quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Oficinas Salvador: Teatro


Estão abertas as inscrições para as oficinas de teatro gratuitas, promovidas pelo KulturTour, projeto realizado pelo Ministério de Cultura e o Instituto Goethe que leva a 17 cidades do Brasil um centro cultural itinerante. As aulas serão ministradas por  Juliane Elting e Katarina Schroeter, atrizes com experiência em cinema, dança e performance. 

Para se inscrever, o candidato deverá preencher a ficha de inscrição, disponível em http://espacoxisto.files.wordpress.com/2013/10/ficha_de_inscric3a7c3a3o_teatro.doc e encaminhar para o e-mail pat@bungalowagency.com

Serão oferecidas o total de 30 vagas. As oficinas são direcionadas a adolescentes e jovens com faixa etária de 10 a 25 anos. Inscrições podem ser feitas até o dia 3 de novembro. Menores de idade devem encaminhar também informações, como nome completo e telefone de contato, dos pais ou responsável.

Serviço
Projeto KulturTour – Oficinas de teatro
Quando: 06 a 09 de novembro de 2013 – 14h às 18h
Onde: Centro Cultural Vereador Manuel Querino, segundo subsolo, s/n – sala Barroquinha – Praça Tomé de Souza – Pelourinho

Para quem: Adolescentes e jovens com faixa etária de 10 a 25
Inscrições: Gratuitas – vagas limitadas
Informações: www.kulturtour.com.br

Música Rio de Janeiro: Casuarina e Roberta Sá


Música São Paulo: Choro na Manhã


Música Ribeirão Preto: Larissa Baq


Música Salvador: 40 anos do Ilê Aiyê


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

E por falar em biografias

Eu estava há algumas semanas pensando se deveria escrever sobre a polêmica das biografias. Quase concluí que não precisava, afinal minha posição é muito semelhante a de muitos que já escreveram sobre o tema - o de que a publicação de biografias, bem como de qualquer outro escrito sobre o que quer seja, deve ser livre, e quem cometer abuso deverá responder na forma da lei.

Só me resolvi a abordar aqui o assunto porque vi na noite deste domingo a entrevista de Roberto Carlos ao programa Fantástico (TV Globo), onde o artista pela primeira vez falou ser favorável à publicação de biografias sem necessidade de autorização prévia, porém defendendo que biógrafo e biografado conversem, para chegar a um acordo (e, como bem destacou a jornalista Renata Vasconcelos em sua locução off, sem chegar a explicar que acordo seria este).  Mas, enfim, não deixa de ser um avanço, considerando que Roberto em 2007 obteve na Justiça o direito de recolher das livrarias a obra Roberto Carlos em detalhes (capa ao lado), lançado no ano anterior por Paulo Cesar de Araújo. Perguntado por Renata se hoje liberaria a obra, Roberto disse que isto também teria que ser conversado. Mesmo proibido, o livro pode ser encontrado à venda em alguns sites (e também lido na íntegra neste link) - o que certamente foi o motivo de Roberto se opor às indenizações, alternativa geralmente apontada como a melhor solução pelos defensores da liberação das biografias. A oposição de Roberto é porque, depois de publicado, o texto, antes de uma eventual apreensão, já terá sido lido em papel e na internet.

Devo dizer que recebi a notícia da proibição do livro de Araújo, há seis anos, com preocupação, sim, pelo precedente que abria (era, senão me engano, o primeiro caso do gênero após a promulgação do novo Código Civil, em 2002, pois o embargo da biografia que Ruy Castro escreveu sobre Garrincha foi anterior). Com preocupação, mas sem surpresa. Nos anos 1990, creio que em 1994,  Roberto obteve também na Justiça a interrupção de uma série de artigos biográficos a seu respeito que o jornal  Notícias Populares (São Paulo) vinha publicando. Mas antes disso, eu já sabia que o tema ao menos não era dos que mais despertam entusiasmo em Roberto. Digo isto porque aproveitei a passagem do artista por Bento Gonçalves (RS), onde eu morava na época, em maio de 1993, para lhe entregar uma carta na qual eu me propunha a... escrever sua biografia! ("Lhe entregar" é modo de dizer, evidentemente, o que fiz foi deixar o envelope com seguranças do Ginásio Municipal, onde o show ocorreu, que ficaram de entregar para a produção do show). Como algum tempo se passou sem resposta (até porque nem sei se quem ficou com a carta fez com que ela de fato chegasse a Roberto), minha mãe conseguiu para mim o endereço do escritório do cantor em São Paulo, para onde remeti uma cópia, que também não obteve retorno algum. O mesmo acontecendo quando, após publicar no site Brasileirinho em 17 de outubro de 2002 minha monografia de conclusão do curso de Comunicação Social - Jornalismo na UFRGS, mandei um e-mail endereçado ao artista através de seu site oficial. Elaborada em 2001, a monografia investiga a faceta religiosa da obra de Roberto Carlos - o trabalho pode ser lido em http://www.brasileirinho.mus.br/artigos/roberto.html

