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sábado, 13 de dezembro de 2014

Cinema Belém: Hoje eu Quero Voltar Sozinho





Leo é um adolescente cego que, como qualquer adolescente, está em busca de seu lugar. Desejando ser mais independente, precisa lidar com suas limitações e a superproteção de sua mãe. Para decepção de sua inseparável melhor amiga, Giovana, ele planeja libertar-se de seu cotidiano fazendo uma viagem de intercâmbio. Porém a chegada de Gabriel, um novo aluno na escola, desperta sentimentos até então desconhecidos em Leo, fazendo-o redescobrir sua maneira de ver o mundo novo para a vida dele.

O filme foi escolhido para representar o Brasil na escolha do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2015. 




Direção: Daniel Ribeiro | Roteiro: Daniel Ribeiro | Gênero: Drama/ Romance | Ano: 2014 | País: Brasil | Elenco:  Eucir de Souza, Fabio Audi, Ghilherme Lobo, Isabela Guasco, Júlio Machado, Lúcia Romano, Naruna Costa, Selma Egrei, Tess Amorim, Victor Filgueiras | Produção: Daniel Ribeiro, Diana Almeida | Fotografia: Pierre de Kerchove | Edição: Cristian Chinen | Música: Ariel Henrique, Gabriela Cunha |  Distribuidora:  Vitrine Filmes | Cor: Colorido | Duração: 96 min. |  Classificação etária: 12 anos

Cine Líbero Luxardo
Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves  |  Av. Gentil Bittencourt, 650, Nazaré, Belém, Pará
Informações: (91) 32024321 | cinelibero@gmail.com


Datas e horários das sessões:

17* e 18/12 (quarta-feira e quinta-feira) - 

19h

19, 20 e 21/12 (sexta-feira, sábado e 

domingo) - 17h e 19h

Ingressos: R$ 8,00 (com meia entrada para estudantes) 

*Projeto Plateia: 17/12 (quarta-feira) - Entrada franca para estudantes na sessão de estreia do filme


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Evento Macapá: Sarau Poesia e Gengibirra


Música Rio de Janeiro: A Bossa do Novo Mundo


Opinião/Cinema: Jogos Vorazes - A Esperança (Parte 1)

Por Bianca Oliveira,
de Macapá



Um filme que me fez ficar apreensiva do começo ao fim, não levantei nem pra comprar pipoca (e olha que adoro pipoca!), esse foi Jogos Vorazes: A Esperança- Parte I. Uma continuação que vai superando as expectativas e evoluindo mais e mais, com uma protagonista forte, diferente de outras que querem ser salvas pelos seus príncipes, além de uma história que não tem vampiros, bruxas e magia, é apenas uma menina que quer sobreviver e salvar aqueles que ama.


Se você não assistiu os anteriores é melhor assistir, pois ...A Esperança começa imediatamente após o fim de Jogos Vorazes: Em Chamas (2013), quando Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) destruiu os Jogos. Daí a história se desenrola com a líder do 13, a presidente do governo rebelde Alma Coin (Julianne Moore) querendo que Katniss se torne O Tordo, para motivar uma rebelião contra o presidente Snow (Donald Sutherland - à direita) - um velhinho bem ameaçador que pareceria mau até se não falasse nada. Katniss aceita mas com algumas condições: salvar Peeta (Josh Hutcherson) e os outros participantes do torneio anterior e deixar que sua irmã Primrose (Willow Shields) fique com seu gatinho de estimação. 


Katniss e a presidente Coin



O filme vai além do que o público-alvo adolescente poderia esperar, não é esse tipo de história de ação, romance e blaá-blá-blá, ele coloca na tela questões atuais e complexas que nos fazem refletir sobre o uso da propaganda e como as pessoas estão midiáticas em qualquer tempo, até nos de guerra (como quando a Katniss começa a cantar atendendo um pedido de um colega e a música vira o hino dos rebeldes). Jennifer está maravilhosa, sua atuação é fantástica, podemos sentir a angústia do personagem, o quanto ela sofre e ao mesmo tempo uma força admirável (um exemplo? Na cena em que descobre como ficou seu distrito, o 12, após um ataque da Capital).

