sábado, 31 de outubro de 2015

Na Rede: "As Tias do Marabaixo" na Bahia



Cuiabá - A viagem para divulgação do projeto As Tias do Marabaixo junto a entidades culturais que possam vir a contratar a mostra das fotos e dos curtas-metragens se aproxima do final. Saí de Macapá em junho, logo após as comemorações do Dia Estadual do Marabaixo (16 de junho) e devo estar de volta para o Encontro dos Tambores (segunda quinzena de novembro). 

Na viagem, passei inicialmente por Belém, Palmas, Paraíso do Tocantins (onde fiz a primeira mostra do projeto fora do Amapá), dali seguindo para a Bahia, onde planejava ficar 3 semanas e acabei permanecendo 3...meses.(...)

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Opinião Cinema: O Pequeno Príncipe

Por Bianca Oliveira,
de Macapá


Pela primeira vez está sendo muito difícil escrever esse texto, é impossível descrever toda essa magia e sentimento, tudo que sentimos nos 106 min de animação.  Quem nunca leu O Pequeno Príncipe?  Uma obra atemporal de Antoine de Saint-Exupéry (1900-44), lançada em 1943, que cativou a todos e que é passada de geração em geração. Se você não leu o livro, não se desespere, a animação está tão bem produzida que qualquer um entende e se encanta, é para a toda família mesmo, não se engane achando que só as crianças que vão gostar (Mas, afinal, é para as crianças?) 

Logo no começo já percebemos que não é uma adaptação fiel.  E que roteiro hein?! Irena Brignull e Bob Persichetti foram extremamente felizes e eternamente cativantes com essa história tão bem elaborada. Aliás, o diretor Mark Osborne também, ele tem a brilhante ideia de sem perder a essência da obra original, mesclar duas histórias: a já conhecida do menino que vivia solitário em um asteróide, viajando pelo espaço, onde encontrou um aviador perdido no deserto, com o qual desenvolve uma grande amizade; e a nova agora, onde  uma pequena garota (que não recebeu nenhum nome) leva uma vida bastante regrada: sua mãe tem uma obsessão de controlar tudo à sua volta, incluindo cada segundo dos dias de sua filha só para que ela entre na melhor escola. Mas, graças às estrelas, a menina é interrompida por seu excêntrico e amável vizinho, O Aviador. É aí que começa a jornada mágica e emocionante da Pequena Garota pela sua imaginação e pelo universo do Pequeno Príncipe. O diretor ainda teve a genial ideia de usar duas técnicas diferentes de animação para contar as duas histórias: a animação em CGI para o segmento inédito, e em stop-motion para a história do Pequeno Príncipe (compensa pagar mais caro para ver em 3D, o filme é perfeito, esteticamente falando).




O filme é cheio de lições, mensagens e sem deixar de lado as frases incríveis do original. A animação é uma crítica ao mundo atual, um mundo cinza, quadrado, cheio de rotinas e de pessoas sem vida, sem vontade de viver. Impossível você não parar e pensar: “ O que eu estou fazendo? Por que tanta ambição? O que está acontecendo?” Creio que estamos esquecendo da verdadeira beleza, afinal, “O essencial é invisível aos olhos”. O filme em si já tinha uma enoooorme carga emocional, para mim então, o meu livro favorito na tela, as lições, tudo me tocou e eu chorei igual uma boba na sala. Aí você pensa: “Ah, Bianca! Mas você é coração de manteiga mesmo, vive chorando”, não é assim não, caros leitores, eu olhei para o lado e os outros também estavam chorando (Tá, mesmo assim, confesso que choro por tudo mesmo).


Deixando um pouco o sentimento de lado e olhando com olhar mais crítico, lá pela metade caiu o ritmo, e se perdeu o nexo com o começo da história, mas ai quando vem o final histórias entrelaçadas rola uma lição de moral que você sai do cinema pensando no quão frio o mundo está. Não posso esquecer de ressaltar a trilha sonora de Hans Zimmer e Richard Harvey, não tenho dúvidas de que ela foi a chave para entrarmos na fantasia, para nos envolver ainda mais.

É um longa que todos precisam ver (não os mais novos, mais velhos ou crianças, estou falando de TODOS), ele transmite uma mensagem sobre a importância da imaginação, a amizade, o essencial que muitos abandonaram, e aborda também a perda da inocência que vem com a “vida cinza de adulto” e  que deveríamos manter acessa esse jeito de ver o mundo que as crianças possuem. É uma poesia em tela!


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Opinião Cinema: Linda de Morrer

Por Bianca Oliveira,
de Macapá


Eu sei que todas as vezes que comento sobre o cinema nacional sempre reclamo, critico e alguns podem até achar que já vou para o cinema pensando em “falar mal”. A verdade é que sempre vou orando para que dessa vez dê certo, o problema é que não vejo crescimento no cinema nacional, noto muita insistência no mesmo gênero, mesmo roteiro, mesmo ritmo, tudo igual, se está dando dinheiro por que não continuar, não é?! Pior ainda é que sempre a massa vai assistir e aceitar esse “padrão”. Acreditem em mim, existem filmes nacionais muito bons, que vão além da comercialização e de tantas futilidades, infelizmente esses que são realmente bons não têm o mesmo apoio da mídia (por motivos que não tem como aprofundar aqui).

