segunda-feira, 29 de julho de 2013

Teatro Rio de Janeiro: Sede das Cias. abriga três grupos a partir de sexta

A Serpente

Três companhias teatrais -  Cia. dos Atores, Os dezequilibrados e a Pangéia cia.deteatro - passam a dividir nesta sexta, 2 de agosto, o local que até então abrigava apenas a primeira.  Localizado próximo à  Escadaria Selarón na Lapa, o lugar recebeu o nome de Sede das Cias. e promete atividades a semana toda, a preços populares.

A programação inaugural leva a assinatura d' Os dezequilibrados, com as peças A Serpente, o último texto de Nelson Rodrigues, e  Últimos Remorsos antes do Esquecimento,  primeira montagem carioca de um texto do francês  Jean-Luc Lagarce.  

Últimos Remorsos antes do Esquecimento

Programação de agosto

Sede das Cias

Escadaria Selarón (Rua Manuel Carneiro, 10/12 – Lapa)
Informações: (21) 2137 1271
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A Serpente 

A montagem estreou em 2012 no Rio de Janeiro, sendo apresentada também em João Pessoa. Último texto de Nelson Rodrigues, conta a história de um triângulo amoroso formado por duas irmãs e o marido de uma delas. Dois casais vivem no mesmo apartamento. A peça tem início com a partida violenta de Décio, que nunca conseguira satisfazer sexualmente a mulher, Lígia. A tristeza de Lígia é intensa e ela deseja se matar.  semente do conflito que move a história começa quando a sua irmã Guida propõe emprestar-lhe o próprio marido, Paulo, por uma noite. Este fato cria o triângulo e inicia a tensão entre as irmãs, que passam a disputar o amor do mesmo homem.

TEXTO Nelson Rodrigues
ELENCO Ângela Câmara, Carolina Ferman, José Karini e Saulo Rodrigues
DIREÇÃO e TRILHA SONORA Ivan Sugahara



Temporada: 02/08 a 31/08
Horário: Sextas e Sábados às 20h
Ingresso: R$ 30,00
Duração: 60 min
Gênero: Drama
Classificação Etária: 14 anos
Bilheteria: a partir das 19h

Últimos Remorsos Antes do Esquecimento

A montagem estreou em 2007; o texto era inédito no Brasil, e foi a primeira  montagem carioca de um texto de Jean-Luc Lagarce, atualmente o autor contemporâneo francês mais encenado no mundo. 

A ação passa-se nos nossos dias, no campo, na casa onde no passado viveram Hélène, Paul e Pierre, e onde este último continua a viver. Os três formavam um triângulo amoroso. Acompanhados de Anne, mulher de Paul; Antoine, marido de Hélène; e Lise, filha de Antoine e Hélène; eles reencontram-se após um longo tempo para resolver o problema da casa que haviam comprado juntos anos antes. Esse é o ponto de partida para acertos de contas, mal entendidos, recordações nostálgicas e para encarar o presente. Como é que cada um negociou a passagem difícil das ilusões da juventude para os compromissos da idade adulta? Como se deve partilhar os bens? Como se partilha a herança de um passado morto? O que resta da utopia da juventude?

TEXTO Jean-Luc Lagarce

ELENCO Cristina Flores, José Karini, Letícia Isnard, Nara Parolini, Remo Trajano e Saulo Rodrigues
TRADUÇÃO Alexandra Moreira da Silva
DIREÇÃO, CENÁRIO e TRILHA SONORA Ivan Sugahara


Temporada: 04/08 a 02/09
Horário: Domingos e Segundas às 20h
Ingresso: R$ 30,00
Duração: 70 min
Gênero: Drama
Classificação Etária: 14 anos
Bilheteria: a partir das 19h

Baleia 

Fatos e situações que por coincidência ou não, se repetem num mesmo espaço: a barca. Quatro personagens - Inês, Rory, Ana e Ele - se reconhecem no meio da multidão, e passam a depositar expectativas nos encontros circunstanciais. Seduzidos pelas pequenas coisas desse trajeto, vivem uma história em comum. Um homem e três mulheres. Três mulheres e um homem. Quatro pessoas. Quatro possibilidades de trajetória. O espaço é a barca. O tempo é o percurso: a espera. A ação é o encontro.

DIREÇÃO Bernardo Lorga
DRAMATURGIA Clarice Lissovsky
ATORES Analu Chaves, Elisa Ottoni, Fernanda Nascimento, Victor Seixas
ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO Padu



Temporada: 06/08 a 29/08
Horário: Terças, Quartas e Quintas às 20h
Ingresso: R$20,00
Duração: 80 min
Gênero: Comédia
Classificação Etária: 14 anos
Bilheteria: a partir das 19h


Laboratório de Agoras

Workshop com Cristina Flores
Data: 10/08 a 31/08
Horário: Sábados de 15h às 18h
Ingresso: GRATUITO
Inscrições: sededascias@nevaxca.com.br
Classificação Etária: 18 anos


A atividade propõe uma pesquisa objetiva através de questionamentos: como criar acontecimentos em cena? Onde mora o acontecimento? O que acontece? Indicado para atores, bailarinos, performers, cantores e pessoas que usem a cena para expressão.  


