segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Opinião Cinema: Liga da Justiça

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro




Liga da Justiça é o primeiro filme que a Warner Bros. reúne em um longa os maiores heróis da DC Comics. O filme dá sequência a Batman vs Superman - A Origem da Justiça, que não teve a melhor recepção do público. Desta vez, o fator que causou certa tensão foi o afastamento do diretor Zack Snyder, por motivos pessoais, quase no final das gravações, assumindo Joss Whedon - o público se perguntava: o que, afinal, aconteceria com um dos filmes mais esperados do ano? 

O longa começa com a Mulher-Maravilha (Gal Gadot) e o Batman (Ben Affleck) recrutando outros super-heróis - Super-Homem (Henry Cavill), Flash (Ezra Miller), Aquaman (Jason Momoa) e Ciborgue (Ray Fisher) para ajudarem a salvar a humanidade do Lobo de Estepe (Ciarán Hinds) que tem planos terríveis em sua mente. Como quase todo filme de super-herói esse resumo é o mais rápido e fácil, sempre há um megavilão tentando destruir o planeta, então qual o diferencial desse? A união de seus personagens e um tom mais leve que a DC tem experimentado.




Os filmes anteriores já indicavam uma mudança na DC, Batman vs Superman iniciava a formação da Liga da Justiça e no filme solo da Mulher Maravilha vimos um lado divertido e suave, diferente do que estávamos acostumados. Liga da Justiça acaba exagerando no seu lado cômico, pecando em coisas básicas como direção e roteiro. Seria a DC se tornando uma Marvel? Ou pelo menos indo nesse caminho? Claro, eu sei que apresentar três novos personagens assim não deve ser nada fácil, mas o roteiro de Chris Terrio e Joss Whedon peca no exagero: nos diálogos, no alívio cômico e até no drama principal. O vilão é só mais uma forma de levantar “a moral” dos heróis? Ele não poderia ter uma motivação, uma construção melhor? Ou ele simplesmente nasceu mal e quer as caixas maternas para acabar com a humanidade? 

Henry Cavill Justice League Superman Man of Steel
Também creditado como roteirista, Joss Whedon dirigiu a parte final das filmagens; assumir assim a direção não deve ser uma tarefa fácil e isso pode ser sentido na tela. Obviamente, Whedon é mega talentoso, Os Vingadores: Era de Ultron tá ai para provar isso. Mas há sim um conflito entre visões opostas. A diferença do que é ter Snyder na pós-produção é enorme, suas cenas de ação são sempre impecáveis, e provavelmente ele não deixaria passar a fotografia que utiliza cores e luzes totalmente opostas do sentido do filme e trabalharia melhor a questão da remoção do bigode de Henry Cavill (só eu fiquei extremamente incomodada com a computação gráfica?). 

Mas, calma! Há luz sim no fim do túnel. O elenco é a melhor parte de tudo. É incontestável a força de Gal Gadot como a Mulher Maravilha, talvez seu único defeito seja ser tão talentosa assim. Ben Affleck nos apresenta um Batman diferente, mais leve, que ainda carrega aquele peso dramático, porém é representado com um olhar até mais suave. Ezra Miller, Jason Momoa e Ray Fisher são surpreendentes, mesmo estreando na franquia eles nitidamente estavam à vontade em seus papéis, cada um da sua maneira mostrando que há um mundo que ainda vai ser mais explorado pela DC, mostrando personagens que são, sem dúvidas, cativantes por si só e suas representações foram fiéis. Ezra nos apresentou um Flash que era alívio cômico e ele era perfeito para o papel, a sua atuação foi ótima e agradável visualmente. 

Liga da Justiça não é ruim, mas há um caminho que precisa ser percorrido ainda: a DC precisa definir se vai seguir o caminho mais leve e interligado de super-heróis ou volta para o misterioso e sombrio que já conhecemos. As cenas após os créditos demonstram que tem muita coisa ainda por vir, só que dessa vez espero que Zack Snyder esteja do início ao fim no projeto.



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