terça-feira, 14 de novembro de 2017

Opinião Cinema: Terra Selvagem

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro



Aquilo que é distante do nosso meio é sempre visto com estranhamento. O “diferente” assusta e quase nunca refletimos sobre as culturas que são tão distantes das nossas. Isso quando consideramos cultura. Pensando em assuntos assim, Taylor Sheridan nos apresenta Terra Selvagem, sua estreia na direção, premiada na mostra "Un Certain Regard" do Festival de Cannes. Um filme que fala da cultura indígena dos Estados Unidos, do extermínio de seu povo nas aldeias. Precisamos falar disso, mais do que isso, precisamos ouvir o que indígenas tem a dizer, reconhecer o seu lugar de fala. 

Jeremy Renner vive Cory Lambert,  caçador na reserva indígena de Wind River, situada na parte mais fria do estado de Wyoming. Em uma de suas andanças na neve, Cory encontra o corpo de uma adolescente, que era amiga de sua filha que também foi assassinada. A agente do FBI Jane Banner (Elizabeth Olsen) é designada para o caso; novata e inexperiente, principalmente naquela realidade tão diferente da sua, Jane pede para Cory ajudá-la na investigação. Juntos os dois enfrentam seus próprios medos - incluindo velhas feridas do Cory, reabertas pelas lembranças do modo pelo qual sua filha morreu - e fazem quase o impossível para descobrir o culpado.




É curioso como dificilmente ouvimos falar das condições de uma reserva indígena. E o propósito do filme é bem nítido, o texto mostrado antes dos créditos finais é assustador, é um choque de realidade. O roteiro e a direção de Sheridan exploram a solidão e o drama daquela comunidade, a narrativa é simples mas tratada de maneira reflexiva; o autor explora cada personagem e suas vivências. O ritmo do longa é muito bom, o único ponto negativo é o desfecho que acontece de forma rápida e sem nenhuma criatividade, não deu nem tempo de duvidarmos ou tentarmos descobrir, já foi tudo entregue de bandeja. 



A fotografia de Ben Richardson valoriza o clima frio e gelado, os planos abertos nos mostram todo a solidão que aquela neve pode proporcionar, a paleta de cores em tons frios – literalmente – também nos sugere as sensações e a dor que aquela tribo sente. Um dos pontos que mais favorecem é o fato de ter um elenco com indígenas, afinal, se você quer falar sobre as estatísticas de homicídio de indígenas, sobre o extermínio desse povo, o mínimo que tem que fazer é dar voz, ouvir a população que sofre com isso, e o elenco indígena foi fundamental para isso.

Jeremy Renner nem nos lembra do seu personagem Gavião Arqueiro na franquia Os Vingadores. Renner nos mostra um homem sombrio, traumatizado, ele não perde a força e garra do personagem em nenhum momento. Elizabeth Olsen atua de forma forte e convincente, sem dúvida este é o personagem mais adulto de sua carreira; mesmo que ele não peça tanta coisa, Elisabeth demonstra que tem um grande potencial. 

Um tema diferente, ousado e pouco comentado mas que demonstra ter muito a oferecer. Não tenho dúvida que todos sairão da sala de cinema, no mínimo, com uma sensação de que deveriam fazer mais, no mínimo, conhecer mais, a palavra de ordem é ouvir. Se despir de todos os pré-conceitos, pré-julgamentos e todo egoísmo que carregamos conosco, olhar mais adiante, olhar para o outro, principalmente para o sofrimento do outro. Refletir e buscar, sempre!




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