sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Luiz Melodia 2011

Não conheci pessoalmente o cantor e compositor Luiz Melodia, falecido na manhã de hoje aos 66 anos. Estive em apenas um show seu (na programação do Dia do Samba, 2 de dezembro, em 2007, na Praça Municipal, em Salvador). Profissionalmente, divulguei um show do qual ele participou: o Baile Livre, Leve e Solto, realizado em Macapá em 7 de maio de 2011 pela cantora Juliele, de quem eu era assessor de imprensa na época. Gravando na época o segundo disco, a artista promoveu na época uma série de Bailes, onde recebia grandes nomes da MPB, tanto em Macapá, quanto em Belém. 

Curiosamente, a participação de Melodia neste show em Macapá gerou uma série de pautas que o tornaram nome frequente no meu blog Som do Norte até o final de 2011. O blog Jornalismo Cultural só entrou no ar em agosto daquele ano, então na ocasião o Som do Norte era meu principal veículo de jornalismo cultural, por isso eventualmente eu publicava lá pautas que seriam mais adequadas para cá. A seguir, um compacto do que escrevi sobre Melodia naquele ano, agrupado por temas. 


  • Melodia no Baile Livre, Leve e Solto

No release que anunciou a primeira edição do Baile em Belém, realizado em 2 de abril de 2011, adiantei que o Baile seguinte em Macapá seria no começo de maio e teria Luiz Melodia como convidado. A data do evento - 7 de maio - foi noticiado por Manoel Cordeiro, então diretor musical de Juliele, via Twitter em 17 de abril; o maestro também informou que seu filho Felipe Cordeiro seria a outra participação especial. 

Ao publicar, em 4 de maio, o release do Baile do dia 7, permiti-me fugir da fórmula mais biográfica que habitualmente eu fazia em meus textos de assessoria, e procurei mostrar o que cada artista escalado para a noite tinha em comum com o tema do evento. Abaixo, um trecho:

Neste quarto Baile Livre, Leve e Solto, o terceiro em Macapá (houve outro em Belém, em abril), estarão reunidos três artistas que têm em comum o fato de, em algum momento da carreira, terem se permitido:
  • Juliele, que depois de uma breve temporada de shows quando lançou seu primeiro CD, em 2007, recentemente parou de advogar e permitiu-se assumir a música como atividade principal
  • Felipe Cordeiro, que depois de um início de carreira onde fazia canções dentro do cânone clássico na MPB, e atuava principalmente como instrumentista e compositor, permitiu-se incorporar elementos kitsch e pop em sua arte, passando também a cantar
  • Luiz Melodia, que depois de gerar uma certa estranheza no início de carreira (afinal, era do morro carioca de São Carlos, onde surgiu a pioneira Escola de Samba Deixa Falar, mas não fazia samba), recentemente permitiu-se fazer lindos discos de samba.
Permita-se curtir muito este Baile Livre, Leve e Solto!

Na época eu residia em Belém, então nem sempre a produção de Juliele bancava minha ida a Macapá para acompanhar os Bailes. Desta forma, foi a jornalista Mariléia Maciel que redigiu o texto informando a chegada de Melodia e Felipe a Macapá, em 6 de maio. 

Para reportar o que teria sido o show, recorri a uma seleção de tweets e posts no Facebook, que publiquei já no dia seguinte. 

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  • Melodia e a CPI do Ecad

Durante a estada em Macapá, Melodia encontrou-se com o senador Randolfe Rodrigues, que na ocasião estava dando início à CPI que investigou o ECAD e acabou gerando uma série de mudanças na arrecadação e distribuição dos direitos autorais no Brasil. O apoio do cantor à iniciativa do parlamentar foi notícia em dois blogs amapaenses, repercutida em 9 de maio no Som do Norte

A maior repercussão em especial foi de um parágrafo do post "CPI do Ecad", publicado no blog de Alcinéa Cavalcante, e reproduzida no meu texto: 
Melodia parabenizou o senador amapaense pela iniciativa e se colocou à disposição dele para contribuir com a CPI. Contou que a última vez que recebeu créditos do Ecad foi nos anos 80. De lá pra cá não sabe para onde vai o dinheiro que é recolhido pela execução de suas músicas. Vale lembrar que de norte a sul, suas músicas, como “Pérola Negra” e “Estácio, Holly Estácio” são tocadas há décadas todos os dias.

