domingo, 24 de abril de 2016

Entrevista: JackMichel

JackMichel é o nome artístico de duas escritoras: Jaqueline e Micheline Ramos, duas irmãs naturais de Belém (PA). Sua obra é ampla e pode ser descrita entre romances, contos e poesias. O estilo de escrita de JackMichel foi influenciado por autores mundiais clássicos de diversos gêneros literários como Oscar Wilde, Hans Christian Andersen, Lewis Carrol, Edgar Allan Poe, Eça de Queirós, Machado de Assis, dentre outros. JackMichel professa o lema Escrever é viver. Para saber mais, curta a página no Facebook: https://www.facebook.com/EscritorasJackMichel/

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Jornalismo Cultural - Vocês são duas irmãs, que escrevem em parceria, e usam o pseudônimo JackMichel. Por que esta opção e como funciona esta escrita em parceria, considerando que geralmente escritores são classificados como os mais solitários artistas no momento da criação?

JackMichel - Bem... não foi uma escolha entre uma e outra coisa, foi na verdade um engenho calculado. Eu e Jack, minha irmã e parceira literária, tencionávamos movimentar este meio literário tão estático de meneios fascinantes e tivemos a rica ideia de dar vida a uma nossa criatura: a autora JackMichel. O critério utilizado para a elaboração da escrita de JackMichel se dá unindo a lógica do meu juízo analítico e sintético com o criadorismo mágico de Jack: daí, podemos auferir o prêmio de uma obra extraordinariamente sui generis que assusta o convencional. Detalhando mais tudo isso declaro que, umas vezes, Jack escreve a maior parte de um livro e separa trechos que posteriormente são preenchidos por mim... outras, ela cria o título da obra e depois eu a componho... e, ao final do trabalho, o leitor atento não consegue identificar os enxertos no texto, tão coesos são o primor linguístico e a imagem de expressão. Uma combinação perfeita: mais ou menos como o queijo e a goiabada o são.

Jornalismo Cultural Em seu primeiro livro, Arco-Jesus-Íris, vocês ambientam na época do auge do movimento hippie (final dos anos 1960) uma série de casos polêmicos (do processo de Oscar Wilde à morte de Jim Morrison), tendo como pano de fundo um confronto entre Jesus Cristo e Satanás. Qual foi sua inspiração? A repercussão da obra é a que vocês esperavam?

JackMichel - À parte a originalidade retumbante do título que combina o nome de Jesus, maior símbolo do Cristianismo, com a doce palavra arco-íris, posso dizer que a inspiração para a composição desta obra foi mesmo a própria década de 60 que trouxe as maiores revoluções para o século XX com sua moda, jargão,  movimentos e cores. A divulgação de Arco-Jesus-Íris ainda segue em andamento, pois seu lançamento pela Chiado Editora em outubro de 2015, está recente e todo processo de propaganda de um produto se dá pouco a pouco, haja vista estar vinculado à engrenagem da mídia que o move. No caso do mercado editorial creio que o sucesso de um livro aconteça quase que ao mesmo tempo em que o autor cai no gosto do público leitor em geral.

Jornalismo Cultural O contrato de vocês com a Drago Editorial prevê o lançamento de quatro novos livros, LSD Lua, 1 Anjo MacDermot, Sorvete de Pizza Mentolado x Torpedo Tomate e Ovo. Todos devem sair ainda este ano? Estes também são romances? Falem um pouco sobre cada um. E, por favor, comentem de onde surgem títulos tão pouco comuns! 

JackMichel - Sim. Os quatro livros citados serão publicados ainda este ano de 2016, respectivamente nos meses de julho, agosto, setembro e outubro. Todas estas obras são do gênero ficção histórica, pois suas histórias apaixonantes mesclam ocorrências fantasiosas com documentação histórica. LSD Lua traz à tona a figura da poderosa e polêmica droga LSD, que embalou os sonhos da geração underground e rende um preito à chegada do homem a lua... 1 Anjo MacDermot, uma obra colossal totalmente talhada aos moldes do psicodelismo e que expõe, em ordem cronológica, fatos acontecidos na década de 60... Sorvete de Pizza Mentolado x Torpedo Tomate é uma breve narrativa tragicômica que, no epílogo, homenageia os soldados mortos na Guerra do Vietnã cujos nomes estão escritos no Vietnam Veterans Memorial... E Ovo é um drama que enfoca cuidadosamente os traumas psicológicos do ser humano, na perspectiva freudiana. A ideia dos títulos é sempre resultado do estro inquietante de Jack, que luze em momentos muito especiais de criação.

 Jornalismo Cultural Como surgiu o convite para vcs participarem do Salão Internacional do Livro em Turim, entre 12 e 16 de maio? 

JackMichel - Não houve de fato um convite. Tive conhecimento do 29º Salão Internacional do Livro de Turim a partir dos editais estampados no jornal Sem Fronteiras, onde sairá matéria sobre JackMichel na edição de abril/maio. A Associação Cultural Internacional Mandala (A.C.I.M.A.), que tem presença tradicional no Salão do Livro, é pioneira em oferecer aos autores brasileiros o ensejo de expor suas obras no exterior, rasgando o véu baço que os encobre; além de promover o intercâmbio artístico-literário entre Brasil e demais países no cenário internacional, pondo-os tête-à-tête dentro duma vitrine preciosa de novos talentos de igual valor que, para se conhecer, é preciso antes divulgar.

Jornalismo Cultural Quais seus planos após retornar da Itália e lançar os quatro livros já previstos? 

JackMichel - A escritora JackMichel lamentavelmente não estará presente no memorável evento de Turim, pois não pode ausentar-se do Brasil no momento em que coordena detalhes referentes a publicação de seus livros, para o segundo semestre deste ano. Isso é fato normal nesta ocasião visto que muitos autores brasileiros, que serão representados pela A.C.I.M.A. em seu stand próprio, não participarão pessoalmente do Salão do Livro. No tocante a planos para o futuro, JackMichel tem os mais auspiciosos já que várias editoras do exterior deram acenos positivos para a publicação de suas obras. 

sábado, 23 de abril de 2016

Na Rede: Entrevista ao Holofote Virtual

Na terça, 19, o blog paraense Holofote Virtual noticiou a Oficina de Cinema Independente que realizo em Belém a partir do dia 25 (saiba mais aqui). Foi o pretexto para a responsável pelo blog, a jornalista e cineasta Luciana Medeiros me entrevistar, indo além do óbvio, o que me motivou a publicar aqui a parte do post original que traz o nosso papo. Apreciem. 