Não é só sobre biografias

Assim como as passeatas que tomaram conta do país em junho passado não eram só pelos 20 centavos a mais na passagem de ônibus, a polêmica atual não é só sobre as biografias - e nem poderia ser, afinal convenhamos: num país onde somos 194 milhões de habitantes (conforme estimava o IBGE há dois anos), os livros são lançados com tiragem média de 1 a 3 mil exemplares, sendo considerado extraordinário que o novo romance da escritora Leticia Wierzchowski, Sal, um prólogo, chegue ao mercado com 20 mil. O público leitor brasileiro, infelizmente, não ultrapassa a casa das dezenas de milhares - e nem todos, é evidente, se interessam por ler biografias. Além disso, não é da nossa tradição que os biógrafos tenham por objetivo caluniar ou publicar inverdades sobre os biografados, uma das preocupações dos artistas reunidos na associação Procure Saber (além de Roberto Carlos, fazem parte do grupo Caetano Veloso, Chico Buarque, Djavan, Erasmo Carlos, Gilberto Gil e Marisa Monte). Curiosamente, não vi nenhum membro do grupo até agora se pronunciar contra a chamada "imprensa marrom" - jornais, revistas e sites especializados na cobertura de "celebridades" (???), que são, eles sim, mestres em expor de forma negativa a vida dos artistas. Na semana que passou, por exemplo, a imprensa marrom brasileira se empenhou em demonstrar que uma atriz teria sido a causa da separação de um casal de colegas seus; mesmo com as negativas do trio, não houve nem o desmentido por parte dos veículos, muito menos sua apreensão das bancas - e todos esses veículos tem tiragem muito superior ao livro da Leticia Wierzchowski.

A questão é que o artigo 20 do Código Civil, que os editores brasileiros apontam como inconstitucional (causa que o Supremo Tribunal Federal irá julgar nos dias 20 e 21 de novembro), nem chega a falar em biografias:

"Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais."

Ora, se não se puder publicar nada que exponha a palavra ou a imagem de ninguém, sem autorização, o próprio exercício do jornalismo estará inviabilizado no nosso país! O artigo é francamente inconstitucional, e me admira que para revogá-lo o STF leve tanto tempo e ainda se proponha a, antes de examinar a questão, fazer uma consulta pública. Isso depois que o próprio presidente do tribunal, Joaquim Barbosa, apresentou sobre a questão opinião idêntica à que expressei no primeiro parágrafo: não deve haver censura prévia, cabendo à Justiça reparar os danos que porventura ocorrerem (assim como é em todos os outros países democráticos do mundo).

Outro fator que me leva a afirmar que a questão não se esgota nas biografias é um caso que me aconteceu em fevereiro de 2005, quando eu iria realizar uma palestra sobre Pixinguinha na Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul (Porto Alegre) - desde o ano anterior, já palestrara sobre vida e obra de Roberto Carlos, Vinicius de Moraes e Caetano Veloso. Na véspera do evento, recebi um e-mail de um escritório carioca que representava os interesses dos herdeiros de Pixinguinha, estranhando que eu não houvesse pedindo autorização para realizar a palestra, e mostrando especial preocupação com o fato de que eu anunciara que iria exibir imagens do músico. De imediato, consultei uma amiga advogada, que me informou do tal artigo 20 (que eu até então desconhecia), e respondi ao escritório que as imagens nada mais eram que dois breves trechos do filme Pixinguinha dirigido por João Carlos Horta em 1969, trechos que gravei em programas exibidos em rede nacional pela TV Cultura (São Paulo). Tão breves que não chegavam, somados, a um minuto - inclusive (mas isso eu não disse) exibidos novamente na TVE-RS (Porto Alegre) no começo daquela tarde, durante a entrevista que concedi para divulgar o evento. O escritório respondeu solicitando que dali em diante eu me abstivesse de agendar palestras sobre Pixinguinha, do contrário eles tomariam as medidas judiciais cabíveis. Pelo sim, pelo não, conversei com a Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul e decidimos cancelar o evento. 

