quinta-feira, 28 de julho de 2016

150 mil acessos!





Na noite dessa quarta, 27, este blog atingiu a marca de 150 mil acessos desde sua entrada no ar, em 8 de agosto de 2011 (há praticamente 5 anos, portanto). Em média, são 82 acessos por dia ao longo desse tempo todo, mas é claro que sempre há oscilações, não é? No mês de estreia, o blog atingiu 1.615 acessos e já em setembro de 2011 pulou para 2.906, recorde que só foi quebrado em janeiro de 2013 (2.943). Novos recordes vieram em abril de 2013 (3.702), janeiro de 2014 (4.717) e maio de 2015 (5.181, ainda não superado). Só entre junho e agosto de 2012 o acesso mensal ficou abaixo de mil - sendo o pior mês da série histórica (sempre quis usar esta expressão!) agosto de 2012, com apenas 844 visitas. Agora em julho de 2016, já tivemos 3.040 acessos (sendo 112/dia). 

Os números são animadores, levando-se em conta de que os blogs não são há muito tempo a mídia virtual da moda, tendo sido ultrapassados há tempo em relevância para o público pelas redes sociais (mas, como escrevi no LinkedIn mês passado, esse jogo pode estar começando a virar). 

Este blog foi criado como sucessor do site Jornalismo Cultural, que coloquei no ar em 6 de outubro de 2005 (e ainda segue no ar, aqui você acessa a página de Artigos dele). Seus objetivos eram dois: 

funcionar como um canal para publicação de artigos meus e de outras pessoas sobre a cena cultural brasileira e também como agenda cultural (função que descartei ao longo do tempo, já que as pessoas deixaram de usar blogs como guia cultural, optando por redes sociais ou Whatsapp); e

ser uma antologia dos meus principais artigos publicados nos antigos sites Brasileirinho e Jornalismo Cultural.

Olhando retrospectivamente, fico feliz ao constatar que as duas funções foram e estão sendo plenamente cumpridas. Talvez um pouco menos a segunda (mas note pela ilustração do post que Tia Ciata, um texto que escrevi para o Brasileirinho em 2007, e republicado aqui em 2012, é o terceiro mais visto desde que o blog é blog, sendo citado até na Wikipedia; seguido por Gaita no Sul = Sanfona no Nordeste, também originalmente publicado no Brasileirinho.). De todo modo, como ambos os sites seguem no ar, os textos continuam acessíveis, portanto.

Os outros três textos do nosso Top 5 são ligados à faceta opinativa do Jornalismo Cultural. O campeão do blog é um comentário que fiz destacando os furos de roteiro do filme O Espetacular Homem Aranha 2 - sendo que eu próprio cometi alguns equívocos no texto, o que me levou a fazer novo artigo sobre o filme... 

A presença na lista de outra crítica de cinema destaca a importância de haver gente colaborando com o blog, afinal nem só não tem como eu ouvi/ver tudo, mas também é fundamental haver pluralidade de opiniões. O texto de Bianca Oliveira, nossa comentarista desde 2014, analisando o filme Como Eu Era Antes de Você,  pode ser considerado um fenômeno de popularidade - tornou-se o quinto texto mais lido na história do blog em apenas 21 dias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Destaco também o texto sobre teatro Peça Salvador: Éramos Gays, o segundo colocado na lista, da jornalista baiana Calila das Mercês, que foi colaboradora do blog entre 2011 e 2014. A Calila, Bianca e todas as pessoas que ao longo destes 5 anos escreveram para o blog, o meu agradecimento. 

Ao longo destes 5 anos, o país de onde mais recebemos visitas é, naturalmente, o Brasil (72 mil, quase a metade dos acessos); seguem-se Estados Unidos (35 mil, ou seja praticamente 25%), Alemanha, Rússia e Ucrânia. Nos últimos 30 dias, o Brasil segue líder (quase um terço das visitas), vindo em seguida Rússia, Hong Kong (!), Alemanha e EUA. 

Os principais browsers usados pelos internautas desde sempre para nos ver são o Chrome, o Firefox e o Internet Explorer - sendo que o IE surpreende ao ser o 2º colocado nos últimos 30 dias, com um terço dos acessos (o Chrome lidera com 50%). 

Já a análise do sistema operacional preferido para nos ver mostra uma importante mudança - o Windows sempre liderou (67% nos 5 anos e 58% de um mês pra cá), porém o Android, que na série histórica ficava em 4º lugar (7%, atrás do Linux), no último mês representa 27%, à frente do Macintosh (8%). Ou seja, o acesso móvel maciço já é o presente da internet. 

Outra mudança significativa é a origem das visitas - ou seja, onde os internautas seguiram um link que os trouxe até o blog. Historicamente, é o Google, com 10%. No último mês, é o Facebook, com 20%. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Opinião Cinema: Como Eu Era Antes de Você

Por Bianca Oliveira
do Rio de Janeiro




Jojo Moyes é a nova queridinha do mercado literário. Seu livro Como Eu Era Antes de Você vendeu mais de três milhões de cópias no mundo inteiro, e naturalmente atraiu o interesse dos produtores de cinema. É normal que o filme perca um pouco da essência do livro, mas nesse aspecto é importante ressaltar que foi a própria Moyes que escreveu o roteiro, ou seja, qualquer mudança ou simplificação veio da própria autora das personagens. Então o que nos resta é nos conformar com o que promete ser “ A culpa é das Estrelas” de 2016.

