segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Teatro Belém: Leituras Dramáticas



Crônica de gente sem nome nas ruas: narrativas de Antônio Torres na imprensa


Por Calila das Mercês,
de Salvador

Calila das Mercês é a da direita

I


Praticamente duas semanas sem dormir, apenas produzindo. Na quinta-feira, 12 de setembro, apresentei no Seminário de Literatura e Diversidade na Universidade Estadual de Feira de Santana, o trabalho Crônica de gente sem nome nas ruas: narrativas de Antônio Torres na imprensa. Entre colegas do Mestrado em Estudos Literários e professores de outras instituições, o evento, de forma geral, foi interessante e agregador de conhecimentos. Na primeira mesa, O locus da enunciação na pesquisa de subjetividades, tivemos a presença do Prof. Dr. Ricardo Freitas da Universidade Estadual da Bahia (UNEB) que falou sobre “Tecnoarte: sobre produções culturais autóctones como possibilidades inclusivas” e do também Prof. Dr. Ari Lima, da mesma instituição, com trabalho intitulado O método é heterodoxo. O sujeito é posicionado. A pesquisa é possível?

A segunda mesa, ainda pela manhã, foi Painel de pesquisas em andamento, que teve a apresentação dos trabalhos A máquina” e os sonhos de nordestina: entre a literatura e o cinema, de Mônica Grisi Chaves, e Pelourinho patrimônio da humanidade: histórias da Bahia em quadrinhos, de Elizia de Souza Alcântara. Ambas orientadas pelo prof. Dr. Roberto Seidel no mestrado em Crítica Cultural da UNEB.

Houve alguns remanejamentos e eu apresentei à tarde, na mesa Literatura e oralidade, junto à professora Dra. Edil Silva Costa, com seu trabalho “Por uma cartografia das poéticas da voz na Bahia” e à minha colega Daiane Araújo França sobre “Boi roubado: as narrativas orais da região sisaleira em uma tradição do trabalho em festa”; a mesa foi finalizada comA condição e os conflitos do sujeito moderno na literatura contemporânea: uma (des)leitura deEssa terra’ de Antônio Torres eTerra sonâmbula’ de Mia Couto”, apresentada pelo mestrando Eduardo Dourado. Todos os discentes que apresentaram no evento são orientandos do já citado Roberto Seidel, na UNEB ou na UEFS. Eventos como estes nos dão oportunidade para intercambiar idéias e trocar experiências. Enfim, comentado o evento, vamos a um resumo do trabalho que apresentei.


II

Crônicas de gente sem nome nas ruas, em outras palavras é o cotidiano de gente como eu, você ou qualquer cidadão comum que anda pelas ruas e se aventura pela vida. Poucas pessoas se interessam por crônicas? Você conhece Antônio Torres? Perguntas que me fizeram escrever e me interessar pelo autor que nasceu no Junco, Sátiro Dias, interior baiano. Fez o ginásio na cidade de Alagoinhas e ingressou no Colégio Severino Vieira, em Salvador, não chegando, porém, a concluir o segundo grau. Antes de ingressar no jornalismo teve várias ocupações, tanto no campo, no trabalho agrário e pastoril, quanto na cidade, onde trabalhou em sorveteria e bar e como vendedor-pracista. Também foi bancário por algum tempo, em Salvador e São Paulo.

Antes de dedicar-se à literatura completamente, Torres atuou como jornalista. Em Salvador, trabalhou, em 1959, no Jornal da Bahia, e no jornal paulista Última Hora, em 1961. Como cronista, escreveu para a Tribuna da Imprensa e Jornal do Brasil no Rio de Janeiro e para o Jornal da Tarde, em São Paulo. Escreveu sobre Jorge Luis Borges, William Faulkner, Glauber Rocha, Alexandre O' Neill, Monteiro Lobato, Jorge Amado, Garrincha, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, entre outras personalidades que contribuíram com a história do país ou mundial e também sobre “gente sem nomes nas ruas”, tema pelo qual me interesso profundamente. Em 2000, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra, porque ele é conhecidíssimo pelos seus 11 livros de romance, como o Meu querido canibal, O cachorro e o lobo e Essa terra.

Crônica é literatura?  O mais jornalístico dos gêneros literários e o mais literário dos gêneros jornalísticos: a crônica, antes vista apenas como coletânea de fatos históricos e de narrações em ordem cronológica, anos depois se torna o conjunto de notícias que circulam sobre pessoas e, hoje, gênero literário brasileiro que consiste na apreciação pessoal dos fatos da vida cotidiana.