Teatro São Paulo: Ouvindo Estrelas

Texto: Camila Lima, de Porto Velho


A peça Ouvindo Estrelas terá apresentação única em São Paulo no CEU Aricanduva – Professora Irene Galvão de Souza, no dia 13 de agosto, uma terça, às 15h. A montagem, dirigida por Francisco Alves, conta com os atores Andressa Silva e Kelvin Ribeiro.. A peça estreou em 2009, tendo no elenco Elcias Villar e Tainá Santos. No ano passado, Ouvindo Estrelas integrou a programação do Palco Giratório, sendo apresentada no Teatro Banzeiros do SESC de Porto Velho. 

Andressa Silva comemora com ansiedade e entusiasmo a apresentação de Ouvindo Estrelas em São Paulo. “Viver o personagem no Palco Giratório em Rondônia foi único, mas ter o prazer de ser convidada a dar vida a um personagem em um grande palco e um grande público é gratificante, pois estamos ensaiando muito, estamos focados na peça. Vai ser lindo


Ouvindo Estrelas é uma peça criada pelo dramaturgo Francisco Alves, que sentiu necessidade de expressar a docilidade da infância em um ambiente cheio de antigas cantigas de roda, repletas de imaginação e criatividade, relembrando uma infância que aos poucos vem sido envolvida pelas novas informações, onde a sociedade sente-se submergida.

Cenário poético e lúdico que envolve os contos e as realidades de como é visto pelas crianças. A morte, o medo, a saudade, o amor, a importância da família, laços de amizade, todos expressados com emoção das canções de roda, incluindo ritos da fogueira de São João, brincadeiras de apresentação de quadrilhas, até as simpatias nas noites juninas para saber das chances de um casamento, todas em forma de resgate. “Com personagens e temas do folclore o espetáculo resgata o lirismo e a riqueza da nossa literatura oral num clima de aventura”, enfatiza Francisco.


O texto conta a história de um São João menino - o santo nunca viu sua festa, porque durante os festejos está sempre dormindo. Sua mãe não o acorda, por conta do mito que diz se São João descer a terra no dia de sua festa o mundo se acabaria em fogo. Certo dia, estoura uma bombinha no céu e o acorda.

 Em um balão azul João foge do céu para a terra, mas chega atrasado: a sua festa já havia terminado. Encontra Estela, a menina que ouve estrelas. Ela lhe ensina às brincadeiras de roda, as cantigas, as histórias que nossos avós contavam ao redor da fogueira e fala das comidas típicas da festa. Então, em retribuição, ele conta para Estela como nasceram às estrelas.

“Ouvindo Estrelas vem assim numa reação ao domínio do asfalto e da individualidade do mundo tecnológico, da relação desumana das pessoas dos grandes centros, da frieza da vida e da indiferença ao sofrimento alheio. Cativa a saudade das coisas simples inspirando-nos a enfrentar o medo, a tristeza e a morte”, relata Francisco Alves. 


Edição: Fabio Gomes

Teatro Rio de Janeiro: Vexame


O ator Amauri Reis havia acabado de levar um fora, e estava no maior baixo astral, quando leu pela primeira vez o texto da peça Vexame, comédia escrita por Wesley Marchiori. “Minha vida estava lá. Sofria por tudo aquilo e disparei a chorar”, lembra ele, que topou na hora viver o personagem "Ele", que usa  os mais absurdos meios e métodos investigatórios para vigiar a vida de sua noiva, Irene, interpretada por Luciana Bahia.

A montagem estreia no dia 6 de agosto, no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, com direção de Inês Peixoto, do premiado Grupo Galpão, de Minas Gerais. 

Conferir mensagens ou ligações “estranhas” no celular, compras “diferentes” no cartão de crédito, e vasculhar minuciosamente toda a casa procurando vestígios de um adultério são exemplos de ações que fazem parte do cotidiano d´Ele que, desconfiado, vê a possibilidade de ser traído a todo o momento.

Certo dia, cansada de suas desconfianças, Irene põe fim à relação, e enquanto tenta colocar a sua vida nos eixos, se vê no meio de uma sucessão de acontecimentos, quando o ex-noivo cria as mais hilárias e ridículas situações ao seguir os seus passos dia e noite, tentando a todo custo reatar o romance.

Vexame é uma história de amor que fala da entrega total a uma paixão, e do medo de perder. Da dependência que criamos do outro e do medo de ter a segurança de um relacionamento quebrada, e de ficar só. Do excesso de zelo que pode por fim a uma relação, e do desespero de quem sofre e quer de qualquer forma o seu amor de volta.

