sábado, 30 de novembro de 2013

Fórmula cinematográfica de Woody Allen funciona mais uma vez em Blue Jasmine

Por Calila das Mercês,
de Salvador




A lógica de Blue Jasmine, filme de Woody Allen atualmente em cartaz no Brasil, em pouco se diferencia das produções anteriores deste diretor. O desenho é de uma bela cidade americana – San Francisco, Califórnia - inserida em um roteiro envolvente, no qual o expectador pode se ver como co-participante na construção da história, e que espelha personagens histéricos e controversos com sua vida meta-ficcionalizada e apoiada em mentiras. O resultado só pode ser uma comédia dramática, fatalmente aclamada pela mídia especializada por suas críticas sociais.

A história apontada por Allen é de Jasmine, protagonizada pela premiada atriz Cate Blanchett: uma socialite que se vê em apuros depois do suicídio do marido, um rico empresário, interpretado pelo não menos reconhecido ator Alec Baldwin, que tinha o desconcertante costume de enriquecer às custas de lacunas do sistema financeiro.

Depois de um surto psicótico, Jasmine se vê sozinha e sem o luxo de outrora, e passa a morar com a irmã adotiva. O enredo se desenrola mesclando flashbacks e um presente no qual existe a perspectiva de melhora financeira das duas irmãs.



O Blue do título pode ser entendido como mais uma ironia de Woody Allen, que também cuidou do roteiro do filme, pois, ao mesmo tempo que remete à famosa música "Blue Moon", mostra o caos de mesquinharias e mentiras que está no cerne da classe média urbana. Diante dessas contradições, que não deixam de ser tristes, o diretor não abandona o seu lado impiedoso, utilizando como arma principal de construção um ingrediente salutar: o humor.

Envolvente e tecnicamente impecável, Blue Jasmine não deixa de levantar questões de ética, jogo de interesses e perspectivas (des)humanas presentes em filmes anteriores do diretor, como Celebridades, Match Point, Meia Noite em Paris e Para Roma com amor. 

O fato de Woody Allen apresentar um quê de lunático é o que o torna um grande ficcionista da realidade. Matemática cinematográfica básica ou não, Blue Jasmine só reafirma com dura leveza a genialidade de um dos mais aclamados e premiados cineastas do mundo. Sua marca permanece, artística, crítica e exata!

Evento Porto Alegre: 7º Encontro de Arte de Matriz Africana

Kleber Lourenço.em Jandira
(foto: Felipe Ribeiro)


Realiza-se de 4 a 8 de dezembro, o VII Encontro de Arte de Matriz Africana, promovido pelo Caixa-Preta com o objetivo de ser uma janela panorâmica para a produção artística negra no Brasil. O Grupo se afirma não somente como um núcleo de produção teatral, mas como um polo irradiador de ações no campo da cultura negra contemporânea, promovendo atividades como o Encontro de Arte de Matriz Africana, a Revista MATRIZ, a primeira no Brasil especializada em artes negras, além do trabalho de produção, formação e pesquisa no campo teatral, tendo produzido espetáculos como Hamlet Sincrético, Antígona BR, O Osso de Mor Lam, entre outros. As atividades terão lugar no Teatro Renascença e Sala Álvaro Moreyra, ambas no Centro Municipal de Cultura (Av. Erico Verissimo, 307), em Porto Alegre. 

A cada ano é eleito um eixo temático para o Encontro. Este ano temos como foco a performance e a dança negra. Na primeira edição foi a aproximação dos grupos de teatro e dança do Estado; na segunda, a noção de locais de trabalho dos núcleos como espaços quilombolas; na terceira edição o conceito de compartilhamento das experiências e na última edição o eixo escolhido foi o teatro negro e suas linguagens contemporâneas.

Entre os nomes que já estiveram no Encontro desde sua primeira edição pode-se citar: Carmen Luz, Rubens Barbot, Hilton Cobra, Rodrigo Santos, Gustavo Melo, Débora Almeida, Iléa Ferraz, (RJ), Rui Moreira, Gil Amâncio (BH), Edson Cardoso, Cristiane Sobral (DF), Luiz de Abreu, Maria Gal, José Fernando Azevedo, Sidney Santiago (SP), Toni Edson (Florianópolis), Evani Tavares, Ângelo Flávio (Salvador), Júlio Moracen (Cuba) Daniel Amaro (Pelotas), Cia Os Crespos (SP), Kleber Lourenço (Recife), Wagner Carvalho (Alemanha), Oliveira Silveira, Baba Diba de Yemonjá, Grace Petersen, Sirmar Antunes, José Carlos dos Anjos, Loma, Iara Deodoro (RS), entre outros.