Foi a partir daí que decidi deixar de realizar palestras sobre figuras da cultura brasileira, e direcionar para temas mais abrangentes - por exemplo, a palestra seguinte, em março, foi intitulada Música Brasileira nos Períodos Ditatoriais do Século XX...


domingo, 27 de outubro de 2013

Exposição Salvador: 100x100 Carybé ilustra Jorge Amado

Por Calila das Mercês, 
de Salvador

Convite para a abertura
da mostra

No campo das artes é muito comum encontrar diversos tipos de parcerias no que tange a criação artística. Os exemplos são famosos e variados: Caetano e Gil, Vinicius e Tom Jobim (composição e música), Oswald de Andrade e Pagu (poesia e artes visuais), Dalí e Buñuel (artes plásticas e cinema), entre tantos outros.

De forma integrada, na Bahia, uma das parcerias artísticas mais consagradas engloba duas linguagens artísticas: literatura e artes plásticas. Os nomes: Jorge Amado e Carybé. Um baiano e outro argentino, unidos pelas diversas referências a arte popular e ao candomblé, entrelaçados na exposição “100x100 Carybé ilustra Jorge Amado”, que acontece na Galeria Solar do Ferrão (Pelourinho), de terça a domingo.

Ainda em comemoração ao centenário dos dois artistas, a exposição, que já passou por Ilhéus, reúne uma série de painéis com as obras dos dois Ibejis da Bahia (irmãos). Utilizando as referências afro como uma fonte de inspiração inesgotável, são apresentados painéis e fotografias dessa união criativa. Aí se incluem desenhos de Carybé para edições de Gabriela, O Sumiço da Santa, Quincas Berro D’água, Jubiabá. Além disso, podem-se ver as magníficas aquarelas para a edição do aclamado livro infantil de Jorge Amado, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá.

Organizada por Solange Bernabó, filha de Carybé, a exposição também traz delicadas curiosidades sobre as obras dos dois parceiros-irmãos.

Serviço

Exposição “100×100 Carybé Ilustra Jorge Amado”
Onde: Solar Ferrão – Rua Gregório de Matos, 45, Pelourinho. Salvador-BA

Visitação: De terça a sexta, das 12h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h
Até 24/11

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Ajude as vítimas do incêndio de Macapá!

Um incêndio atingiu na tarde de ontem o bairro do Perpétuo Socorro, zona leste de Macapá. Iniciado perto de 16h, o fogo só foi controlado por volta das 21h. A estatística oficial informa que foram atingidas 271 famílias, num total de 972 pessoas, das quais 45 são idosas e 143 crianças de 0 a 5 anos. Há quem diga, porém, que o número de desabrigados pode chegar a 2 mil. 


A população está se mobilizando para ajudar os desabrigados. Já se comenta sobre a realização de shows beneficentes; a cantora Lia Sophia já se colocou à disposição para participar. Quando os eventos estiverem confirmados, serão noticiados no blog Som do Norte.

Foto: Mariléia Maciel

Enquanto isso, você pode ajudar de várias maneiras:

Quem mora ou não em Macapá pode contribuir através desta conta aberta pela Prefeitura da capital: 



Quem mora em Macapá pode levar donativos (produtos de primeiros socorros, de higiene pessoal, alimentos, água, produtos de limpeza, roupas usadas, fraldas, calçados, colchões, redes etc) para os seguintes locais:

- Ginásio Paulo Conrado - Rua General Rondon, perto da Ueap, loja Boticário, restaurante Sarney, Colégio Amapaense e Praça da Bandeira

- Centro Arco-Iris

- Colégio Podium

- Sede da OAB

- Jornal Diário do Amapá

- Igrejas Reviver e Assembléia de Deus

- Igrejas São Benedito e Perpétuo Socorro

- Centro Diocesano de Pastorais - rua Mãe Luzia entre Leopoldo Machado e Hamilton Silva

