sexta-feira, 31 de março de 2017

O que uma empresa ganha constrangendo as pessoas?

No começo da tarde dessa sexta, mais exatamente por volta das 13h15, eu andava pela av. Nazaré, em Belém, quando começou a chover forte. Resolvi entrar então no local mais próximo - no caso, a recepção do hotel Grand Mercure Belém. Entrei, localizei umas mesas junto ao que parece ser um bar (que não estava atendendo naquele horário) e me sentei numa cadeira junto a uma mesa, perto da qual havia outro homem sentado, entretido com seu celular. Antes que eu pudesse achar o meu em minha mochilinha de corda, eis que um segurança do hotel me aborda e me pergunta o que estou fazendo ali (detalhe: o segurança estava na parte externa do hotel e entrou especificamente para me abordar, em menos de um minuto da minha chegada). Respondi que estava esperando a chuva passar.

(Para quem porventura não saiba: Belém é considerada a capital brasileira mais chuvosa. É uma cidade onde pode chover a qualquer momento, em qualquer dia do ano, mesmo na chamada estação seca, ou "verão amazônico", entre julho e setembro. Por conta disso, as pessoas têm o costume de se abrigar da chuva em lojas, clínicas, farmácias, escolas, enfim, no primeiro lugar em que consigam entrar.)

O segurança então me disse que se eu não estava hospedado no hotel, não podia ficar ali e precisava ir embora. Falei pra ele que a chuva ainda estava forte, então ele disse que eu poderia ficar na parte externa do hotel, mas não mais ali na recepção. Achei muito estranho (sempre me abrigo, por exemplo, no Hotel Princesa Louçã, na av. Presidente Vargas, desde quando ele era o Hilton Belém. Jamais fui abordado). Enfim, o segurança se mostrou bastante ríspido, não parecia disposto a ceder, então levantei e saí.

A chuva de fato estava cada vez mais forte, de modo que procurei ficar perto da porta. Notei que o segurança fez menção de vir até onde eu estava, talvez temendo que eu entrasse novamente. Decidi então entrar mesmo e fui até o balcão de recepção. Relatei brevemente o ocorrido e perguntei se a abordagem que sofri era correta.

Os recepcionistas falaram que de fato há uma norma que não permite a pessoas não hospedadas permanecer no hotel (embora isso não esteja informado em lugar nenhum da recepção). Só é permitida a permanência, me disseram, a quem esteja hospedado ou visitando o hotel (não consegui entender a diferença entre estar em um local do hotel e visitá-lo. Quem é que visita um hotel?). Enfim, quis saber se havia um formulário para que eu pudesse reclamar da abordagem sofrida com a administração do estabelecimento. Fui informado de que existe, sim, um formulário, porém ele só é disponibilizado para hóspedes (que, obviamente, não são abordados nem expulsos!). Disse então que, mesmo que a abordagem não seja ilegal, posto que prevista no regimento interno do hotel, ela não deixava de representar uma grande falta de respeito com o ser humano! 

Decidi então sair na chuva mesmo, cruzar a rua e me abrigar na Sede Social do Paysandu Sport Club. Ali, além de escritórios do clube, existe um restaurante aberto ao público em geral e uma imensa área coberta, com mesinhas e cadeiras, onde umas 10 pessoas aguardavam a chuva passar. Fiquei tranquilamente ali mais de 40 minutos, quando a precipitação diminuiu e pude voltar pra casa.

Dito isto, fico pensando em que benefício tem uma empresa como o Grand Mercure Belém ao adotar tal procedimento. Confesso que não consigo perceber vantagem alguma para o estabelecimento. Já as desvantagens são várias. Vejamos: quando alguém entra num estabelecimento, seja ele um hotel, seja ele uma padaria, temos nessa pessoa, no mínimo, um possível futuro cliente. Mesmo que hoje eu não esteja hospedado no hotel, eu poderia vir a me hospedar um dia, ou poderia indicá-lo para algum amigo que esteja vindo para Belém. Poderia, do tempo verbal futuro do pretérito, outrora conhecido como "condicional". Evidente que, para contratar ou recomendar alguma empresa, uma das condições que considero fundamentais é que ela apresente um mínimo que seja de respeito pelo ser humano. Um conceito que, como vimos, está longe de ter abrigo no Grand Mercure Belém.


23 comentários:

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    1. Vou me informar a respeito. Obrigado pelo comentário.

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    1. Deduzo que vc nunca passou por situação semelhante. De todo modo, se algo não é um problema para vc, não significa que não seja um problema para outras pessoas.