Outro aspecto importante do Encontro, bem como, da própria trajetória do Caixa-Preta  é dar acesso e visibilidade a um público que não está presente em outras produções e eventos, especialmente os dedicados à reflexão artística. Se considerarmos a quantidade de pessoas negras que frequentam o Encontro já confirmaria sua legitimidade, mas ele abarca públicos diversos e forma plateias. Busca criar uma rede solidária entre os diversos grupos e artistas espalhados por todo território nacional, propiciando o debate sobre uma política cultural que garanta a continuidade e aperfeiçoamento das ações realizadas pelos grupos e a sobrevivência destes e da manutenção de suas investigações estéticas. Trata-e de uma ação que vem demonstrando sua eficiência e afirmando seu papel como instrumento de reflexão sobre a cultura  e identidade nacional e, especialmente, às artes cênicas.

Este ano, o Caixa-Preta oferece as seguintes atrações:

A abertura, dia 4 de dezembro, às 20h, no Teatro Renascença, ficará a cargo de NASCIMENTO, da Companhia Rubens Barbot, bailarino gaúcho radicado no Rio de Janeiro há mais de duas décadas. O solo apresentado pela Companhia terá Eder Martins em cena e direção e coreografia de Gatto Larsen.

BLEM, BLEM, BLEM, da Taltex – Cuba apresenta-se na quinta, 5 de dezembro, 21h, na Sala Álvaro Moreyra. A montagem conta a história de um percussionista cubano, rumbero – tocador de rumba – que faz uma viagem do Oriente (sur) ao Ocidente(norte) de Cuba, recriando sua formação musical através das contingências que a vida lhe proporciona. Seu objetivo fundamental é ser famoso e para isso emigra para Havana, a capital cubana.  Ali, se enamora de uma jovem, até sofrer a decepção de uma separação. 

Na sexta, 6 de dezembro, às 21h, na Sala Álvaro Moreyra, apresenta-se BATUQUE, TUQUE, TUQUE, espetáculo poético-musical com as atrizes Vera Lopes e Pâmela Amaro, com poemas de Oliveira Silveira.

RECEITA, dia 7 de dezembro, às 21h, na Sala Álvaro Moreyra, é uma coreografia preciosa, que nasceu da parceria de dois grandes talentos da dança brasileira: Henrique Rodovalho e Rui Moreira. Rodovalho é um coreógrafo de Goiânia/GO, que colaborou para construir a identidade do Grupo Quasar, hoje uma das companhias mais importantes do Brasil. MOREIRA é um bailarino especial, paulistano radicado em Belo Horizonte/MG, que desenvolveu uma importante e esplendorosa participação no Grupo Corpo/ MG, e hoje dirige a Rui Moreira Cia. de Danças. No início de 2002, Rodovalho e Moreira se reuniram para criar RECEITA, um estudo que contrapõe o procedimento culinário à arte de dançar, compondo uma bem-humorada metáfora para o exercício de composição.

JANDIRA, da Visível, Núcleo de Dança, PE/SP é um espetáculo de dança com o bailarino pernambucano Kleber Lourenço. Ele já esteve na quinta edição do Encontro com Negro de Estimação e no Porto Alegre em Cena. A obra apresentada este ano, JANDIRA, é um espetáculo solo que realiza em pesquisa a junção de princípios conceituais de linguagens artísticas específicas: teatro, dança e performance, partindo da literatura como construção dramatúrgica. E obtém como resultado de cena a fusão estética destas linguagens. A apresentação será no dia 08 de dezembro, às 19h, na Sala Álvaro Moreyra, seguida de bate-papo com o público. 

Haverá uma exposição comemorativa aos 7 anos de Encontro de Arte de Matriz Africana, no Saguão do Centro Municipal de Cultura, durante o período de realização do Encontro.

Ainda ocorre, na quinta, 5 de dezembro, às 18h, na Sala Álvaro Moreyra, uma palestra com a pesquisadora Leda Martins, “Performance Negra, Experiência, Pesquisa e Ação”. Ela é autora de A Cena em Sombras/Perspectiva e Afrografias da Memória/Perspectiva-Mazza.

No dia 6 de dezembro, às 19h, na Sala Álvaro Moreyra, haverá o debate “Produção Cultural, Diversidade e Mercado de Trabalho”. Participam gestores públicos, artistas e produtores, que discutirão o mercado cultural numa perspectiva de inclusão étnico-racial.