- Escolas Mário Andreazza, Edgar Lino, São Benedito

- Secult – na Procópio Rola, atrás da SEED

- Grupo Eureca – Av. Mato Grosso, 7 – Pacoval

- TRE-AP

As doações também podem ser feitas nas unidades do SIAC (Sistema Integrado ao Atendimento ao Cidadão) Super Fácil:

- Unidade Centro: Rua Cândido Mendes, 448, Centro

- Zona Norte: Rodovia 156, 891, São Lázaro

- Zona Sul: Rua Claudomiro Moraes, s/nº, Novo Buritizal

- Unidade Beirol: Rua Jovino Dinoá, s/nº, Beirol

- Unidade Santana: Avenida Santana, 02, Área Portuária

Música Porto Alegre: Música de Cena


Teatro Macapá: A Era


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Entrevista: Katherine Funke

Por Calila das Mercês,
de Salvador



“Pra mim, escrever é reinventar nosso absurdo”, afirma Katherine Funke, em Notas mínimas. Gentil, atenciosa, acessível. Talentosa, esforçada e interessante. Mais que isso, Katherine Funke é uma expressiva escritora que faz a sua arte com prazer e dedicação. Esta jovem artista (digo artista, porque para mim literatura é arte!) tem se destacado no meio literário com seus escritos que demonstram um conhecimento interior surpreendente. Nasceu em Joinville, Santa Catarina, em 1981, há 10 anos reside em Salvador, na Bahia. Como jornalista, foi repórter do jornal A Tarde, participando do projeto da Revista Muito. Em 2011, escreveu o livro Sem pressa, projeto selecionado pela bolsa Funarte de Criação Literária 2010 – categoria gênero narrativo. Em agosto esteve em residência artística em Florianópolis, pelo projeto “Viagens na Barca”, atividade da Bolsa Interações Estéticas - Residências Artísticas em Pontos de Cultura, da Funarte. Recentemente, lançou o mais novo livro Viagens de Walter e de outubro até dezembro deste ano ministra a Oficina de Escrita Criativa: Contos em Lauro de Freitas, na Bahia. Na entrevista, ela falou sobre a literatura, os projetos e um pouco das novidades das suas andanças pela Europa.

Calila das Mercês - Como surgiu a paixão pela literatura?
Katherine Funke - Livros e histórias estiveram em todos os dias da minha infância. Gostava de ler e também de ouvir outras pessoas contando suas lembranças, desejos, frustações, aventuras. Aos sete anos fiz meu primeiro livro, com capa ilustrada por mim mesma e tudo... Simultaneamente, surgia minha vocação para o jornalismo, profissão que exerço ainda hoje em diferentes funções. 
Calila das Mercês - O que pretende com sua arte?
Katherine Funke - Em primeiro lugar vem a autoexpressão. É um pouco egoísta mas é um egoísmo generoso pois, se pensarmos bem, o melhor escritor é aquele que se comove ao se revelar - seja sofrendo ou se divertindo ou transcendendo ou satisfazendo o impulso vital de escrever sempre, a qualquer hora e a qualquer custo. Simplesmente escrevo porque preciso: faz parte de mim. Não penso muito em mercado ou no leitor ideal. Gostaria muito, contudo, que todos os leitores sejam tocados pela minha voz, minha escrita. Fico super feliz e agradecida quando recebo emails emocionados de leitores. Não nego, não. 
Calila das Mercês - Como você vê o cenário dos novos escritores no Brasil e na Bahia?
Katherine Funke - Temos cada vez mais escritores publicando livros, blogs, colunas em revistas eletrônicas etc. Tenho conhecido alguns realmente bons, pois me interesso pelos meus contemporâneos, vou atrás mesmo, leio tudo o que me parece interessante. Compartilho essa minha sede pelas narrativas e poéticas do nosso tempo sempre que posso. Acabo de fazê-lo na residência artística em Florianópolis e também na oficina de contos que iniciei agora no dia 19 para duas turmas de novos escritores da região metropolitana de Salvador. Entre os meus favoritos da Bahia estão Patrick Brock, Karina Rabinovitz, João Filho, Victor Mascarenhas, Davi Boaventura, Emmanuel Mirdad e Kátia Borges. De fora da Bahia, amo alguns que já não são exatamente novidade, embora ainda sejam relativamente novos para algumas pessoas, como Daniel Galera, Joca Terron, Verônica Stigger, Carlos Henrique Schroeder, Santiago Nazarian e Vanessa Bárbara. 
Calila das Mercês - Como foi a experiência na Feira do Livro de Frankfurt? Como você percebe a perspectiva do mercado europeu para o autor brasileiro?

