quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Opinião Cinema: As Aventuras de Robinson Crusoé

Por Bianca Oliveira,
de Macapá



O clássico da literatura inglesa Robinson Crusoé, criado pelo escritor inglês Daniel Defoe,  foi publicado originalmente em 1719, no Reino Unido. Desde então, teve inúmeras adaptações no cinema, já que seu protagonista é um dos personagens mais famosos da literatura. Agora em 2016 o diretor francês Vincent Kesteloot tenta, numa versão em animação feita em co-produção com a Bélgica, apresentar um olhar diferente dessa história que conquistou o mundo.

As Aventuras de Robinson Crusoé conta a história de um homem que, após um acidente de barco, vai parar em uma ilha exótica, precisando sobreviver e superar seus medos. Na animação, obviamente,  muito coisa foi omitida. A ilha deserta do livro foi transformada em uma ilha habitada por animais de todas as espécies que falam e que são super desconfiados.  Terça-Fira é o nome do papagaio tagarela sonhador, que nesta versão é o narrador principal. O papagaio, junto com seus amigos, tenta proteger a ilha do invasor Crusoé, mas por fim os animais descobrem que os verdadeiros inimigos são os gatos que estavam a bordo do navio naufragado. Daí nasce uma união muito bonitinha... e atrapalhada também.

Em tempos em que as animações são feitas para todos os públicos, inclusive os adultos, nesse longa vemos nitidamente a intenção do diretor em atingir o público infantil, e somente ele, o que dificilmente ele conseguirá porque comete tantos excessos que até criancinhas pequenas ficarão entediadas.


O máximo que o longa consegue é proporcionar algumas risadinhas mas que logo serão esquecidas, além daquela clássica luta entre o bem e o mal (zzZzZ). O roteiro é fútil e os personagens, vazios e desinteressantes, além do filme não ter ritmo e ter um péssimo desfecho (parece mais que Kesteloot não sabia como terminar e pegou qualquer coisa que se encaixava).


A história de Crusoé é extremamente rica, mas pelo visto a opção do filme foi usar seu nome apenas para atrair mídia, já que os personagens principais são os animais; o que no livro era a ação principal neste filme foi transformado em um negócio chato de pano de fundo. Não que utilizar animais seja algo ruim, várias animações provaram o contrário, mas nesse caso não houve construção dos personagens, que nem ao menos nos foram apresentados direito. 

Pelo menos a estética salva, visualmente o filme é muito bonito, os efeitos, sons, 3D... tudo foi caprichado, mas não passa daí. As Aventuras de Robinson Crusoé mostrou que é possível transformar o tempo dos pais com seus filhos, no cinema, em verdadeiro pesadelo e tédio interminável.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Opinião Cinema: Doutor Estranho

Por Bianca Oliveira,
de Macapá



Dr. Estranho é um clássico dos quadrinhos. O personagem sempre foi o preferido de muita gente, e se ele demorou tanto para ir às telas não foi por não ser famoso, mas sim porque o cinema ainda não estava preparado para tê-lo... Como assim? Bom, Dr. Estranho entra em um mundo não muito explorado, pela Marvel, que é a magia. Todo o trabalho anterior foi importante para introduzir esse personagem. E sem dúvidas esse era o maior desafio da Marvel: Como ingressar nesse mundo de tanta magia, força e representar bem o colorismo e traços do maravilhoso Ditko? E tudo isso sem assustar o público?

Dr. Estranho foi criado por Stan Lee e Steve Ditko, em 1963; as histórias eram uma mistura de super-herói, com um pouquinho de horror e a psicodelia da época. Era tudo diferente, ele representava vários mundos e dimensões, era para usarmos nossa imaginação mesmo. No filme, começamos na origem do personagem Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), um médico renomado, porém arrogante, e que após um acidente de  carro perde o movimento das mãos, o que o impossibilita de exercer sua profissão. Procurando uma cura ele acaba em Katmandu (Nepal), onde além de recuperar seu corpo o doutor treina sua mente e descobre a magia e um mundo novo com dimensões paralelas. Graças a ajuda da Anciã (Tilda Swinton) e de Mordo (Chiwetel Ejiofor), o doutor finalmente se encontra.  

O diretor Scott Derrickson, com o seu olhar preciso, traz ao longa o tom de terror que já é conhecido em seus trabalhos, essencial aqui. O roteiro simples e coeso, a montagem, o figurino, a trilha sonora pesada, tudo foi feito com capricho e digno de um filme bom mas a edição e os efeitos visuais...nossa! Esses sim foram os elementos-chave para entrarmos de vez nesse mundo.





 supervisor de efeitos especiais Stephane Ceretti foi o responsável por fazer desse um dos filmes mais lindos da Marvel. Os efeitos serviram para entendermos o mago, tudo era muito surrealista e psicodélico, cheio de cores e vida, cada cena era um presente para nós. Por exemplo, logo na cena inicial, onde vemos um prédio  caindo de uma forma impossível para a Física - aliás não tente procurar lógica, como a Anciã diz “Nem tudo precisa fazer sentido”. E não precisa mesmo: ali não há explicação, é simplesmente a pura magia, é impossível não ficarmos hipnotizados com a estética do filme. Obrigada, Ceretti, você merece o Oscar, sem dúvidas.



Depois de  tudo isso ainda temos o elenco. Benedict encara seu personagem e mostra o porquê dele ser uma das melhores descobertas atuais, Dr. Estranho não é fácil ou comum, mas Benedict tira de letra. Outra que rouba a cena é a anciã que consegue mudar o ambiente com sua sabedoria e também abusa o sarcasmo (para nossa alegria). Além de Rachel McAdams, Chiwetel Ejiofor e Mads Mikkelsen - este ultimo é um ótimo ator mas que deu o azar de ficar com um vilão mal construído, com o qual ele não pôde demonstrar sua capacidade. Aliás, já é conhecida essa característica da Marvel de criar vilões rasos e mal utilizados (o que é uma pena).

No fim, todos fizeram sua lição de casa correta, não há um graaaande momento na história e nem um vilão que não te deixe dormir de noite. Mas há um visual que vale a pena, algo novo e impressionante e que abre portas para essa nova Marvel mais madura que vem por aí.