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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Música Niterói: Jards Macalé


Livros: Mar de Letras relança Outras Etiópias

Em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, a editora Mar de Letras (selo Sapere) faz o relançamento do livro Outras Etiópias. A obra, de 2012, é de autoria de Orlando Sperle Fraga Junior e Adílio Jorge Marques e visa atualizar os conhecimentos não só sobre a Etiópia, mas também, com a quebra de estereótipos, aprofundar a análise sobre a África.

Mitos bíblicos, a valorização da cultura negra e o movimento conhecido como Rastafarianismo são alguns temas abordados no livro, que traz à luz um outro olhar sobre o país. Ao apresentar acontecimentos desconhecidos por muitos, como a vitória das forças etíopes sobre o exército do fascista Benito Mussolini na Segunda Guerra Mundial e a sua influência cultural no norte e no nordeste brasileiro, Outras Etiópias rompe os estigmas da fome e das guerras civis, ajudando a entender melhor a história e a cultura africana.

Perguntas como “Qual é o lugar da Etiópia nas narrativas da resistência negra nas Américas, incluindo o Brasil?” e “Quando esse espaço começou a se consolidar no imaginário da diáspora negra?” são respondidas na obra, que está à venda no site da editora em www.livrariamardeletras.com.br.

sábado, 15 de novembro de 2014

Teatro Macapá: Silêncio Total


Teatro Palmas: Torrenegra


Cinema Macapá: Mostra Ôxe!



Ao longo de 10 anos de existência, o Festival Imagem-Movimento buscou fortalecer o intercâmbio com agentes culturais de todo o Brasil, tendo nos realizadores do Nordeste uma de suas conexões mais fortes.  E na 11ª edição do FIM, a região é representada em sessão especial do Clube de Cinema que acontece dia 22 de novembro, sábado, às 19h no auditório da Biblioteca Pública Elcy Lacerda.

A Mostra ÔXE! é uma realização do Moinho de Cinema da Paraíba, entidade coletiva de audiovisual criada em 2006, com o intuito de difundir, fomentar e apoiar iniciativas que alicercem o cenário audiovisual paraibano, em parceria com o cineclube do FIM.

Serão exibidos 10 curtas-metragens paraibanos de diversos realizadores, estéticas e temas. A sessão comentada contará com a presença de Kleyton Canuto (PB), ator, produtor, diretor, pesquisador em audiovisual e participante do coletivo Moinho de Cinema da Paraíba.

Para o encerramento, o evento conta ainda com a participação do músico Silvio Neto (PB), que traz no repertório os mais representativos compositores e cantores da música paraibana, como Zé Ramalho, Chico César e Vital Farias, além do lançamento de composições autorais.  A entrada é franca e aberta ao público. 

Confira a programação:

Exibição:

Ato Institucional, de Helton Paulino, 2012, 20’.
Malha, de Paulo Roberto, 2014, 14’.
FELIZ Aniversário, de Carlos Mosca, 2013, 15’.
Irmãs, de Gian Orsini, 2012, 15’.
Catástrofe, de Gian Orsini, 2013, 14’.
A Prisão das Almas, de Erik Medeiros, 2014, 12’.
Capela, de Ramon Batista, 2014, 12’.
Ilha, de Ismael Moura, 2014, 15’.
Sophia, de Kennel Rógis, 2013, 15’.
Amador, de Nathan Cirino, 2013, 15’.
Lançamento:
              Platô!, Kleyton Canuto, 2012, 18’.
Comentários:
               Kleyton Canuto (PB)

Música ao vivo:
               Silvio Neto (PB)

SERVIÇO:

Clube de Cinema Especial: Mostra ÔXE!
Local: Biblioteca Pública Elcy Lacerda
Data: 22 de novembro
Horário: 19h
Classificação: 14 anos

Entrada franca. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Debate Rio Branco: Cinema pela Democracia


Espetáculo Porto Alegre: Desdobramentos

O NECITRA – Núcleo de Estudos e Experimentações com Circo e Transversalidades, fundado em 2009 por Diego Esteves, é um coletivo de artistas e educadores dedicados à criação, pesquisa e produção no âmbito, principalmente, das artes cênicas. Nesse sentido, fazem parte de suas principais atividades espetáculos e oficinas regulares, bem como a produção de vídeos e cursos esporádicos.  

A atuação destacada do NECITRA gerou o convite para que este participasse com dois espetáculos da Mostra de Artes Cênicas e Música que a Câmara Municipal de Porto Alegre realiza em seu Teatro Glênio Peres. O primeiro foi Mistureba, e agora é a vez de Desdobramentos.

