quarta-feira, 30 de abril de 2014

Opinião: Rio 2 - o clichê



Por Calila das Mercês,
de Salvador

Para quem estava esperando algo surpreendente, não foi muito bem o que Rio 2 mostrou. O filme produzido pelo Blue Sky Studios e dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha trouxe uma fotografia e uma trilha sonora admiráveis, porém a história não é nada inovadora.

A turminha da primeira versão de Rio - Blu, Jade, seus 3 filhos e os demais animais -, se aventura pelos cantos do Brasil, prova que se sai bem diante dos vilões e dos perigosos bichos com quem se depara no caminho e, durante a trajetória, vê o retrato do desmatamento da flora brasileira.

Algo interessante, porém nada inovador, é que desta vez o filme teve passagem na festa de réveillon em Copacabana, já que no primeiro longa o foco foi o Carnaval carioca. E neste foi supervalorizado o espaço do Amazonas, fazendo com quem estivesse assistindo questionasse se seria certo o filme se chamar mesmo Rio, pois mais da metade da trama se passa em solo amazonense.

O elenco que dubla a animação é composto por grandes nomes do cinema internacional: Rodrigo Santoro (300), Anne Hathaway (O Diabo Veste Prada), Jesse Eisenberg (A Rede Social), Jamie Foxx (Django Livre), e Leslie Mann (O Virgem de 40 Anos).



As perguntas que ficam: será que este tipo de produção é uma forma de “fazer propaganda” aos turistas que vêm ao Brasil? Por que não investir em roteiros menos românticos e fofos, com temas mais plausíveis e questionadores? Animação pode ser mais que entretenimento sutil... Considerando que hoje o foco da animação não é mais somente o público infantil, o filme não superou as expectativas, mesmo compreendendo o desafio que é um animador brasileiro estar trabalhando e produzindo para uma das maiores indústrias de cinema do mundo.



Música São Paulo: Liga do Funk


Música Pedras de Fogo (PB): 17º Forró Fogo


Especial Dorival Caymmi 100 anos

 
Estátua de Dorival Caymmi 
na praia de Copacabana 
(Rio de Janeiro)
(Fotos: Fabio Gomes)

O dia em que Baden "entregou" Caymmi 

Dorival Caymmi sempre cantou a praia, logo deve gostar dela, certo? Talvez não. Quando esteve em Porto Alegre para sua última apresentação, em 15 de junho de 1999, no Theatro São Pedro, o violonista e compositor Baden Powell (1937-2000) "entregou" o baiano, antes de tocar "A Lenda do Abaeté":

- O Caymmi é um compositor que dedicou todas as músicas dele - quase todas, né? Quase todas - ao mar. (canta) "O mar, quando quebra na praia, é bonito, é bonito" e tal, né? E por aí tem... (canta) "É doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar..." Eu perguntei: "Caymmi, que história é essa de agora ' É doce morrer no mar?' Como é esse negócio de morrer afogado 'doce'? Essa história você vai contar pra outro, Caymmi!". Não é que ele diz assim: "Não, Baden, isso foi um amigo meu, que no meu tempo ele falava assim, disse que era doce morrer no mar e eu coloquei na música. Mas se você souber... eu nunca fui no mar!" (risos da platéia) E é verdade. O Caymmi nunca foi à praia. Bem, ele já tirou fotografias pra capa de disco (risos), essa coisa, mas o Caymmi não freqüenta praia não, ele não gosta. Ele mora em Minas Gerais, no rio das Ostras, não tem nada a ver com mar, é serra e tal. É, casa de ferreiro, espeto de pau. Ele ficou como homem do mar, parece até que ele pesca, jangada... Que nada, ele não faz nada disso. (gargalhadas gerais)

(Mistura e Manda nº 2, 16/6/2003)

***


Praça Caymmi, em Salvador


O Churrasco do Caymmi 

Nos anos 80, o maestro Radamés Gnattali gravava um disco e convidou o compositor Dorival Caymmi para participar. O baiano chegou no estúdio com o violão, que logo largou num canto. Os dois em seguida combinaram como iniciariam “Marina”, mas Radamés ainda quis verificar alguns acordes ao piano. Enquanto aguardava, Dorival cofiou os cabelos brancos e anunciou:

- Em janeiro a gente vai fazer um churrasco.

- Ah, é? – respondeu Radamés, interessado, ao que Caymmi acrescentou:

- Eu tenho preparativos para altas misérias!

- Aonde?

- Ah, no mundo!

(Mistura e Manda nº 8, 28/7/2003)

***

Busto na Praça Caymmi, em Salvador

O que é que as baianas têm?

Em 1836, o chefe de polícia de Salvador, desembargador Antônio Simões da Silva, solicitou ao administrador do Real Teatro de São João, tenente-coronel Inácio Accioli de Cerqueira e Silva, que cancelasse as apresentações da atriz Joana Januária de Sousa Bittencourt, que dançava lundu nos intervalos das peças. O motivo: a dança do lundu era considerada indecente e imprópria para a assistência em família, devido às contorsões que fazia Joana Bittencourt - aliás, mais conhecida do público da época como Joana (ou JoaninhaCastiga, em função do sucesso que alcançava ao interpretar a cançoneta "Castiga, Meu Bem, Castiga", que começava com os versos "Se quiser casar comigo,/ Há de ter segredo em tudo" e, como refrão, "Castiga, castiga, seu preto aqui está!".