Ah, sim: na vida real, Amauri Reis teve um final feliz. Pouco depois de aceitar viver "Ele", reatou o namoro. Eufórico, resolveu reler a obra e a reação foi bem diferente. “Em vez de chorar, disparei a rir das situações ridículas a que nos prestamos quando o ciúme entra nas paixões arrebatadoras”.

Já o final da peça nós não vamos contar, só você assistindo. :) 


FICHA TÉCNICA

VEXAME

Texto: Wesley Marchiori
Direção: Inês Peixoto
 Assistente de Direção: Eduardo Moreira
Elenco: Amauri Reis & Luciana Bahia
 Cenário e Figurino: Kalluh Araújo
Iluminação: Telma Fernandes
Preparação Corporal: Cléo Carmona
Trilha Sonora: Eduardo Moreira
Programação Visual: Cadu Rocha
Foto cartaz Cadu Rocha
Fotos de cena. Guto Muiniz
Assessoria de Imprensa: Daniella Cavalcanti
Produção Rio de Janeiro: Denise Escudero
Ass. Produção: Mariana Matos


SERVIÇO

Local: Teatro Clara Nunes (Rua Marques de São Vicente, 52/3º piso – Shopping da Gávea)
Horário: Terças e Quartas, às 21h
Ingresso: R$ 40,00
Gênero: Comédia
Duração: 70 minutos
Classificação Etária: 14 anos           
Lotação: 499 lugares
Bilheteria: diariamente, das 13h até o horário do último espetáculo do dia
Temporada: 6 de agosto a 25 de setembro

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Teatro Macapá: Cólera



Dois momentos com Dominguinhos em Porto Alegre

Foto: Lauro Lisboa Garcia

Tive a oportunidadade de assistir dois shows com Dominguinhos em Porto Alegre, durante a realização do Acorde Brasileiro de 2009. O sanfoneiro pernambucano falecido ontem aos 72 anos chegou a fazer mais um, na abertura do evento, tocando no Teatro do SESC ao lado do flautista gaúcho Plauto Cruz, mas não tive acesso a esse dia (o evento praticava uma forma de credenciamento meio esquisita, você não recebia uma credencial para cobrir o que quisesse, precisava informar quais shows pretendia cobrir. A assessoria do Acorde também não distribuía imagens dos shows, alegando que não poderia garantir que os artistas gostariam de ter as imagens divulgadas. É, melhor voltar a falar do Dominguinhos).

Os dois shows de Dominguinhos que pude ver foram no mesmo local: o Teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. O primeiro foi na tarde de 20 de novembro, uma sexta. A apresentação foi dirigida para cerca de 200 estudantes do ensino fundamental (nesse dia quem me garantiu o acesso foi uma amiga minha, funcionária da Assembléia). Foi um show relativamente curto, onde o mestre priorizou seus grandes sucessos dos anos 80, como "Isso Aqui Tá Bom Demais" e "De Volta pro Aconchego". Ao final, convocou para uma participação especial os paraenses do Trio Manari, que haviam se apresentado logo antes. Juntos, tocaram "Forró no Escuro", do mestre maior Luiz Gonzaga. 

Já na noite seguinte, Dominguinhos fez o grande show de encerramento do Acorde Brasileiro 2009. Com banda completa, fez naquele sábado um grande passeio pelos numerosos sucessos de sua exitosa carreira - com a platéia gaúcha cantando junto o show inteiro. Em dado momento, chamou um jovem sanfoneiro que pouco antes havia tocado junto com o maranhense Josias Sobrinho, num dos outros shows; o rapaz certamente já estaria satisfeito por esta breve oportunidade de brilhar ao lado do mestre, porém foi surpreendido pelo convite que Dominguinhos lhe fez para que se juntasse à banda, tocando com ela até o final do show principal. O rapaz topou o desafio, do qual saiu-se muito bem, e após o espetáculo mostrava-se radiante com a maravilhosa oportunidade recebida.

Só os medíocres acreditam que o brilho alheio ameaça o seu próprio. Abrir espaço para que outros brilhem a seu lado é um indicativo de humildade da pessoa, e com certeza foi uma das principais lições que Dominguinhos aprendeu com Gonzaga, responsável por lançar e incentivar tanta gente de talento - inclusive o próprio Dominguinhos. 


Obs: a foto que ilustra o post não é dos shows citados, foi feita pelo jornalista Lauro Lisboa Garcia na última apresentação de Dominguinhos, no show em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga, no Exu (PE) - 13.12.12 


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Chutando o Balde: A inútil análise de recursos do Prêmio Funarte de Música Brasileira


Foi concluído na quarta, 10 de julho, o Prêmio Funarte de Música Brasileira, com a publicação no Diário Oficial da União do resultado final dos módulos C e D - dois dias antes, o mesmo veículo estampara o resultado dos módulos A e B.