Foto: Martha Reichel Reus


O programa "Desdobramentos", iniciado no início de 2013, dá suporte para o trabalho do núcleo e se mantém de forma continuada e independente, como objetivo promover e potencializar as pesquisas cênicas dos artistas que compõem o NECITRA, através de um método compartilhado de trabalho. Tal programa acontece de forma permanente na Casa Cultural Tony Petzhold, sede e parceira do NECITRA, e local onde são realizadas as principais atividades do núcleo. 

Já o espetáculo Desdobramentos se desenvolveu a partir do referido programa. Para este espetáculo, o grupo propõe um novo olhar aos processos que vem se desdobrando desde o início de 2013 e busca um diálogo entre estas criações. Utilizando como principais referências a dança, o circo e o teatro, o trabalho leva para a cena, e para as intervenções, uma mescla de coreografia, improvisação, jogo e interação com o público.

Serviço:

- O que: Espetáculo Desdobramentos
- Quando: 21 e 22 de novembro | Sexta e Sábado 
- Horário: às 20h
- Onde: Teatro Glênio Peres - Av. Loureiro da Silva, 255
- Entrada Franca - distribuição de ingressos 1h antes ou dia 18, das 14h às 18h, no local
- Informações: necitra.com | facebook/NECITRACANTO | necitra@canto.art.br ou (51) 8188.2161

Ficha técnica: 

Coordenação: Diego Esteves | Direção: coletiva | Criadores intérpretes: Caroline Mendes, Diego Esteves, Fernanda Boff, Fernando Faleiro, Gabriel Martins, Paola Vasconcelos e Ramon Ortiz | Operação de Luz: Mirco Zanini | Operação de som: Iassanã Martins | Produção: Canto - Cultura e Arte | Produtores responsáveis: Diego Esteves, Fernanda Boff e Paola Vasconcelos  | Designer: Braunny Lopez 


Foto: Yamini Benites

A propósito de Manoel de Barros

Hoje, depois de quase 98 anos por aqui, o poeta Manoel de Barros nos deixou, e foi para o lugar que acreditamos ser melhor. 

A primeira vez que ouvi falar do poeta foi através de um curta-metragem, Caramujo-Flor (citado e incluído na íntegra no texto a seguir), exibido no final dos anos 1980 (eu diria ter sido em 1988, mas a ficha no YouTube informa que o filme foi feito ano seguinte. Enfim...) na Biblioteca Pública Castro Alves, em Bento Gonçalves, que tinha sessões regulares de cinema brasileiro, e que foi fundamental para minha formação intelectual :)

Afora um que outro poema seu lido depois em alguma antologia, meu reencontro definitivo com Manoel se deu através do filme Língua de Brincar, exibido no CineEsquemaNovo 2007 – Festival de Cinema de Porto Alegre, que nesse ano teve entre os apoiadores meu site Brasileirinho. No evento eu também fui um dos alunos da Oficina de Crítica Cinematográfica ministrada pelo crítico do site Contracampo Ruy Gardnier. Ruy estava no júri oficial do festival, e a nós oficinandos coube a tarefa de constituirmos o júri que apontou o melhor longa do certame - que recebeu o nome pomposo de Prêmo da Nova Crítica (moral, hein?). Concorriam com LínguaConceição – Autor Bom é Autor Morto, de Daniel Caetano, André Sampaio, Guilherme Sarmiento, Samantha Ribeiro e Cynthia Sims (RJ); O Quadrado de Joana, de Tiago Mata Machado (MG); e Selva do Meu Desejo, de Roberto Athayde (RJ). Este último teve a maioria dos votos de meus colegas (eu obviamente votei em Língua). 

Ano passado, a convite de uma amiga do Mato Grosso do Sul, fui passar o carnaval em Corumbá, e antes e depois de ir pra fronteira fiquei alguns dias em Campo Grande, onde já havia uma avenida Manoel de Barros (o que me fez até perguntar para a amiga se Manoel ainda vivia. Sim, ela confirmou). Ao longo de toda a extensão dessa avenida, que atravessa o Parque dos Poderes, diversas placas reproduzem trechos de poemas de Manoel. O melhor de tudo é que isso foi feito ainda com o homenageado vivo, dando as flores em vida, como pediam Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito no samba "Quando Eu me Chamar Saudade". 

O texto que lemos a seguir é a crítica do filme Língua de Brincar, que escrevi durante a citada oficina do CineEsquemaNovo 2007. 