Ressalta-se, por fim, a realização da oficina “O Corpo Brincante”, ministrada pelo bailarino e coreógrafo Kleber Lourenço. A oficina de dança contemporânea terá como foco a investigação corporal e a reflexão das poéticas do corpo e da cena, no diálogo com as tradições populares do nordeste brasileiro: danças populares, folguedos, etc. A oficina será realizada nos dias 6 e 7 de dezembro, das 14 às 17h, na Sala Álvaro Moreyra. Os interessados em disputar as 20 vagas devem enviar e-mail para grupocaixapreta@yahoo.com.br e devem ter no mínimo 16 anos, além de disponibilidade para trabalho físico e experiência comprovada em teatro, dança ou performance. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Nando Reis lota o Lago da Perucaba no Viva Arapiraca

Nando Reis

Por Calila das Mercês,
de Salvador

A cidade de Arapiraca, a maior do interior de Alagoas (230 mil habitantes, segundo o IBGE), realizou de 14 a 17 de novembro o maior festival de música gratuito do Estado, o Viva Arapiraca

O festival contou com a participação de artistas locais e também de outros reconhecidos nacionalmente. Os shows aconteceram num local grande, mas que deixou um pouco a desejar no quesito estacionamento. (Deixar o carro e andar em média 1Km não é das melhores ideias, sem falar do local que para quem é de fora da cidade, gera insegurança!)

No sábado, dia 16, a atração tão esperada, Nando Reis, lotou o Lago da Perucaba. O ruivo animou os arapiraquenses e turistas com alguns de seus conhecidos sucessos como “All Star”, “Por onde andei”, “Relicário”, “Sei” e “N”, o que levou a plateia a aplaudir muito e cantar junto com o ex-Titãs durante quase todo o show.

Antes de Nando Reis, tocaram o grupo de reggae alagoano Vibrações, comemorando 15 anos de trabalho, e também Patrícia Polayne, referência sergipana, que fez uma animada apresentação. A festa terminou por volta das 4h da manhã do domingo! 

Patrícia Polayne


O festival também marcou o lançamento do projeto Viva Nossos Artistas, gravando CD e DVD dos músicos da terra. O Palco Planetário teve a presença de grupos locais que se apresentaram entre os dias 15 e 16.

Público lota encerramento da Bienal de Livros da Bahia para ouvir João Ubaldo Ribeiro

Por Calila das Mercês,
de Salvador

O imortal (membro da Academia Brasileira de Letras) baiano da cidade de Itaparica João Ubaldo Ribeiro desempenhou o papel de escritor e celebridade na cerimônia de encerramento da 11ª Bienal de Livros da Bahia, na noite de 17 de novembro de 2013.

Premiado nacionalmente e internacionalmente, reconhecido por seus primorosos romances como Sargento Getúlio, Viva o Povo Brasileiro, O Sorriso do Lagarto e Casa dos Budas Ditosos, João Ubaldo participou pela primeira vez da Bienal. Sua palestra foi a mais concorrida do evento e para vê-lo testemunhar sobre o seu ofício principal, a escrita, os mortais tiveram que chegar mais cedo ao evento e correr na busca por uma senha.

Um dos principais colunistas d' A Tarde, o jornal de maior circulação na Bahia, João Ubaldo falou por, aproximadamente, uma hora, sobre sua história no campo literário e das adaptações dos seus livros para cinema e televisão, em um discurso honesto permeado por anedotas e muita criatividade.

Ao final da sua passagem pela Bienal, em meio a muita tietagem, João Ubaldo Ribeiro autografou livros dos seus admiradores. Mas sem fotos!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

MAM da Bahia comemora 50 anos


Texto e foto: Calila das Mercês,
de Salvador


Músicas, performances, leituras de manifestos: a noite de sexta-feira, 8 de novembro, foi marcada por expressão e arte no Casarão do Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM-BA, no evento “MAM Movimento”.

Para isso, a leitura de diversos manifestos. O ator Fernando Guerreiro leu o Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade, o ator-transformista Mitta Lux fez a leitura do Manifesto do Rio Negro, de Pierre Restany e Fraz Kracjberg, e Márcio Meirelles resgatou o Manifesto Pau-Brasil, também de Oswald. 

A música se manifestou na noite através de apresentações de componentes da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA). 

E a literatura, como protagonista, veio com o lançamento da primeira edição da revista Contorno. A edição bilingue trouxe um histórico da criação do MAM, dos principais movimentos de vanguarda presentes no espaço e uma entrevista com os artistas Maxim Malhado e Chico LiberatoIdealizadora do MAM-BA, Lina Bo Bardi é tema de artigo da arquiteta Carla Zollinger. O espaço criado por Lina até hoje se configura como um importante locus de formação e culminância artística. Para ela, não havia nenhuma contradição em exibir peças de arte popular em um museu de Arte Moderna, pois a ideia era unir em um mesmo espaço artistas populares e modernos.