               
Se esse já foi bom, com uma ótima direção de arte, efeitos especiais e um elenco encantador, imagina o quarto filme?  O jeito é esperar, em 2015 vamos ver a senhorita Everdeen chegando ao fim na luta contra o Presidente Snow para salvar o povo de Panem, confesso que estou ansiosa e esperando muito desse filme. Que venha o último Jogo e que a sorte esteja sempre a seu favor!             
  

 Vestida como O Tordo, Katniss visita feridos num hospital no Distrito 8


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Música Rio de Janeiro: Brilho da Noite



Nos três primeiros sábados de dezembro, Jorge Caetano se apresenta com o show Brilho da Noite, às 20h30, no Teatro Municipal Café Pequeno, no Leblon.  

Brilho da Noite é inspirado na cena musical que aconteceu nos bares Max Kansas City e CBGB, duas lendas do circuito underground de Nova York, entre os anos 1960/80. No repertório ele toca músicas de artistas como Lou Reed, Ramones, Deborah Harry, Jay Hawkins, David Bowie, entre outros. Além de muito rock’n’roll, no show ainda dá para sentir uma pitada de teatralidade com a participação dos bailarinos que completam a cena.  

Premiado ator de musicais (só em 2014 protagonizou duas superproduções, Porta da Frente Eddy Pop), Jorge Caetano completa 25 anos de carreira. Depois de se dedicar esse tempo todo ao teatro, cinema e televisão (inclusive de ganhar os prêmios APTR e Ítalo Rossi no teatro), Jorge decidiu agora priorizar sua vocação musical. Uma curiosidade: em 2011, no espetáculo Outside, um Musical Noir, que lhe rendeu um prêmio de melhor ator, Jorge teve como parceiro o guitarrista Felipe Storino - parceria retomada agora em Brilho da Noite


SERVIÇO:
Teatro Municipal Café Pequeno
Av. Ataulfo de Paiva, 269, Leblon.
DIAS: 06, 13 e 20 de dezembro
HORA: 20:30h
Duração: 80 minutos
Preço: R$ 40,00 ( inteira) e R$ 20,00 (meia)
Capacidade: 80 lugares
Classificação etária: 18 anos

FICHA TÉCNICA

Voz: Jorge Caetano
Guitarra: Felipe Storino
Bateria: Mauricio Chiari
Baixo elétrico: Isadora Medella
Violoncelo: Paula Otero
Teclados: Julie Wein
Bailarinos: Marina Magalhães e Fellipe Marques
Direção: Marco André Nunes
Roteiro musical: Jorge Caetano, Marco André Nunes e Felipe Storino
Produção: Isabel Themudo
Realização: JCaetano Produções

Assessoria de Imprensa: Lu Nabuco Assessoria em Comunicação 

Exposição Belém: Estereoscopia



“Os olhos levam o corpo ao infinito”, nos diz o poema. E, de fato, os olhos deflagram processos sensíveis que dão à existência humana variadas informações de ordem mnemônica, emocional, física, espacial. As janelas anímicas inferem, em seu duplo labor, a dimensão que aprofunda o estar no mundo, impulsionando o corpo ao deslocamento no espaço, no sentido, e no sentimento.

Francelino Mesquita, um artista com raízes na engenharia e no desenho arquitetônico, já apresentou na Galeria Theodoro Braga sua investigação espacial baseada em tala de miriti. Mauritia Flexuosa, individual de 2008, trazia proposições formais instigantes, que flutuavam entre a escultura, a instalação, e o desenho, haja visto seu efeito direto – as estruturas, reduzidas às suas linhas de construção em miriti – e seus efeitos residuais – as sombras, projetadas pela iluminação da galeria, em movimento, provocando novos desenhos.

Em Estereoscopia, o artista aprofunda sua pesquisa no material (sai da superfície – a tala – e mergulha em sua carne íntima – a bucha), permitindo novas oscilações do pensamento acerca da matéria-viva, e culturalmente peculiar, do miriti: sua leveza retrabalhada sob o escopo da densa materialidade da escultura.

É possível considerar que a dimensão desses novos trabalhos não permita um distanciamento tão grande dos já conhecidos brinquedos de miriti; contudo, numa apreciação mais atenta e proximal, as seduções visuais apresentam sua potência: a paralaxe, distância horizontal entre as imagens captadas simultaneamente pelo olho esquerdo e direito, dialogam com o movimento do objeto; as sombras, ainda, cumprem sua função complementar, comentando em duas dimensões o que a estereoscopia dos objetos quer fazer crer; o efeito tridimensional ganha, então, sua corporeidade final, situando o trabalho de Francelino entre influências do minimalismo e da Op Art.