Katherine Funke - Foi muito bacana ver o livro como mercado ilimitado, transacional, além de questões estéticas, teóricas e mesmo literárias em si. Para algumas pessoas talvez fosse um desencantamento perceber o livro como produto, o seu conteúdo como valor negociado em contratos de direitos autorais, tradução, publicação etc, mas isso não aconteceu comigo. Sou curiosa, investigativa e andei por tudo, assisti muitas palestras, conversas, fui até a um laboratório de autopublicação com executivos da Amazon e da Kobo. Estive pessoalmente com autores que amo e que me inspiram, com quem sempre aprendo algo como artista e mesmo como pessoa. Também conheci agentes literários abertos a representar autores brasileiros no exterior e estive no lançamento de um livro de uma editora de Berlim, Klaus Wagenbach, que contém um conto meu traduzido para o alemão. Tá certo que a festa era para os alemães, pois quase só se falava a língua deles. Mas fiquei feliz mesmo assim.


Calila das Mercês - Quais são suas próximas atividades? Algum projeto em vista?

Katherine Funke - Acabo de lançar um romance chamado Viagens de Walter, apenas em formato digital (epub) disponível para download no site da Solisluna Editora. Quero circular esse livro, lançar em algumas cidades, propor resenhas, interagir com leitores. Ele foi lançado no dia 21 de setembro, recém fez um mês. Gostaria muito de ver uma boa repercussão, mas isso é incontrolável, depende de muitas variáveis. Enquanto isso, continuo escrevendo. Quero publicar um livro de contos no ano que vem.


Teatro Rio de Janeiro: Sonhos de um Sedutor


Sucesso de público e crítica, “Play it again, Sam” estreou na Broadway em 1969. Três anos depois, chegaria às telas, com o mesmo elenco: Woody Allen na pele de Allan Felix, crítico de cinema que acaba de ser abandonado por sua mulher, Tony Roberts como o amigo Dick e Diane Keaton como Linda, sua esposa, por quem Allan se apaixona.

Com texto de Woody e direção de Herbert Ross, “Play it again, Sam” – a clássica frase que Humphrey Bogart não disse em “Casablanca” – traz o início de algumas das marcas registradas pelas quais o diretor americano seria reverenciado: a observação e ironia sobre o caleidoscópio de sentimentos e comportamentos humanos, o personagem neurótico, a subversão dos “finais românticos felizes”, a referência constante ao “analista”, homenagens aos clássicos do cinema e a mulher “proibida” como objeto de desejo. O espetáculo foi também o primeiro trabalho com umas de suas principais musas, Diane Keaton – consolidado nos anos seguintes em mais sete filmes, entre eles o premiado com quatro Oscars “Annie Hall” – com quem se casaria. 

Em 25 de outubro, sexta, sua versão brasileira estréia no Teatro Ipanema, pelas mãos do produtor Miguel Colker, que ano passado comprou os direitos da obra para o Brasil, e convidou Ernesto Piccolo para a direção. Para o elenco, Ernesto convocou atores cujo trabalho conhece de perto: Luana Piovani, que dirigiu na peça “Alice” e dividiu o palco em “A.M.I.G.A.S”, Heitor Martinez, atualmente na novela “Pecado  Mortal”, da Record, com quem atuou no filme “Como ser solteiro”; e Georgiana Góes, que acaba de gravar o remake de “Saramandaia” e no espetáculo se divide em sete personagens, personificando diferentes estereótipos de mulheres desejadas por Allan. Para o desafio de interpretar um personagem já vivido por Woody Allen, escolheu a dedo um novo talento: George Sauma, presença constante nos palcos cariocas.  

“Estava à espera da oportunidade de dirigir George. Já sabia o quanto seu talento é excepcional e múltiplo – além de atuar é excelente no sapateado e também músico – mas nos ensaios me surpreendi com um profissional dedicado e criativo, compondo esse personagem que trata com leveza das inseguranças, fantasmas, questionamentos, fantasias e também das imponderáveis possibilidades do amor com o coração”, comenta Ernesto.