A música não era nova: Joana já a cantava com seu marido apelidado Ciri (sicGordo na Casa da Comédia, em Recife, em 1824; nesse caso a interrupção das apresentações se deu por outro motivo: a tentativa de independência de províncias do Nordeste, que queriam criar a Confederação do Equador.

Enfim, Simões da Silva não aceitou os argumentos de Cerqueira e Silva e castigou Joana com a proibição. Aí aconteceu o esperado: os espectadores abandonaram o teatro; antes que ficasse definitivamente no vermelho, o empresário resolveu suspender a temporada. Em outubro de 1836, tendo assumido a chefia de polícia Francisco Gonçalves Martins, Cerqueira consultou-o sobre a possibilidade de apresentar lundus, pois assim o solicitavam diversos grupos amadores que procuravam a casa. Martins manteve o veto às danças "imorais".

Em 1837, Cerqueira insistiu, propondo um acordo: considerando que as famílias compareciam em peso aos dramas, os lundus seriam cantados então apenas nos intervalos das farsas. Martins consultou o presidente da província, que apoiou a decisão de seu subordinado: as danças deveriam ser impedidas de qualquer maneira, porque as executantes excediam sempre estabelecido. Disse Martins que não sabia o que é que as atrizes baianas tinham, que não se continham dentro dos limites por ele fixados. A questão se resolveu por si: em novembro, começou na Bahia a Sabinada e nem lundus, nem dramas, nem farsas puderam ser apresentados no São João por muito tempo.

É curioso notar que a expressão que o chefe de polícia usou antecipou em um século o tema do samba de Dorival Caymmi "O que é que a Baiana Tem?" (1938). E certamente Dorival ao compor não pensou em polícia: conforme entrevista sua à revista Vamos Ler! de 30 de dezembro de 1943, a idéia do samba ocorreu ao encontrar, entre coisas guardadas em casa, uma antiga gravura representando baianas com o vestido, os balangandãs e todos os enfeites autênticos: "Querendo divulgar como eram minhas patrícias do passado, criei o samba".

E Joana, como ficou? A proibição não parece tê-la abalado. Sempre incluída no rol dos maiores artistas da Bahia, ela teve uma carreira relativamente longa: na década de 1850, trabalhou na companhia de Germano Francisco de Oliveira, no Teatro São Luís, no Maranhão, onde esteve novamente em 1863, já como contratada da Companhia Furtado Coelho, ao lado de grandes atores como Eugênia Câmara e o também baiano Xisto Bahia.


Avenida em Itapuã, Salvador





segunda-feira, 28 de abril de 2014

Cinema Belém: Las Acacias


Rubén é um caminhoneiro que transporta madeira entre Asunción, no Paraguai, e Buenos Aires, na Argentina. Ele faz esse mesmo trajeto há anos, sempre solitário e silencioso. Um dia, no entanto, ele aceita dar carona a uma mulher desconhecida até Buenos Aires. Mas Jacinta, sua companheira de viagem, aparece uma hora atrasada, e com um bebê no colo. A primeira impressão de Rubén não é nada positiva: ele imagina passar longas horas ao lado de um bebê chorando e de uma pessoa por quem ele não tem o menor interesse. Aos poucos, no entanto, Rubén e Jacinta começam a trocar as primeiras palavras, e a se conhecer melhor.

Filme vencedor de inúmeros prêmios, dentre os quais constam os de melhor filme nos festivais de San Sebastian, Oslo, Lima, Biarritz, Bergen, no British Film Institut e na Associação Argentina de Críticos de Cinema, além do prêmio Caméra d'Or no festival de Cannes. 

Título original: Las Acacias | Direção: Pablo Giorgelli | Roteiro: Pablo Giorgelli, Salvador Roselli | Gênero: Drama | Ano: 2011 |  País:  Espanha , Argentina | Elenco: Germán de Silva, Hebe Duarte, Nayra Calle Mamani, Monica Coca, Lili Lopez | Fotografia: Diego Poleri | Produção: Alex Zito, Ariel Rotter, Pablo Giorgelli | Distribuidora: Vitrine Filmes | Cor: Colorido | Duração: 82 min. |  Classificação etária: 12 anos


Datas e horários das sessões:

*30/04 (quarta) - 19h
02 e 03/05 (sexta e sábado) - 19h
04/05 (domingo) - 17h e 19h
07 a 10/05 (quarta a sábado) - 19h
11/05 (domingo) - 17h e 19h

Não haverá sessão no dia 01/05

Ingressos: R$ 8,00 (com meia entrada para estudantes) 
* Dia 30/04 (quarta-feira) – Projeto Plateia: Entrada franca para estudantes na sessão de estreia

O Cine Líbero Luxardo dispõe de 86 lugares, com espaços para cadeirantes

Realização:
Governo do Estado do Pará | Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves

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Cine Líbero Luxardo
Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves | Av. Gentil Bittencourt, 650, Nazaré, Belém, Pará



Inscrições abertas para festival de teatro na Itália com masterclass de Eugenio Barba

Aqui no blog, temos por norma divulgar apenas eventos que se realizem no Brasi, mas tendo em vista havermos recebido este material em português sobre um festival de teatro que acontecerá na Itália e tendo a presença de um importante homem de teatro como Eugenio Barba, consideramos oportuno publicá-lo. 

O evento será realizado em Fara in Sabina, cidade a duas horas de trem do aeroporto de Fiumicino, em Roma. 