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Holofote Virtual: Eu sabia da tua veia para o jornalismo cultural, mas é novidade tua incursão no audiovisual. Quantos e quais filmes você já fez até o momento?

Fábio Gomes: Eu fiz até o momento seis curtas, sendo cinco deles, da série 'As Tias do Marabaixo' e um outro intitulado "Você é África, Você é Linda", realizado durante a Oficina de Cinema Independente que ministrei na Bahia, na cidade de Jequié. O tema deste é o empoderamento das pessoas negras através do ato de assumir o cabelo cacheado/crespo e uso de turbantes. Vou exibir alguns deles durante a Oficina. 

Holofote Virtual: Você ainda escreve com assiduidade os seus blogs, como está indo este projeto?

Fábio Gomes: Continuo com os blogs Som do Norte e Jornalismo Cultural, além de colaborar com o Digestivo Cultural e publicar artigos no LinkedIn. O Som do Norte já não publica agenda de eventos, hoje a informação sobre isso circula mais nas redes sociais e não tanto em sites/blogs. 

O foco da página então tem sido os lançamentos de EPs, eventualmente resenhas de shows e principalmente entrevistas, em especial as da série 'Café com Tapioca' (conversas breves com artistas que estejam lançando single, EP ou clipe). Aproveito para te dizer uma novidade em primeira mão: estamos nos preparando para postar entrevistas do 'Café com Tapioca', em vídeo! 

Holofote Virtual: Como tem sido a vivência cultural em Macapá?

Fábio Gomes: Viver em Macapá me proporcionou realizar este projeto de preservação e divulgação da memória cultural que é 'As Tias do Marabaixo'. O Marabaixo é uma dança de matriz africana, a principal manifestação cultural nascida no Amapá, e é uma grande alegria para mim poder ajudar a divulgá-la para outros estados. 

Na medida do possível, acompanho sempre a movimentação cultural da cidade, em especial shows e eventos literários. Macapá conta com inúmeros artistas de talento, alguns de projeção nacional como a cantora Patrícia Bastos.  

Holofote Virtual: E como é o movimento de cinema na cidade? Você já está bem inserido neste contexto? Qual seu olhar sobre isso?

Fábio Gomes: A cena de cinema de Macapá tem prosperado desde a realização do primeiro FIM (Festival Imagem- Movimento), em 2004. O Festival gerou a criação de um Clube de Cinema, que atualmente realiza encontros regulares no Espaço Caos. Também são frequentes as exibições especiais de mostras itinerantes através de projetos do próprio FIM ou de entidades como o SESC.

Mesmo a área da exibição comercial tem registrado uma expansão, com a abertura de cinemas em um shopping center e a ampliação do espaço dedicado ao cinema em outro (que possuía apenas uma sala e hoje conta com um multiplex). Mais espaços de exibição sempre resultam em ampliação do público e no aumento do número de pessoas interessadas em produzir cinema. 

Entre as produções, destaco uma que ainda está em fase de filmagem, o documentário “Mazagão: mito, memória e migração”, uma parceria entre a Castanha Filmes, do Amapá, e o Espaço Cinema, de Porto Velho, sobre a história do município de Mazagão, com filmagens no Brasil e no Marrocos; o filme foi viabilizado por ter sido aprovado em edital do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) da Ancine.

Foto do curta Tia Biló (2015), de Fábio Gomes
Holofote Virtual: E com Belém, como andam as suas conexões?

Fábio Gomes: Já morei em Belém, e a considero uma das quatro cidades onde eu me sinto em casa (as outras três são Porto Alegre, onde nasci e morei mais tempo; São Paulo, a cidade para onde fui mais vezes na vida; e, naturalmente, Macapá, onde moro). Acompanho sempre a cena cultural de Belém, que é muito pujante, sempre com muitos eventos, sejam shows, festivais, filmes, peças ou exposições. Sempre apoio shows e lançamentos de artistas (o mais recente foi o EP 'Filho de Gal', da cantora Liège).

Desde a criação do Som do Norte, em 2009, os artistas de Belém têm sido os mais destacados no blog. Sendo Belém a capital mais próxima de Macapá, fica também muito fácil poder vir para algum evento aqui a qualquer momento, mas independente disto reservo todo ano um período mais longo para estar aqui.

Minha atual temporada na cidade está sendo de dois meses, até metade de maio, onde além de ministrar a Oficina estou realizando ensaios fotográficos a valores promocionais dentro da Campanha Vamos Sonhar Juntos (link no Facebook -https://www.facebook.com/groups/VamosSonharJuntos), cuja arrecadação irá custear a edição do livro de fotos sobre 'As Tias do Marabaixo'.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Opinião Cinema: Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro




Essa resenha vai ser diferente. Não vou começar criando suspense, nem contar um pouquinho da história, ou dizer os prós e contras do filme, nada disso. Vou começar logo dizendo o quanto ele é ruim, decepcionante e confuso. É difícil escolher o que criticar, os erros começam desde o roteiro mal estruturado, as cenas sem conexão entre si, o ritmo que é uma bagunça até a perda da essência dos personagens. Se você foi ver, eu lamento, me dá aqui um abraço, e se não foi, não perca seu tempo e nem dinheiro (Ah e aviso logo, esse texto contém vários spoilers).

Eu cresci lendo sobre os super-heróis, lia centenas de quadrinhos e passava horas assistindo seus filmes. E sempre fui apaixonada pelo Batman e o Superman, justamente pela sua essência única.  O Superman simboliza uma pessoa comum que quer fazer a diferença, a sua magnitude é a sua bondade. Eu amo vê-lo desse jeito, ver que toda sua força, poder, não o corrompeu. Já o Batman é a superação em pessoa. A sua capacidade de superar seus medos, suas angústias, de não desistir nunca, lutar até o fim é a sua maior virtude. Ele sabe que tudo isso o deixa ainda mais forte, o transforma e liberta. Sem contar que é um ótimo detetive (um lado seu pouco explorado pelos filmes, acabam sintetizando o herói ao seu cinto, seu batmóvel e seus “amigos” Alfred e Gordon). E aí vem o diretor Zack Snyder, com sua mania de grandeza, e destrói tudo isso.  Não conseguimos reconhecer os personagens.