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  3. Trata-se de propriedade privada e o dono legisla sobre a propriedade como quiser. Não é espaço público.

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    1. Propriedade privada, sim, correto, porém sempre haverá limites éticos para a atuação de quem quer que seja. Se a permanência de pessoas não hospedadas é proibida, isto pode ser informado através de um simples cartaz na parede ou mesmo na porta principal. Do mesmo modo, um segurança pode abordar uma pessoa educadamente e informar o procedimento do hotel - que, repito, não é o padrão do que vejo em outros hotéis e qualquer tipo de estabelecimento, em Belém ou outras capitais.

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  4. Não vejo problema em solicitar para a pessoa se retirar, pois não está se utilizando dos serviços do hotel, agora acho que a abordagem foi incorreta. É padrão agir assim em qualquer lugar do mundo, em especial os locais privados e nos públicos também.

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    1. Exato, a questão foi a forma da abordagem. Em outro hotel de Belém, o Regente, na av. José Malcher, onde eu costumava ir, um dia o segurança me informou que não era mais permitido pessoas não hospedadas permanecerem ali. Disse isso de uma forma normal, conversando. Entendi, saí e nunca mais retornei - e é a primeira vez que estou mencionando este fato.

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    2. Da próxima vez espero que seja vc debaixo de uma chuva torrencial e um raio atinja bem em cheio sua cabeça...pessoas como vc sao desnecessárias nesse mundo!! Precisamos de mais pessoas com um mínimo de compaixão e preocupação com o próximo!!

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  5. Não vi problema algum na abordagem, regras são para seguir, sobre a permanência de estranhos no interior do hotel sou completamente a favor de proibi-las, o mesmo é responsável pela segurança de seus hóspedes, se vc estivesse em visita ao estabelecimento e ou algum hospede vc iria direto à recepção, o que não foi o caso. Então o segurança tem todo o direito de aborda-lo e o hotel não é obrigado a informar que não é permitida a permanência de pessoas estranhas no ambiente interno, na verdade nunca vi tal aviso em nenhum hotel que já me hospedei, e olha que já viagem bastante. Vamos para de se vitimizar a todo momento

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    1. O hotel pode, evidentemente, ter suas próprias regras sobre quem entra, sai ou fica, basta informar isto com respeito ao ser humano. Não me dirigi à recepção quando cheguei porque não vi motivo para isto, já que quando entro no Princesa Louçã para esperar a chuva passar nunca fui abordado. Só me dirigi à recepção do Grand Mercure para buscar esclarecimento sobre se a abordagem estava prevista (entendi que sim) e fôra conduzida corretamente (entendo que não).

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    2. Se este hotel fosse o Princesa Louçã, assim estaria o nome na fachada do prédio, o que não é o caso. Cada lugar tem suas regras, não ache, pergunte sempre. Não se coloque como vítima, pois você não é.

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  6. Apesar de se tratar de um prédio particular, a recepção é um local de uso coletivo e portanto, passa a ser considerado um espaço público, somente os quartos do hotel são considerados espaços privados ou particulares.....

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    1. É exatamente este o ponto.

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    2. Coletivo para quem está hospedado ou trabalhando no hotel, para outros é privado mesmo, seu ponto de vista está erradíssimo.

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    3. De fato, pensamos diferente sobre o mesmo assunto.

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  7. Esses hoteis da av nazare sao todos assim... Por isso sempre faco propaganda negativa deles no brasil e exterior. Acredito na historia, pois conheco pessoas que passaram igual ou pior... Tomara que feche as portas!

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  8. Já parei o carro em frente ao hotel para buscar um amigo que nao estava hospedado la, mas mora no predio ao lado. O segurança veio me abordar dizendo que só poderia parar ali se estivesse aguardando hospede. Mandei romar naquele lugar e sugeri que chamsse a semob pra me guinchar.

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    1. E isto que a frente do hotel é bem ampla, então dificilmente o seu carro estaria impedindo o acesso ao hotel.

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  9. Todos cheios de mi mi mi, imagina se o hotel permitisse tudo o que as pessoas acham que podem e o que acham que tem o direito, ali viraria uma anarquia, um entrando sem permissão, outro estacionando em cima da calçada e mandando o segurança pra longe, etc. Alguns comentários só provam que existem pessoas muito pretensiosas em achar que elas só tem direitos, dever que é bom, nada!!!!

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    1. O comentarista acima não disse que estacionou em cima da calçada. Eu entendi que ele estacionou junto ao meio-fio, ou seja, uma via pública, onde todos podem parar a não ser que esteja diante de uma garagem sinalizada, o que não é o caso do Grand Mercure Belém.

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