economia dessas comunidades, inserindo-as socialmente e incluindo-as economicamente.
Atrações

O Encontro de Culturas Tradicionais nasceu para abrir espaço e novas perspectivas para comunidades da região da Chapada dos Veadeiros. Desde a primeira edição do evento apresentam-se no local a Caçada da Rainha de Colinas do Sul, a Comunidade do Sítio Histórico Kalunga, o Congo de Niquelândia, a Folia de Crixás e os indígenas da etnia Krahô (TO).

Caçada da Rainha
(foto: Marcelo Scaranari)


Além destes grupos que marcarão presença na Vila de São Jorge para celebrar os 15 anos de Encontro, outros cinco serão selecionados, por meio de edital, representando cada uma das regiões do país. Durante um mês, cerca de 400 grupos de cultura popular e tradicional se inscreveram buscando espaço para se apresentar no evento. O resultado da seleção será divulgado na próxima semana.


9ª Aldeia Multiétnica (fotos: Delcio Gonçalves)



Em sua nona edição, a Aldeia Multiétnica será realizada de acordo com os princípios tradicionais dos povos indígenas. O público terá a oportunidade de vivenciar o dia-a-dia de uma aldeia, conhecer cantos, rituais, culinária, diferentes estilos de pinturas corporais, além de participar debates sobre políticas públicas para os povos indígenas. No local já foram construídas quatro casas tradicionais indígenas, uma Xinguana, uma do povo Krahô, uma do povo Kayapó e outra dos Fulni-ô. Todos terão representantes na edição deste ano. 

Outra novidade desta edição é a criação de um espaço para camping para os participantes interessados em ampliar sua vivência com os povos indígenas no local. Para isso, foram desenvolvidos pacotes que, além de hospedagem, incluem alimentação. Todo o dinheiro arrecadado com a venda dos pacotes será destinado ao traslado dos indígenas, que, em sua maioria, vivem em aldeias de difícil acesso, e à manutenção do espaço.


A Aldeia ficará aberta à visitação do público das 13h às 18h e oferecerá estrutura de restaurante e lanchonete com comidas tradicionais, leituras especializadas sobre povos tradicionais, videoteca, mostra de filmes na oca Xinguana e atividades para crianças. Além de conhecer um pouco da cultura indígena, na Aldeia também pode-se tomar um delicioso e relaxante banho de rio.


Rodas de Prosa e Oficinas

As Rodas de Prosa realizadas pelo Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros são uma oportunidade para grupos, mestres, poder público e comunidade trocarem experiências e confrontarem suas visões de mundo, priorizando a abertura de um espaço de encontros e diálogos entre os povos. O objetivo é partilhar experiências, histórias de vida, práticas e tradições culturais.

Durante o evento também são oferecidas diversas oficinas, ligadas à Feira de Oportunidades Sustentáveis que, pelo segundo ano consecutivo, terá o patrocínio do Sebrae. A proposta das oficinas e vivências é colocar o público em contato com os ofícios e a expressiva arte dos mestres da cultura tradicional e popular, seja por meio da música, dança, confecção de instrumentos, culinária ou medicina tradicional.

Serviço

15º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.
Quando? 17 de julho a 01 de agosto de 2015
Onde? Vila de São Jorge, Alto Paraíso, Goiás
Site: http://www.encontrodeculturas.com.br


Sussa
(foto: Anne Vilela)

Opinião Cinema: Qualquer gato vira-lata 2

Por Bianca Oliveira, 
de Macapá



Qualquer Gato Vira-Lata 2sequência da comédia de 2011, chegou aos cinemas como uma promessa de entretenimento e risos soltos. É claro que levar uma peça de teatro para o cinema não é fácil, ainda mais quando se trata de um sucesso como Qualquer gato vira-lata tem a vida sexual mais sadia que a nossa, peça de Juca de Oliveira estrada em 1998, mas devo dizer que no primeiro filme o resultado até que foi bem satisfatório. Mas, no segundo, a equipe só manteve os atores, investiu num roteiro original... e errou ao não procurar inovar ou surpreender: foi muita propaganda para pouco conteúdo de fato.

Não sei se você já viu o primeiro filme, se não viu não perdeu nada (risos) mas, ok, vou te dar um “resumão”. Tati (Cléo Pires) é uma jovem apaixonada pelo namorado Marcelo (Dudu Azevedo) mas, ele quer um tempo. Pobre Tati, apaixonada pelo cara errado. Aí, ela conhece o Conrado (o gatíssimo Malvino Salvador), que é professor de Biologia, e se oferece para ser cobaia numa pesquisa dele. Ou seja, um usando o outro com objetivos diferentes - e no fim, acabam se apaixonando. E é sobre toda essa paixão que o 2 pretende falar.

Tati viaja com seu namorado Conrado para o lindo Caribe (curiosidade: apesar de  a locação parecer muito com o Caribe, a filmagem aconteceu em um resort baiano), onde ele vai fazer o lançamento de seu novo livro. Aproveitando a ocasião, Tati arma um pedido de casamento surpresa (Isso mesmo, ela que vai pedir. Ui, eles tentaram inovar - risos) com a ajuda de sua melhor amiga Paula (Leticia Novaes) e sua sogra tarada Glaucia (Stella Miranda). Mas o tiro sai pela culatra: Conrado responde com um “Posso pensar?”, o ex-namorado dela, Marcelo, resolve aproveitar a oportunidade, Tati acaba virando cobaia de uma pesquisa da ex-mulher de Conrado, Ângela (Rita Guedes) e o filme vira uma zona.

Dirigido por Roberto Santucci e Marcelo Antunez, o filme consegue ser mais tosco que o anterior na redução do discurso feminista, igualando por vezes todo o conteúdo da discussão a um simples recalque, inveja e um blablablá nada filosófico. Tentaram inovar com a mulher fazendo o pedido de casamento mas acabaram ridicularizando a moça. Roteiro pobre, pobrinho, histórias fúteis que tentam ser divertidas, tudo deixando um ar de “faltou alguma coisa aqui”, sem explorar as situações como poderiam. 

A fofa da Mel Maia, apesar de ser uma criança, sem dúvidas é a que mais nos faz dar uma gargalhada aqui e acolá, talvez seja até a mais madura do elenco. O personagem Magrão (Álamo Facó) também é o alívio cômico do filme, o bobo da corte. Entre as qualidades do filme, também dá para apontar a abertura e a fotografia.

Se você estiver a fim de dar umas gargalhadas, sem exigir uma história mirabolante, apenas algo leve e simples, regado a tequila, sexo casual, algum romantismo e participação especial do Fábio Jr, então com certeza vale a pena ver o filme.