A estereoscopia, de modo literal, seria a técnica utilizada para obter informações tridimensionais à partir das imagens colhidas em duas fontes, dois pontos diferentes. Em nós, humanos, essas duas fontes são os olhos, e o que faz o cérebro ao processar essas informações é criar uma sensação visual, fundamental para nos situarmos e vivermos a espacialidade do mundo. Se a arte é, como muitos ainda creem, um mero simulacro, aqui reafirma que, na vida, há ilusões absolutamente imprescindíveis.

Texto: Renato Torres 
músico, poeta e arte-educador

​Serviço:


Abertura: 11/12/2014 (quinta), 19h
Galeria Theodoro Braga - Subsolo do Centur
Entrada Franca

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Poeme-se une moda e literatura na Ciranda Literária de Macaé

A 2ª edição da Ciranda Literária de Macaé (CLIM), que acontece entre os dias 26 e 30 de novembro, abordará o tema “Pés de letras: as influências culturais na língua e na linguagem”. Entre as atrações estão a escada poética e a distribuição de pílulas de poesia da Poeme-se, pioneira em moda literária, participando pela primeira vez do evento, que é gratuito.

Para Gledson Vinicius, idealizador da marca, a CLIM re-alimenta a paixão pela literatura, incentivando novos escritores e aproximando as pessoas interessadas no assunto. “Queremos encantar os macaenses com a nossa forma de colocar a poesia em movimento”.

Segundo ele, a Poeme-se quebra paradigmas ao participar de encontros como esse: “as pessoas passam a entender que a economia criativa da literatura pode ser pensada para além do mercado editorial”.

Simone Mota, uma das organizadoras da CLIM, ressalta que as roupas são capazes de refletir nossos pensamentos e necessidades, sem precisar que nada seja dito. “A Poeme-se conquistou o público jovem e instigou novos leitores com trechos e pequenas poesias. Nossa meta é trazê-los para a CLIM”.

Durante os cinco dias de atividades, são esperadas cerca de 5 mil pessoas. Outra novidade da edição 2014 é a criação do Circuito Mais CLIM, conhecido, em outras festas literárias, como Circuito Off. “Não queremos nos dividir, mas sempre somar. O nosso intuito é abrir espaço para viabilizarmos, através de outros recursos, mais pontes de aprendizado e lazer à população macaense”, ressalta Simone.

Programação:

26/11 - Abertura da exposição 'O livro e as imagens' - a partir das 17h na Galeria Café com Arte, com divulgação da programação e lançamento de livro.

27 a 30/11 - 2ª CLIM no Clube Cidade do Sol com estandes, palestras, oficinas, mesas de debates.


Serviço:

Ciranda Literária de Macaé (CLIM)
Local: Galeria Café com Arte e Clube Cidade do Sol
Endereço: Av. Atlântica, Praia dos Cavaleiros, Macaé, nos números 1.622 e 1.690, respectivamente
Horários: Quinta e sexta-feiras, das 10h às 21h, sábado, das 10h às 18h, e domingo, das 10h às 14h
Classificação: Livre
Evento gratuito

Oportunidade Teatro Brasil: Programa Petrobras Distribuidora de Cultura


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Música Niterói: Jards Macalé


Livros: Mar de Letras relança Outras Etiópias

Em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, a editora Mar de Letras (selo Sapere) faz o relançamento do livro Outras Etiópias. A obra, de 2012, é de autoria de Orlando Sperle Fraga Junior e Adílio Jorge Marques e visa atualizar os conhecimentos não só sobre a Etiópia, mas também, com a quebra de estereótipos, aprofundar a análise sobre a África.

Mitos bíblicos, a valorização da cultura negra e o movimento conhecido como Rastafarianismo são alguns temas abordados no livro, que traz à luz um outro olhar sobre o país. Ao apresentar acontecimentos desconhecidos por muitos, como a vitória das forças etíopes sobre o exército do fascista Benito Mussolini na Segunda Guerra Mundial e a sua influência cultural no norte e no nordeste brasileiro, Outras Etiópias rompe os estigmas da fome e das guerras civis, ajudando a entender melhor a história e a cultura africana.