George faz o franzino e inseguro Allan Felix, que parece ter saído de um cartoon de Jules Feiffer. Ele acaba de ser deixado por sua esposa Nancy (Georgiana Góes) que o acusa de ser só “um espectador da vida”. Entre uma dose de aspirinas e outra, é visitado pelo casal de amigos Dick (Heitor Martinez) e Linda (Luana Piovani) que tenta lhe apresentar novas garotas em encontros desastrosos, enquanto um imaginário Humphrey Bogart lhe dá conselhos sobre como tratar as mulheres – “Não tem segredo, garoto. Elas são tolas, mas nunca encontrei uma que não entendesse um tapa na cara ou uma coronhada de uma quarenta e cinco”. Allan acaba se aproximando de Linda, com quem compartilha afinidades – incluindo o afã por remédios - o que a leva a uma tensão ainda maior pela culpa em relação ao amigo.

Luana Piovani completa: “Já seria um presente dar vida a qualquer personagem de Woody Allen, mas Linda, além da honra de ter sido interpretada originalmente por Diane Keaton, me traz uma experiência totalmente nova à bagagem de atriz: É a primeira vez que levo ao palco o papel da mulher frágil, submissa e dependente do marido”. 

Ficha Técnica

Autor: Woody Allen
Tradução: Caulos
Direção: Ernesto Piccolo 
Elenco: George Sauma, Georgiana Góes, Heitor Martinez e Luana Piovani
Direção musical: Rodrigo Penna
Direção de movimento: Deborah Colker
Iluminação: Jorginho de Carvalho
Cenografia: Clivia Cohen
Figurino: Helena Araújo
Concepção de Maquiagem - Ton Reis

Serviço

Espetáculo: “Sonhos de um Sedutor”
Local: Teatro Ipanema (Rua Prudente de Morais, 824 – Tel.: 2267-3750)
Texto:  Woody Allen
Direção: Ernesto Piccolo
Elenco: George Sauma, Georgiana Góes, Heitor Martinez e Luana Piovani
Temporada: de 25 de outubro a 15 de dezembro
Horário: de quinta a domingo (quinta a sábado às 21h, domingo às 20h)
Categoria: Comédia
Preço: R$ 50,00 / Todos os moradores do Rio pagam meia entrada (R$ 25,00)
Classificação: Livre
Duração: 1h15m
Capacidade: 222 lugares
Bilheteria: quarta a domingo de 14h30 até o início do espetáculo ou pelo site www.compreingressos.com 
Forma de pagamento: somente dinheiro
Acesso para cadeirantes: sim
Estacionamento: não


Cinema Belém: Ferrugem e Osso


Alain (Matthias Schoenaerts), um boxeador que faz bicos para se sustentar, está desempregado e vive com o filho, de apenas cinco anos. Ele parte para a casa da irmã em busca de ajuda e logo consegue um emprego como segurança de boate. Um dia, ao apartar uma briga, ele conhece Stéphanie (Marion Cotillard), uma bela treinadora de orcas. Alain a leva em casa e deixa seu cartão com ela, caso precise de algum serviço. O que eles não esperavam era que, pouco tempo depois, Stéphanie sofreria um grave acidente que mudaria sua vida para sempre.

Ganhou o prêmio de melhor filme no London Film Festival e também foi indicado ao SAG Awards de melhor atriz (Marion Cotillard),  além de receber duas indicações ao Globo de Ouro, duas indicações ao BAFTA e nove indicações ao César, sendo vencedor em quatro categorias neste festival (Ator Revelação,  atribuído ao protagonista Matthias Schoenaerts, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Música Original e Melhor Montagem).

Título original: De rouille et d’os | Direção: Jacques Audiard | Roteiro: Jacques Audiard, Thomas Bidegain | Gênero: Drama | Ano: 2012 |  País: França/ Bélgica | Elenco: Marion Cotillard, Matthias Schoenaerts, Armand Verdure, Céline Sallette| Fotografia: Stéphane Fontaine| Trilha sonora: Alexandre Desplat | Produção: Jacques Audiard, Martine Cassinelli, Pascal Caucheteux | Distribuidora:  Sony Pictures| Cor: Colorido | Duração: 122 min. |  Classificação etária: 14 anos

Cine Líbero Luxardo
Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves | Av. Gentil Bittencourt, 650, Nazaré, Belém, Pará