Quem acompanha nosso blog sabe que anteriormente nós já chamamos a atenção para várias irregularidades ou, no mínimo, "estranhezas" na execução do edital deste prêmio, lançado em agosto de 2012. Pra quem está chegando agora, vão os links:

- Edital do Prêmio Funarte de Música Brasileira -  http://www.funarte.gov.br/wp-content/uploads/2012/08/Edital-Prêmio-Funarte-de-Musica-Brasileira_2012.pdf

- Artigo Chutando o Balde: A polêmica do Prêmio Funarte de Música Brasileira, de 6.6.13 - http://vamosfalar-jornalismocultural.blogspot.com.br/2013/06/chutando-o-balde-polemica-do-premio.html

- Artigo Chutando o Balde: Ainda a polêmica do Prêmio Funarte de Música Brasileira, de 11.6.13 - http://vamosfalar-jornalismocultural.blogspot.com.br/2013/06/chutando-o-balde-ainda-polemica-do.html

Infelizmente, nem mesmo nesta etapa conclusiva a execução do edital deixou de soar estranha. Recapitulando, a divulgação do resultado dos quatro módulos ocorreu em 31 de maio, uma sexta-feira após o feriado de Corpus Christi, no final da tarde (não foi a primeira vez que, neste Prêmio, a Funarte adotou isto que  denominamos  de prática sorrateira: divulgar resultados em dias perdidos em meio a feriadões). As datas para recurso sobre os resultados seriam, portanto, os dias 3 e 4 de junho. Porém, sem justificar nem alterar oficialmente, a Funarte estendeu o prazo para recurso até o dia 6. Conforme o edital (item 10.10), a análise dos recursos deveria ser divulgada dez dias úteis após o final deste prazo, ou seja, o dia 20 de junho.

Porém ao final do dia 20, a Funarte publicou em seu site o seguinte comunicado:

"ETAPA 2 – SELEÇÃO

Comunicado - 20 de junho de 2013

PRORROGAÇÃO DO PRAZO DE RESPOSTA AOS RECURSOS

Comunicamos que foi prorrogado o prazo de resposta a recursos da etapa de Seleção do Prêmio Funarte de Música Brasileira, previsto anteriormente para o dia 20 de junho – em virtude do elevado número de recursos interpostos (204) e, consequentemente, da necessidade de tempo suficiente para uma consideração criteriosa e responsável de seu teor.

Ressalte-se que esta prorrogação se dá em beneficio dos recorrentes e que a comissão designada para a avaliação dos recursos está empenhada em concluir, com brevidade, a sua análise.

Centro da Música/Funarte"


De certo ninguém há de contestar que é de todo desejável "uma consideração criteriosa e responsável" do teor dos recursos (aliás, ninguém esperava outra coisa), mas soa no mínimo estranho a Funarte, entidade que historicamente lança editais o tempo inteiro, mostrar-se preocupada com o "elevado número de recursos interpostos": foram 204, num universo de 313 que conseguiram passar à segunda etapa (antes,  na primeira etapa, nada menos que 89,7% dos 3062 projetos foram sumariamente eliminados). Mais preocupante é constatar que a Funarte sequer fixou ali uma data para se pronunciar a respeito de "tantos" recursos, usando incorretamente a palavra "prorrogação". Se o prazo de fazer algo foi prorrogado, cabe a quem prorrogou dizer quando então irá fazer o que deixou de fazer na data que ele mesmo havia estabelecido originalmente.

Mais estranho ainda é o resultado ter sido publicado "fatiado", os módulos A e B no dia 8 de julho, e os módulos C e D no dia 10. O edital não prevê essa publicação em capítulos.

O pior de tudo é ver que foram gastos não 10, mas respectivamente 22 e 24 dias úteis para não se mudar absolutamente nada! Os projetos vencedores do Prêmio, ao final, são exatamente os mesmos divulgados em 31 de maio. Nenhum recurso foi aceito. Duvidam? Seguem os links:

- (31/05/2013) Resultado de Seleção - Prêmio Música Brasileira - http://www.funarte.gov.br/wp-content/uploads/2012/08/Resultado-de-Selecao-Premio-Musica-Brasileira.pdf

- (09/07/2013) Resultado final_Módulos A e B_Portaria n. 266.13_Edital Prêmio Funarte de Música Brasileira_2013 - http://www.funarte.gov.br/wp-content/uploads/2012/08/Resultado-final_Módulos-A-e-B_Portaria-n.-266.13_Edital-Prêmio-Funarte-de-Música-Brasilera_2013.pdf

- (15/07/2013) Módulos C e D_resultado final - http://www.funarte.gov.br/wp-content/uploads/2012/08/Módulos-C-e-D_resultado-final.pdf



quinta-feira, 11 de julho de 2013

Teatro Rio de Janeiro: Forrobodó



Diante do enorme sucesso de Forrobodó – Um Choro na Cidade Nova, que estreou em 1912 para uma temporada de 1.500 apresentações, um crítico escreveu que aquela era uma peça para durar três séculos. Pelo menos um século já durou. A comédia musical com músicas de Chiquinha Gonzaga ganha nova montagem a partir de 13 de julho, no Sesc Ginástico. A direção é do mesmo André Paes Leme que foi responsável por sua última encenação, em 1995.