Perguntas como “Qual é o lugar da Etiópia nas narrativas da resistência negra nas Américas, incluindo o Brasil?” e “Quando esse espaço começou a se consolidar no imaginário da diáspora negra?” são respondidas na obra, que está à venda no site da editora em www.livrariamardeletras.com.br.

sábado, 15 de novembro de 2014

Teatro Macapá: Silêncio Total


Teatro Palmas: Torrenegra


Cinema Macapá: Mostra Ôxe!



Ao longo de 10 anos de existência, o Festival Imagem-Movimento buscou fortalecer o intercâmbio com agentes culturais de todo o Brasil, tendo nos realizadores do Nordeste uma de suas conexões mais fortes.  E na 11ª edição do FIM, a região é representada em sessão especial do Clube de Cinema que acontece dia 22 de novembro, sábado, às 19h no auditório da Biblioteca Pública Elcy Lacerda.

A Mostra ÔXE! é uma realização do Moinho de Cinema da Paraíba, entidade coletiva de audiovisual criada em 2006, com o intuito de difundir, fomentar e apoiar iniciativas que alicercem o cenário audiovisual paraibano, em parceria com o cineclube do FIM.

Serão exibidos 10 curtas-metragens paraibanos de diversos realizadores, estéticas e temas. A sessão comentada contará com a presença de Kleyton Canuto (PB), ator, produtor, diretor, pesquisador em audiovisual e participante do coletivo Moinho de Cinema da Paraíba.

Para o encerramento, o evento conta ainda com a participação do músico Silvio Neto (PB), que traz no repertório os mais representativos compositores e cantores da música paraibana, como Zé Ramalho, Chico César e Vital Farias, além do lançamento de composições autorais.  A entrada é franca e aberta ao público. 

Confira a programação:

Exibição:

Ato Institucional, de Helton Paulino, 2012, 20’.
Malha, de Paulo Roberto, 2014, 14’.
FELIZ Aniversário, de Carlos Mosca, 2013, 15’.
Irmãs, de Gian Orsini, 2012, 15’.
Catástrofe, de Gian Orsini, 2013, 14’.
A Prisão das Almas, de Erik Medeiros, 2014, 12’.
Capela, de Ramon Batista, 2014, 12’.
Ilha, de Ismael Moura, 2014, 15’.
Sophia, de Kennel Rógis, 2013, 15’.
Amador, de Nathan Cirino, 2013, 15’.
Lançamento:
              Platô!, Kleyton Canuto, 2012, 18’.
Comentários:
               Kleyton Canuto (PB)

Música ao vivo:
               Silvio Neto (PB)

SERVIÇO:

Clube de Cinema Especial: Mostra ÔXE!
Local: Biblioteca Pública Elcy Lacerda
Data: 22 de novembro
Horário: 19h
Classificação: 14 anos

Entrada franca. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Debate Rio Branco: Cinema pela Democracia


Espetáculo Porto Alegre: Desdobramentos

O NECITRA – Núcleo de Estudos e Experimentações com Circo e Transversalidades, fundado em 2009 por Diego Esteves, é um coletivo de artistas e educadores dedicados à criação, pesquisa e produção no âmbito, principalmente, das artes cênicas. Nesse sentido, fazem parte de suas principais atividades espetáculos e oficinas regulares, bem como a produção de vídeos e cursos esporádicos.  

A atuação destacada do NECITRA gerou o convite para que este participasse com dois espetáculos da Mostra de Artes Cênicas e Música que a Câmara Municipal de Porto Alegre realiza em seu Teatro Glênio Peres. O primeiro foi Mistureba, e agora é a vez de Desdobramentos.

Foto: Martha Reichel Reus


O programa "Desdobramentos", iniciado no início de 2013, dá suporte para o trabalho do núcleo e se mantém de forma continuada e independente, como objetivo promover e potencializar as pesquisas cênicas dos artistas que compõem o NECITRA, através de um método compartilhado de trabalho. Tal programa acontece de forma permanente na Casa Cultural Tony Petzhold, sede e parceira do NECITRA, e local onde são realizadas as principais atividades do núcleo. 