Sobre Pessoas é composto de 47 textos – crônicas, entrevistas, recordações e homenagens – divididos em oito partes, sendo uma, em especial, em homenagem ao poeta português Alexandre O’Neill, composto por três poesias do mesmo. Curioso(a) para conhecer mais sobre o autor? Está aqui o link do seu site com diversos materiais! Ótima leitura!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Teatro Rio de Janeiro: Brasil 70 - Musical



Um dos períodos mais ricos da música no Brasil e no mundo inspira “BRASIL 70 – MUSICAL”, que apresenta um panorama da produção musical brasileira durante as décadas de 1960 e 1970, celebrando os ícones de uma época que, hoje, fazem parte do imaginário popular. O espetáculo, que acaba de voltar de uma apresentação no Cassino Estoril, em Portugal, a convite da Embaixada do Brasil em Lisboa, dá início a uma série de apresentações no Rio e nos municípios de Araruama, Rio das Ostras, Niterói e Nova Friburgo, com patrocínio da Oi e apoio cultural do Oi Futuro.

 O musical, que estreia dia 03 de outubro, no Teatro Municipal Café Pequeno, propõe ao espectador uma viagem no tempo por meio de canções inesquecíveis como “A Tonga da Mironga do Kabuletê”, “Arrastão”, “Fio Maravilha” e “Dancing Days”, e recriações de obras de artistas como Marcos e Paulo Sérgio Valle, Caetano Veloso, Chico Buarque, Vinícius de Morais, Wilson Simonal, Zé Rodrix, grupos como Mutantes, Secos e Molhados e Novos Baianos, além de momentos marcantes como os Festivais da Canção e o Tropicalismo.

A ideia de um musical que explorasse esse período fértil da música brasileira partiu da atriz, cantora e produtora Márcia Santos, e tornou-se realidade quando Márcia uniu-se à xará Márciah Luna Cabral, também atriz, cantora e preparadora vocal. Ambas não pretendiam contar a história dessa época, mas levar essas canções ao palco. Os arranjos vocais foram criados especialmente para a montagem por Márciah Luna Cabral. Projeções de vídeos, além de outros recursos cenográficos e figurinos, ajudam a contextualizar o período. A coreografia é do ator, cantor e bailarino Édio Nunes. A pesquisa e edição de imagens fica por conta de Inez Cabral, cineasta filha do poeta João Cabral de Mello Neto. Alice Borges, atriz premiada, é responsável pela Direção de Cena, e Márcia Santos assina a Concepção, a Pesquisa e a Direção Geral.

O elenco reúne, além da própria Márcia Santos, atores tarimbados em musicais como Ruben Gabira, ator que, neste último mês, foi indicado ao Prêmio Bibi Ferreira de Teatro Musical, em São Paulo, como melhor ator por sua atuação na montagem paulista de “Priscila, Rainha do Deserto”; Helga Nemeczyk, atriz e cantora, que atualmente integra o elenco do humorístico Zorra Total; Thiago Pach, ator e cantor que acaba de voltar de uma turnê solo pelas cidades de Paris e Avignon, na França e, também, a atriz e cantora Ana Moura. Todos acompanhados por Anna Botelho ao violão, Hugo Chiaradia nos teclados e Felipe Cruz na percussão.

                               

FICHA TÉCNICA

Concepção, Pesquisa, Roteiro e Direção Geral - Márcia Santos
Arranjos e Direção Musical - Márciah Luna Cabral
Arranjo de “Paralelas”- Anna Botelho
Direção de Cena - Alice Borges
Elenco - Ana Moura, Helga Nemeczky, Márcia Santos, Ruben Gabira e Thiago Pach
Músicos - Anna Botelho, Felipe Cruz, Hugo Chiaradia, Gabriel Liotto
Coreografias - Édio Nunes
Figurinos - Rui Cortez e Márcia Santos
Preparação Vocal - Márciah Luna Cabral e Hugo Chiaradia
Imagens - Inez Cabral
Produção Executiva - Baruc Produções e Eloá Ribeiro
Direção de Produção - Márcia Santos
Programação Visual - Marcelo Henrique Alves
REALIZAÇÃO - PANENKA


SERVIÇO

Temporada: de 03 a 20 de outubro
Local: Teatro Municipal Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva, 269 Leblon)
Informações: 2294-4480
Horário: de quinta a domingo, às 20h
Valor do ingresso: R$30,00
Duração: 75 minutos
Bilheteria: de quarta a domingo, das 16h até o início do espetáculo
Classificação etária: 18 anos
Capacidade: 80 lugares