A programação do MAM Manifesto continua no mês de novembro:

COZINHA RELACIONAL + LANÇAMENTO DE CARTÕES POSTAIS EM HOMENAGEM A LINA BO BARDI + BOTÃO “REPÚBLICA POPULAR DO MAM”
Encontro com o artista Maxim Malhado, no Casarão do MAM-BA, dia 17/11 (domingo), às 16h.

MAM DISCUTE SISTEMA E CIRCUITO DAS ARTES
Em Cachoeira, com Lígia Nobre e Juraci Dórea, no Auditório do Hansen, dia 21/11(quinta-feira), às 17h.
Em Salvador, com Ligia Nobre e MUSAS (Museu de Street Art de Salvador), no Auditório da Escola da Administração da UFBA, dia 22/11(sexta-feira), às 17h.

MAM DISCUTE BIENAL
Acontece na Sala Walter da Silveira (Biblioteca Pública do Estado da Bahia), dia 29/11 (sexta-feira), às 9h.

ESPETÁCULO CABAÇA

Uma homenagem a Walter Smetak, do Grupo de Dança Contemporânea da Ufba. No Casarão do MAM-BA, dia 29/11 (sexta-feira), às 17h.

Opinião: Falta fôlego a Meu Passado me Condena


Por Calila das Mercês,
de Salvador 

Apesar de um elenco mediano, com exceção de Fábio Porchat, Meu passado me condena promete gargalhadas, mas não dá o prometido de forma grandiosa, graças a um roteiro que vai perdendo o fôlego durante todo o filme.

Miá e Fábio

Fábio (Fábio Porchat) e Miá (Miá Mello) se casam apenas um mês depois de se conhecerem e vão passar a lua de mel num cruzeiro com destino à Europa. A partir daí encontram seus antigos namorados, Beto (Alejandro Claveaux) e Laura (Juliana Didone), que coincidentemente são casados. Até aí tudo bem, mas depois tudo fica bem artificial! Filme produzido por Mariza Leão e dirigido pela filha Julia Rezende, Meu Passado... contou com um orçamento de um pouco mais de 3 milhões de reais.

Beto e Laura

Meu Passado Me Condena foi baseado na série de TV homônima do canal pago Multishow. A diferença é que o programa se passa em uma pousada e no filme o cenário é um navio. Marcelo Valle e Inez Viana em ambos os trabalhos interpretam Wilson e Suzana. A aparição de Elke Maravilha nas telonas é interessante, mas infelizmente muito escassa. Já Cabeça (Rafael Queiroga) teve mais “moral”, pois interpretou o amigo chato que aparece para “encher o saco” do casal em plena lua de mel.

Fábio, Miá e Cabeça

O filme foi gravado num cruzeiro de verdade. E apesar de Fábio Porchat estar em um ótimo momento da carreira, o excesso de improviso faz com que em alguns momentos os espectadores não acompanhem algumas piadas. Um pouco clichê também é quando Fábio, Cabeça, Wilson e Suzana ficam a procura da personagem Miá pelas ruas de uma cidade italiana, eles não a encontram e no final ela aparece...

De todo modo, é um filme água com açúcar para quem quer relaxar ou se divertir um pouco. 

sábado, 16 de novembro de 2013

Lenine comemora 30 anos de carreira em encontro inédito com a Orquestra Rumpilezz


Por Calila das Mercês,
de Salvador

Nordeste, música e talento. Percussão, orquestra e criatividade. No dia 8 de novembro, a Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA) estava repleta de pessoas que foram ver de perto o show Música e Direitos Humanos, que reuniu pela primeira vez a Orquestra Rumpilezz, comandada pelo maestro Letieres Leite, e o artista pernambucano Lenine. Um show animado e bastante envolvente em que juntou instrumentos da música clássica a atabaques, acoplando e dando uma roupagem inovadora e melódica às canções de Lenine.  

A verdade é que este show, além de fazer o encontro destes grandes talentos da música brasileira, tem como objetivo celebrar os 40 anos da CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço) na luta por direitos humanos, desenvolvimento e justiça e celebra também os 30 anos da carreira de Lenine. Os espetáculos (houve outra sessão no dia 9) tiveram toda a renda revertida aos projetos sociais apoiados pela CESE. 