De 23 a 27/10 (de quarta a domingo), às 19h


Ingressos: 8,00 (meia entrada para estudantes)

O Cine Líbero Luxardo dispõe de 82 lugares, com áreas para cadeirantes



sábado, 19 de outubro de 2013

Teatro Belém: O Assassinato de Machado de Assis



Música Rio de Janeiro: Boteco, a Festa



Especial #Vinicius100Anos: Visitando Vinicius na Bahia



Estive em Salvador nos dias que antecederam o centenário de Vinicius de Moraes, que morou na cidade no começo dos anos 1970, período em que foi casado com a atriz baiana Gessy Gesse. Não chegou a ser planejada (a viagem era para ter acontecido em abril) mas não deixou se ser uma feliz coincidência. Afinal, por sugestão de minha repórter Calila das Mercês, em vez de ficar no centro ou na área do Pelourinho, como faz a maioria, fui me hospedar justamente em Itapuã, bairro que o poeta cantou e onde viveu. Fã dele há pelo menos 35 anos (desde que, ainda no pré-primário, me coube decorar e declamar "O pato pateta"), eu sabia que Vinicius havia construído uma casa para viver com Gesse, e me propus a descobrir se a casa ainda existia ou então o que haveria sido feito dela, e também algo no bairro que remetesse à presença de Vinicius.

Não foi difícil obter estas informações: uma simples busca pelos termos "casa Vinicius Moraes Salvador" apontou que, sim, a casa ainda existe, sendo hoje um anexo do Mar Brasil Hotel, que a adquiriu em 2000. E, em frente ao hotel, há a praça Vinicius de Moraes, com uma estátua do poeta. Coloquei o endereço do hotel (R. Flamengo, 44, Farol de Itapuã) no Google Maps e tracei o roteiro para chegar lá a partir de onde eu estava, o começo da av. Dorival Caymmi, na chamada "praça da Sereia" de Itapuã. Pois bem, a praça se situa bem na orla, junto à av. Octávio Mangabeira.



Seguindo em sentido leste, você vai deparar, à sua esquerda, com a Praça Dorival Caymmi (sim, a "Praça Caymmi" que Vinicius cantou em "Tarde em Itapuã"). Mas não vi ninguém vendendo água de coco ali, isso você conseguirá nos quiosques da orla, em frente à praça. Não deixe de visitar bem ali do lado da praça uma igreja histórica, a de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, construída em 1646.





Saindo da praça Caymmi, atravesse a rua, passe pela Colônia de Pesca e siga pela rua Professor Souza Brito (antiga Estrada do Farol de Itapuã). Ela inicia na esquina com a rua Calazans Neto, que homenageia um artista plástico baiano amigo de Vinicius. Várias transversais da Souza Brito têm nomes que remetem às artes, como Rua da Poesia, da Prosa, da Música...








Farol da Barra, no ângulo de "visão"
da estátua de Vinicius na praça com seu nome

Perto do Farol de Itapuã (que me surpreendeu por ser bem pequeno e relativamente escondido, se comparado ao Farol da Barra), há uma curva protegida por guard-raills (mantenha-se na área protegida!) que leva diretamente à Praça Vinicius de Moraes, inaugurada há exatos 10 anos, por ocasião dos 90 anos de Vinicius. Ali fica uma estátua do poeta em tamanho natural, além de pedras com biografia, poemas e letras de músicas. Tirei fotos ali e me preparei para a etapa que poderia ser a mais difícil - conseguir visitar a casa de Vinicius, anexa ao hotel.






Uma pena a falta de 
conservação das placas...






O Blogger só tá aceitando 
estas duas imagens assim, "deitadas..."


Ops! 


O Mar Brasil Hotel é o único hotel que já vi na vida onde você não tem acesso direto à portaria, há um portão com um interfone que você aciona pedindo para entrar. Acionei, pedi, entrei e falei com um mensageiro que queria conhecer a casa do Vinicius. Ele pediu que eu me dirigisse ao balcão. Para a senhora que me atendeu, já me identifiquei como jornalista e não houve dificuldade alguma. Ela me presenteou com um folder que tem o poema "A Casa", de Vinicius, e o histórico do imóvel, e chamou o mesmo mensageiro com quem eu já falara, que me conduziu até a casa anexa. Pelos corredores, há obras de autores como Calazans Neto e Carybé, além de algumas fotos de Vinicius.