Abaixo, informações sobre inscrições:

DESPESAS 2014:

Festival inteiro a partir de 27/06 até 06 /07: € 550,00 incluindo alojamento e alimentação 
  Ao longo desde período são incluídos
- todos os laboratórios e também aquele do Teatro Potlach que acontecerá desde o dia  30 de junho   
  até o dia  6 de julho, das 9 às 10 da manhã.
. todas as reuniões da tarde com convidados internacionais.
. todas as demonstrações de trabalho.
. todos os espetáculos de noite.


Master Class com Eugenio Barba y Julia Varley a partir de 27/06 hora 21.00 até 29/06 hora 13.00: € 180,00 incluindo alojamento e alimentação.  


Oficina de  música e dança indiana  com Parvathy Baul a partir de 29/06 hora 14.30 até 02/07 hora 16.30: € 250,00  incluindo alojamento e alimentação.  


- Oficina  de dança japones Kamigata – Mai com Keiin Yoshimura  a partir de 03/07 10.30 até 06/07 16.30 : € 250,00  incluindo alojamento e alimentação.  


Durante todo o festival,  haverá reuniões, demonstrações de trabalho e performances. 

Se você está interessado, envie para Nathalie Mentha do Teatro Potlach, através do e-mail info@teatropotlach.org um currículo, um número de telefone e indique em qual  laboratório está interessado.

A precedência será dada a quem queira participar do Festival inteiro.

Depois de ter estudado o curriculum, enviaremos uma resposta com a aplicação de inscrição.

Teatro Potlach pede a seus membros, no momento da 'adesão, para fazer a transferência, se possível, 50% da taxa de inscrição e o restante no momento da chegada no teatro.




Porto Alegre: Casa Cultural Tony Petzhold oferece aulas gratuitas de dança

Didi Pedone
(foto: Carlos Sillero)

Em comemoração ao Dia Internacional da Dança, que é celebrado no dia 29 de abril próximo, a Casa Cultural Tony Petzhold oferece uma intensa programação gratuita na semana de 28 de abril a 3 de maio. Dança Contemporânea, Pesquisa de Movimento, Axis Syllabus, Feldenkrais, Ballet Clássico para Adultos, Arte Circense, Hip Hop, Dança Afro, Yoga, serão algumas das aulas oferecidas ao público interessado. As vagas são limitadas para todas as atividades.

Interessados enviar carta de intenção para o e-mail: casaculturaltonypetzhold@gmail.com.  Informações pelos fones (51) 3268.9669  96567087.

ATIVIDADES OFERECIDAS

Artes Circenses - Adultos Ana Bernarecki  - segunda-feira, 8h30/10h

Dança Contemporânea - Avançados Douglas Jung - segunda-feira, 14h/16h 

Movimento Expressão e Performance - Thais Petzhold, segunda-feira, 18h/19h30min

Biodanza - Cândida Stopinski e Margareth Osório, segunda–feira, 19h30min/22h

Astanga Yoga - Clarissa Brittes, segunda e quarta-feira, 8h30/09h30

Pesquisa do Movimento - Ana Medeiros, segunda e quarta-feira, 10h/12h

Dança Afro-Brasileira - Roberta Campos, segunda e quarta-feira,  10h/12h 

Axis Syllabus - Didi Pedone, segunda e quarta-feira, 12h30/14h

Integral Bambu - Filippo Cauac, segunda e quarta-feira, 19h30min/21h30min

Dança Contemporânea (Avançados) - Douglas Jung, quarta-feira, 14h/16hmin

Canto Popular - Karen Volkmann, quarta-feira, 16h às 17h15min

Dança Contemporânea (Intermediários) - Douglas Jung, quarta-feira, 18h/19h30

Dança Afro-Brasileira - Roberta Campos, quarta-feira, 20h/22h

Integral Bambu - Joana Kirst, terça-feira, 8h/9h

Kundalini Yoga Paula Carmona - terça-feira, 8h30/10h20

Canto Popular - Karen Volkmann, terça-eira , 11h/ 12h15

Dança Contemporânea (Iniciantes) - Douglas Jung, terça e quinta - 12h30/14h

Dança Contemporâneo (Intermediário) - Douglas Jung, terça-feira - 18h/19h30

Artes Circenses (Adultos) - Diego Esteves, terça e quinta-feira, 19h30/21h30

Astanga Yoga - Clarissa Brites, terça e quinta, 12h15/13h30

Kundalini Yoga - Paula Carmona, terça e quinta - 16h30/18h

Hip Hop - Carol Mendes , terça e quinta, 18h/19h30min

Ballet Clássico (Adulto) - Gisele Meinhardt, terça e quinta, 19h30min/21h30min

Artes Circenses Infantil - Fernanda Bertoncello Boff, quinta-feira, 10h/10h45

Dança Afro-Brasileira - Roberta Campos, quinta-feira, 18h/20h

Astanga Yoga - Clarissa Brittes, sexta-feira, 8h30min/09h30

Feldenkrais - Marcelle Coelho – sexta-feira, 10h45min/11h45min

Dança Afro-Brasileira - Roberta Campos, sexta-feira, 12h15min/14h

Artes Circenses Adultos - Diego Esteves, sábado, 0h/12h                                                             

Artes Circenses Infantil - Fernanda Boff, sábado, 14h30min/16h

Bambolê Dance- Mariana Bandarra, sábado, 16h30min/18h30min

Exposição Porto Alegre: Centenário de Vasco Prado


A largada para as comemorações do centenário de Vasco Prado, considerado um dos mais importantes artistas gaúchos de todos os tempos, será dada nesta terça-feira, dia 29 de abril, às 19h, quando ocorre a vernissage na Guion Galeria de Arte. O encerramento será no dia 26 de junho, quinta, quando serão comemorados os 19 anos do Guion Center Cinemas!