Lenine junto a Orquestra Rumpilezz (criada em 2006 pelo maestro Letieres Leite) agradaram tanto ao público que este, no final do show, foi à beira do palco cantar as músicas do bis junto aos músicos, num alegre e divertido coro - o que parece já ser uma “tradição” no TCA. Para quem acha que instrumentos clássicos não se misturam com percussão é bom assistir algo similar ao que eu vi ontem e depois opinar! Surpreendente.

Pioneira em Jornalismo em Internet participa de debate na 11ª Bienal da Bahia

Por Calila da Mercês,
de Salvador


Cora Ronai
(Foto: Rogerio Ehrlich)

“Jornalismo: que profissão é essa?”: com o desafio de responder a essa pergunta, aconteceu no dia 10 de novembro, na programação da 11ª Bienal da Bahia, a mesa com o famigerado questionamento, composta pelo jornalista Jefferson Beltrão – que compõe a bancada do jornal global BA-TV - e Cora Rónai, colunista de informática do Jornal O Globo.

Como parte da programação “Território Jovem”, o debate se deu em torno do trabalho de jornalista, como se dá a formação desse profissional, se existe possibilidade de estabilidade na carreira e quais as opções do mercado de trabalho atualmente.

Considerando a grande força do web jornalismo, Cora Rónai agregou muito ao debate. Uma das primeiras usuárias de internet no Brasil, a jornalista já trabalhou em veículos de imprensa como Correio Braziliense,  Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, no qual desenvolveu a primeira coluna sobre computação no país em 1987.

Criou o blog internETC em 2001, no qual publica "as crônicas e colunas do GLOBO, algumas pessoas, todos os bichos, muitas fotos, poucas notícias, livros, celulares, câmeras digitais, música, filmes, vida em geral.” Pioneira no uso dos celulares com câmera, publicou o livro Fala Foto, finalista do prêmio Jabuti e primeiro livro sobre a temática no Brasil. Cora Rónai também recebeu o Prêmio Comunique-se de Melhor Jornalista de Informática em 2004, 2006 e 2008.

Em cyber tempos, o público da bienal ouviu os conselhos de sucesso uma jornalista experiente e antenada. Sua passagem pela Bahia e na Bienal foi registrada através do seu instagram: instagram.com/cronai

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Oportunidade Brasil: Festival Chico recebe inscrições de vídeos até dia 29



O Festival Chico – Festival de Cinema e Vídeo do Tocantins abriu no último sábado, 09, as inscrições para mostra competitiva da 12ª edição do projeto, que acontece de 08 a 14 de dezembro na Universidade Federal do Tocantins –UFT e no SESC Tocantins.

A mostra competitiva é formada pelas categorias de curta-metragem Ficção Brasil, Doc Brasil, Animação, Infantil e Tocantins.  O festival também apresentará longas-metragens convidados e realizará um curso de produção executiva para realizadores tocantinenses.

Segundo a presidente do CIM-Centro de Imagem e Som, Fernanda Veloso, essa é a oportunidade de conhecermos a produção cinematográfica recente do Tocantins e também do Brasil. “O Chico traz um panorama das tendências na produção de curtas-metragens nacionais e também exibe os filmes produzidos em nosso estado,  formando público para esse tipo de vídeo,  mostrando a possibilidade de um cinema regional e de qualidade”, afirma.


O regulamento pode ser acessado no site www.festivalchico.com.br e a inscrição deve ser feita até o dia 29 de novembro por meio do formulário também disponível na página.  A curadoria será feita por uma comissão formada por realizadores, exibidores e gestores culturais.

O resultado da seleção dos filmes que competirão no 12º Festival Chico será divulgado na primeira semana de dezembro .


Festival Chico

O Festival Chico foi criado em 1999 e hoje contabiliza 11 edições realizadas. A 12ª edição é realizada pelo CIM - Centro de Imagem e Som,  contando com o apoio da Universidade Federal do Tocantins (UFT/Proex), Fundação Cultural de Palmas, SESC-TO, BR153 Imagens e Secretaria da Educação e Cultura do Tocantins.


Assista o documentário Enquanto o Trem não Passa


Assisti este filme quando de seu lançamento em Belém, no dia 8 de novembro - por uma feliz coincidência, apenas dois dias após ter visto no cinema o longa Serra Pelada, de Heitor Dhalia. Pude constatar, desta maneira, que o que parecia exagero na ficção é ainda pouco perto da realidade. É muito oportuno ver este curta num momento em que o tema da mineração do Brasil volta à ordem do dia, tanto pelo longa de Dhalia, quanto pela iminente reabertura do garimpo de Serra Pelada. 