Maaas, vamos falar desse filme em si. Peguem tudo que falei das outras comédias nacionais e coloquem aqui; o que muda? A sinopse. Confesso até que me surpreendi e acreditei que dessa vez ia. Só que foi a mesma fórmula, os mesmos estereótipos, alívios cômicos secundários, mais uma vez subestimando o espectador brasileiro, ao invés de alimentar a educação de seu público. O ritmo estava super acelerado, foi bem estranho, cortaram demais, pareciam “correr contra o tempo”. A direção de Cris D’Amato é muito presa à linguagem televisiva, focando nos personagens e desperdiçando aquilo que é mais gostoso no cinema: narrativa que vai muito além de meros diálogos, porque somos cativados também por meio da direção de arte, da fotografia, figurino, trilha sonora, etc. Coisa que não aconteceu.

Linda de Morrer gira em torno de Paula (Glória Pires), dona da famosa Imagem Clínica e Laboratório, que em parceria com Fran (Ângelo Paes Leme) cria nada mais, nada menos que a cura para a celulite: “Milagra”. Entretanto, no dia da grande festa em comemoração ao lançamento, Paula falece, e adivinhem o motivo?! Efeito colateral do remédio. Daí surge então Daniel (Emílio Dantas), psicólogo, tímido, contido, retraído, e que nem imaginava que tinha herdado o dom da sua avó recém-falecida: mediunidade.  Paula precisa salvar aquelas que estão fazendo filas só para comprarem o que tirou sua vida, por isso, persegue de todas as formas Daniel para ele entrar em contato com sua filha Alice (Antonia Morais, filha de Glória Pires na vida real) e  explicar tudo pra que ela possa interromper as vendas do remédio.


História diferente não? De fato, tinha tudo para dar certo, acredito que o maior erro tenha sido o gênero. Nada contra comédias mas, por que não aproveitar a oportunidades para informar e fazer com que as pessoas saiam dos cinemas pensando e indagando as futilidades que estamos expostos? Só que no fim, foram para o lado mais fácil: roteiro preguiçoso, atuações forçadas, alívios cômicos comuns e aquelas “piadas” sem nexo e dificilmente fariam alguém rir.


Antonia Morais é nova, está iniciando sua carreira ainda, claro que não posso julgá-la taaanto mas, em cena parecia insegura, fria, não acertou muita coisa não.  Glória Pires, claro, sempre tão elegante, sem dúvidas deu um charme maior para Paula, só que o que mais me deixou curiosa foi o porquê de Susana Vieira ter feito um papel tão simples daquele? Não tenho duvidas de que ela poderia ter dado uma cara e um ritmo bem melhor ao filme. Não é algo que aconselho para assistirem, pois o ritmo é acelerado demais, final previsível, aliás, muitos personagens nem tiveram um “final”, ficou tudo muito vago. Espero que um dia o cinema comercial brasileiro perceba que merecemos muito mais e que queremos algo inovador.

sábado, 17 de outubro de 2015

Curta Você é África, Você é Linda investe contra o preconceito

Em setembro, estive em Jequié, cidade do interior da Bahia, onde realizei a primeira edição da minha Oficina de Cinema Independente. Em dado momento, como o programa da Oficina prevê, pedi à turma que se organizasse em grupos, a fim de que cada um produzisse um curta-metragem como exercício. Mas, excepcionalmente, convidei duas das alunas, Selma de Oliveira e Elmira Trindade, para participar de um novo filme que eu decidira rodar ali mesmo na Oficina, e que está sendo lançado hoje no YouTube com o título de Você é África, Você é Linda

Selma é a responsável direta pela minha ida a Jequié; a conheci em Taquaruçu, distrito de Palmas, durante a realização do  Mutum - 1ª Mostra de Música Instrumental e Cultura Popular do Tocantins, em julho. Instalada numa mesa próxima ao palco do evento, Selma confeccionava turbantes, contribuindo para, como definiu, africanizar as moças que foram assistir aos shows. Não pude, na ocasião, fazer nenhum registro de seu trabalho, pois a bateria de minha câmera descarregou ainda antes do primeiro show, e eu havia deixado o carregador em Palmas (acontece né!). Ao saber da participação de Selma em movimentos sociais, propus levar a Jequié a minha mostra de curtas As Tias do Marabaixoque ficou então agendada para agosto. Não foi possível minha ida a Jequié em agosto, mas como diz o ditado, há males que vêm para o bem: como a viagem foi transferida para setembro, isso permitiu que eu estruturasse a Oficina, e Selma conseguiu apoio com a UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia) para realizá-la em Jequié. 

Lá estando, resolvi então fazer o registro do trabalho de Selma, que não pudera fazer em Taquaruçu. Mesmo sem experiência anterior em cinema, Selma e Elmira toparam a ideia, improvisando na hora os diálogos. Às duas, meu mais sincero agradecimento, bem como à UESB, em cujas instalações foram realizadas as filmagens. 

Geralmente, curtas realizados durante oficinas de cinema não são divulgados ao público, já que a rapidez com que são feitos (afinal, a bem da verdade trata-se mais de um exercício de aula) por vezes compromete o apuro técnico. Sou o primeiro a admitir que, sim, Você é África, Você é Linda tem falhas, principalmente por ter sido filmado com câmera na mão e possuir roteiro improvisado; também é visível a diferença de intensidade de cor, variação que se pode notar mais no começo do filme, já que foram usadas imagem captadas por duas câmeras diferentes. Penso mesmo em, mais adiante, refilmar este argumento, com mais tempo e recursos. O que me animou a apresentar publicamente este curta, assim como está, é sua forte mensagem contra o preconceito - relatos como o da personagem interpretada por Elmira (de ter sofrido preconceito em função de seu cabelo crespo e cacheado desde a mais tenra infância) são, infelizmente, extremamente comuns em nosso país. Mas, assim como o preconceito não nos dá trégua, também não podemos dar trégua ao preconceito!