Louisa Clark (Emilia Clarke) é uma jovem moça que não tem muitas ambições, ela está acostumada em morar numa cidadezinha perto de Londres junto com os pais, avô, irmã e seu sobrinho pequeno. Infelizmente, ou não, o café em que Lou trabalha fecha as portas e a moça se vê na obrigação de procurar urgente um novo emprego para ajudar sua família, mesmo tendo pouca experiência. Esse emprego é nada mais, nada menos, do que como cuidadora de Will Traynor (Sam Claflin), um rapaz aventureiro, rico e que tinha grandes ambições, mas que após um acidente ficou tetraplégico, com um humor difícil e perdido, sem saber o que fazer, além de querer desistir da vida.

Ser um deficiente físico não deve ser algo fácil, isso sabemos, e não é de hoje que o cinema vem abordando temas assim em filmes como O Meu Pé Esquerdo, o fabuloso A Teoria de Tudo, Tudo Por Amor etc. Jojo tinha tudo para fazer desse um exemplo de luta e perseverança, mas optou resolver as questões de modo fácil, bobo e melancólico. Calma, crianças, não me ataquem, larguem  essas pedras, eu sei que o filme está na modinha e todo mundo amando, mas deixa a tia Bianca falar uma coisa, do fundo do coração dela, NÃO É ASSIM QUE FUNCIONA NÃO. A vida de um deficiente não é cheia de adaptações, jatinhos e funcionários paparicando. Pessoas de verdade têm que enfrentar todos os dias enormes desafios, têm que enfrentar os outros olhando para elas como aberrações, às vezes precisam da ajuda de estranhos pois nem todo local é adaptado, precisam passar várias horas quase esmagados no avião, porque tudo é muito pequeno, e tem que conviver com aquilo diariamente, sem a opção que Will teve.

“Ah, Bianca, mas isso é ficção, não leve tão a serio”. Eu sei disso, só que o cinema influencia e muito a vida de qualquer um, e por que não usar esse meio para mostrar as pessoas que não é o fim do mundo? Eu sei também que Will era aventureiro e seu acidente foi um choque mas tenho absoluta certeza que Jojo Moyes poderia contornar isso. O próprio Francesco Clark, que dizem ter sido uma das “inspirações” da autora, criticou a trama e principalmente a forma que ela foi abordada:

- Eu trabalho incansavelmente para mostrar para todo mundo que ser quadriplégico não o final da vida de ninguém – é um novo começo. Eu não estou tomando uma posição contra o suicídio assistido, estou dizendo que estou revoltado por terem me associado a uma história que diz que a única ou melhor saída para pessoas como eu é a morte. Eu vou continuar espalhando uma mensagem de positividade e esperança para as pessoas que sofreram ferimentos como os meus, ou que conhecem e amam alguém que sofreu. Sou um perfeito exemplo de que a vida não só continua, como se torna melhor a cada dia.

Eu sei que, olhando por esse lado, estou detonando a “magia” do filme, mas me revolta a forma com que a autora abordou um tema assim. Romantizar isso é perpetuar um estereótipo, é uma questão de abandonar as pessoas reais com deficiência que estão lutando e muito para ter sua sanidade e meios para sobreviver.

Além disso, outro erro foi na pressa em apresentar os personagens, na verdade nem apresentaram, o longa foi logo colocando momentos aleatórios. O começo todo é uma correria, há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, e muitas nem ligação têm. A diretora Thea Sharrock queria colocar logo seus personagens em um conflito central, o que gerou uma construção fraca e não nos deixou aproveitar o momento.







Exemplos: Lou diz que gostou de um filme que assiste com Will, mas a gente não a vê assistindo a sessão em casa, rindo e nem vê seus olhos brilhando e se apaixonando pelo tal filme. Ou então a cena do concerto de música clássica, que é tão rápida que nem reparamos direito nos dois e na sintonia. A diretora forçou a aproximação, e o engraçado disso tudo é que os melhores momentos, os que arrancam de verdade gargalhadas e lágrimas, são os mais bestinhas.

Dito tudo isso preciso ressaltar as partes boas (aleluia). O filme possui uma fotografia linda, as paisagens do interior da Inglaterra são verdadeiros presentes para o público. O diretor de fotografia Remi Adefarasin usou e abusou das cores quentes, e isso deu um charme e ajudou a percebermos a beleza da relação entre os atores principais. A trilha sonora, açucarada, de Ed Sheeran fez todo mundo entrar no clima e até em determinados momentos fez cair aquele suor hetero dos olhos.  Mas não tenho dúvidas que o que mais chamou a atenção foram os exuberantes figurinos, principalmente o da Lou, a figurinista Jill Taylor disse que queria que as pessoas sentissem a alegria da personagem e isso nos cativou muito.


Emilia é o coração do filme, e a direção sabe muito bem disso, não é à toa que focaram bastante nela. Mas mesmo sua personagem sendo divertida e cativante, a atriz decidiu interpretá-la de uma forma caricata, exagerando em absolutamente tudo, desde as caretas até a entonação. Não que isso seja ruim, é algo estranho mas que trouxe várias gargalhadas. 

Claflin interpretou algo difícil, não chamou atenção,  nem foi a melhor atuação de sua carreira, mas ele demonstrou segurança e o seu contraste com Emilia rendeu ótimas cenas. E de todos as cenas, sem dúvidas, a sequência do casamento é a mais linda e meiga.

Um pouco de comédia, e muito mais romance, Como Eu Era Antes de Você  não é aquele filme espetacular e perfeito, ele apenas soube seguir à risca a fórmula do cinema água com açúcar que faz as pessoas chorarem, rirem, soltarem aquele “awwwm” mas que depois são facilmente esquecidos. Vale a pena ver na sessão da tarde, quem sabe.


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