Ficha técnica

ENQUANTO O TREM NÃO PASSA (Brasil, 2013, 17 min)

Obra construída de forma coletiva por Midia NINJA e seus colaboradores
Equipe: Kátia Visentainer | Rafael Vilela | Julia Mariano | 12pmphotographic.com | Thiago Dezan | Raissa Galvão | Gian Martins | Bianca Buteikis | Gabriela Sanchez | Isadora Machado | Andrew Henrique | Rebeca Brandão | Luis Felipe Marques Ferreira | Antônio Netto | Fábio Chap

Licença Creative Commons, para livre uso e distribuição.  

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Shows da Flica tiveram Armandinho, roda de samba e orquestra de pandeiros

Orquestra de Pandeiros de Itapuã
Foto: Calila das Mercês

Por Calila das Mercês,
de Salvador

A Flica -  Feira Literária de Cachoeira deste ano teve em sua programação paralela shows que levaram as atrações da Varanda do Sesi do bairro do Rio Vermelho em Salvador para o casarão do museu do Iphan de Cachoeira. Tocaram no local nomes como Roberto Mendes, Lazzo Matumbi e grupos como o Samba de Roda Raízes de Acupe e a Orquestra Reggae Sinfônica de Cachoeira

No sábado, 26 de outubro, o primeiro grupo a se apresentar foi a Orquestra de Pandeiros de Itapuã. Liderada por Tamima Brasil, percussionista com vasta experiência (tocou com Cássia Eller, entre outros artistas da MPB) e luthier de pandeiros, a orquestra é fruto de um projeto cultural de formação em música que envolve aulas semanais na Casa da Música de Itapuã. A sonoridade envolve ritmos tradicionais, como o forró e o samba, conduzidos por pandeiros e outros instrumentos como flauta, violão, trombone e zabumba.

O Samba de Roda de Dona Dalva deu continuidade ao evento. Grande marco da cultura popular do Recôncavo da Bahia, o grupo liderado por Dona Dalva há 53 anos formou uma grande e envolvente roda de samba de raiz demonstrando a força que esse tipo de manifestação cultural tem e terá para sobreviver frente aos percalços da modernidade.

No palco principal, o encerramento da noite musical se deu com o show Armandinho in Concert, conduzido pelo reconhecido instrumentista da guitarra baiana, Armandinho Macedo. 

Exposição Salvador: Movimentos

Por Calila das Mercês,
de Salvador

Indo além do seu papel de promoção de lucros típico de um supermercado, a rede Perini promove na loja da Graça, em Salvador, o circuito de Artes Perini, que se trata de “uma programação cultural que envolve exposições de obras de arte de talentos nacionais”.


O nome da vez é Moema Gusmão, artista plástica, nascida em Cruz das Almas. Com a temática “Movimentos”, a exposição traduz a principal influência de Gusmão: a cultura popular. Utilizando uma técnica que se aproxima da arte naif, a artista retrata sambas de roda, cenas de candomblé típicas de Recôncavo da Bahia e figuras da flora e da fauna brasileira.

Os quadros são compostos, em sua maioria, por cores primárias, destacando-se o azul. Algo inovador em alguns deles é a presença de letras de Vinicius de Moraes escritas na própria tela, para contextualizar as cenas da Bahia.

A exposição “Movimentos”, de Moema Gusmão, é aberta ao público e fica no espaço da Perini da Graça até o dia 17 de novembro, das 6 às 22 horas.

Entrevista: Marília Bruno





Por Calila das Mercês,
de Salvador


         Nem só de compartilhamentos no facebook vive a internet. Uma das possibilidades, mais interessantes da internet hoje em dia é a chamada internet “colaboração”. Um fenômeno recente que envolve colaboração e financiamento de projetos culturais chama-se “crowndfunding”. A proposta envolve a colaboração financeira de pessoas físicas interessadas em apoiar iniciativas artístico-culturais.

         Uma das principais plataformas que trabalha essa ideia de financiamento coletivo no Brasil é o site Catarse, que já possibilitou a concretização de projetos em várias áreas - da arquitetura à moda, passando por design, música, cinema e até quadrinhos. Quem busca financiamento oferece algum tipo de “recompensa” para as pessoas que apoiam o projeto, de acordo com o valor da doação.

