quarta-feira, 4 de abril de 2018

Pantera Negra, um sopro de esperança

Por Bianca Oliveira
do Rio de Janeiro




Vocês sabem o quanto eu comento aqui sobre a importância da representatividade, não é? E soa até clichê eu voltar nesse assunto ao falar de Pantera Negra, mas o que posso fazer? Pantera Negra é sinônimo de representatividade! Você pode ser adepto do discurso de que: “Já existiram outros heróis negros”. Isso é verdade! Mas com que frequência um filme de Hollywood tem um elenco majoritariamente negro? E vai além disso, esse elenco é inteligente, é poderoso, é rico, não o negro pobre estereotipado... A gente sabe como a mídia representa um negro e quando um longa vai contra tudo isso, não podemos nos calar.

Para não fugir muito da crítica, vamos focar primeiramente nas questões técnicas do filme, ok? Em Pantera Negra vemos T’challa (Chadwick Boseman) se tornando Rei de Wakanda após a morte de seu pai T’chaka (John Kani) em Capitão América: Guerra Civil. Wakanda não é um lugar qualquer, pois simboliza a união entre as raízes e a modernidade, possui também uma tecnologia altamente avançada e uma cultura extremamente rica - além do vibranium que é um dos mais resistentes e poderosos metais da Marvel. Mas nem tudo ocorre como T’challa deseja, um antigo inimigo questiona seu poder e coloca Wakanda em risco. Cabe ao rei achar um jeito de devolver a paz ao seu povo.



O elenco é lindo! Não consigo achar outra palavra para definir. Boseman é um líder nato e está, aparentemente, super se identificando com seu personagem, ele transmite muito bem todas as dúvidas, motivações, tristezas, alegrias, absolutamente todas as sensações que T’Challa está sentindo. A representação feminina também é importante aqui, o longa coloca em tela mulheres fortes, inteligentes, que assumem seu poder. Lupita Nyong’o e Danai Gurira nos mostram uma atuação “power”, principalmente nas cenas de batalha, há em cena um ar de empoderamento inspirador. Letitia Wright é a surpresa do dia, a atriz nos presenteia com uma Shuri - irmã mais nova do protagonista - divertida e carismática, sendo o cérebro, o gênio tecnológico daquele lugar.



Não é difícil ter um elenco elogiado pela crítica, não é? Qual é o maior erro do mundo Marvel? O que eu e quase todos os fãs sempre reclamam? Estrelinha para quem respondeu que eram os vilões. Eles sempre são rasos e servem apenas como um degrau para levantar a moral dos protagonistas. Só que dessa vez não. Michael B. Jordan tem uma base fundamentando, um porquê da sua raiva, do seu rancor, ele intimida com o olhar, a sua ameaça amedronta a todos, o seu passado tem um peso muito especial. Eu posso dizer facilmente e sem medo, que ele é o melhor vilão que a Marvel já criou. Com Andy Serkis isso já não funciona tão bem, mas é inegável a importância de sua participação.

A caracterização de Wakanda funciona de forma eficiente. A fotografia aí vai muito além das belíssimas paisagens, ela está no cuidado com o figurino, a movimentação dos corpos, a ambientação do lugar que mescla perfeitamente o tribal com o avanço tecnológico.  A força da trilha sonora com os tambores, a dança, a construção por completo dos costumes, línguas, de tudo é diferente do que já vimos, sabe? O que eu senti ali? Que a ideia era representar a África e não agradar a América e não tenho nem como expressar a importância disso.

Ryan Coogler possui uma direção firme, sólida que sabe o que quer entregar. A construção da ambientação, caracterização, movimentação da câmera, tudo tecnicamente e perfeitamente alinhado. Mas a sua preocupação foi tão detalhada nisso que as cenas de ação deixaram e muito a desejar, elas quebravam o ritmo de uma forma que incomodava. O roteiro também não teve nada de extraordinário: ele funciona, segue aquela linha de clichês, porém não diminui em nada a beleza do longa.

Como resumir tudo que eu vi ali em uma frase só? Para mim o filme simboliza luta, representatividade, dar exemplo aos jovens negros de que eles podem ser reis, gênios, fortes, ali a gente vê um novo “tipo de padrão”. Sem dúvida alguma, é o filme mais politizado e profundo dos Estúdios Marvel, não tem aquele tom de piadinhas que estamos acostumados a ver, e as cutucadas políticas estão presentes. E se vocês tinham dúvida do poder da representação é só dar uma olhada nos números: com a arrecadação do 3º fim de semana o filme garantiu que a bilheteria americana atingisse US$ 1 bilhão em fevereiro pela primeira vez; foi ainda a terceira produção a atingir mais rápido a marca de US$ 500 milhões nos Estados Unidos. Em um mundo tão mau, ver Pantera Negra nos dá um ânimo, um sopro de esperança, não só no mundo cinematográfico, como na vida real também.



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