quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Opinião Cinema: Lady Macbeth

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro




Baseado em Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk (1865), do russo Nikolai Lenskov - que se inspirou na personagem da tragédia Macbeth (c. 1603-07), do inglês William Shakespeare -, o primeiro longa tanto do diretor William Oldroyd quanto da roteirista Alice Birch chega aos cinemas com uma nova visão da personagem que já inspirou tantas obras. Apesar de serem estreantes vemos, nitidamente, que eles não têm medo de arriscar e mostrar a sua verdade, provocando o público e nos apresentando a personagem mais complexa e delicada dos últimos tempos. 

Inglaterra, zona rural, 1865, Katherine (Florence Pugh) é trocada por terras por Boris (Christopher Fairbank) para se casar com seu filho Alexander (Paul Hilton). Alexander a trata como propriedade, não liga para sua esposa, nem sequer tenta “consumar” o casamento – quando chegar em casa manda a esposa tirar a roupa e virar para a parede, enquanto ele prefere se masturbar. Durante uma viagem de negócios do marido, Katherine se aproxima do empregado Sebastian (Cosmo Jarvis); os dois logo viram amantes e cúmplices. 

O filme é um misto de emoções. Uma boa parte é chata, monótona, repetitiva, a outra é surpreendente, um pouco assustadora e totalmente diferente. O longa tem como principais temas a sociedade, as relações de poder e principalmente o lugar da mulher. 



A personagem principal possui, no começo, uma vida muito  monótona, o que é mostrado em todas as ações diárias que se repetem como: o abrir da janela toda manhã, a escovação do seu cabelo pela criada Anna, as roupas apertadas e incômodas, isso serve para entendermos toda a opressão em que ela está inserida. Infelizmente, apesar da boa intenção, nós ficamos extremamente entediados, nunca imaginei isso, mas nos 10 primeiros minutos, eu quase levantei e fui embora – ainda bem que resolvi ficar e dar uma chance-. 

Graças a God o tom começa a mudar, para o sombrio, quando Sebastian aparece. A protagonista finalmente se liberta, todo o longa fica com suspense no ar, ficamos intrigados se ela está fazendo aquilo por amor, loucura ou puro egoísmo. Toda a produção é complexa, mas sem dúvidas, Katherine é uma das personagens mais fortes e confusas do cinema. Florence Pugh mesmo assim consegue interpretá-la de forma perfeita,  é um deleite a cada olhar, postura, fala, virada dramática. O resultado, nas telas, é realmente incrível, Pugh demonstra uma maturidade e um conhecimento invejável. 

Além de Florence, Naomi Ackie nos apresenta uma Anna com olhar vazio, triste, que não sabe o que fazer, de fato outra interpretação fantástica. Tirando elas, o elenco em si é bom, nada tão fantástico, apenas todo mundo fazendo sua interpretação certinha. 



O longa é direto, e isso é bom, tudo contado de forma clara, a ambientação toda é simples, só que de uma forma bonita, a casa principal não tem nada de glamourosa, não está cheia de objetos cênicos, tudo demonstra justamente aquelas tristeza e monotonias que comentei no começo. A direção de arte e figurino são realistas e detalhistas, a fotografia é simples, mas bonita, poucas cores, porém as mais vibrantes aparecem sempre do lado de fora, com planos mais longos, simbolizando a liberdade e a vida que Katherine não possui em casa. 

Lady Macbeth é um filme complicado, com falhas, que realmente nos deixa confusos sobre nossa opinião. Ele me fez ter medo, ficar confusa, querer ir embora, buscar detalhes na história e tantas outras sensações e emoções. E, incrivelmente, isso demonstra todo potencial do diretor, afinal, qual seria a melhor função do cinema do que não nos intrigar? Falando nisso, vou até assistir de novo para procurar mais detalhes e desvendar esse nó da minha cabeça.






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