A mesma informação foi incluída em texto de Gisele Barbieri, assessora de Randolfe, sobre a mobilização para criação da CPI, texto que publiquei no dia 10

O ECAD sem demora contestou a afirmação, enviando no dia 13, através de sua assessoria, um comunicado que reproduzi na íntegra no dia seguinte. 

Busquei contato então com a assessoria de Melodia para que a questão fosse esclarecida - nessa busca, cheguei inclusive a falar por telefone com o próprio senador Randolfe. No dia 16, recebi da assessora do artista, Jane Pinto Reis, e-mail assinado pelo próprio Melodia, e que fora enviado por ele à associação à qual pertence, a Abramus:

"Não desmentindo o senador e apoiando a CPI por uma melhora geral de distribuição dos direitos autorais de uma forma justa para todos, venho esclarecer que em momento algum disse não estar recebendo os meus direitos de execução pública ao longo dos últimos anos. Só comentei o fato que é sabido de que tem que haver uma melhor distribuição. Coloco a Abramus, minha sociedade desde 2003, à disposição para esclarecimentos, e espero que de nenhuma forma esse mal-entendido atrapalhe o trabalho do senador Randolfe.

Luiz Melodia"
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  • Melodia no 2º CD de Juliele


A terceira e mais extensa pauta que fiz ligada a Melodia em 2011 se relaciona à inclusão de uma canção sua no disco que Juliele estava gravando na ocasião. Noticiei em 10 de maio que, na passagem por Macapá, Melodia entregara à cantora amapaense uma parceria sua com Renato Piau. Cheguei a dizer que a canção seria gravada em dueto por Luiz Melodia e Juliele. A gravação inclusive interromperia o processo de masterização do disco, que já era considerado concluído pela cantora e seu maestro Manoel Cordeiro.

O dueto porém já passou a ser dúvida em seguida (no release de 16 de maio informando a viagem de Juliele ao Rio para a gravação, eu falei que ela "talvez faça dueto com o próprio Melodia na faixa"), para ser enfim descartado já no boletim seguinte, de 19 de maio, que confirmou a viagem da cantora para o Rio no dia seguinte; neste texto, também, foi revelado o título da composição: "Sonho Real". 

Gravação concluída, o lançamento do CD chegou a ser anunciado (em 27 de maio) para sair até início de julho. No dia 28, o produtor executivo do disco, Carlos Lobato, me telefonou e reproduziu a gravação para que eu escutasse. Comentei no blog, minutos depois:
Embora seja evidente que ouvir uma canção por telefone não é exatamente o ideal, foi sim possível sentir o clima romântico da canção, uma letra em que um eu-lírico feminino se declara a seu amado. O blues que seria o andamento original da música ganhou ares de bolero no arranjo do maestro Manoel Cordeiro. 

Em julho, como o CD ainda não estava pronto para ser lançado, produzi um release que chegou a ser publicado em vários sites do país, creio que muito em função da minha sacada de destacar importantes nomes da MPB em seu título - Novo CD de Juliele terá inéditas de Luiz Melodia e Evaldo Gouveia; reproduzi-o no Som do Norte em 13 de julho. 

Em 9 de outubro, apresentei aos leitores do blog uma prévia do CD, justamente com o pré-lançamento de "Sonho Real". Infelizmente, naqueles tempos pré-Souncloud, hospedei o áudio no Goear, um site que era bom mas já foi desativado. 

Por fim, em 19 de dezembro, noticiei o show de lançamento do CD, intitulado Balé de Luz e tendo "Sonho Real" como sexta faixa, em Macapá.



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