I Encontro Brasileiro de Pesquisas em Cultura foi aberto a pessoas de qualquer formação


Por Calila das Mercês,
de Salvador



Entre os dias 1 e 3 de setembro, participei do I Encontro Brasileiro de Pesquisas em Cultura: pesquisa e produção de conhecimento para além da universidade e esta idéia se faz verdadeira quando percebo que é inédito para mim participar de um encontro onde pessoas de diferentes formações, mas que têm interesse em estudos e pesquisas em cultura, puderam participar sem necessariamente possuir um diploma ou estar cursando no mínimo um mestrado, como já vi em outros seminários. Cultura é um tema vasto e a produção dela e suas nuances têm sido sempre debatidas e, em minha opinião, pouco socializadas com a população, em geral. Hoje, percebo a mesquinhez em passar conteúdo, em querer passar adiante o conhecimento “x”. As pessoas, “donas do saber”, ainda tratam diferente  os mais letrados e os “sem formação universitária”; a informação não é perpassada, fica circulando em umas panelinhas que diz serem cultas, sem dar oportunidade a outras pessoas. Não falo apenas da dona Maria, rendeira da cidade Z, mas também de João, estudante de Faculdade Y, que não é filho de ninguém conhecido e nem tem um sobrenome destacável, que nunca consegue participar de nada que é gratuito e que possa agregar conhecimento a ele. Questiono: por que tamanha mesquinhez? Por que tamanho egoísmo? As pessoas enganam-se a si próprias quando pregam que determinado evento é de todos, quando na verdade aquilo ali é realizado apenas aos “afilhados” ou a um ou dois indivíduos “cults”. Parabenizo os idealizadores deste encontro, acredito que eventos abertos, gratuitos e com temáticas como esta deveriam ser expandidos para o resto do país. Já que está na moda “copiar e colar”, seria interessante que as pessoas, líderes de alguma coisa importante, pudessem colar o que é realmente bom.


O evento teve início na noite de 1 de setembro no Centro de Cultura São Paulo com a palestra Os sentidos da pesquisa nas culturas populares da Profa. Dra. Maria Lucia Montes (FFLCH-USP), que fez um apanhado histórico sobre os estudos cultura, durante os séculos passados até hoje, propondo uma reflexão sobre a temática. Com um público variado de pouco mais de cem pessoas, a solenidade contou com a presença do Secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, Américo Córdula, e com um assessor do secretário de Cultura da cidade de São Paulo, Juca Ferreira, que não pôde estar presente por motivos pessoais. O evento terminou com o show da Banda Isca de Polícia, criada por Itamar Assumpção.

No segundo dia do evento houve duas mesas redondas simultâneas: a Mesa 1, com o tema Culturas, identidades e cidades, com a presença de Eleilson Leite (Ação Educativa), José Guilherme Magnani (FFLCH/USP), Maria Isabel Vilacc (FAU/Mackenzie) e a Mesa 2, trazendo a temática Economia da cultura, direitos autorais e comunicação, com Allan Rocha Souza (UFRJ), Daniel Fonsêca (Intervozes), Cláudia Leitão (UECE), Guilherme Varella (Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo) e Sergio Amadeu (UFABC).

Nos dois dias aconteceram Rodas de Pesquisas e Grupos Temáticos apresentando de forma simultâneas diferentes temas, desde economia da cultura até literatura e música. Confira mais sobre o evento, nestes links: Link1 e Link2. No útlimo dia, no primeiro horário houve as mesas redondas simultâneas: Mesa 3: Artes e linguagens com Aimar Labaki (dramaturgo, diretor e curador), Ilana Feldman (Academia Internacional de Cinema e Unicamp), Pedro Aragão (UniRio) e Sonia Salzstein Goldberg (ECA/USP). Já a Mesa 4: Políticas culturais e mediação, contou com a presença de Lia Calabre de Azevedo (Casa de Rui Barbosa), José Marcio Barros (PUC-MG), Julio Mendonça (Prefeitura Municipal – São Bernardo do Campo) e Valmir de Souza (Instituto Pólis).

 Este ano, o evento foi realizado pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade São Paulo (USP) e pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais, e contou com o apoio da Prefeitura de São Paulo, da Ministério da Educação - CAPES e do Governo Federal. O próximo encontro será realizado em 2014 na Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Cinema Macapá: Clube de Cinema



Teatro Rio de Janeiro: 1958 – A Bossa do Mundo é Nossa!