Já o espetáculo Desdobramentos se desenvolveu a partir do referido programa. Para este espetáculo, o grupo propõe um novo olhar aos processos que vem se desdobrando desde o início de 2013 e busca um diálogo entre estas criações. Utilizando como principais referências a dança, o circo e o teatro, o trabalho leva para a cena, e para as intervenções, uma mescla de coreografia, improvisação, jogo e interação com o público.

Serviço:

- O que: Espetáculo Desdobramentos
- Quando: 21 e 22 de novembro | Sexta e Sábado 
- Horário: às 20h
- Onde: Teatro Glênio Peres - Av. Loureiro da Silva, 255
- Entrada Franca - distribuição de ingressos 1h antes ou dia 18, das 14h às 18h, no local
- Informações: necitra.com | facebook/NECITRACANTO | necitra@canto.art.br ou (51) 8188.2161

Ficha técnica: 

Coordenação: Diego Esteves | Direção: coletiva | Criadores intérpretes: Caroline Mendes, Diego Esteves, Fernanda Boff, Fernando Faleiro, Gabriel Martins, Paola Vasconcelos e Ramon Ortiz | Operação de Luz: Mirco Zanini | Operação de som: Iassanã Martins | Produção: Canto - Cultura e Arte | Produtores responsáveis: Diego Esteves, Fernanda Boff e Paola Vasconcelos  | Designer: Braunny Lopez 


Foto: Yamini Benites

A propósito de Manoel de Barros

Hoje, depois de quase 98 anos por aqui, o poeta Manoel de Barros nos deixou, e foi para o lugar que acreditamos ser melhor. 

A primeira vez que ouvi falar do poeta foi através de um curta-metragem, Caramujo-Flor (citado e incluído na íntegra no texto a seguir), exibido no final dos anos 1980 (eu diria ter sido em 1988, mas a ficha no YouTube informa que o filme foi feito ano seguinte. Enfim...) na Biblioteca Pública Castro Alves, em Bento Gonçalves, que tinha sessões regulares de cinema brasileiro, e que foi fundamental para minha formação intelectual :)

Afora um que outro poema seu lido depois em alguma antologia, meu reencontro definitivo com Manoel se deu através do filme Língua de Brincar, exibido no CineEsquemaNovo 2007 – Festival de Cinema de Porto Alegre, que nesse ano teve entre os apoiadores meu site Brasileirinho. No evento eu também fui um dos alunos da Oficina de Crítica Cinematográfica ministrada pelo crítico do site Contracampo Ruy Gardnier. Ruy estava no júri oficial do festival, e a nós oficinandos coube a tarefa de constituirmos o júri que apontou o melhor longa do certame - que recebeu o nome pomposo de Prêmo da Nova Crítica (moral, hein?). Concorriam com LínguaConceição – Autor Bom é Autor Morto, de Daniel Caetano, André Sampaio, Guilherme Sarmiento, Samantha Ribeiro e Cynthia Sims (RJ); O Quadrado de Joana, de Tiago Mata Machado (MG); e Selva do Meu Desejo, de Roberto Athayde (RJ). Este último teve a maioria dos votos de meus colegas (eu obviamente votei em Língua). 

Ano passado, a convite de uma amiga do Mato Grosso do Sul, fui passar o carnaval em Corumbá, e antes e depois de ir pra fronteira fiquei alguns dias em Campo Grande, onde já havia uma avenida Manoel de Barros (o que me fez até perguntar para a amiga se Manoel ainda vivia. Sim, ela confirmou). Ao longo de toda a extensão dessa avenida, que atravessa o Parque dos Poderes, diversas placas reproduzem trechos de poemas de Manoel. O melhor de tudo é que isso foi feito ainda com o homenageado vivo, dando as flores em vida, como pediam Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito no samba "Quando Eu me Chamar Saudade". 

O texto que lemos a seguir é a crítica do filme Língua de Brincar, que escrevi durante a citada oficina do CineEsquemaNovo 2007. 


***

LÍNGUA DE BRINCAR: 
O RETRATO DO CINEMA ENQUANTO POESIA



O que dizer sobre Língua de Brincar? Que é um documentário que, ao retratar o poeta Manoel de Barros, foge do convencional? Foge, por certo, embora essa "fuga" de um tipo de documentário-com-locutor-que-comece-dizendo: "Fulano de tal nasceu na cidade tal na data tal" esteja quase se tornando uma convenção também. Considero que os diretores Lúcia Castelo Branco e Gabriel Sanna acertaram em cheio quando foram além e buscaram captar em seu filme o que seria um retrato do cinema enquanto poesia.