A casa de Vinicius em Itapuã foi erguida em 1974, e é mantida preservada pelo hotel desde que a comprou, há 13 anos. Uma sala logo na entrada funciona como "business center", ou seja, é oferecida aos hóspedes para realização de reuniões e como escritório. Os antigos cômodos da casa hoje são quartos do hotel. Há uma especial atenção para o quarto do casal Vinicius e Gesse, que hoje é a Suíte Vinicius - a diária mais alta do hotel, que oscila de R$ 285,00 na baixa estação (março a junho) e pode chegar a R$ 4.170 no pacote para o Carnaval! Não pude visitar a suíte porque ela estava com hóspedes, mas pelo que diz no prospecto o aposento é mantido com a disposição original dos móveis, destacando-se a famosa banheira de frente para o mar (que Vinicius via ao tomar banho, graças a uma parede espelhada - comenta-se que, embora morasse próximo à praia, não era do feitio do poeta ir até o mar).







Este foi o convite para a inauguração 
da casa, em 1974 


O jardim e a piscina (que, segundo o prospecto tem "forma de ameba" mas na qual eu vejo um coração) são originais, bem como o calçamento em torno da piscina. Na parte externa da casa, se encontra também uma réplica da estátua de Vinicius que há na praça.


Mosaico de Udo Knoff, original da casa




Não posso deixar de contar um diálogo que 'pesquei' da conversa do mensageiro que me conduzira com um colega seu, que estavam arrumando as mesas da parte externa da casa, certamente para um evento que aconteceria creio que mais tarde, nesse mesmo dia em que lá estive - a quinta, 17 de outubro (digo isto porque retornei no dia seguinte e a disposição das mesas já era outra). Certamente sem imaginar que eu estava prestando atenção, um deles desdenhou de meu interesse por Vinicius ("Maluquice né, velho?"), no que obteve a concordância do outro ("É mesmo, o cara morreu já tem tantos anos..."). Melhor nem comentar! Na mesma linha, estava uma senhora que encontrei varrendo a calçada em frente a um prédio da Souza Brito, a quem perguntei se aquele era o caminho correto para a praça Vinicius de Moraes: "Olha, ali mais pra frente tem sim a estátua dum, mas não sei quem é não!".

Quando saí da casa do Vinicius, a senhora do hotel com quem eu falara antes me convidou para os eventos programados para o sábado, dia do Centenário (agradeci, já que sairia de Salvador em direção a Belém ainda na noite da sexta). Aproveitei para parabenizar o hotel por preservar a memória da presença de Vinicius em Itapuã.


No dia seguinte, retornei à praça e ao hotel acompanhado de um hóspede da mesma pousada onde fiquei, a quem relatei a visita e que ficou curioso em fazer o mesmo. Fomos recebidos por outro funcionário, que nos perguntou se estávamos hospedados ali quando dissemos que queríamos ir na casa do Vinicius. Mas a senhora que me atendera na véspera me reconheceu e liberou o acesso.

Já na praça, deparamos com uma cena curiosa, pra dizer o mínimo: funcionários da prefeitura limpando o local em plena véspera do Centenário (comentei com um funcionário e ele disse que não havia sido possível fazer isto antes por conta das chuvas. De fato, choveu mais de 12 horas na quarta. Mas e antes??). Além da limpeza, também reparei na colocação dos óculos de Vinicius sobre a mesa, eles não estavam lá na quinta. Foi possível tirar fotos, apenas com a recomendação de não se tocar em nada (creio que devido a produtos químicos utilizados na limpeza).

A caminhada entre a Praça Caymmi e a Praça Vinicius leva entre 20 a 30 minutos. Você até pode pegar um ônibus ou um lotação na praça da Sereia e pedir pra descer no Farol de Itapuã, mas a não ser que você não goste ou não possa caminhar esse trecho de menos de dois quilômetros, recomendo que vá andando e conhecendo melhor o bairro. Tanto na quinta, quando fui de tarde, quando na sexta, quando estive lá pela manhã, não fui abordado por ninguém no caminho e não vi nenhuma ocorrência anormal em relação à segurança. Enfim, é uma visita que recomendo - da próxima vez que for a Salvador, não deixe de visitar o Vinicius!