Snyder nos apresenta um Superman (Henry Cavill) sem personalidade e também sem propósito algum. Ele só reage porque as coisas acontecem ("se me atacar eu vou atacar"), mas qual o motivo? Por que ele faz isso? Por que ele existe? Ele vem destruindo tudo, não se importando com as pessoas. Prédios inteiros, com milhares de pessoas dentro, desabando por sua culpa e ele não liga. Ok, isso é comum com alguns super-heróis, mas ele? Não, isso não, o Superman que conhecemos ama os seres humanos, faz de tudo para protegê-los e não deixaria ninguém morrer por causa de um inimigo.  E Snyder não consegue explicar tudo isso, até tenta mostrar que esse Superman também é o símbolo da pureza, mas não dá certo.


E o erro se repete com o Batman (Ben Affleck) que vira mais um psicopata que fica matando as pessoas sem se preocupar com os danos. Em O Cavaleiro das Trevas (filme de 2008 dirigido por Christopher Nolan)ele prefere ser procurado a que permitir que a esperança de Gotham City seja perdida. Lembra que a sua regra dourada é não matar?! Em outra momento, quando está mais velho, até desiste de lutar porque viu que não conseguia mais vencer sem usar armas. Mas agora o herói sai matando, segura uma metralhadora e aperta o gatilho, parece outra pessoa.  Na HQ em que Zack Snyder se baseou, o mesmo Batman diz que está cansado e que eles não precisam dessas armas, e até usa bala de borrachas quando precisa e também depois de vencer, ele deixa claro para Clark Kent quem ele é, e pára por ai, acabou.

E o que falar do Lex Luthor (Jesse Eisenberg)? Fala sem parar, um cara descolado, moderninho, é algo mais caricato, chega a ser idiota até. Parece mais um Coringa (e dos piores) do que alguém importante e ameaçador. Vocês podem até pensar “Ah mas quiseram dar uma nova roupagem aos personagens, uma releitura”, pode até ser, mas foram por um péssimo caminho. E olha que é notável a influência de várias edições dos quadrinhos da DC, mas erraram quando resolveram unir tudo e fazer uma bagunça só.

O problema não é só na construção dos personagens. O roteiro de Chris Terrio e David Goyer recorre a saídas bestas, com diálogos que chegam até a insultar nossa inteligência. O ritmo é leeento, cada cena tenta ser “épica”, mas tudo fica entediante e nem um pouco marcante. Não foi possível ajustar as cenas de ação e de reflexão, exageraram e muito na câmera lenta, nos objetos em close-up e na trilha sonora chata de Hans Zimmer, aliás, tudo está exagerado, desde as emoções até as cenas de lutas. Ben Affleck e Henry Cavill também não fizeram um ótimo trabalho, mas entendemos que a culpa de toda a frieza e de uma interpretação mediana não é culpa deles, e sim de toda uma produção por trás.



Calma, crianças! Nem tudo está perdido, ainda há esperança nesse mundo. A Mulher-Maravilha de Gal Gadot chegou para abalar nosso mundo (literalmente), ela é linda e sua atuação mais ainda, sei que estamos acostumados a ver a Linda Carter nesse papel, mas Gadot veio para quebrar estereótipos (ela ainda é a primeira atriz não norte-americana a dar vida à heroína). Quando a Mulher-Maravilha sorri, depois de uma pancada, e ainda sorrindo, volta para o combate, isso já nos informa tudo que precisamos saber sobre sua personagem, sobre qual o motivo dela lutar e principalmente nos deixa ansiosos para seu filme solo com estreia prevista para junho de 2017 (e esse sorriso foi uma decisão da atriz e não do diretor).

No fim, parece mais que Batman vs Superman: A Origem da Justiça é um trailer, preparando o terreno para Liga da Justiça - Parte Um, que estreia em novembro do ano que vem. Apesar de tudo, o filme tem o importante papel de iniciar a saga da Mulher-Maravilha (sim, estou bem ansiosa meeesmo) e ainda dá uma ideia de outros heróis que serão vistos em Liga da Justiça - Parte Um, o que com certeza vai dar esperança pra gente, ou não, porque Zack Snyder também vai comandar esse...


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Oficina Belém: Cinema Independente



No mundo de hoje, todos podemos nos considerar cineastas em potencial. Afinal, cada um de nós tem nos bolsos ou nas mãos, o tempo todo, celulares capazes de filmar, quase sempre em HD (alta definição). É inspirado nisto que o jornalista cultural Fabio Gomes lançou, em 2015, sua Oficina de Cinema Independente, que será realizada pela primeira vez em Belém na Casa Oiam, nos dias 25, 26 e 27 de abril, à noite.

O programa da Oficina inclui noções de conceito e história do Cinema Independente, roteiro, montagem e finalização de curtas-metragens, além de abordar legislação do setor e informações sobre mercado exibidor, circuito de festivais e também o registro na Ancine.

Criador do blog Som do Norte, Fabio começou a filmar como parte de seu projeto As Tias do Marabaixo, que divulga a principal cultural de tradição popular do Amapá. Ele mesmo editou os cinco curtas-metragens do projeto, lançados no primeiro semestre do ano passado:

- Eu já tinha experiência com edição de som, devido a meu trabalho com produção musical, e através de tutoriais na internet fui descobrindo programas para editar as imagens – conta o jornalista. – Quando concluí o processo, considerei importante ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo, nascendo assim a Oficina de Cinema Independente.

A primeira edição da Oficina foi realizada em Jequié, na Bahia, em setembro de 2015, e rendeu um novo curta-metragem de Fabio Gomes, intitulado Você é África, Você é Linda.

- A proposta da Oficina não é que saiam dela filmes prontos para exibir, embora isto muitas vezes aconteça – pondera Fabio Gomes. - O que se pretende é que todo aquele que participar entenda a mecânica de realização de um filme e veja como hoje, na era da cultura digital, isto está ao alcance de todos.

Serão ofertadas para esta edição da Oficina na Casa Oiam 20 vagas. A inscrição deve ser feita online pelo link https://goo.gl/IWSERV



SERVIÇO

Oficina de Cinema Independente

Ministrante: Fabio Gomes

Local: Casa Oiam (Trav. Piedade, 551, Belém – 91-2121-6509)

Datas: 25, 26 e 27/4 (segunda, terça e quarta), das 19h30 às 22h30

Vagas: 20 (a Oficina acontece com um mínimo de 8 inscritos)

Inscrição: https://goo.gl/IWSERV

Valor: R$ 200,00

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Cinema Independente (final)

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DIVULGANDO SEU FILME



NA INTERNET

O seu filme já está digitalizado e finalizado em HD, agora é só usar uma conexão com a internet para publicá-lo no YouTube (https://www.youtube.com/). Para subir um vídeo para o site, você precisa criar uma conta usando seu endereço de Gmail – se não tiver, basta criar uma conta gratuitamente em https://gmail.com/. Configurado o seu Gmail, você volta ao YouTube para criar sua conta e já pode subir seu filme para lá. 