Foi tudo tão intenso no Brasil daqueles 365 dias que o livro feito para contar essa história ganhou o seguinte título: Feliz 1958 – O ano que não devia terminar. E não terminou. O livro do jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, best-seller no final da década de 1990, inspira a comédia musical 1958 – A Bossa do Mundo é Nossa!, dirigido por André Paes Leme. A realização é da Sarau Agência, de Andréa Alves, e da AVeiga, da atriz Andrea Veiga, que integra o elenco de seis atores, ao lado de Bianca Byington, Daniela Fontan, Diego de Abreu, Leandro Castilho e Mateus Lima. A estreia é em 27 de setembro, no Teatro Laura Alvim, com patrocínio da Light. No dia 28, às 19h, Joaquim Ferreira autografará livros no teatro.

O livro, lançado em 1997, não se preocupava com a cronologia e era dividido por temas, como “Misses”, “As certinhas do Lalau” e “As dez mais elegantes”, para ficar só nos capítulos dedicados à beleza feminina. André espalhou os assuntos por seis ciclos, que são balizados pelos sete gols da final da Copa do Mundo, a primeira vencida pelo Brasil (5 a 2 contra a anfitriã Suécia) e que nos afastou do que Nelson Rodrigues chamava de “complexo de vira-latas” – consequência da derrota no Maracanã, oito anos antes, para o Uruguai.

 “É uma comédia musical, um espetáculo de variedades em que os quadros se sucedem”, explica o diretor. “Vamos passando por vários assuntos, como a bossa nova, os concursos de misses, a construção de Brasília, a escolha do Papa, a juventude transviada e outros.”

 Em 1958, João Gilberto lançou o compacto de “Chega de saudade”; Adalgisa Colombo foi eleita Miss Brasil e ficou em segundo lugar no concurso de Miss Universo; as obras da nova capital do país avançaram com rapidez no planalto central; João XXIII sagrou-se Papa; e James Dean deu as cartas no imaginário dos garotões, que às vezes se perdiam, como no caso dos dois que se envolveram na morte da jovem Aída Curi, que se jogou ou foi jogada do terraço de um prédio em Copacabana.

 Tudo isso é envolto, na encenação, em referências da época como os jingles publicitários (Toddy, Casas Pernambucanas, colírio Moura Brasil e outros), as peças marcantes (Os sete gatinhos, de Nelson Rodrigues, e Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri), as vedetes do teatro de revista e, também, em objetos como rádio, TV, telefone, enceradeira e máquina de escrever.

 André optou por utilizar pouco texto e muitos recursos gestuais e visuais, evitando assim o didatismo. Mas as histórias de 1958 estão no palco, costuradas por personagens como uma dona de casa, uma fã de auditório de rádio e uma cantora de boate.

 “O espetáculo é totalmente baseado na pesquisa do Joaquim. Será possível recuperar a memória de 1958 para os que viveram a época e despertar o interesse dos que não viveram”, diz o diretor.

 Andrea Veiga comprou os direitos de adaptação do livro há dois anos e correu atrás de patrocínio, até encontrar a Light. Apesar de sua experiência em musicais, diz que está atravessando um momento inédito em sua carreira.

 “Nunca tinha vivido um processo desse tipo, com todos criando juntos a peça, e todos com funções importantes. Está sendo maravilhoso”, afirma ela.

 Com orientação do diretor musical, Marcelo Alonso Neves, Andrea e o restante do elenco interpretam canções como “Meu mundo caiu”, “Castigo”, “Só louco”, “Sábado em Copacabana” e “Beija-me”.



 Joaquim Ferreira dos Santos deu liberdade total para a adaptação do livro, que era, no início, um projeto sobre a morte de Aída Curi. Ele diz ter percebido que o caso era “o grande bode de 1958, de resto um ano felicíssimo”.

 “Mudei o livro e fiz um perfil de 1958, o ano da bossa nova, da Copa do Mundo e da convivência pacífica entre gêneros culturais opostos: a chanchada continuava em cartaz, mas o cinema novo começava a produzir; o teatro ainda estava cheio de vedetes, mas começou a compartilhar a cena com o Arena e o Oficina. Foi o ano em que o Brasil, com a revista Manchete publicando as primeiras construções de Brasília, foi se despedindo de seu passado rural e embicando para o que conhecemos hoje, um país moderno e urbano”, diz o autor.

SERVIÇO 

1958 - A Bossa do Mundo é Nossa!