Serão apresentadas mais de 100 obras dos mais variados formatos e tamanhos, dentre desenhos, gravuras, pinturas, porcelanas, tapeçaria e esculturas, um território onde Vasco Prado exercia sua majestade. “Era nele que a sua imaginação flanava, ampla como as planícies de sua terra natal, Uruguaiana, onde nasceu em abril de 1914”, comenta o curador da exposição, o jornalista Carlos Schmidt. Segundo o marchand, o principal diferencial desta mostra é que ela se renovará constantemente. “Na medida em que as obras forem sendo comercializadas, novas peças serão agregadas ao acervo”.





Vasco Prado Gomes da Silva (1914-1998)

 Natural de Uruguaiana, filho de pai militar, morou com a família em Minas Gerais e no Rio de Janeiro antes de regressar ao Rio Grande do Sul, aos 14 anos de idade. Estudou no Colégio Militar de Porto Alegre, tendo concluído seu curso em 1936, aos 22 anos. Recebeu uma bolsa do governo francês em 1947 e 1948 e, a partir daí deixa, segundo ele próprio, de ser um artista autodidata. Foi um período de grande aprendizado e não poderia ser diferente, pois estudou no atelier de Etiènne Hajdu e Fernand Leger. Depois, estagiou em 1968 e 1969 na Polônia, Espanha, Alemanha e Portugal. Vasco foi o fundador do Clube da Gravura em Porto Alegre junto com Carlos Scliar e posteriormente fortalecido por Danúbio Gonçalves, Glênio Bianchetti e Glauco Rodrigues. Lecionou escultura e desenho em seus ateliês, bem como no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) e na Universidade de Caxias do Sul.

“A sua importância no cenário brasileiro da escultura é inconteste, quer como artista ou como formador e, quando há mais de 2 anos começamos a gestar esta exposição, sentimos a angústia e a responsabilidade de traduzir com fidelidade uma produção tão vasta em algumas dezenas de peças”, comenta o curador. Estimulado por amigos, Schmidt selecionou mais de uma centena de obras dos mais variados formatos e tamanhos. “Encontramos desenhos, gravuras, pinturas, porcelanas, tapeçaria e, obviamente esculturas, um território onde ele exercia sua majestade. Era nele que a sua imaginação flanava, ampla como as planícies de sua terra natal, Uruguaiana, onde nasceu em abril de 1914”.

Um exemplo acabado disso é a escultura em bronze "Espelho", obra que realizou em 1982, 16 anos antes de sua morte. Nela vemos o verso e o reverso de uma dama em delicado recato. E é também na escultura que ele nos oferece uma generosa gama de personagens do universo do gaúcho como o Negrinho do Pastoreio, o cavaleiro, a amazona, o piá de estância, o touro e o cavalo.

O público poderá apreciar, nesta exposição, preciosas terracotas como "Mulher Alada", "Cavalo e Cavaleiro" e "Terracota nº 19", além de obras realizadas em sua temporada em Varsóvia. “Vamos ter uma lembrança afetiva na escultura de madeira pau-ferro 'Mariana', o primeiro presente  em madeira, oferecido por ele a sua filha Eleonora, peça que ele carinhosamente chamava também de Barrigudinha”, indica Schmidt.

A simplicidade do traço, uma característica que transparece em seus desenhos, pode também ser encontrada nos traços gravados num raro exemplar de uma porta. Já na peça "Amantes", de 1998, ele demonstra grande densidade nos arroubos de um casal em flagrante volúpia.


Vasco foi gravador, escultor, tapeceiro, ilustrador, desenhista e professor. E é nesta última atividade que o curador encontrou o mote para esta homenagem a partir da lembrança do também artista Eduardo Vieira da Cunha: “Vasco gostava de ser chamado de faroleiro, porque seu último atelier fora construído num lugar privilegiado nos altos do morro Teresópolis, em Porto Alegre”

Carlos Schmidt concorda: “Do nosso ponto de vista, Vasco era além de um faroleiro, um Farol das Artes, na medida em que educava, orientava e inspirava outros artistas, encaminhando-os neste universo maravilhoso das artes.

Livro - Também está à disposição no local o livro intitulado Vasco Prado, O Centenário de um Farol das Artes. A obra, com 30 páginas, reúne textos críticos de Nora Prado, Marcelo Moreira e Carlos Schmidt, além de poemas de Nora Prado, filha de Vasco.  Yuji Schmidt assina o projeto gráfico, ricamente ilustrado com fotos de Carlos Schmidt, que também assina a coordenação editorial e a curadoria da exposição. O valor da obra é de R$ 130,00. 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Roberta Carvalho fala da realização do projeto Projeções do Feminino em Macapá


No começo da noite desta sexta, quem estava ou passou pelo Largo dos Inocentes (Mendonça Furtado, entre Tiradentes e São José), deparou-se com paisagens incomuns na parte de trás da Igreja de São José, a mais antiga edificação do Amapá. Eram projeções realizadas pela artista visual paraense Roberta Carvalho, atualmente residindo em São Paulo. E o que era projetado? Trabalhos das artistas atuantes na Amazônia Keyla Sobral, Lucie Schreiner, Lucia Gomes, Flavya Mutran, JJ Nunes e Paula Sampaio. A própria Roberta nos fala mais do projeto Projeções do Feminino, cuja circulação foi contemplada no Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais 2013: 

ROBERTA CARVALHO
Projeções do Feminino
Macapá - 25.04.14






Roberta Carvalho
(fotos de Fabio Gomes)

A realização da intervenção em Macapá contou com o apoio da Casa Fora do Eixo. 