Enquanto o vídeo sobe e é processado (o processo por vezes leva horas, depende do tamanho do vídeo), você pode escolher se deixa o vídeo como público, privado ou não-listado, e também editar as informações que serão lidas por quem acessar – use esse espaço para postar informações sobre o filme, e também divulgar a ficha técnica (a relação de quem participou ou ajudou nas filmagens. Aproveite a lista criada para a confecção dos créditos do filme). O YouTube também vai lhe pedir para inserir tags no vídeo; são marcadores que, embora não fiquem visíveis na página do filme, ajudam o próprio site a recomendar seu trabalho para internautas que estejam assistindo vídeos com tags semelhantes. Uma vez postado no YouTube, o vídeo pode ser facilmente compartilhado em sites, blogs, redes sociais, além de você poder enviar o link por mensagens ou e-mail. Se o vídeo for listado como público, outras pessoas também poderão compartilhá-lo, ajudando a aumentar a sua audiência.
Outro site interessante para o compartilhamento de vídeos é o Vimeo (https://vimeo.com). Em relação ao YouTube, ele tem uma vantagem e uma desvantagem. A vantagem: você pode postar vídeos que fiquem protegidos por senha, e que só serão vistos e/ou baixados pelas pessoas a quem você informar link e senha (isto é muito usado, por exemplo, para o envio de filmes para festivais). A desvantagem é que a versão gratuita (chamada Basic) do Vimeo só permite postar 500 MB de vídeos por semana, limitado ainda a 10 arquivos por dia. Já as contas Plus podem carregar 5 GB e as PRO, 20 GB.

NAS TELAS

Pode ser que você queira apenas mostrar seus filmes na internet, compartilhá-los com seus amigos e eventualmente até ganhar algum dinheirinho se sua produção bombar no YouTube. Mas pode ser também que você queira mais que isso, ambicione ter seu filme exibido na tela grande do cinema, seja na sua cidade, seja pelo Brasil ou mesmo pelo mundo. Isso é possível? SIM. O que não necessariamente quer dizer que seja fácil.

Um meio simples de fazer seu filme ser visto por pessoas numa sala pode ser o contato com organizadores de eventos culturais, como saraus, que costumam acontecer em centros de cultura e locais alternativos (bares ou mesmo praças públicas) de boa parte das cidades brasileiras. Outra opção são os cineclubes – existem 1.370 cineclubes no Brasil, a maioria em cidades de até 20 mil habitantes. Diferentemente dos cinemas comerciais, os cineclubes priorizam a qualidade artística para selecionar os filmes que irão exibir.

Mercado exibidor – A possibilidade de você conseguir passar seu filme independente em um cinema de shopping center da sua cidade (mesmo que seu filme seja um longa-metragem de ficção, que é na prática só o que passa nos multiplex localizados em shoppings) é bastante remota. Como já disse a produtora baiana Solange Lima, “o mercado exibidor foi organizado para o filme importado, a produção nacional em geral só pega as sobras de datas” – e isso que devemos considerar que ela se referia a filmes produzidos comercialmente por companhias cinematográficas com algum tempo de atuação no mercado nacional. O circuito multiplex é dominado por distribuidoras ligadas aos estúdios de Hollywood, como a Fox Filmes, a Columbia Tristar e a UIP (United International Pictures) (e isso não é de hoje, como vimos no caso do filme O Cangaceiro, da Vera Cruz, e já naquela época não era exatamente uma novidade). Paralelamente, há uma série de distribuidoras independentes, que atuam no segmento chamado de “filmes de arte”. Empresas como a Downtown Filmes, Europa Filmes, Lumière Brasil e  Pandora Filmes se fazem presentes em rodadas de negociação que acontecem em festivais de cinema, adquirindo os direitos de distribuição de filmes que se destacarem, tanto brasileiros quanto de outras nacionalidades. Esses filmes posteriormente serão exibidos no circuito de filmes de arte, constituído em sua maioria por salas mantidas por Estados e prefeituras (e alguns empreendedores privados), e também nos chamados “arteplex”, conjunto de salas semelhante aos multiplex mas que destina algumas de suas salas ao circuito de filmes de arte. Vale lembrar que aqui estamos falando, sempre, de longas-metragens,  formato padrão do mercado exibidor. Curtas e médias acabam circulando majoritariamente pelos circuitos de festivais, cineclubes e demais canais alternativos. De todo modo, antes de cogitar entrar em uma rodada de negociações em um festival, você deve se registrar na Ancine.

Registro na Ancine – A Ancine é a Agência Nacional do Cinema, foi criada em 2001, vinculada então diretamente à Presidência da República, passando ao âmbito do Ministério da Cultura dois anos depois. Seu papel é atuar como uma agência reguladora do audiovisual brasileiro, cabendo-lhe fomentar, regular e fiscalizar a indústria cinematográfica e videofonográfica nacional.

Quem se registra na Ancine tem acesso aos serviços que a agência presta, como o encaminhamento de relatórios de acompanhamento de mercado, solicitação de Certificado de Produto Brasileiro, recolhimento da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, que incide sobre a veiculação, a produção, o licenciamento e a distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais, bem como sobre o pagamento, o crédito, o emprego, a remessa ou a entrega, aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, de importâncias relativas a rendimento decorrente da exploração de obras cinematográficas e videofonográficas ou por sua aquisição ou importação, a preço fixo; o valor recolhido é destinado ao Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que é utilizado para financiamento público do setor) etc. O registro na Ancine é obrigatório para todos os chamados “agentes econômicos”, ou seja, aqueles que desenvolvem atividades econômicas ligadas ao audiovisual. Segundo a própria Ancine, agente econômico é “Qualquer pessoa natural ou jurídica que participa, independentemente, como sujeito ativo na atividade econômica (audiovisual ou não).” Ou seja, não são apenas companhias e produtoras que podem se registrar na Ancine, pessoas físicas também podem. O registro é extremamente simples e pode ser feito no Sistema Ancine Digital (http://sad.ancine.gov.br/controleacesso/menuSistema/menuSistema.seam). Você começa informando seu CPF, em seguida preenche um formulário, precisando ao final enviar cópias simples de seu documento de identidade, frente e verso. A documentação irá para análise da Ancine, e em no máximo 30 dias, se tudo estiver correto, você recebe seu número de agente econômico.