***

LÍNGUA DE BRINCAR: 
O RETRATO DO CINEMA ENQUANTO POESIA



O que dizer sobre Língua de Brincar? Que é um documentário que, ao retratar o poeta Manoel de Barros, foge do convencional? Foge, por certo, embora essa "fuga" de um tipo de documentário-com-locutor-que-comece-dizendo: "Fulano de tal nasceu na cidade tal na data tal" esteja quase se tornando uma convenção também. Considero que os diretores Lúcia Castelo Branco e Gabriel Sanna acertaram em cheio quando foram além e buscaram captar em seu filme o que seria um retrato do cinema enquanto poesia.

Sei de pelo menos um filme anterior sobre Manoel de Barros que teve o mesmo propósito de fuga do convencional: Caramujo-Flor, de Joel Pizzini. Nesse curta de 1988, enquanto víamos belas imagens do Pantanal e de Campo Grande, ouvíamos poemas de Manoel na voz de artistas como Ney Matogrosso e Aracy Balabanian, além de um depoimento do acadêmico Antônio Houaiss situando a obra do poeta no panorama da literatura - e a fala descompromissada de amigos como o jornalista Fausto Wolff, contando como é bom bater um papo com Manoel.



Língua de Brincar avança na linha aberta por Caramujo-Flor: mostra paisagens do Pantanal, tem poemas lidos por artistas, como Maria Bethânia, a opinião de especialistas como o português João Barrento, e a fala dos amigos - a lista aqui aumenta: além de Wolff, temos o ator Orã Figueiredo, o bibliófilo José Mindlin e outros contando suas conversas memoráveis com Manoel. E, felizmente, depois de ter visto Língua de Brincar eu não preciso mais ficar imaginando como seria bom bater um papo com Manoel: tenho a certeza disso ao ver o poeta conversar com a equipe de filmagem em várias cenas. 

Sim, um dos achados do filme é incorporar à narrativa seu próprio making-off. Isto ocorre, por exemplo, nos depoimentos: ao invés do clássico enquadramento fixo em que o depoente parece estar falando sozinho (um padrão no estilo "documentário convencional"), mostra-se o contexto em que o depoimento é captado. Sob esse aspecto, o grande momento do filme é a hora em que Orã Figueiredo fala sobre sua atuação numa peça feita a partir dos poemas de Manoel. Enquanto o ator fala, a câmera brinca com suas múltiplas imagens exibidas nos vários espelhos do camarim do teatro, mudando o ângulo de observação diversas vezes. Foi um dos momentos em que lembrei desses versos do poema "Uma Didática da Invenção": Repetir repetir - até ficar diferente/ Repetir é um dom do estilo.

A idéia da repetição como dom do estilo foi estendida à estrutura de Língua de Brincar, o que tanto ajuda quanto atrapalha. Atrapalha por exemplo na seqüência em que, enquanto vemos uma árvore em preto-e-branco, uma voz feminina repete diversos poemas curtos definindo pedra, homem, borboleta etc., em português e em espanhol (para piorar, esta seqüência, é reapresentada na íntegra após alguns minutos!). A repetição ajuda quando se varia a forma de fazer os poemas voltar à cena (por exemplo, o poema lido por Bethânia, "Ruína", já fora lido em off noutra passagem); ajuda também quando depoimentos longos são divididos em várias intervenções curtas, de modo a não se tornarem enfadonhos. Um cuidado que infelizmente não foi estendido à cena que encerra Língua de Brincar: a da cartomante que vê no tarô a sorte do filme (sic). 

Afora certa coerência com a idéia de incorporar o making-off à estrutura, este final é praticamente uma negação do caráter da obra. Além de a cena nada acrescentar de informativo ou de poético em seus quase sete minutos de duração, ela tem o demérito de tirar o espectador do enlevo a que o levara a cena anterior e que me parecia o final mais adequado a um filme sobre Manoel de Barros: enquanto ouvíamos uma locutora ler os créditos finais do filme, víamos as imagens de coisas ou paisagens identificáveis dando lugar a massas de cores atravessadas a intervalos por linhas luminosas (difícil colocar em palavras isso, desculpem). Confesso que logo de início estranhei, mas em seguida embarquei na proposta e deixei as cores e linhas me levarem ao Pantanal. Vi ali árvores crescendo, animais correndo ou nadando - a vida acontecendo em sua plenitude, enfim. É como se, ao invés da visão de diferentes posições ocupadas por um ser em movimento, eu pudesse, pela vez primeira, ver capturada numa tela de cinema a essência do movimento em si. Tamanha beleza remeteu-me a uma frase do pintor Carlos Vergara: O que está na tela é um pretexto para catalizar áreas sutis no espectador.


Evento Sobradinho (DF): 51ª Festa do Boi de Seu Teodoro


Música Penedo (RJ): Thaís Motta e Marvio Ciribelli