Não é mera coincidência. André e a produtora Andréa Alves, da Sarau, resolveram retomar a parceria de 18 anos atrás para realizar um novo Forrobodó. Enquanto a versão que foi apresentada em 1995 procurava reconstituir o estilo ingênuo e pitoresco de uma época do teatro carioca, a que chega ao palco do Sesc Ginástico nem usa figurinos antigos, apostando na inteligência do espectador, que verá os atores partirem de uma roda de samba para encarnar seus personagens.

“É uma roda-espetáculo. Ou como se a roda contasse o Forrobodó”, diz André, diretor de vários musicais, entre eles Grande Otelo – Êta moleque bamba! e É samba na veia, é Candeia.

No elenco há um remanescente da versão de 1995: o gaúcho Flavio Bauraqui, então fazendo sua primeira peça profissional no Rio. Ele trabalhava como porteiro num condomínio da Barra da Tijuca, onde também dava aulas de teatro. O ator e mestre de capoeira Beto Simas o indicou para um teste, pois sabia que André precisava de atores negros para Forrobodó. Ganhou vaga no elenco e decolou para uma carreira brilhante.

“A montagem de 95 tinha uma característica de ser graciosa. Mas se passaram 18 anos, já somos maiores de idade, podemos falar desse Brasil que mudou, inclusive na postura dos negros, diferente da que aparece em momentos da peça. Para mim, é muita sorte poder jogar outro olhar sobre a mesma coisa”, comemora Flavio, que tem como colegas de elenco o baiano Érico Brás(de Tarja Preta e do seriado Tapas e beijos, da TV Globo), Juliana Alves (íntima do samba - rainha de bateria da Unidos da Tijuca, e comemorando 10 anos de carreira em sua primeira experiência no teatro), os cantores Marcos Sacramento e Pedro Miranda, e também Alan Rocha, Edna Malta, Joana Pena, Sara Hana e Sérgio Loureiro.

Érico Brás, Pedro Miranda, Juliana Alves,
Marcos Sacramento e Flávio Bauraqui
(foto: Silvana Marques)


O libreto de Forrobodó é de Carlos Bettencourt e Luiz Peixoto, jovens autores que começariam a se consagrar com o sucesso de 1912. Na época, os textos eram escritos contando com a colaboração dos atores, no caso os da Companhia de Mágicas e Revistas do Teatro São José. Um processo que tem sua semelhança com o trabalho colaborativo entre André e o elenco da montagem de 2013.

Forrobodó tem uma trama simples, que gira em torno de um triângulo amoroso e se passa, em parte, num clube. O pioneirismo da peça estava em levar ao teatro tipos populares, como o capoeira, o guarda-noturno, o ladrão de galinhas. E vários personagens são negros, algo ainda incomum naquele momento. E o maxixe, gênero musical em voga nos bailes populares, domina as composições de Chiquinha. André avançou um pouco para as rodas de samba, que começavam então a se formar.

“Pode ser uma roda de qualquer época, inclusive dos dias de hoje. O espetáculo poderia se passar num sobrado da Lapa ou no Trapiche Gamboa”, afirma o diretor, lembrando que a revitalização do samba e das rodas, ocorrida no Rio nestes últimos 18 anos, facilita essa nova proposta de montagem.

Os musicais também ganharam enorme impulso de 1995 para cá, tornando muito mais acessível para a plateia um espetáculo não linear, no qual os atores assumem que estão contando uma história em vez de representá-la de modo realista.

“Temos descoberto um pouco mais o nosso jeito de fazer musical, a nossa cara”, diz o diretor, ressaltando que estão intocáveis no novo Forrobodó a simplicidade, o despojamento, o humor. “A peça mostra uma sociedade que tenta parecer outra, elegante, francesa, mas não sabe como.”

André, o arranjador Leandro Braga e a diretora musical Maria Teresa Madeira se sentiram livres também para ampliar o repertório, pois a trilha original de Forrobodó não é grande. Outras oito músicas estão no espetáculo, de compositores como Pixinguinha, Sinhô e Caninha. Se em 1995 apenas a pianista Maria Teresa ficava no palco, agora há mais quatro músicos, sendo três sopros: clarinete/sax, trombone e tuba.

“Fizemos novos arranjos, mas sem perder o apelo urbano muito forte que as músicas têm. É uma sonoridade característica do início do século passado”, diz Maria Teresa.

Encenar Forrobodó neste momento tem significados especiais. Um deles é a peça se passar na zona portuária, exatamente a menina dos olhos da reforma urbana em curso no Rio em função das Olimpíadas de 2016 – e, por isso, uma região que está envolta em contrastes sociais, também presentes na trama. Outro significado é um espetáculo tão bem-sucedido de Chiquinha Gonzaga voltar quando a Sbat (Sociedade Brasileira dos Autores Teatrais), entidade que ela fundou, vive uma terrível crise financeira, correndo até o risco de acabar.