Tendo seu registro na Ancine, você poderá solicitar o Certificado de Produto Brasileiro para seu filme (registro gratuito) e também o Registro de Título (neste caso o registro deve ser pago e varia de acordo com a duração do filme e o uso comercial pretendido, indo de R$ 200,00 para curtas-metragens até 15 minutos para o mercado de TV por assinatura e chegando a R$ 3.000,00 para filmes acima de 50 minutos destinados a salas de exibição, mercado de vídeo doméstico, TV aberta e outros mercados, exceto a TV por assinatura). Os valores pagos pelo Registro de Título são considerados contribuição Condecine e revertem ao FSA. Valores idênticos são cobrados também de títulos estrangeiros lançados comercialmente no Brasil.

Editais e Festivais – O cinema é uma das expressões artísticas que mais utiliza o financiamento público no Brasil, podendo recorrer a duas leis federais de incentivo à cultura – a Lei Rouanet (que abrange toda a área cultural) e a Lei do Audiovisual (específica para o setor). Vale lembrar que mesmo quando uma empresa privada investe em seu filme por meio de uma destas duas leis, na prática estamos falando de dinheiro público, pois a empresa reverte ao projeto que você apresentou um valor que ela teria que recolher como imposto. A Lei Rouanet não abre editais, o recebimento de projetos pode se dar de 1º de fevereiro a 30 de novembro de cada ano, através do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (SalicWeb)( http://sistemas.cultura.gov.br/propostaweb/). Serão aceitas as inscrições de 1.200 obras audiovisuais por ano. Os pedidos são analisados mensalmente em reuniões da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC); sendo deferido, seu projeto terá autorização para captação de recursos publicada no Diário Oficial da União, e você terá um prazo para obter os recursos junto a empresas privadas.

Afora esse mecanismo, há uma infinidade de editais sendo lançados anualmente por empresas privadas e também pelas três instâncias governamentais - o Governo Federal, os governos estaduais e uma grande parte dos 5.570 municípios brasileiros. Na área de cinema, os editais são os mais variados, podendo abranger a produção completa de um filme, ou aspectos específicos, como o desenvolvimento de roteiro, ou ainda a finalização de um longa-metragem. Existem ainda os editais de co-produção de longas-metragens com outros países (geralmente da América do Sul e da Europa) e também os para criação de filmes para a rede pública brasileira de televisão.

Também são muitos os festivais de cinema no Brasil todo, durante o ano inteiro. Há festivais específicos para curtas-metragens, para filmes de animação, para filmes captados em celulares ou tablets, filmes de pequena duração (como o Festival do Minuto etc.). Além disso, muitos festivais de cinema de outros países aceitam inscrições de filmes do mundo todo, o que se constitui uma boa oportunidade para os cineastas brasileiros. A Ancine, inclusive, tem como apoiar a participação de filmes brasileiros em um grande número de festivais ao redor do mundo, seja com a confecção de cartazes, seja com a emissão de passagens para que parte da equipe técnica participe do festival. Naturalmente, salvo para festivais em Portugal, é necessário que o filme esteja legendado no idioma do país onde o festival irá acontecer. Legendar seu filme ao menos em inglês e espanhol já poderá lhe abrir muitas portas. É claro que legendar tem seu custo; de resto, a inscrição em festivais no exterior costuma ter uma taxa de inscrição, quase sempre em euros ou dólares (mas os prêmios oferecidos compensam).

Já no Brasil, a inscrição em festivais quase sempre é gratuita, e em muitos casos pode ser feita inteiramente pela internet, se você tiver seu filme no YouTube ou Vimeo basta informar link (e senha, quando houver); alguns exigem que você envie uma cópia em DVD, ao menos quando seu filme de fato é selecionado para exibição no festival. Em relação a premiação, no Brasil há festivais que apenas dão certificado aos vencedores, enquanto outros premiam em dinheiro e troféu; o festival de Gramado chega a remunerar os filmes selecionados por sua exibição, além de patrocinar a ida de ao menos um integrante da equipe dos longas selecionados. De todo modo, inscrever seu filme num festival, principalmente se ele for um curta ou um média, é uma forma de assegurar a ele uma das poucas oportunidades para ele ser exibido em uma tela grande fora da rede de cineclubes ou de eventuais saraus, e quase sempre para um público que inclui, além de cinéfilos, jornalistas especializados e representantes de distribuidoras independentes.  

Listo a seguir alguns endereços na internet que habitualmente divulgam a abertura de editais e festivais de cinema:

- Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura no Facebook - https://www.facebook.com/mincaudiovisual
Você também pode se inscrever nestes grupos para receber e compartilhar notícias sobre editais e festivais:
- Agenda de editais e programação cultural - https://www.facebook.com/groups/1386387018242926
- EDITAIS E FESTIVAIS CULTURAIS - https://www.facebook.com/groups/183275085071184
- EDITAIS na área da cultura de todo o Brasil. - https://www.facebook.com/groups/165578896830828
- Festivais de Cinema e Networking - https://www.facebook.com/groups/373114612747832


·         Você também pode criar um Alerta Google para receber as informações sobre “festivais de cinema” – acesse https://www.google.com.br/alerts?source=alertsmail&hl=pt&gl=BR&msgid=MzAwODQ2MjE1NzM1NzkzNjE para criar o alerta. 


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* Para ler os capítulos anteriores, clique aqui


quinta-feira, 31 de março de 2016

Opinião Cinema: A Garota Dinamarquesa

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro



primeira transexual a passar por uma operação de mudança de sexo nasceu na Dinamarca com o nome de Einar Mogens Wegener. Aos 48 anos, na década de 1920, o artista plástico Einar fez a operação e passou a se chamar Lili Elbe. Inspirado nesta história tão bela, e no livro de David Ebershoff que a retrata, Tom Hooper dirigiu o filme A Garota Dinamarquesa. Hooper só poderia ter ousado mais e abordado esse tema com um olhar bem mais sensível.

O filme se passa em Copenhagen, onde Einar (Eddie Redmayne), é casado com Gerda (Alicia Vikander), em um casamento feliz. Ele pinta paisagens delicadas e tem uma carreira de sucesso. Ela faz retratos e está em busca de seu lugar no mercado de arte. A dinâmica desse relacionamento muda quando Einar posa para sua esposa, para um quadro de uma bailarina. Gerda pede que seu marido calce sapatilhas, coloque meia-calça e segure sobre seu corpo um vestido branco. Naquele momento ele se encontra instantaneamente com alguém adormecido na sua personalidade, a detalhista e corajosa Lili Elbe. A partir daí, passa a se descobrir mais confortável como mulher e se joga em uma jornada de auto-descoberta.