         Marilia Bruno, designer e ilustradora carioca, teve um projeto na categoria Quadrinhos apoiado no mês de outubro através do Catarse. A proposta era fazer “uma história em quadrinhos que mostrasse o cotidiano de uma garota qualquer. Contemporânea, urbana e um pouco tonta”. A ideia do quadrinho Cara, eu sou legal saiu do papel para o papel – já virou livro, teve 206 apoiadores, e ultrapassou a meta que era de R$ 3.000, conseguindo o apoio total de R$ 5.465.

         Trata-se do primeiro livro de Marilia Bruno, que nos conta um pouco dessa experiência.

Calila das Mercês - Como começou a desenvolver as HQ's? De onde surgiu o interesse?

Marilia Bruno - Posso dizer que sou bem novata e considero o "Cara" o meu primeiro quadrinho mesmo. A minha participação antes havia sido muito pequena. O interesse surgiu quando comecei a ler mais os quadrinhos atuais brasileiros e ver que tem MUITA gente boa por ai! São histórias e traços riquíssimos. Fui lendo, pesquisando, conhecendo mais pessoas e claro que o interesse em participar acabou surgindo.

Calila das Mercês - Quais trabalhos você já realizou? Como é trabalhar como free lancer nesta área?

Marilia Bruno - Eu sou designer gráfica. Trabalho como free lancer para editoras como a Record e grupo Ediouro como capista, diagramadora e ilustradora. De vez em quando surgem coisas como identidade visual, layout de apresentação ou estampas. Mas trabalho mais com as editoras mesmo. É um trabalho muito legal pois os clientes dão bastante liberdade e eu sempre adorei o mercado editorial!

Calila das Mercês - E o Catarse, como foi a experiência para conseguir o patrocínio para publicar o seu primeiro livro? 

Marilia Bruno - Foi muito... doido. Não imaginava que conseguiria e fiquei relutante até o último minuto. Mas uma onda de espontaneidade acabou vindo e resolvi arriscar. No fim, deu super certo e foi muito legal ver pessoas que eu nem conhecia falando e procurando meu trabalho! Fiquei muito feliz com o resultado final! 

Calila das Mercês - Como é o coletivo que você faz parte?

Marilia Bruno - Eu e uns amigos da faculdade fundamos o "23,5", que é um coletivo de quadrinhos, com mini histórias que girariam em torno de algum tema... Mas apesar de ter tido só um livro e o projeto não ser constante, ele me proporcionou uma porta de entrada incrível pra eu conhecer muitas pessoas maravilhosas do meio. Além de me estimular a desenhar o "Cara" (que começou como tirinha no blog do coletivo).

Calila das Mercês - Quais são seus projetos futuros?

Marilia Bruno - Por enquanto, em aberto... Quer dizer, tenho algumas ideias mas precisaria amadurecer muito o roteiro e o traço pra começar. Então continuo envolvida com o design gráfico, que eu amo.

Premiado no Festival do Rio, curta baiano Jessy volta a cartaz esta semana

Por Calila das Mercês
de Salvador


Rodrigo, Paula e Ronei

Paula Lice é atriz, diretora, performer. Também escreve para teatro, cinema e TV. Equilibrista de plantão em transição para biodrag. Integra o coletivo de artistas Núcleo VAGAPARA. É mestre em Teorias e Crítica da Literatura e da Cultura e, atualmente, é doutoranda do curso de Artes Cênicas da UFBA, onde estuda temas tabu no teatro para crianças. Fundou em 2011 a Pequena Sala de Ideias, um território de colaboração criativa que reúne os trabalhos que cria e produz com outros artistas, desde 2009.

Rodrigo Luna é diretor, editor, roteirista. Já realizou diversos videoclipes, documentários, videodanças e, agora, curta-metragens. É palhaço e tem uma banda, a Capitão Cometo e os Formidáveis Ladrões de Parafina da Terra do Nunca Extreme.

Ronei Jorge é formado em Comunicação, Cinema e Vídeo, compositor, músico, cantor, nascido em Salvador, capital da Bahia. Tem uma banda, a Ladrões de Bicicleta e hoje, além desta, é compositor e cantor do grupo Os Veranistas e tem um duo com o arranjador e compositor João Meirelles. Ronei é também co-autor de trilhas de teatro (entre elas Amor Barato, de Fabio Espirito Santo). 

O que os três têm em comum? Eles produziram e dirigiram o documentário Jéssica Cristopherry que estreou em março deste ano no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha.  E estarão nesta semana participando do PANORAMA INTERNACIONAL COISA DE CINEMA com o curta-metragem derivado do longa, JESSY. Compartilhando roteiro e direção, o trio celebra, através de Jéssica e JESSY, o universo dos artistas-transformistas da cena noturna soteropolitana.  