Abaixo, algumas imagens da projeção:


Obra de Lucie Schreiner


Obra de JJ Nunes

Obra de Keyla Sobral

Teatro Belém: Nó de 4 Pernas


O dramaturgo Nazareno Tourinho autografa no local nos dias 2, 3 e 4 de maio, a partir das 19h, sua obra Peças Teatrais, vendida na ocasião pelo preço promocional de R$ 50. O livro contém a peça que está em cartaz, mais outros 13 textos do autor para teatro. 

terça-feira, 22 de abril de 2014

Opinião: Exposição Portinari: Trabalho e Jogo peca na qualidade das reproduções exibidas

Estive há pouco na abertura da exposição Portinari: Trabalho e Jogo, que reúne 25 reproduções de obras do artista em técnicas variadas, e fica aberta até 30 de maio no Shopping Amapá Garden (Macapá). Os quadros ocupam um trecho de corredor do shopping, nas proximidades na Livraria Nobel. Há um espaço interativo, onde aos finais de semana visitantes (em especial o público infantil) podem criar suas próprias releituras da obra do mestre paulista.

Um ponto positivo da mostra é o recorte incomum na produção de Cândido Portinari, do qual comumente se apresenta apenas a produção pictórica, em especial em óleo e têmpera - os famosos quadros Café, Guerra, Paz, Mestiço, o painel Tiradentes, a série Retirantes... Nenhum deles está na presente exposição. Privilegiou-se a produção de Portinari feita para livros (ilustrações para uma edição especial de Menino de Engenho, de José Lins do Rego) ou neles inspirada (há vários desenhos da série Dom Quixote, baseada no clássico do espanhol Miguel de Cervantes) e bem como gravuras, águas-fortes, entre outras técnicas geralmente pouco associadas ao nome de Portinari, que para o grande público foi "só" um pintor.

Mas, se tem isso de positivo, há que se fazer algumas ressalvas à mostra atualmente em cartaz. Há falhas, - pequenas, é verdade - na identificação das obras. Mostram-se, por exemplo, duas versões de "O namoro do menino de engenho", obra feita para o citado livro de José Lins, sem se especificar que uma foi a publicada no livro, e a outra descartada pelo próprio Portinari. Também penso que não faz sentido que uma exposição de um Portinari tenha um cartaz feito com modelo de programa de computador (imagem acima).

Porém a grande falha da mostra é na qualidade das reproduções exibidas. Se a qualidade das gravuras e águas-fortes é aceitável, por se tratar de obras originalmente produzidas em preto-e-branco, no caso das obras coloridas (como uma tela de "Baianas" retirantes dos anos 40,  a única sem identificação) isso se torna um grande problema, que se transforma num grave problema em relação à já citada série Dom Quixote. Trata-se de uma série de desenhos produzidos pelo artista em 1956, quando, tendo sido diagnosticado o começo de seu envenenamento pelas tintas que usava (e que acabou por por matá-lo em 1962, aos 58 anos), Portinari passou a usar preferentemente o lápis de cor. A reprodução em cartaz esmaeceu e chapou todas as nuances de cores dos originais. E não se pense que o problema é inerente à opção por réplicas. Vi na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, talvez ainda nos anos 1990, uma exposição da série Dom Quixote completa, acompanhada por poemas de Carlos Drummond de Andrade também sobre a obra de Cervantes,  toda de reproduções, nas quais era possível ver a mesma gama de cores que saíram do lápis de Portinari havia então mais de 40 anos. Por que não se buscou a mesma qualidade de reprodução na atual mostra?

Desta feita, a mostra se faz recomendável apenas a quem não tenha maior contato com a obra do mestre de Brodósqui, ou conheça apenas as tais telas mais famosas (Café, Guerra, Paz etc.). A partir daí, creio que, tendo o interesse despertado, o público possa procurar aprofundar seu conhecimento da obra do artista em livros ou na internet - e, esperamos, em futuras exposições com réplicas melhores ou mesmo com os originais (como aconteceu este ano mesmo em Belém).

Cinema Macapá: Cine Rock


Música Recife: Fim de Feira


Música São Paulo: La Tabaquera


Mistura e Manda: Descobrimento do Brasil

Nesta data, há 514 anos aconteceu o fato que estudamos na escola como Descobrimento do Brasil (se foi ou não acidental, se já havia contatos anteriores dos europeus com nosso país, é outra discussão...).

Sobre esse tema, existe uma monumental série de quatro suítes de Heitor Villa-Lobos (foto) para o filme O Descobrimento do Brasil (Humberto Mauro, 1937). A série tem o mesmo nome do filme e recebeu magistral gravação da Orquestra Nacional da Radiodifusão Francesa, sob regência do próprio Villa, em 1956, lançado pela EMI em 1957.