O maior erro de Tom Hooper é que seus personagens não são fiéis ao real, à história, à toda a luta. Não que isso em si seja um problema, em alguns filmes dá um bom resultado, mas nesse caso ele tinha personagens reais com histórias fantásticas, qual seria o motivo de não investir nelas? A Gerda de verdade foi uma artista transgressora, que fazia pinturas e ilustrações eróticas com mulheres nuas masturbando umas às outras. A Lili encontrou um amor, quis ter filhos, foi forte e assumiu todos os riscos por uma vida plenamente verdadeira. Ela passou por muito mais coisa do que Hooper mostrou, parecia que ela estava no filme mais para mostrar sua relação com Gerda, o quanto Gerda foi forte e corajosa. Um filme que tinha tudo para demostrar luta e força se tornou algo melodramático demais, penso que chega até a ser uma traição a tudo que a verdadeira Lili Elbe passou.

O engraçado (ou não) disso tudo é que Tom Hooper engana todo mundo. Quando vamos assistir nós juramos que o filme fala sobre Lili Elbe, que ela é a Garota Dinamarquesa, mas a verdade é que Gerda é A Garota Dinamarquesa. O pior é que o estúdio conseguiu convencer todos de que ela é coadjuvante em um filme em que ela aparece na tela por mais tempo que o próprio “protagonista”. É a ela que alguém se refere como “garota dinamarquesa”, na única vez em que a expressão é mencionada, e o longa ainda abre com um close de seu rosto e encerra com uma fala sua (confuso, não?).


A atriz Alicia Vikander é que mais entra em seu personagem, sua atuação é convincente, sutil e real. Ela emociona, sabe passar perfeitamente a angústia que sua personagem deveria transmitir. Foi a quem mais chamou atenção e que mais se dedicou. Já Eddie Redmayne estava, como sempre, tecnicamente impecável. Suas expressões, os seus trejeitos, tudo estava incrivelmente certo. Mas o que mais senti falta foi da emoção, ele parecia frio, como se não soubesse construir o personagem de fato e isso foi bem decepcionante.

Apesar de tudo isso a fotografia de Danny Cohen estava linda demais, ele acertou em cheio e conseguiu transmitir a angústia nos momento certos. Já liberdade de identidade estava presente não só na maquiagem mas nos tecidos e no guarda-roupa. Tudo estava se encaixando, Paco Delgado pesquisou a arquitetura e as fotos de época do casal, ele fez questão de reproduzir fielmente o primeiro vestido branco, usado por Lili ao posar para Gerda e na primeira aparição em público como mulher, Lili usa um vestido cedido do departamento de figurino da Ópera de Copenhague. Outro ponto é para o tamanho exagerado dos ternos e chapéus que Einar passa a vestir, na segunda metade, eles apontam seu desconforto ao usar roupas masculinas o que ajuda e muito para a construção do personagem.


Mesmo com erros e acertos considero o longa um ótimo representante LGBT. Hooper em algumas cenas conseguiu transmitir a importância de conversar sobre esse assunto, de debater e de entender que é algo que vem de dentro para fora.  Não uma doença, loucura e todas essas coisas que, mesmo no século XXI, ainda tem muita gente pensando e agindo com preconceito, muito mais do que imaginamos. 


domingo, 27 de março de 2016

Cinema Independente (3)

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PÓS-PRODUÇÃO


Concluída a filmagem, inicia a fase de pós-produção e finalização do trabalho. Em linhas gerais, inicialmente você monta o filme, ordenando as cenas de acordo com o roteiro (se seu filme for de ficção), ou faz a decupagem, cria o roteiro da edição e então monta (se for um documentário). Depois, trabalha na edição do som, adicionando ruídos a cenas, equalizando diálogos e narração e, eventualmente, dublagem. Vem então o momento de adicionar a trilha sonora, inserindo nas cenas músicas compostas especialmente para o filme ou que você tenha permissão para usar (seja por estarem em domínio público, seja por você ter adquirido seus direitos). As etapas seguintes são a criação dos créditos iniciais e finais, a mixagem do som e o tratamento digital da imagem, para então termos o filme finalizado.

É evidente que, quanto maior for a verba disponível para o projeto, melhores serão os equipamentos disponíveis para a pós-produção. Mas, como já vimos, desde o surgimento dos equipamentos digitais, qualquer pessoa pode criar um filme com qualidade profissional. Veja como isso é fácil, através desse passo-a-passo em que detalho como montei os curtas-metragens da série As Tias do Marabaixo. Eu utilizei um computador com o sistema operacional Windows 8.1.

·         1º Passo – Instalando os programas

Inicialmente, você precisa ter um notebook ou computador, se possível com um bom processador (o ideal é o Intel Core i7; se o processador for da linha Celeron, o trabalho será mais lento, e talvez você nem consiga abrir arquivos de vídeo mais pesados). 

Para editar e finalizar meus curtas, eu utilizei 11 programas, todos eles gratuitos e com versões compatíveis com o Windows (alguns deles têm versões para outros sistemas operacionais também, e não será difícil achar programas similares para diferentes plataformas, como Linux e Mac). Vamos começar então baixando e instalando todos os programas:

- Any Audio Converter - http://www.any-audio-converter.com/

Alguns você já pode ter, porque fazem parte de vários pacotes Windows, como o Windows Media Player e o Movie Maker – ressaltando que ter este último é fundamental, pois esse tutorial é baseado no uso do Movie Maker. Vou falar um pouco sobre cada programa no momento em que eles começarem a ser usados, com exceção do Cool Beans, que não chega a ser um software específico para edição de áudio ou de vídeo. Sua função é monitorar o uso da CPU e da memória RAM de seu computador, alertando quando o uso compromete o desempenho do aparelho. O Movie Maker é um programa pesado, que utiliza praticamente toda a capacidade de processamento na hora de salvar um filme, portanto é importante usar o Cool Beans para evitar de tentar fazer outras tarefas simultaneamente e causar algum problema para seu filme ou seu computador.

·         2º Passo – Editando o filme

Transfira todos os arquivos de vídeo para o notebook. Feito isso, abra o Movie Maker e clique em "Clique aqui para procurar vídeos e fotos" - é possível juntar partes de vídeos diferentes ou cortar, além de inserir fotos em vídeos ou ainda fazer um vídeo unicamente de fotos. Dica: faça sempre uma cópia de todos os arquivos de vídeo, para evitar que você não tenha mais como voltar atrás se alguma coisa der errado na edição. Faça uma cópia e trabalhe com a cópia, preservando o arquivo original. 