JESSY recebeu recentemente o Prêmio do Público na edição do Festival do Rio 2013, considerado o Oscar brasileiro devido à qualidade e à projeção que os filmes selecionados recebem.

Confira a entrevista ao Jornalismo Cultural! 

Calila das Mercês - De onde veio a ideia de JESSY?

Ronei Jorge - Jessy surgiu de um desejo da atriz Paula Lice em se transformar em drag e fazer um espetáculo nos moldes dos artistas do gênero. Esse desejo foi exposto pra gente num bate papo, num coquetel em que estávamos os três juntos. Depois de Paula dizer: "Eu queria  fazer um show de transformismo..." Eu e Luna nos olhamos, olhamos pra Paula e dissemos: isso dá um filme.

Paula Lice - O nome Jéssica é uma brincadeira de criança, era o nome que eu usava para batizar  minhas personagens nas brincadeiras quando era criança. Além disso, acompanho a cena transformista de Salvador há anos, e tenho uma sincera e profunda admiração por esses performers. Acabamos focando o filme nesse encontro com esses artistas que sou fã, é para ser uma homenagem carinhosa ao trabalhos deles.



Calila das Mercês - Por que a transformação de uma mulher numa drag queen? 

Paula Lice - Escolhemos fazer essa corporificação de um desejo feminino pelo transformismo como uma forma de refletir sobre gênero, desejos, sexualidade, em suas livres expressões, e esperamos que o filme venha a contribuir com essa discussão.

Ronei Jorge - Paula sempre teve um olhar muito sensível pra tudo e rapidamente ela fez a ligação entre o trabalho dela de atriz - inclusive refletindo sobre as transformações exigidas pelos personagens - e o dos artistas transformistas. Existe no filme não só desejo de Paula se transformar, mas principalmente o de mostrarmos toda a preparação do espetáculo desses artistas. Obviamente várias coisas mais vão sendo reveladas durante o desenvolvimento do filme.

Calila das Mercês - Como foi a construção do roteiro? Foi difícil contatar as transformistas? 

Rodrigo Luna -
Nossa idéia inicial era criar um documentário falso (o projeto aprovado pelo edital ainda era nessa vertente), mas com o decorrer da pesquisa acabamos sentindo que seria muito desonesto esconder esse desejo de Paula, de se aprofundar nesse universo, nessa pesquisa.

Ronei Jorge - O roteiro foi baseado na sequência de atividades de um artista transformista que começa na gênese intelectual do personagem, parte para a escolha e compra de figurinos e maquiagem, depois tem o ensaio que no caso do filme foi um "batismo" de Paula até a apresentação. O contato com eles foi ótimo, eles sacaram de cara que o filme teria esse caráter afetivo. Além do que, acompanhamos algumas apresentações deles em casas que eles se apresentam. Paula já estava intimamente ligada ao universo, acho que isso ajudou muito também.

Paula Lice - Uma de nossas idéias era justamente pensar que tipo de preconceito uma mulher poderia sofrer ao tentar entrar nesse universo, mas o que aconteceu foi justamente o oposto: fomos muito bem recebidos por todos eles! Acho que esse carinho acabou transbordando pro filme, eu sinto que todos eles estão torcendo muito para que eu consiga me transformar em Jéssica.



Calila das Mercês - Qual a expectativa para o PANORAMA INTERNACIONAL COISA DE CINEMA?

Rodrigo Luna - Pra gente é uma honra ser exibido no Panorama, um festival que acompanho desde as primeiras edições e agora estou participando pela segunda vez como realizador. Já vi muitos filmes sensacionais, e pra mim já é muito recompensante o nosso filme estar sendo exibido ao lado destes filmes tão bacanas e diversos. E, claro, espero que a sessão esteja cheia e que eu não gagueje muito durante o debate.

Ronei Jorge - O Panorama é importantíssimo não só por ser daqui, mas pela qualidade das escolhas dos filmes, dos debates, do cuidado com que ele é conduzido. Pra gente ele é já uma referência como festival e ficamos verdadeiramente felizes com a seleção de Jessy.



Calila das Mercês - Será exibido em outros locais? 

Rodrigo Luna - Só nessa semana, Jessy está em 5 festivais diferentes! No mesmo dia que seremos exibidos no Panorama também seremos exibidos no Amazonas Film Festival. Já fomos exibidos em diversos estados do Brasil e também no Uruguai, Argentina, Colômbia, Suíça e Coréia do Sul! E a versão média tem circulado também em outros meios, como por exemplo nesse sábado (9/11), ele será exibido na Jornada da Escola Brasileira de Psicanálise – BA.