FICHA TÉCNICA
Inspirado na obra “Feliz 1958”, de Joaquim Ferreira dos Santos
Roteiro e direção: André Paes Leme
Elenco: Andrea Veiga, Bianca Byington, Daniela Fontan, Diego de Abreu, Leandro Castilho e Matheus Lima
Músicos: Evelyne Garcia, Tiago Calderano e Leandro Vasques
Direção de movimento: Márcia Rubim
Direção musical: Marcelo Alonso Neves
Direção de Produção: Andréa Alves
Cenário: Carlos Alberto Nunes
Iluminação: Renato Machado
Figurinos: Kika Lopes
Videografismo: Renato Vilarouca  e Rico Vilarouca
Realização:Aveiga Produções e Sarau Agência de Cultura Brasileira

SERVIÇO
Estreia para convidados: 26 de setembro
Estreia para público: 27 de setembro
Noite de autógrafos com Joaquim Ferreira do Santos: dia 28/09, às 19h
Local: Teatro Laura Alvim (Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema)
Informações: (21) 2267-4307
Horários: sexta e sábado, às 21h, domingo, às 20h
Ingresso: R$ 40,00
Capacidade: 245 lugares
Bilheteria: terça a sexta, das 16h às 21h, sábado, das 15h às 21h, domingo, das 15h às 20h
Duração: 80 minutos
Gênero: comédia musical
Classificação: 12 anos
Sinopse: Em seis ciclos, a comédia musical repassa os principais acontecimentos de 1958, como a primeira Copa do Mundo conquistada pelo Brasil, o início da bossa nova, a construção de Brasília e os concursos de misses.
Temporada: de 27 de setembro a 22 de dezembro


Música Recife: Batida Salve Todos



domingo, 22 de setembro de 2013

Opinião Cinema: Cine Holliúdy


Por Calila das Mercês,
de Salvador




Vou ao cinema e vejo um cartaz interessante, cuja maioria de atores são desconhecidos e propondo-se a apresentar um filme de comédia. Acostumada a ver sempre filmes brasileiros, em que predominam cenários sulistas, favelas e afins, deparo-me com uma caatinga cearense, numa cidade chamada Pacatuba e que trás como grande desafio da trama, a realização do sonho de um homem comum que é a abertura de um cinema. Bem, fiquei surpresa com as notícias que Cine Holliúdy alcançou a maior bilheteria NACIONAL da última semana em um país que raras vezes valoriza uma produção experimental e mais surpresa ainda por ser experimental feita no nordeste, região, por vezes, marginalizada. Um filme cômico que conseguiu divertir e também levar às pessoas reflexão sobre a situação do cinema brasileiro (salas de projeção e  produção de filmes) e a nossa sociedade (tão estereotipada e aparentemente previsível). Apenas algumas ressalvas: acredito que as legendas não traduzem exatamente o cearês, penso que a tradução poderia ser revista. No mais, creio que pequenos ajustes resolveria probleminhas técnicos, que não tiram a qualidade da história e os méritos da direção e roteiro. 

Mais de 22 mil espectadores foram aos cinemas para ver a estreia de Cine Holliúdy, do diretor Halder Gomes, superando o filme da Globo Filmes, também de comédia, A Casa da Mãe Joana 2, em cartaz em praticamente todos os cinemas brasileiros, ao contrário do filme cearense que estreou apenas em 10 salas locais. O longa foi lançado em 9 de agosto deste ano em Fortaleza e em algumas cidades de sua região metropolitana.

1970, interior do Ceará, ascensão dos aparelhos de TV e o desejo de “abrir” uma sala de cinema. Esta é a saga de Francisgleydisson, vivido por Edmilson Filho, que em toda a trama chama a atenção pela atuação tão viva, em que incorpora um verdadeiro contador de histórias que quer realizar o grande sonho de levar o que chama de “7ª arte” para o povo. Miriam Freeland, Joel Gomes e Roberto Bomtempo também atuam no longa, respectivamente, como Maria das Graças, a mulher, o filho do sonhador, Francisgleydisson Filho e  Olegário Elpídio, o prefeito da cidade.



Antes de ser desenvolvido para um longa-metragem, o filme foi feito numa versão menor, curta-metragem com ajuda de edital de baixo orçamento do Ministério da Cultura em 2009. Participou de 80 festivais de 20 países e ganhou 42 prêmios. “Nos festivais, os críticos me animaram e falaram que tinha que fazer um longa-metragem desse filme e, realmente, tinha muito material para isso”, afirmou o diretor Halder.