Dificilmente você vai usar no filme tudo o que gravou, o que significa que você irá fazer cortes no que foi filmado (no caso de filmes de ficção, é comum filmar mais de uma versão da mesma cena, para usar a melhor; já num documentário, sempre pode acontecer de a fala do entrevistado sofrer alguma interrupção, que deve ser eliminada do produto final). Comece assistindo o vídeo e selecionando o trecho que pretende manter. Digamos que o trecho que lhe interessa inicie em 9:48. Vá à aba 'Editar' e selecione 'Definir ponto inicial'. Localizado o final pretendido, digamos 11:10, clique em 'Definir ponto final'. Dica: o melhor é ver o ponto final primeiro, pois se for definida a parte inicial, você deixa de ter a referência do tempo marcado. No exemplo acima, se cortasse primeiro em 9:48, o trecho final, que é 11:10, ficaria sendo 1:22.

Com o trecho definido, você pode, ainda na aba Editar, aplicar efeitos como fade in e fade out do áudio.

Também em Editar, ajuste o volume do vídeo para o máximo.

Faça o mesmo com outros trechos do mesmo vídeo ou de outros vídeos que você queira inserir no mesmo filme.

A aba Animações é interessante quando você vai fazer um filme com trecho de vários vídeos, pois permite escolher animações para abrandar a transição, evitando 'pulos' na imagem.

Na aba Projeto, escolha se você quer realçar a narração, o vídeo ou a música, ou deixar sem realce, e qual a proporção da imagem na tela (o padrão é Widescreen 16:9, eu costumo deixar desta forma).

A aba Efeitos Visuais permite você alterar bastante o visual do seu filme em relação ao que foi captado, podendo tornar tudo sépia, ou preto-e-branco, por exemplo (o que pode ser interessante para inserir algum flashback). Mas você também inserir fade in e fade out da imagem, inverter a imagem horizontal ou verticalmente etc.

Com o filme completo, você pode também aplicar efeitos da aba Editar como Estabilização de vídeo (baixo ou alto) ou Antivibração, mas tenha o cuidado de assistir a versão já com esses efeitos antes de finalizar, pois algumas vezes esse efeito acaba tendo o efeito contrário e deixa o vídeo com mais tremores do que o original!

O VLC Media Player é um tocador de vídeo bastante útil, e que funciona com a maioria dos formatos de vídeo usados atualmente, então é minha sugestão para que você utilize durante as fases de edição e finalização para ver “a quantas anda” o seu filme.

OBS: Algumas versões antigas do Movie Maker só editavam arquivos no formato proprietário do Windows, o WMV (Windows Media Video). Se este for seu caso, você irá precisar do Any Video Converter para passar seu arquivo MOV, AVI, MP4 ou de outro formato para WMV e assim poder trabalhar. A versão atual aceita diversos formatos.

·         3º Passo – Editando trilha sonora

Bom, até aqui temos um filme em processo de edição no Movie Maker, e sem outro som que não o captado diretamente pela câmera. Para inserir uma música em seu filme, vá na aba Início/Adicionar uma música, que vai lhe pedir para você adicionar uma música em formato MP3 que já esteja em seu PC ou em algum CD inserido ou pen drive conectado, ou ainda de alguns sites específicos da internet. Antes de escolher o arquivo, selecione se ele vai ser usado para o filme todo, ou apenas a partir de um determinado trecho (neste caso, o cursor deve estar no ponto desejado, e você seleciona Adicionar uma música no ponto atual).

Se os arquivos de áudio que você irá usar em seu filme não estiverem em MP3, você precisará usar o Any Audio Converter – use como padrão o som de CD: 128kbps, taxa de amostra 44000, 2 canais; acima disso, você apenas terá um arquivo mais pesado, mas sem diferença de qualidade sonora perceptível pelos ouvidos humanos.

Se você quiser usar uma música que esteja em um CD (lembre-se, porém, que você precisa ter autorização para usar obra alheia). Neste caso, use o Fast CD Ripper para selecionar a faixa, ou as faixas, que você irá usar. No Fast você pode optar por já salvar as músicas em MP3 no seu notebook.
Caso você não vá usar a música inteira, precisará do Audacity para editá-la. O Audacity é um editor de áudio em certos pontos semelhante ao Movie Maker. Primeiro selecione o arquivo de áudio em MP3 (o Audacity só aceita este formato) na aba File/Open. Depois que o arquivo for carregado, você poderá cortar apenas o trecho que irá usar. Dica: faça também uma cópia dos arquivos de áudio, assim como fez com os de vídeo.

Selecionado o trecho, escute-o e, se for o caso, aplique algum efeito (como os de Fade In e Fade Out, disponíveis na aba Effects) antes de salvar, através da opção File/Export as MP3. Atenção: algumas vezes o Audacity irá informar que não pode salvar o projeto como MP3, devido à falta do arquivo lame_enc.dll (atualmente o próprio Audacity já permite o download do Lame com apenas um clique, mas se precisar o link para baixar está informado na lista dos programas, no começo do capítulo).

Bem, se antes tínhamos um filme sem outro som que não o das cenas filmadas, agora temos um com sons de duas ou mais fontes. Pode acontecer então que, com isso, o volume das várias partes do filme oscile – sim, pois o som da música inserida pode estar mais alto ou mais baixo do que o som original do filme. Para evitar esse desnível que gera desconforto em quem vai assistir, ou que até pode deixar algum trecho do seu filme incompreensível, vá à aba Início do Movie Maker, clique em Salvar filme e selecione Somente áudio. O som do filme será salvo em um arquivo M4A, que só é reproduzido pelo Windows Media Player. Mas para poder deixar o volume do filme uniforme (o que se chama 'normalizar' o áudio), você precisa convertê-lo para MP3 no Any Audio Converter (ou mesmo no Any Video Converter, há nele a opção de converter áudio).

Convertido o áudio do filme para MP3, abra o MP3Gain. Clique em Add File(s), selecione o arquivo convertido e clique em Track Analysis, que vai mostrar o desnível do arquivo em relação ao padrão (‘default’, em inglês; o padrão do M3Gain é 89,0, que você pode alterar, mas eu sugiro não mexer, pois você ainda irá editar o áudio no Movie Maker). Concluída a análise, clique em Track Gain, para que o volume seja normalizado. Dica: o MP3Gain altera o próprio arquivo analisado, então por segurança você também neste caso deve fazer uma cópia antes de normalizar.