Para André e Andréa, o que aconteceu com Forrobodó em 1912 se repetiu, de certa forma, em 1995. A peça em que o empresário Paschoal Segreto não acreditava e que não teria existido sem a insistência de Chiquinha foi refeita no Centro Cultural Banco do Brasil para apenas duas apresentações. O resultado foi tão bom que o centro cultural programou uma temporada e, depois, uma turnê por outras cidades. A montagem ganhou o Prêmio Mambembe como uma das melhores peças daquele ano.


SERVIÇO
Espetáculo: Forrobodó – Um Choro na Cidade Nova
Estreia para convidados: 12 de julho
Temporada: de 13 de julho a 08 de setembro
Local: Teatro Sesc Ginástico (Rua Graça Aranha, 187 – Centro. Tel.: 2279-4027)
Bilheteria: de terça a domingo, das 13h às 20h
Ingresso: R$30,00 (inteira), R$15,00 (meia) e R$5,00 (comerciário)
Horário: de quinta a domingo, às 19h
Duração: 120 minutos
Classificação: 12 anos
Capacidade: 513 lugares
Gênero: comédia musical


FICHA TÉCNICA

Texto: Carlos Bettencourt e Luiz Peixoto
Músicas: Chiquinha Gonzaga
Direção: André Paes Leme
Direção Musical: Maria Teresa Madeira
Arranjos: Leandro Braga 
Direção de Movimento: Duda Maia
Direção de Produção e projeto: Andréa Alves
Elenco: Flavio Bauraqui, Érico Brás, Juliana Alves, Marcos Sacramento, Pedro Miranda, Alan Rocha, Edna Malta, Joana Penna, Sara Hana e Sérgio Ricardo Loureiro
Músicos:
Maria Teresa Madeira (Piano)
Joana Queiroz (Clarinete e Sax)
João Luís Areias (Trombone)
Fernando Zanetti (Tuba)
Oscar Bolão (Percussão)
Figurino: Espetacular Produções e Artes
Cenografia: Carlos Alberto Nunes
Iluminação: Renato Machado
Engenheiro de Som: Fernando Fortes
Assistente de Direção: Anderson Aragón
Assistente de Direção Musical: Daniel Sanches
Assessoria Histórica e Dramaturgia: Angela Reis
Fotografia: Silvana Marques
Programação Visual: Gabi Rocha
Assessoria de Imprensa: Daniella Cavalcanti – Assessoria de Imprensa
Promoção: TV Globo, MPB FM e Elemidia
Apoio: Sesc e Costa Porto Logística
Patrocínio: Eletrobrás, Grupo Seres, Lei do ISS, Prefeitura Rio Cultura
Realização: Sarau, Ministério da Cultura e Governo Federal

Música Rio de Janeiro: Jards Macalé


No  show Banquete dos Mendigos, Jards Macalé recebe:

- dia 16 de julho - Zeca Baleiro e Walter Franco
- dia 17 de julho - Jorge Mautner e Thais Gulin

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Entrevistão: Sertanília

Por Calila das Mercês,
de Salvador

Cheiro de sertão, de África, de maracatu, de samba. Gosto de vento no rosto, de viagem, de céu e de gente. Som de saudade, de amores, de vida que segue. O grupo Sertanília está numa fase bastante promissora. O grupo, formado em  2010 por Aiace Félix (vocalista), Anderson Cunha (viola) e Diogo Flórez (percussão), faz uma música inspirada na sonoridade das manifestações musicais do sertão brasileiro. Confira a entrevista que Aiace e Anderson concederam com exclusividade para o Jornalismo Cultural.  

Jornalismo Cultural: Como surgiu a ideia de criar um grupo com o sertão como ponto de partida acoplado a outras vertentes musicais?

Anderson Cunha: Eu senti que era hora de realizar um trabalho voltado às minhas raízes, mas claro que junto vem toda a bagagem da minha história na música. Então a gente percebe a influência da música mineira, do rock, e da música erudita.

Anderson Cunha

Aiace Félix: Montamos o Sertanília em 2010. Na época, eu e Anderson já trabalhávamos juntos há uns três anos no estúdio dele, o Attitude, onde gravávamos alguns jingles. A partir daí ficamos amigos. Ao mesmo tempo, Anderson estava envolvido na produção de um filme sobre os chefes dos reisados de algumas cidades do sudoeste baiano. Acho que o nome do filme era “Tudo tem um Tempo”, mas ele ainda não foi lançado. A partir dessa pesquisa pro filme, Anderson me falou da vontade que ele tinha de cantar algo relacionado a manifestações como essa dos ternos de Reis, manifestações que fazem parte dessa cultura sertaneja, que cantasse seu povo, de onde ele veio. O Sertanília nasceu daí.

JC: Vocês têm alguma banda inspiradora? Algum cantor? 


