sábado, 9 de janeiro de 2016

Opinião Cinema: Chico - Artista Brasileiro

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro

Todos conhecem Francisco Buarque de Hollanda, o famoso Chico Buarque. Que tem vários Chicos conhecidos e amados:  o poeta, o ultrarromântico, o compositor politizado, o fã de futebol...todos dentro de um só ser (óbvio). Mas, aí o diretor Miguel Faria Jr., com toda a inteligência e sensibilidade que possui, vem e nos mostra um novo Chico, um cara humilde, honesto e que conquista todos com sua simplicidade e seu talento.




O documentário Chico - Artista Brasileiro é contado cronologicamente pelo próprio Chico, mesclando apresentações de várias composições do músico feitas por diversos intérpretes e amigos (Adriana Calcanhotto, Mart’nália, Péricles etc...) com depoimentos sobre sua vida, mas fugindo totalmente de perguntas conhecidas e bobas, mostrando questões que exploravam sua personalidade ao invés dos fatos de sua carreira. Parecia mais uma conversa entre amigos, e, é impossível que não percebamos como os detalhes que ele nos dizia acabavam se transformando em um “ingrediente” para suas composições e para seus livros, que têm alguns de seus trechos lidos durante a projeção por Marília Pêra (falecida poucas semanas após a estreia do filme).



Péricles

A construção do filme é feita com uma sensibilidade incrível. Miguel Faria coloca na tela uma poesia bonita de se ver, que arrepia, emociona, e que demonstra não uma biografia comum, mas algo mais humano, simples. Ele foca na sua identidade como artista, seu processo criativo e seu “particular estilo Chico de ser”.  O que aproxima mais o público a cada sequência, demonstrando um ser humano simples que vê beleza nas pequenas coisas e que com o passar do tempo ama cada vez mais o que faz, afinal, mais de 50 anos de carreira não é para qualquer um, não é mesmo?! A escolha do repertório também é cativante, nada de algo comum, óbvio, vai mais além, algo que celebra a vida que encaixa perfeitamente ao clima mais “humano”.



Dificilmente um documentário agrada o público tanto como esse conseguiu, talvez por todas as histórias que são contadas, elas fogem das polêmicas e nos fazem rir até a barriga doer: o público se encanta que nem consegue tirar os olhos da tela, é algo verdadeiro. Nada de ir ao cinema com expectativas, apenas viaje no tempo com as lembranças que Buarque nos conta com tanta familiaridade. Como o diretor disse: É um artista revisitando a sua própria história do ponto de vista da maturidade.