Segundo o diretor, apesar do grande sucesso do filme (popularidade de temas e personagens nordestinos que falam em “cearês” e retratam situações típicas da região), o filme tem problema de distribuição, não há ainda garantias de exibição nos cinemas de todo o país. Para saber se o filme já está em cartaz perto da sua casa, confira a fanpage aqui!

Teatro Porto Alegre: A Alma Imoral




Há mais de sete anos em cartaz, volta aos palcos de Porto Alegre, o espetáculo “A Alma Imoral”, uma adaptação de Clarice Niskier para o livro homônimo de Nilton Bonder. 

Com humor e delicadeza, Clarice leva à cena as reflexões do rabino, contando sua primeira impressão ao ler a obra e fazendo suas próprias indagações com a plateia.

Niskier escreveu a peça com o intuito de mobilizar o pensamento e a emoção do espectador moderno a partir da construção e desconstrução de conceitos como corpo e alma, traidor e traído. A base do texto é formada pelo velho testamento, as parábolas de sabedoria judaica e informações histórico-científicas. A oposição está no cerne do espetáculo, que flerta entre a religião e a biologia.

Sozinha no palco, Clarice fica em contato direto com a plateia para contar histórias e parábolas da tradição judaica. A atriz tem apenas uma cadeira e um tecido preto que se transforma nos mais variados figurinos.

A peça já foi vista por mais de 260 mil pessoas e já está com mais de sete anos em cartaz, por sua atuação, Niskier ganhou o prêmio melhor atriz dramática (Qualidade Brasil - 2008/SP)  e melhor atriz (prêmio Shell 2007/RJ). No palco, a atriz faz uso do próprio corpo, de uma cadeira e de um tecido preto que a permite passear por diversos figurinos. Ela é responsável pela adaptação, concepção cênica e interpretação. A supervisão de cena é de Amir Haddad, com música e produção de José Maria Braga e produção local de San Lopez e Carambola Produções.

Serviço:

Theatro São Pedro – Praça Marechal Deodoro, s/nº Praça da Matriz – Centro – POA
Tel.: (51) 3227 5100
Dias 04 e 05 de outubro às 21h - Dia 06 de Outubro às 18h.
Menores de 18 anos  somente acompanhados por responsáveis.
Ingressos:
Plateia: R$ 60,00
Camarote Central: R$ 50,00
Camarote Lateral: R$ 40,00
Galeria Central e Lateral: R$ 30,00
**50% desconto para Associação do Theatro São Pedro (100 Ingressos)
**50% desconto para os primeiros 100 ingressos Clube do Assinante ZH (Titular)
**20% desconto para os demais ingressos Clube do Assinante ZH (Titular e acompanhante).
**10% desconto SINDEC-RS (100 ingressos).

Seminário Porto Alegre: Tragédia e a Cena Contemporânea



Cinema Belém: Roda Peão



Quadrinhos Macapá: Noite do Zine



sábado, 14 de setembro de 2013

"Só uma fotinho!"

Reinaldo Gianechini no primeiro dia
do Rock in Rio - 13.9.13

Eu fico imaginando que realmente é difícil alguém que atingiu certo nível de notoriedade conseguir fazer as coisas mais simples do dia-a-dia. Só fico imaginando, porque é improvável que eu fazendo o que faço (escrevendo na internet sobre cultura independente) eu venha a sofrer com o assédio de fãs (risos). Na verdade, a idéia deste artigo é propor uma reflexão a partir de um fato que aconteceu comigo, reforçado por duas publicações recentes sobre o mesmo tema. 

O fato que aconteceu comigo ocorreu perto de 6h30 da manhã do dia 12 de setembro. Eu estava na área de embarque do aeroporto Santos Dumont (Rio de Janeiro), esperando o vôo para Belém, quando vi sentar numa cadeira a uns 50 metros de mim o cantor Milton Nascimento e duas mulheres, uma aparentando meia idade, a outra mais nova. Decidi ir até eles pedindo para tirar uma foto com Milton. 

Me aproximei do grupo com o celular na mão para já deixar evidente minha intenção, logo compreendida pela senhora de meia idade, que já foi me desincentivando - "Ah, agora não! Talvez depois!" Respondi que compreendia perfeitamente, e que se não fosse mesmo possível estaria tudo bem. Pouco depois, a senhora saiu para talvez resolver alguma coisa, e não retornou até que fui chamado para o embarque. Ainda olhei na direção de Milton, mas como ele estava de óculos escuros ficava difícil saber se ele estava de fato olhando para mim. De todo modo, nem ele nem a moça que ficara fizeram qualquer menção de que eu me aproximasse, então segui para meu avião. Resisti à tentação de fazer uma foto "roubada", sem que ele percebesse.