Anderson: Elomar foi a principal motivação na formação do Sertanília que a princípio seria um grupo de câmara pra interpretar as obras dele. Com o tempo é que fomos tomando outras direções e ficamos mais pesados musicalmente. Aí, apareceram outras inspirações como Renata Rosa, Cordel do Fogo Encantado e Xangai. Eu tenho uma influência muito forte de alguns artistas que é perceptível na música do Sertanília como Michael Hedges, Gilberto Gil e Lenine.

Aiace: Somos influenciados o tempo inteiro pelo que vem sido produzido no Brasil ou fora dele. Nos reconhecemos em muita coisa, até pela própria mistura que é a música brasileira. O sertão que usamos como ponto de partida pra nossa música é muito maior musicalmente e culturalmente do que nos é mostrado pela grande mídia, e é diretamente influenciado pela música africana, a música indígena, a portuguesa e a música árabe.  Então somos diretamente influenciados por tudo isso. Até por isso, o grupo português Madredeus é uma influência pra nós. Claro que nos identificamos muito com o foi/é produzido aqui como Elomar (que é fundamental para a construção do Sertanília), Xangai, Quinteto Armorial, Cordel do Fogo Encantado e tantos outros. Isso tudo além do que cada um do grupo traz em sua formação musical individual. 


Aiace Félix

JC: Como vocês formaram o grupo? 

Anderson: Eu e Aiace somos amigos e nos conhecemos em gravações em estúdio. Fizemos uma gravação meio que descompromissada para a internet, mas foi tão bem recebida que a coisa acabou tomando uma proporção maior. Daí, tivemos algumas formações até chegarmos à formação atual, eu, Aiace e Diogo. Ao vivo, completam a banda Mariana Marin, João Almy, Raul Pitange e Massumi.

Aiace: Eu e Anderson somos amigos há um tempo. Nos conhecemos em 2007 através dos meninos da banda baiana Quarteto de Cinco. Diogo chegou  no grupo no final de 2010, quando voltamos da nossa primeira viagem internacional (fomos pra Portugal e lá fizemos nossa primeira apresentação enquanto grupo e com uma formação  um pouco diferente da atual). Já o conhecia da UFBA, onde eu e Diogo fazemos o curso de graduação em Música (eu faço Canto Popular e Diogo, Percussão), mas não tínhamos uma relação muito próxima. Diferente do que aconteceu com o Anderson, minha amizade com Diogo surgiu através do Sertanília.

JC: Vocês são todos soteropolitanos?

Anderson: Eu e Massumi somos de uma região chamada Alto Sertão que é o Sudoeste da Bahia, mais próxima de Minas. O restante do grupo é de Salvador.


Show no Largo do Pelourinho 
- Salvador, fevereiro de 2013

JC: Vivem de música ou têm outra formação?

Anderson: Sim, todos nós, de alguma forma, vivemos de música. Exceto eu e Mariana, todos têm a carreira ligada à Faculdade de Música da UFBA (Universidade Federal da Bahia).

Aiace: Eu e Diogo fazemos o curso de graduação em música pela UFBA. Antes de partir pra faculdade de música eu até tentei o curso de Direito, mas não tive muito sucesso... Não me realizei no curso e saí no 2º ano pra tentar a faculdade de música. 

JC: Como surgiu o contato com os artistas pernambucanos? E com Xangai, Bule-Bule, Terno de Reis do Riacho da Vaca?

Anderson: Em Pernambuco, foi na raça mesmo. Ligamos pro Huggo Linns que é produtor musical da Renata Rosa e o convidamos pra produzir as gravações que seriam feitas em Recife. Até então, não nos conhecíamos. A partir desse contato muitas portas se abriram e chegamos ao pessoal do Cordel, Emerson e Nego e também ao Gilú que é uma referência em percussão em Pernambuco. O Xangai é um amigo já há algum tempo, já tínhamos gravado juntos e foi mais fácil. Eu já tinha gravado Bule-Bule também e quando mostrei o projeto e fiz o convite ele aceitou na hora. O Terno do Riacho da Vaca já foi mais complicado. Eles moram numa localidade ainda sem os hábitos e costumes da vida urbana. E também sem a velocidade do nosso dia-a-dia. Então tivemos que fazer uma viagem até lá, porque não tem telefone, o único jeito de se comunicar é por recado da rádio. Com calma, explicamos o processo, em que consistia a gravação, o pagamento dos direitos etc... Depois fizemos outra viagem pra gravar. Foi muito gratificante.


Show de lançamento do CD Ancestral
- Pelourinho, agosto de 2012

JC: Qual o objetivo do projeto Ancestral? Por que este nome?

Anderson: É nosso primeiro disco. Nosso cartão de visita. Pretendemos com ele ter o maior alcance possível de um trabalho independente como é o nosso. Sabemos das dificuldades de ter espaço, mas estamos batalhando pra divulgá-lo o máximo possível. Entramos em algumas listas dos 100 melhores da MPB de 2012, isso já nos deixou muito realizados. O nome é uma referência às nossas pesquisas pra fazer o disco. Conhecemos localidades com ternos de reis com mais de 200 anos de idade na mesma família, recolhemos músicas, cantigas, cirandas sem registro, tudo por tradição oral, de pessoas com até 97 anos que diziam que seus avós já cantavam aquilo. É um trabalho de descoberta de Brasil que pouca gente conhece.