Voltando ao Movie Maker, um cuidado a tomar é com a inserção do áudio editado, isso porque o Movie Maker não permite a eliminação do áudio original. Primeiro, com o cursor posicionado no começo do filme, vá à aba Início/Adicionar uma música. Selecione o arquivo editado e normalizado. Se você apertar o play na miniatura do filme no Movie Maker, vai ouvir o áudio original. Para que o áudio adicionado ficar incorporado no filme, você deve ir na aba Projeto, clicar em Mixagem de áudio e arrastar a seta para a direita, na direção do símbolo de música (se arrastar para a esquerda, na direção do símbolo de cinema, vai realçar o áudio original). Quando você insere um áudio, o Movie Maker cria uma nova aba, a Opções, que permite que você possa aumentar o volume da música (passe para o máximo), crie fade in e/ou fade out e determine a partir de que momento o áudio deve iniciar e/ou terminar, se for o caso.

O Winamp serve para você ir ouvindo os arquivos de áudio que for selecionando, editando etc. Gosto de usá-lo por ser um programa leve e que pode tocar os mais diversos formatos de áudio. Mas você pode usar o programa que preferir, desde que ele também cumpra estas funções.

·         4º Passo – Finalizando

Seu filme está editado e sonorizado, ou seja, quase pronto! Falta a adição de créditos, legendas (se for o caso) e salvá-lo como filme.

É através dos créditos que você identifica todos os profissionais envolvidos com a realização do filme. A praxe é no começo do filme apresentar elenco e principais funções técnicas (direção, produção, fotografia, música etc) e deixar para o final a relação completa, incluindo eventuais agradecimentos (digamos que você tenha filmado na casa do seu primo, o nome dele deve estar nos agradecimentos – a menos, claro, que ele peça para não ser citado. O mesmo com pessoas que tenham emprestado roupas para o figurino, ou no caso de um documentário ajudado você a localizar alguma das pessoas que entrevistou). Mas isso não é regra geral; filmes comerciais costumam deixar os créditos todos para o final. Além disso, as produções da Marvel tornaram padrão algo que antes era muito eventual – a exibição de uma cena após os créditos.

O Movie Maker tem na aba Início as opções para inserir Título, Legenda e Créditos. O ideal é você escrever tudo o que precisará ser inserido como texto no filme em um arquivo de processamento de texto (Word, Rich Text ou Bloco de Notas). Não se preocupe em usar itálicos ou negrito, essa formatação é perdida ao se incluir o texto no Movie Maker. Por uma questão de praticidade de uso, eu acabei inserindo todos os dizeres dos meus curtas através da opção Legenda, mas se você preferir pode usar as outras duas também.

Note que quando você cria uma Legenda, irá aparecer nova aba no Movie Maker, a Formato, onde você pode fazer algumas edições no texto, como a fonte e seu tamanho, a hora em que ela inicia e sua duração na tela (o padrão é 7 segundos, você pode aumentar ou diminuir, mas precisa ver se o tempo que o letreiro vai aparecer é suficiente para que ele seja lido pelo espectador) – outro cuidado a tomar, em especial nos créditos finais, que como vimos é onde se costuma colocar a maior parte dos dizeres, para evitar que as diversas telas de texto se sobreponham e fiquem parcial ou totalmente ilegíveis. Também cuida se for inserir o texto sobre imagem; por exemplo, letras brancas sobre fundo amarelo claro irão “sumir”, se for preciso vá testando várias combinações até chegar ao melhor resultado. Você pode optar também por “animar” a exibição dos créditos, mas isso também pode tornar difícil a legibilidade. Dica: Use também as legendas ao longo do filme para identificar algo que você entenda ser necessário – local, data, passagem de tempo.

Você tem duas opções para inserir os créditos iniciais e finais: sobrepostos a cenas do filme já em andamento, ou então sobre fotos. As fotos precisam estar em alta qualidade, e para isso vamos usar o Fotor. Selecione as fotos que você vá usar, crie cópias delas e abra o Fotor, clicando “Edit” e depois em “Click here for start”. Selecionando a foto a ser editada, você pode escolher diversos efeitos para aplicar, cortá-la (através da aba “Crop”) e após isso salvá-la, clicando em “Save as”. Selecione JPG como formato do arquivo (que é um formato aceito pelo Movie Maker) e “High” (para salvar em alta definição) e clique em “Save photo”. Repita a operação para tantas fotos quanto você quiser usar. Depois volte ao Movie Maker e insira as fotos no ponto desejado, antes e/ou depois do filme já editado. Assim como em relação ao áudio, com as fotos você irá escolher o tempo em que ela irá aparecer na tela através da aba Editar/Duração.

Dica: você pode criar fotos do próprio filme usando o VLC. Selecione a cena que você quer usar como foto, pause a reprodução do filme e vá na aba Vídeo/Capturar a imagem. O VLC salva a imagem em formato PNG, que é aceito pelo Movie Maker, mas sugiro você usar o Fotor para converter para JPG e deixá-la em alta definição.

Reveja o filme e, se estiver como você quer, vá à aba Salvar filme e escolha o formato desejado. Eu sempre dou preferência ao primeiro, Recomendável para este projeto. Mas você pode ter algum uso específico em mente, por exemplo, postar no Facebook ou querer assistir em um celular pequeno com Android. Escolha o formato, dê um nome para o arquivo e clique em Salvar. O processo pode demorar um pouco (quanto maior o filme, mais tempo irá levar) e consumir boa parte da memória do seu PC, então o melhor é deixá-lo fazendo só isso nesse momento (é aqui que o Cool Beans mostra o seu valor).

Ao concluir o processo, o Movie Maker irá exibir um aviso na tela, que vai lhe permitir assistir ao filme concluído. Assista no VLC e veja se é necessário mudar alguma coisa (em especial o áudio ou o efeito antitremor). Se for necessário, repita os passos descritos acima. Se não for preciso mudar nada, o próximo passo é divulgar seu filme!

Antes ainda, dois rápidos recados. O primeiro: quando você for fechar o Movie Maker, ele vai perguntar se você quer salvar o projeto; clique em “Não” (do contrário, ele vai pedir para você salvar tudo de novo num formato de projeto que só abre no próprio Movie Maker). O segundo é uma ótima notícia: qualquer filme que você editar no Movie Maker será salvo em HD.