Devo dizer que é muito raro que eu peça foto com celebridades que eventualmente encontre. Acredito que, fora do palco, no dia-a-dia, o artista tem direito a seu sossego. Dois dias antes, por exemplo, havia visto o cantor Danilo Caymmi com um amigo numa cafeteria em Copacabana e não pedi para tirar foto (assim como não o fizera quando vi Danilo na área de café da manhã de um hotel em Salvador onde eu também estava hospedado, em novembro de 2007 - se bem que na época eu não tinha celular que tirasse foto). Então o que me fez levantar e pedir a foto a Milton? Não sei. Talvez o fato de que eu admire mais Milton do que Danilo, mas com certeza a convicção de que (o eventual incômodo) seria "rapidinho". Que me parece ser uma das bases do "direito à foto" que os fãs julgam ter. A outra base é justamente a notoriedade do artista. 

Foi isto que gerou um ligeiro incidente ontem, no primeiro dia do Rock in Rio, conforme noticiado pelo site Ego. Reproduzo aqui a republicação do site 180graus.com, ilustrada com a foto que abre este post:

Gianecchini curte show no meio da galera e se nega a posar com fã
'Entende, por favor. Estamos aqui conversando', disse o ator para uma admiradora

Assim que começou o show de David Guetta, Reynaldo Gianecchini seguiu para a pista com uns amigos - entre eles Ildi Silva e Lucas Malvacini - para curtir a apresentação do DJ.

Durante os poucos minutos que permaneceu na pista, o ator foi abordado por alguns fãs, que tiveram que ouvir um "não" do ator, que se recusou a posar para fotos com seus admiradores.

"Imagina se eu paro para tirar foto com todo mundo? É muito chato", disse ele para uma das admiradoras. Para uma fã mais insistente, Gianecchini tentou explicar: "Entende, por favor. Estamos aqui conversando". Após menos de dez minutos na pista, Giane e seus amigos voltaram para o camarote.

E na edição da revista Época que chegou às bancas hoje, há uma crônica, "A síndrome da foto pelo celular", assinada pelo escritor Walcyr Carrasco, autor da atual novela das nove da TV Globo, Amor à Vida, o que mostra que o assunto está mesmo na ordem do dia. Ele narra momentos de constrangimento pelos quais passou, incluindo duas moças que lhe pediram fotos quando ele, em meio a um evento literário no Rio Grande do Sul, tentava apenas... ir ao banheiro (Tive de implorar: "Tenho de ir ou vou fazer xixi na calça."). Carrasco também relata que foi xingado de "metido a besta" por uma senhora que o encontrou no aeroporto, quando ele estava falando ao telefone. Como ele pediu que ela esperasse, foi brindado com o epíteto. O novelista também arrisca uma explicação para o fenômeno: fãs consideram que alguém conhecido ou famoso tem obrigação de posar. E mais: sorrindo!

O fenômeno, que começou quando os telefones celulares passaram a ter câmeras fotográficas com resolução de imagem ao menos razoável (há cerca de dez anos, mais ou menos), parece não ter data para acabar, já que cada vez temos acesso a equipamentos mais modernos, permitindo fotos de resolução sempre melhor. E, hoje em dia, já com a possibilidade de envio direto para sites e redes sociais como Instagram, Facebook, Twitpic etc. Algo impensável há até quinze anos atrás, quando o máximo de incômodo reservado aos artistas era o pedido de fotos após um show, isso se alguém tivesse conseguido entrar com máquina fotográfica. Isto era proibido, por exemplo, no show que Roberto Carlos apresentou em Bento Gonçalves, RS, em maio de 1993. Quem levou máquina precisou entregar na portaria e só teve o equipamento de volta após o show. Não precisei passar por isso, já que deixei a minha em casa. :) 

Música Porto Alegre: Tabatha Fher



Exposição Porto Alegre: Aldo Locatelli: Auto-Retrato e Estudos de um Mestre

Estudos para a obra “Negrinho do Pastoreio”,

que  decora o Palácio Piratini, na Capital gaúcha


Um dos grandes nomes da pintura mural brasileira será homenageado, em setembro, pelo marchand Jorge Karam, da Sala de Arte, um dos espaços tradicionais dedicados à pintura de mestres gaúchos, em Porto Alegre. Intitulada Aldo Locatelli: Autorretrato e Estudos de um Mestre, a exposição reúne 14 trabalhos a lápis e pincel atômico e um autorretrato, pintado a óleo pelo cultuado pintor ítalo-brasileiro. A mostra inaugura no dia 23 de setembro, permanecendo aberta à visitação até 30 de novembro de 2013, sempre das 9h às 12h e das 14h às 19h, de segunda a sexta e sábado das 9h às 13h.

