quinta-feira, 13 de julho de 2017

Opinião Cinema: Mulher Maravilha

Por Bianca Oliveira,
de Macapá



Diferente de Batman e Superman, heróis que têm inúmeros filmes e uma longa história no cinema, a Mulher Maravilha nunca conseguiu de fato levar sua história para as telas; na década de 1970 houve a série de TV estrelada por Lynda Carter e nada mais. É por isso, que este filme carrega consigo tanta responsabilidade. Pois, ele é o primeiro longa sobre uma super-heroína dirigido por uma mulher, e Patty Jenkins é a segunda mulher  a dirigir um longa com orçamento de mais de US$ 100 milhões. Sem contar todas as polêmicas que o filme esteve envolvido. A personagem foi “declarada” Embaixadora Honorária para o Empoderamento das Mulheres da ONU, mas após apenas dois meses, uma petição assinada por de 45 mil pessoas fez com que ela fosse destituída do cargo, tudo isso porque “a escolha reforçava a objetificação da imagem feminina”. Afinal, é feminista ou não?

Vejam bem, não estou aqui para encher linguiça e nem colocar milhares de textos e teorias do feminismo, por isso é preciso um pouquinho saber da história dessa heroína. Ela foi criada em 1941, pelo psicólogo William Moulton Marston que admirava o movimento das sufragistas, que lutavam pelo direito ao voto das mulheres na década de 1920. Ele acreditava que mulheres deveriam ser ativas na sociedade, ter um papel combativo, guerreiro e político. Obviamente que, após a sua criação, o papel da heroína oscilou bastante, em algumas histórias tinha bastante representatividade e empoderamento, em outras era neutralizada, ícone de beleza e sexualizada, tudo dependia de quem era o autor. O fato é que a essência dela era feminista, ela tinha ideais e fez o possível para lutar por eles, tanto que em uma cena dos quadrinhos, quando seu namorado pergunta: “Quando é que vamos nos casar?”, ela responde: “ Quando o mal e a injustiça desaparecerem da Terra”.

Porém, qual a necessidade de viajar tanto assim no contexto histórico? Porque ai está o mínimo para você entendê-la e  Jenkins sabe bem disso, tanto que mergulhou e tratou com delicadeza toda sua história nesta produção. O filme já começa nos apresentando uma pequenina Diana, princesa das Amazonas, que vive em Themyscira. Toda a história dessa Ilha é suavemente explicada, mostrando o treinamento de Diana (Gal Gadot) com sua tia (Robin Wright), mesmo sua mãe, a rainha Hipólita (Connie Nielsen), sendo super protetora. O treinamento foi de grande ajuda quando o oficial da Aeronáutica dos Estados Unidos Steve Trevor (Chris Pine) cai com seu avião na costa da ilha,  trazendo consigo uma guerra para as Amazonas e mostrando uma visão mais cética do mundo. A partir daí  a história vai se desenvolvendo aos poucos e com delicadeza, mostrando a Primeira Guerra Mundial e a luta da princesa das Amazonas para acabar com a dor do mundo. Na verdade, o ponto mais importante é que a diretora mostrou, no decorrer das cenas, a perda da inocência de uma mulher.



Patty Jenkins eu te venero! Com que poesia, com que delicadeza você conduziu o filme, respeitando a história e cuidando de absolutamente cada detalhe.  Mergulhando na mitologia grega e nas HQs também. A transição de tempo também foi suave, em um ritmo calmo  sem ser entediante. O diretor  de fotografia Matthew Jensen foi outro que nos presenteou com imagens fantásticos, nada tão escuro, sombrio e cinza como veríamos em qualquer filme do Batman; o dourado, o vermelho o azul eram cores em evidência, as imagens da ilha eram alegres e fortes. Quando a ação passa para Londres, durante a guerra, temos o cinza e cores mais calmas mostrando a dor daquela época.


Os únicos pontos negativos estão relacionados à construção dos vilões, eles são fracos e tão didáticos que insultam nossa inteligência e a de Diana também. Aquela cena da morte de Steve também é patética, me perdoe quem adorou, mas não havia necessidade alguma de um coadjuvante dividir a atenção da cena com a protagonista, ficou parecendo que nossa Wonder Women dependia dele para crescer. O pior  erro, sem dúvidas, foi a  pirotecnia do terceiro ato - se o começo foi pura poesia, calma, respeitando cada história, no final tivemos uma horrível pressa, todos os efeitos foram desnecessários.


Gal Gadot é rainha. Tiverem tantas dúvidas de que ela conseguiria dar conta do recado, mas depois desse filme, duvido que alguém ainda tenha. A entrega ao seu personagem foi fantástica, o seu olhar, o seu gestual, a sua postura foram dignas da princesa Diana, ela estava perfeita.

Essa resenha ficou mais longa que o habitual, mas estamos diante de um marco histórico, então não tem como ser uma resenha curtinha, não é? Vale a pena assistir, não só pelas incríveis atuações e direção, mas, sem dúvida pelos questionamentos que o longa traz à tona, por ver a inocência de uma mulher megaprotegida sendo perdida e em seu lugar nascendo uma heroína, a mais valente, a mais forte, a rainha do mundo.

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