Sei de pelo menos um filme anterior sobre Manoel de Barros que teve o mesmo propósito de fuga do convencional: Caramujo-Flor, de Joel Pizzini. Nesse curta de 1988, enquanto víamos belas imagens do Pantanal e de Campo Grande, ouvíamos poemas de Manoel na voz de artistas como Ney Matogrosso e Aracy Balabanian, além de um depoimento do acadêmico Antônio Houaiss situando a obra do poeta no panorama da literatura - e a fala descompromissada de amigos como o jornalista Fausto Wolff, contando como é bom bater um papo com Manoel.



Língua de Brincar avança na linha aberta por Caramujo-Flor: mostra paisagens do Pantanal, tem poemas lidos por artistas, como Maria Bethânia, a opinião de especialistas como o português João Barrento, e a fala dos amigos - a lista aqui aumenta: além de Wolff, temos o ator Orã Figueiredo, o bibliófilo José Mindlin e outros contando suas conversas memoráveis com Manoel. E, felizmente, depois de ter visto Língua de Brincar eu não preciso mais ficar imaginando como seria bom bater um papo com Manoel: tenho a certeza disso ao ver o poeta conversar com a equipe de filmagem em várias cenas. 

Sim, um dos achados do filme é incorporar à narrativa seu próprio making-off. Isto ocorre, por exemplo, nos depoimentos: ao invés do clássico enquadramento fixo em que o depoente parece estar falando sozinho (um padrão no estilo "documentário convencional"), mostra-se o contexto em que o depoimento é captado. Sob esse aspecto, o grande momento do filme é a hora em que Orã Figueiredo fala sobre sua atuação numa peça feita a partir dos poemas de Manoel. Enquanto o ator fala, a câmera brinca com suas múltiplas imagens exibidas nos vários espelhos do camarim do teatro, mudando o ângulo de observação diversas vezes. Foi um dos momentos em que lembrei desses versos do poema "Uma Didática da Invenção": Repetir repetir - até ficar diferente/ Repetir é um dom do estilo.

A idéia da repetição como dom do estilo foi estendida à estrutura de Língua de Brincar, o que tanto ajuda quanto atrapalha. Atrapalha por exemplo na seqüência em que, enquanto vemos uma árvore em preto-e-branco, uma voz feminina repete diversos poemas curtos definindo pedra, homem, borboleta etc., em português e em espanhol (para piorar, esta seqüência, é reapresentada na íntegra após alguns minutos!). A repetição ajuda quando se varia a forma de fazer os poemas voltar à cena (por exemplo, o poema lido por Bethânia, "Ruína", já fora lido em off noutra passagem); ajuda também quando depoimentos longos são divididos em várias intervenções curtas, de modo a não se tornarem enfadonhos. Um cuidado que infelizmente não foi estendido à cena que encerra Língua de Brincar: a da cartomante que vê no tarô a sorte do filme (sic). 

Afora certa coerência com a idéia de incorporar o making-off à estrutura, este final é praticamente uma negação do caráter da obra. Além de a cena nada acrescentar de informativo ou de poético em seus quase sete minutos de duração, ela tem o demérito de tirar o espectador do enlevo a que o levara a cena anterior e que me parecia o final mais adequado a um filme sobre Manoel de Barros: enquanto ouvíamos uma locutora ler os créditos finais do filme, víamos as imagens de coisas ou paisagens identificáveis dando lugar a massas de cores atravessadas a intervalos por linhas luminosas (difícil colocar em palavras isso, desculpem). Confesso que logo de início estranhei, mas em seguida embarquei na proposta e deixei as cores e linhas me levarem ao Pantanal. Vi ali árvores crescendo, animais correndo ou nadando - a vida acontecendo em sua plenitude, enfim. É como se, ao invés da visão de diferentes posições ocupadas por um ser em movimento, eu pudesse, pela vez primeira, ver capturada numa tela de cinema a essência do movimento em si. Tamanha beleza remeteu-me a uma frase do pintor Carlos Vergara: O que está na tela é um pretexto para catalizar áreas sutis no espectador.


Evento Sobradinho (DF): 51ª Festa do Boi de Seu Teodoro


Música Penedo (RJ): Thaís Motta e Marvio Ciribelli