A mostra “Aldo Locatelli: Autorretrato e Estudos de um Mestre”  irá reunir os estudos de Locatelli para os painéis da “Via Sacra”, feitos para a Igreja São Pelegrino, em Caxias do Sul; a pintura “Negrinho do Pastoreio” e da obra “Formação do Rio Grande”, que decoram o Palácio Piratini, na Capital gaúcha; entre outros. Ancorando os 14 desenhos a lápis e pincel atômico, exibe-se um vigoroso autorretrato, pintado a óleo, datado, aproximadamente, de 1945.

Aldo Locatelli

Aldo Daniele Locatelli nasceu em Villa d’Almé, na Itália, em 18 de agosto de 1915 e faleceu em Porto Alegre, em 3 de setembro de1962. Veio para o Brasil em 1948, recomendado por Dom Ângelo Roncalli, núncio apostólico do Vaticano (mais tarde Papa João XXIII), a convite de Dom Antônio Záttera, bispo de Pelotas, para pintar a Catedral São Francisco de Paula de Pelotas. Naquela época ele estava trabalhando na Catedral de Gênova, na Itália. A esta grande obra, iriam se suceder outras em igrejas e prédios públicos de Porto Alegre, Caxias do Sul, Santa Maria, Novo Hamburgo, São Paulo e outras localidades brasileiras, que acabariam por notabilizá-lo, principalmente, por seus afrescos e painéis. Locatelli, que tinha intenção de retornar para a Itália, acabou gostando do Brasil e fixou residência no Rio Grande do Sul.

Foi um pintor de grande importância no cenário artístico do Rio Grande do Sul, onde passou a fase final de sua carreira. Nascido em família de modestos recursos, recebeu uma sólida preparação artística em academias italianas celebradas. Herdeiro das tradições clássicas e renascentistas, também recebeu influências maneiristas, barrocas e modernistas. A partir disso criou um estilo figurativo original, que aliou expressividade narrativa e monumentalidade, em grandes murais e obras de cavalete espalhados pela Itália e Sul do Brasil.

Abordou preferencialmente a temática religiosa, decorando vários templos no Rio Grande do Sul, mas deixou obras importantes também no campo do retrato e da cena histórica, nos quais exalta a formação histórica e étnica do povo rio-grandense.

Entre os edifícios religiosos que decorou estão a Catedral de Santa Maria (1954), a Igreja de Santa Teresinha (1957), a Catedral de Novo Hamburgo (1959), a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes (1960), e a Catedral de Porto Alegre. Entre os edifícios civis estão a Reitoria e o Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1958), e o antigo Aeroporto Salgado Filho, com obras de caráter histórico ou alegórico. Em Caxias do Sul trabalhou em vários locais, destacando-se os murais do antigo pavilhão de exposições da Festa da Uva (hoje a Prefeitura, 1954) e o que é considerada sua obra-prima: a decoração da Igreja de São Pelegrino, composta por um vasto ciclo de afrescos com vários episódios bíblicos, que lhe custou dez anos de trabalho, e uma Via Crucis pintada em tela entre 1958 e 1960, considerada sua criação mais arrojada, que incorpora elementos do Modernismo com que entrara em contato no Brasil. Sua última obra foi a pintura do quadro Sagrado Coração de Jesus, que ficou inacabado devido ao seu falecimento.

SERVIÇO:

O Quê: Aldo Locatelli: Auto-Retrato e Estudos de um Mestre”. Exposição reunindo 14 desenhos a lápis e pincel atômico e um autorretrato, a óleo, de Aldo Locatelli

Quando: De 23 de setembro a 30 de novembro de 2013. Visitação das 9h às 12h e das 14h às 19h, de segunda a sexta e sábado das 9h às 13h

Onde: Sala de Arte de Porto Alegre (Cel. Bordini, 907), Fone (51) 3330.4763

Quanto: Entrada franca

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Música Crato (CE): Independência ou Rock


Abertura: Banda Sem Nome, do Crato, a partir das 21h.

Ingressos:
Antecipados - 15 reais
Pontos de venda: Crato - Locadora 7ª Arte; Juazeiro do Norte - Locadora Avalon
Na hora, o ingresso será 20 reais