Aiace: Nós trazemos como inspiração pro nosso som, manifestações culturais que são muito antigas e que remontam um sertão que é anterior ao de Luiz Gonzaga, com tradições que vieram de Portugal, que foram também diretamente influenciadas pelos árabes, e que aqui se misturaram à cultura africana e indígena. Por isso o nome do disco: é um som carregado de ancestralidade nas manifestações que estudamos, nas letras, nos temas que são abordados e nos arranjos. É tudo feito com muito cuidado e carinho. Reisados, ladainhas, sambadas e cocos são exemplos de manifestações que nos influenciam. 
Acho que é muito difícil pro músico conseguir traduzir tudo o que ele quer com seu som... queremos tudo e nada ao mesmo tempo! Mas em linhas gerais, acho que um lance importante que tem rolado com a gente é a identificação e o reconhecimento do som, chamando atenção pra uma música que não é comumente associada à Bahia e, principalmente, a Salvador. 
Infelizmente nós não vivemos em um ambiente tão democrático e por mais que alguns “mitos” estejam perdendo espaço (vide a crise do axé) ainda é muito comum associar e restringir a música baiana apenas ao axé e ao pagode, reduzindo toda a música produzida na Bahia apenas ao que tem o apoio midiático. Dessa forma, mostra-se apenas a música litorânea enquanto que o que é produzido no interior do estado cai no desconhecimento dos próprios baianos. Por isso, geralmente quando a gente toca, seja na Bahia ou fora dela, comumente nos perguntam: Vocês são de Pernambuco, não é? O mais estranho é ver que os próprios baianos desconhecem a sua própria cultura. Quando nós falamos de onde somos e de onde nos inspiramos é como se eles se reconhecessem na nossa música e se autodescobrissem naquele momento. Como bem disse Milton Nascimento:  “Ficar de frente para o mar e de costas pro Brasil não vai fazer desse lugar um bom país”.


Anderson Cunha e Xangai
no show de agosto de 2012

JC: Por que trabalhar com música? Qual o sentido dela para vocês? De quem são as composições?

Aiace: Por que não trabalhar com música?! Quem vive sem música? Eu nunca me vi longe dela. Comecei a falar muito cedo... daí pra começar cantar foi um pulo!  Com um ano e oito meses já cantava coisas do Caetano Veloso. A infância e a adolescência foi bem em cima disso, cantando e me descobrindo cantora. Sempre tive a certeza de que queria cantar, mas a dúvida durante a saída do ensino médio – pensando na insegurança financeira - era conciliar com outra profissão ou não. Tentei o Direito, mas deu tudo errado! Não me encontrei e resolvi, finalmente, fazer o certo: tentar a faculdade de música. As composições autorais do grupo são de Anderson e apenas uma delas, “Ciranda do Fim do Mundo”, é uma parceria do Anderson e do Juliano Holanda, compositor pernambucano.

Anderson: Exceto as regravações, todas as composições são minhas. Falando por mim, eu faço música porque não sei fazer nada mais na vida. Com o tempo cria-se uma relação de necessidade, onde você se encontra, se acalma nos momentos difíceis, expurga seus demônios, resolve suas aflições, externa sua alegria... e o legal é que depois você percebe que outras pessoas também, de alguma forma, são tocadas pelo que você fez.


JC: O que vocês querem transmitir para as pessoas com este trabalho?

Anderson: O trabalho do Sertanília carrega um questionamento da vida mergulhada na sociedade de consumo e suas consequências. No sertão que pesquisamos, grandes empresas mineradoras chegaram mudando dramaticamente a vida das pessoas. Mudando hábitos e costumes que compõem a identidade do povo da região, levando o consumo exagerado, e, principalmente, retirando pessoas de suas localidades na região rural, o que faz com que elas tenham que se adaptar à vida urbana da pior forma possível. Num momento em que tanto se fala em sustentabilidade, deixamos de aprender com uma sociedade que vive de forma sustentável há séculos em harmonia com a terra e inventamos fórmulas irreais de crescimento sustentável pra justificar o lucro e a atuação dessas empresas. Esse é o questionamento maior em nosso disco e o que tentamos sensibilizar as pessoas que escutam.



JC: Vocês têm outro projeto em vista?

Anderson: Temos alguns projetos que, por conta das ocupações do Sertanília não tivemos tempo de tocar adiante. Eu e Aiace pensamos em futuramente gravar nossos trabalhos independentes, mas ainda não temos tempo.


Música Rio de Janeiro: São Sons



segunda-feira, 1 de julho de 2013

Música Fortaleza: Riffs Desplugados


Primeira edição em Fortaleza do evento que já tem dois anos de tradição em Manaus. Primeira apresentação acústica da banda Sátiros (CE).