No carnaval, o descobrimento é citado em "Vultos e Efemérides" (Simeão - Jorge Porqueiro/ Portela, 1958): "Em 22 de abril de 1500/ Nosso gigante vi cair/ Por diante com amor edificou/ Essa grande pátria varonil/ E Portugal ao mundo revelou/ Brasil ô meu Brasil...", e mereceu também dois sambas próprios: "O Descobrimento do Brasil" (Geraldo Babão/Salgueiro, 1962) e "Treze Naus" (Portela, 1969), ambos atribuindo a chegada de Cabral à calmaria, como se estudava então (e por muito tempo) na escola. 

Ainda no carnaval, mas em outro gênero - a marcha -, Cândido das Neves apresentou em 1934 "A Maior Descoberta", gravada por Almirante e Castro Barbosa: "Depois da descoberta do Brasil/ A maior descoberta que se fez/ Foi... foi... foi a mulata/ A mulata que venceu mais uma vez!". Curiosamente, aqui, o autor evitou o uso da expressão consagrada - "descobrimento" -, que por sinal é considerada gramaticalmente incorreta por muitos autores, que recomendam o termo "descoberta".

***

Foi seu Cabral

A rigor, Pedro Álvares Cabral tem pouco a ver com a terra da qual tomou posse em nome do rei de Portugal em 1500. Passou só alguns dias aqui, a maioria a bordo, e não participou de outras expedições para cá - aliás, de mais nenhuma, após chegar a Lisboa em 1501 retornando da Índia. O rei Dom Manuel ofereceu-lhe o comando de outra viagem, mas ele recusou e caiu em desgraça na corte.

Nada disso, porém, parece importar para os brasileiros, pois ao longo dos anos o culto e as homenagens ao fidalgo português só têm similar ao de grandes heróis nacionais. Para citar só um exemplo, existem 3 ruas em Porto Alegre com seu nome: rua Cabral, rua Álvares Cabral e rua Pedro Álvares Cabral - sem contar a praça Cabrália!

Na marcha carnavalesca, então, os poderes atribuídos ao almirante são ilimitados. Ele não só foi "quem inventou o Brasil/(...) No dia 21 de abril/ Dois meses depois do carnaval!" ("História do Brasil", de Lamartine Babo, lançado por Almirante em 1934 - atenção: a menção de Lalá é mesmo ao dia 21, e não 22, para acentuar o caráter nonsense da letra). Mais que isso, o descobridor é exaltado por João de Barro pela diversidade de tipos femininos que temos no país hoje: "Quando seu Cabral aqui chegou,/ Só botocudas ele encontrou/ Hoje, há qualquer tipo de mulher/ Viva o Cabral! Tá de colher!" ("Viva o Cabral", gravado por Moreira da Silva em 1953).

***

O valioso Cabral

Quando, no começo dos anos 1960, o Tesouro Nacional resolveu colocar a efígie de Pedro Álvares Cabral na nova nota de mil cruzeiros, certamente não imaginou que repercussões isso teria na canção de carnaval. Duas marchas, com nome quase idêntico e lançadas na mesma época, abordavam o valor do navegante.

Uma delas foi "Retrato do Cabral" (Monsueto Menezes - Raul Marques), sucesso de Monsueto no carnaval de 1963: "Se não tem papel/ Pintado com o retrato/ Do Cabral/ O nosso amor acaba mal.// De janeiro a janeiro/ É uma briga sem igual/ A razão da nossa briga/ É o retrato do Cabral."

A outra, "Retrato de Cabral" (Rubem Gerardi - J. Piedade - José Brogogério), com Emilinha Borba, sobre um personagem que todo ano comprava um Cadillac: "Ai, ele é o tal!/ Abre a carteira, é só retrato de Cabral!".

(Mistura e Manda nº 45, 19/4/2004)

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Mistura e Manda: Tiradentes

Exaltação a Tiradentes

Hoje, dia 21, completam-se 222 anos do enforcamento do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, o Mártir da Independência. O culto à memória do herói iniciou depois de 1889, pois durante o Império não convinha ao regime lembrar alguém que quisera um país livre... com regime republicano. Já para a nascente República era ótimo apresentar-se como coroamento da idéia dos inconfidentes mineiros de 1789 e não mais uma quartelada qualquer - sem contar que, como quem mandara matar Tiradentes foi o governo de Portugal, não se constrangia ninguém dentro do país. Por tudo isso, já em 1890 o dia 21 de abril foi decretado feriado nacional, junto com 15 de novembro.

Painel "Tiradentes", de Cândido Portinari (1949)

De acordo com levantamento feito pela psicóloga francesa Monique Augras em seu livro O Brasil do Samba-Enredo (FGV, 1998), Tiradentes foi o vulto nacional mais citado em sambas-enredo no período em que as escolas de samba eram obrigadas a abordar temas da História nacional (1948-75). 

Mas foi só uma vez que o herói teve uma homenagem exclusiva: foi no bicampeonato do Império Serrano, em 1949, com o antológico "Exaltação a Tiradentes" (Mano Décio da Viola - Penteado - Estanislau Silva): "Joaquim José da Silva Xavier/ Morreu a 21 de abril/ Pela independência do Brasil/ Foi traído e não traiu jamais/ A inconfidência de Minas Gerais". 

Mano Décio tinha especial apreço pelo alferes, pois já no ano anterior apresentara, junto com Silas de Oliveira, nada menos que 3 sambas sobre ele. A escola preferiu apostar no tema "Antônio Castro Alves" (Altamiro Maio - Comprido). Mas 49 foi o ano de "Exaltação a Tiradentes", apresentado por Mano Décio e Penteado num ensaio que arrebatou a escola. Estanislau entrou na parceria porque, tendo ouvido o samba, foi a Madureira pedir autorização para divulgá-lo no asfalto. Desta forma, foi o primeiro samba-enredo que sobreviveu ao desfile, sendo gravado por Roberto Silva apenas como "Tiradentes" e voltando a fazer sucesso no carnaval de 1955.

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Tiradentes em outros sambas

Tiradentes figura também em diversos enredos que buscam enumerar uma série de fatos históricos, como "Seis Datas Magnas" (Althair Prego - Candeia/Portela, 1953): "Foi Tiradentes o Inconfidente/ e foi condenado à morte/ 30 anos depois o Brasil tornou-se independente/ Era o ideal de se formar um país livre e forte"; "Três Épocas do Brasil" (Vila Isabel, 1966): "Por um ato de heroísmo/ Foi sacrificado o nobre Tiradentes"; "Histórias e Tradições do Rio Quatrocentão - Do Morro Cara de Cão à Praça Onze" (Waldir 59 - Candeia/Portela, 1965): "Não devemos esquecer o mártir Inconfidente/ O heróico Tiradentes". 

Em alguns sambas, sua presença na letra se justificava por ser um enredo voltado para lutas libertárias, como "Movimentos Revolucionários e a Independência do Brasil" (ala dos compositores do Império Serrano, 1961): "Tiradentes sonhou com a nossa libertação/ Morreu defendendo o direito da nossa nação"; e "História da Liberdade no Brasil" (Aurinho da Ilha/Salgueiro, 1967): "Tiradentes, Tiradentes/ O herói inconfidente, inconfidente/ Domingos José Martins/ Abraçaram o mesmo ideal". Mas o alferes podia ser citado apenas a pretexto de simples menção a seu Estado natal, como em "O Vale do São Francisco" (Cartola - Carlos Cachaça/Mangueira, 1948): "...a terra do ouro/ berço de Tiradentes/ Que é Minas Gerais."

Ainda na linha dos sambas enumerativos, talvez o mais curioso seja "Vultos e Efemérides" (Simeão - Jorge Porqueiro), com o qual a Portela foi bicampeã em 1958: "Em 22 de abril de 1500/ Nosso gigante vi cair/ Por diante com amor edificou/ Essa grande pátria varonil/ E Portugal ao mundo revelou/ Brasil ô meu Brasil/ Tiradentes o mártir inconfidente/ O pioneiro do Brasil independente/ Da Inconfidência Mineira/ Pela página brasileira..."

Tão significativa presença no imaginário carnavalesco tornava Joaquim José presença obrigatória no "Samba do Crioulo Doido" (Stanislaw Ponte Preta, 1967), sátira ao gênero: "Chica da Silva/(...) obrigou a princesa (Leopoldina)/ A se casar com Tiradentes// La la la la la/ O bode que deu vou te contar// Joaquim José/ Que também é da Silva Xavier/ Queria ser dono do mundo/ E se elegeu Pedro II..."

(Mistura e Manda nº 45, 19/4/2004)

domingo, 20 de abril de 2014

Poeta do Mês: Lorrana Maciel (3)


Mistura e Manda: Músicas de Páscoa

O clima de austero recolhimento influenciou o muito pouco que se compôs no Brasil especificamente para a Páscoa, na década de 1950. Basta dizer que não há nenhum samba ou marcha no repertório desse fugaz ciclo, no qual predominam as valsas.

Em 1953, Gilberto Alves gravou "Feliz Páscoa", de Irani de Oliveira e Ari Monteiro. Os mesmos autores lançaram no ano seguinte "O Disco da Páscoa", com Lolita Rios. Já em 1956 foi a vez de Carlos Gonzaga cantar "Salve a Páscoa" (Celso Aguiar - Raguinho - Constantino). A única destas músicas que não era valsa, a canção "Presente de Páscoa" (Lino Tedesco) foi interpretada pelos Demônios da Garoa num disco de 1958.

É bem possível que a música "Coelhinho da Páscoa", de Olga Bhering Pohlmann ("Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim?/ Um ovo, dois ovos, três ovos assim!") seja dessa época, pois foi incluída no livro Música na Escola Primária, editado pelo Ministério da Educação e Cultura em 1962.

(Mistura e Manda nº 94, 28/3/2005)

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Cinema Macapá: Encontro com o Cinema Alemão


Mistura e Manda: Semana Santa

A Semana Santa é dos poucos ciclos festivos do calendário anual que não tem uma trilha sonora específica, como o Carnaval, São João ou Natal. Contam-se nos dedos canções que a abordam, como "O Terço" (Roberto & Erasmo Carlos), que Roberto Carlos gravou no auge de sua fase religiosa, em 1996: "Nos mistérios contemplo o nascer de Jesus/ E a alegria/ Na Paixão por amor preso à cruz/ Sua dor e agonia,/ Sua Ressurreição e aos céus a Ascenção/ No terceiro dia".

Já o dia de Aleluia aparece em "Perplexo" (Bi Ribeiro - João Barone - Herbert Vianna), que Os Paralamas do Sucesso gravaram no LP Big Bang, de 1989: "Não penso mais no futuro/ É tudo imprevisível/ Posso morrer de vergonha/ Mas eu ainda estou vivo/ Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira/ Quinta-feira, sexta-feira, Sábado de Aleluia/ Eu vou lutar, eu vou lutar/ Eu sou Maguila, não sou Tyson."

Por que uma das festas mais importantes do Cristianismo teria inspirado tão pouco nossos compositores? Creio que isso aconteceu porque na década de 1930, quando se compunham as obras que deram início aos ciclos natalino e junino, no período de Quaresma se observava rigorosamente o recolhimento sugerido pela Igreja Católica. A partir do meio-dia da Quinta-Feira de Endoenças, as rádios substituíam a programação musical habitual por música erudita e os cinemas passavam filmes sobre a vida de Cristo.

(Mistura e Manda nº 94, 28/3/2005)

terça-feira, 15 de abril de 2014

Poetas Azuis iniciam publicação de fotopoemas

Por Fabiana Figueiredo,
de Macapá


Com a ideia de que a poesia está em todos os lugares do dia a dia, os poetas Pedro Stkls e Thiago Soeiro, do grupo amapaense poético e musical Poetas Azuis, iniciaram a publicação de uma série de fotopoemas. O material contém fotos e texto dos poetas, colhidos de detalhes do cotidiano de cada artista.


Pedro Stkls e Thiago Soeiro


O trabalho, que é considerado um desafio de ambos, está disponível nas redes sociais do grupo: na fan page da dupla no Facebook (www.facebook.com/PoetasAzuis) e no seu perfil do Instagram (@poetasazuis) sendo publicados duas vezes por semana.





Para Pedro Stkls, o novo projeto é também uma forma de divulgar mais o trabalho deles como escritores. “Em nossas apresentações dizemos mais poesia de outras pessoas e essa é uma oportunidade de mostrar o que escrevemos e também um pouco mais do nosso trabalho como poetas”, explica Pedro.

Thiago Soeiro conta ainda que essa é uma forma de chamar a atenção das pessoas para as pequenas coisas, para os detalhes do dia a dia e, por isso, o nome “A Poesia do Olhar”.

“As fotos e os textos são todos buscando mostrar o olhar diferenciado que cada um tem para as coisas ao nosso redor, buscando assim valorizar os detalhes, as pequenas emoções”, destaca.

Os artistas planejam ainda uma exposição de fotopoemas para o segundo semestre do ano, junto com o novo espetáculo que vem sendo montado intitulado "A Palavra Amor", só com poemas que contenham a palavra “amor”.


O grupo, idealizado pelo professor, poeta e ator, Pedro Stkls e pelo jornalista e poeta, Thiago Soeiro, foi criado em junho de 2012, com o objetivo de juntar a poesia falada com a música. Eles já se apresentaram no Festival Quebramar, Feira do Livro do Amapá, Projeto Fim de Tarde no Museu, além de diversos Saraus por Macapá e em instituições de ensino.


O grupo já apresentou os espetáculos “Ensaios Poéticos”, “Varal de Poesia”, “Retalhos” e o mais recente “Abra o Bico”. Além de Thiago e Pedro, participam os músicos Igor de Oliveira, na direção musical e violão, e Bruno Mota, na percussão.

Opinião: Nebraska


Por Calila das Mercês,
de Salvador

Escrito pelo roteirista estreante Bob Nelson e dirigido por Alexander Payne, o longa-metragem Nebraska traz além de uma excelente e monótona fotografia em preto e branco, temáticas complexas como relações familiares, dramas cotidianos, alcoolismo e retratos de uma sociedade de valores ainda questionáveis.

Uma espécie de road movie, o filme se passa em torno da história de um jovem rapaz, David Grant (Will Forte), um vendedor de loja de eletrônicos, confuso e triste com o fim de um relacionamento, que resolve viajar de carro com o pai, Woody Grant (Bruce Dern) um senhor alcoolista, infeliz com a vida, que acredita ter ganhado 1 milhão de dólares numa carta de publicidade que recebeu pelos correios.

Woody é casado com Kate Grant (June Squibb) uma senhora que reclama dele e de todos que ela conhece com críticas ácidas e mau-humoradas. Além de David, eles têm um filho mais velho, Ross Grant (Bob Oden Kirk), que atua há pouco tempo como âncora de telejornal. Em vários momentos, os familiares mais próximos a Woody tenta convencê-lo de que o bilhete não tem validade, mas mesmo assim ele insiste que quer a todo custo ir a Nebraska. O drama aborda o comportamento humano, as pressões por bons empregos, o despeito e a cobiça do suposto ‘sucesso’ alheio, a necessidade de ter algo para se auto-afirmar, a violência, os bons e maus modos e também o sonho, muitas vezes frustrante, de deixar um legado ou algo de valor material para os sucessores.



            Sensível e delicado. Emocionante e cruel, assim é Nebraska. Como outras produções que foram indicadas às categorias do Oscar, como Her, Clube de Compras Dallas, Álbum de Família, 12 anos de escravidão e Blue Jasmine, o longa se configura como um acerto estético e original, tendo sido indicado a seis premiações no Oscar de 2014, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor com Alexander Payne, Melhor Ator (Bruce Dern), Melhor Atriz Coadjuvante (June Squibb) e Roteiro Original.